Os instrumentos da Música Sertaneja
A instrumentação da música sertaneja mudou muito ao longo de sua história. No entanto, alguns instrumentos são considerados essenciais por definirem a identidade sonora do gênero, especialmente em suas diferentes fases.
Música sertaneja de raiz (1929 – 1960)
Os instrumentos fundamentais eram: Viola caipira: Principal símbolo da música sertaneja. Responsável pelos ponteios, introduções e acompanhamentos. Presente desde as gravações de Cornélio Pires em 1929. Violão de seis cordas: Faz a base harmônica. Complementa a viola.
Acordeon: Muito utilizado principalmente a partir dos anos 1940. Influência da música gaúcha e da música rural. Reco-reco: Bastante usado nas primeiras gravações. Pandeiro: Aparecia em cateretês e pagodes caipiras.
Música sertaneja romântica (anos 1970–1980): Nessa fase entram novos instrumentos: Guitarra elétrica; Baixo elétrico; Bateria; Teclado. A viola continua presente, mas muitas vezes perde protagonismo para o violão e os arranjos elétricos.
Sertanejo moderno (A partir de 1990 até atualidade). Os instrumentos mais comuns são: Violão de aço; Violão de nylon; Guitarra elétrica; Baixo elétrico; Bateria; Teclados; Percussão; Loops e programações eletrônicas; Samplers. A viola aparece em muitas gravações como elemento de identidade, mas nem sempre é o instrumento principal.
Instrumentos considerados “a alma” da música sertaneja:
| Instrumento | Importância histórica |
| Viola | (o principal símbolo do gênero) |
| Violão | |
| Acordeon | |
| Guitarra | (principalmente após os anos 1980) |
| Baixo | |
| Bateria |
A Viola é o instrumento mais emblemático da Música Sertaneja. Desde as primeiras gravações produzidas por Cornélio Pires em 1929, ela simboliza a sonoridade do sertão brasileiro. O violão consolidou-se como base harmônica indispensável, enquanto o acordeon ampliou a riqueza melódica a partir dos anos 1940. Com a modernização do gênero nas décadas seguintes, guitarra, baixo e bateria passaram a integrar definitivamente a formação das duplas e bandas, marcando a transição para o sertanejo romântico e, posteriormente, para o sertanejo universitário.
Não é casual o Acordeon na Música Sertaneja.Ela resulta da convergência de fatores históricos, culturais, musicais e práticos que fizeram do instrumento um dos pilares da formação das duplas, ao lado da viola caipira e do violão.
Ampliação da sonoridade da música caipira: Nas primeiras décadas do século XX, a formação mais comum era composta apenas por viola e violão. O acordeon passou a ser incorporado a partir das décadas de 1930 e 1940, ampliando as possibilidades musicais por oferecer: acordes completos; linhas melódicas independentes; baixos de acompanhamento; maior volume sonoro em apresentações ao vivo.
Enquanto a viola era essencialmente um instrumento de cordas dedilhadas, o acordeon acrescentava sustentação harmônica e um timbre contínuo, enriquecendo o conjunto.
Influência da imigração europeia: O acordeon chegou ao Brasil com imigrantes italianos, alemães, poloneses e outros povos europeus entre os séculos XIX e XX. Tornou-se rapidamente popular nas zonas rurais do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Essa difusão favoreceu sua incorporação à música sertaneja, sobretudo nos estados de: São Paulo; Paraná; Minas Gerais; Mato Grosso; Goiás.
Versatilidade musical: O acordeon reúne em um único instrumento funções que exigiriam vários músicos: acompanhamento harmônico; linhas de baixo; melodias; contracantos; introduções instrumentais; improvisação.
Isso era especialmente vantajoso para duplas que viajavam e se apresentavam com formações reduzidas.
Compatibilidade com a Viola: Do ponto de vista acústico, viola e acordeon se complementam: a Viola produz um som percussivo e de curta duração; o Aordeon sustenta as notas por mais tempo, preenchendo os espaços sonoros.
Essa combinação cria equilíbrio entre ataque e sustentação, característica marcante da música sertaneja tradicional.
Adequação aos ritmos sertanejos: O acordeon adapta-se facilmente a diversos gêneros presentes no repertório sertanejo, como: moda de viola; toada; cateretê; cururu; rasqueado; guarânia; rancheira; chamamé; valsa caipira; polca caipira.
Sua capacidade de alternar entre acompanhamento e protagonismo o tornou um instrumento extremamente versátil.
Influência das rádios e da indústria fonográfica: A partir das décadas de 1940 e 1950, o acordeon passou a ser presença constante nas gravações em estúdio. Seu timbre: era facilmente captado pelos equipamentos da época; destacava-se nas transmissões radiofônicas; conferia identidade sonora às gravações. Com isso, tornou-se um elemento reconhecido pelo público como parte da sonoridade sertaneja.
Influência de outros gêneros brasileiros: A música sertaneja dialogou intensamente com estilos que já utilizavam o acordeon, como: o forró nordestino; a música sulista; a música de fronteira com Paraguai e Argentina; a música gaúcha. Esse intercâmbio ampliou o repertório rítmico e consolidou o instrumento no gênero.
Capacidade de acompanhar a voz: O acordeon acompanha o canto de forma muito eficiente porque: sustenta notas longas; faz respostas às frases vocais; cria introduções memoráveis; preenche intervalos entre os versos sem competir com as vozes. Essa característica favoreceu seu uso nas tradicionais duplas sertanejas.
Facilidade de transporte: Em comparação com instrumentos como piano ou órgão, o acordeon era portátil e resistente. Isso era decisivo para artistas que viajavam continuamente pelo interior do Brasil, apresentando-se em circos, festas e programas de rádio.
Consolidação estética: Ao longo do século XX, o público passou a associar o timbre do acordeon ao universo rural brasileiro. Assim, ele deixou de ser apenas um recurso instrumental e passou a integrar a identidade estética da música sertaneja, ao lado da viola e do violão.
Acordeonistas que marcaram a música sertaneja: Diversos instrumentistas contribuíram para consolidar o acordeon como parte da linguagem sertaneja, entre eles: Mário Zan; Pardinho (também acordeonista em parte de sua trajetória); Zé do Rancho; Pinocchio, requisitado em gravações sertanejas; Dominguinhos, cuja influência alcançou diferentes gêneros, incluindo o sertanejo.
Os principais motivos para o acordeon integrar a formação instrumental básica da música sertaneja são: Complementa a viola e o violão harmonicamente. Reúne melodia, harmonia e baixo em um único instrumento.
Adapta-se aos principais ritmos do repertório sertanejo. Valoriza e sustenta o canto das duplas. É portátil e adequado às apresentações itinerantes. Tem timbre marcante nas gravações e transmissões de rádio. Incorporou influências europeias e de outras tradições musicais brasileiras. Tornou-se um símbolo da sonoridade sertaneja ao lado da viola caipira e do violão.
Embora a Viola permaneça o principal emblema da música sertaneja, o acordeon foi decisivo para a evolução estética do gênero, especialmente entre as décadas de 1940 e 1980, quando ajudou a ampliar o repertório, enriquecer os arranjos e consolidar uma identidade sonora que permanece reconhecível até hoje.
Fonte: ChatGPT


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