Tenho mais disciplina, persistência do que dom musical
Em 1992 entrei no curso de Violão no Centro Cultural de Campina Grande – PB com uma turma com mais de 20 pessoas de diversas idades sob a orientação do professor Jacinto que usava uma metodologia de “seleção musical natural” na qual a percepção auditiva e visual dos alunos eram determinantes para progredir no curso.
Tentei aprender: Pra não dizer que não falei das flores, com seus três acordes básicos (Em | D | B7 | Em) no compasso ternário. Não aprendi tocar a música e Jacinto me aconselhou não insistir em aprender tocar Violão.
No final da aula Jacinto sempre me dava carona e falávamos sobre política, ideologia, religião e nada sobre música. Ele se divertia em conversar com um idealista, ateu com 20 anos de idade que lia livros sobre história, marxismo, socialismo e revolução.
Jacinto, um afrodescendente de origem humilde, evangélico com mais de 40 anos de idade que era descrente da união da classe trabalhadora e também criticava os políticos, mas votava em candidatos de Direita apoiados pelo seu Pastor. Ele desistiu de me converter a sua religião e de me convencer em votar nos seus candidatos políticos.
Eu fui aprender Teoria Musical e tocar Teclado na escola Musidom com o multi-instrumentista Jorge Ribbas (http://www.ritmomelodia.mus.br/entrevistas/jorge-ribbas) e com ele também aprendi a tocar Contrabaixo e Violão. A falta de didática do professor Jacinto não venceu minha persistência e me tornei um multi-instrumentista.
Estou convencido que tenho mais disciplina e teimosia que dom musical. Em novembro de 2000, após me formar em Comunicação Social / Jornalismo me mudei para São Paulo e no Sesc Vila Mariana aprendi a tocar Bateria, Cajon, Bongô, Conga, Tímpano, Xilofone, Djembe e Pandeiro. Em 1989 eu desfilei tocando tamborim na Escola de Samba Vai-Vai e em 2010 na Escola de Samba Leandro de Itaquera.
Em 2009, eu estava passando as férias em Campina Grande e encontrei Jacinto no Calçadão que fica no coração da cidade (era o escritório informal dos músicos campinenses e trezeanos). Eu dei o primeiro CD da Reggaebelde (https://ritmomelodia.mus.br/entrevistas/reggaebelde) para Jacinto e falei que as letras eram de minha autoria e que criei e toquei as linhas do contrabaixo.
Ele recebeu o CD examinando de forma incrédula, mas quando viu a minha foto na contracapa do CD, comentou pensativo: “Hoje qualquer um grava um CD”. Imagine quando souber que a Reggaebelde (https://www.reggaebelde.com.br) lançou duas trilogias na qual sou autor das letras (risos).
Quando comecei a ministrar aula de música (Teoria Musical, Teclado, Violão, Contrabaixo, Bateria e Percussão) os professores Jacinto e Jorge Ribbas foram meus parâmetros do que fazer e não fazer, e segui alguns caminhos metodológicos e didáticos diferentes deles.
Ao estudar com o mestre Jack Lima (https://ritmomelodia.mus.br/entrevistas/jack-lima)que criou o SMD – Sistema Musical Definito que também é autor dos livros: Dicionário de Ritmos e Dicionário de Melodias a minha mente lógica se harmonizou com o estudo musical. O meu conhecimento empírico que o DNA da música são o Ritmo e a Melodia e que os acordes são subordinados a melodia passou a fazer sentido de forma lógica.


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