História da Viola no Brasil

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A Viola de 10 cordas, também chamada de viola caipira, é um dos instrumentos mais antigos e representativos da cultura brasileira. Sua história acompanha a própria formação do Brasil rural.

Séculos XV e XVI – As origens em Portugal. A viola brasileira descende das violas portuguesas, como a BraguesaAmarantinaToeiraCampaniça e Beiroa. Essas violas, geralmente com cinco ordens de cordas (dez cordas em pares), têm origem medieval, influenciadas pela guitarra latina e pelo alaúde árabe. 

1500–1550 – Chegada ao Brasil. A viola chega com os primeiros colonizadores portugueses. Os missionários jesuítas utilizam o instrumento na catequese indígena, ensinando cantos religiosos. É o primeiro instrumento de cordas amplamente difundido no território brasileiro. 

Séculos XVI e XVII – Interiorização. A viola torna-se popular entre colonos, bandeirantes e pequenos agricultores. Passa a acompanhar festas religiosas, folias, danças populares e celebrações rurais. Surgem adaptações feitas artesanalmente com madeiras brasileiras.

Século XVIII – Consolidação. A viola espalha-se pelas regiões de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Sul do Brasil através das rotas dos tropeiros. Aparecem importantes centros de fabricação artesanal. Destaca-se a famosa Viola de Queluz, produzida na atual cidade de Conselheiro Lafaiete (MG), considerada uma das primeiras escolas brasileiras de luteria da viola. 

Século XIX – Instrumento do povo. A viola torna-se símbolo da cultura caipira. Está presente em:Folia de Reis; Congadas; Catira; Cururu; Moda de viola; Festas do Divino. A pintura “O Violeiro”, de Almeida Júnior (1899), eterniza a importância social do instrumento.

Início do século XX (1900–1930): A música caipira ganha força nas gravações fonográficas. A viola passa a acompanhar duplas sertanejas pioneiras. Destacam-se pesquisadores como Cornélio Pires, responsável por registrar a cultura caipira e levar violeiros aos estúdios de gravação. 

Décadas de 1930 e 1940: O rádio populariza a viola em todo o país. Surgem grandes duplas caipiras. A viola torna-se o principal instrumento da música sertaneja tradicional.

Décadas de 1950 e 1960 – A Revolução: A técnica do instrumento evolui profundamente. Tião Carreiro revoluciona a linguagem da viola ao criar o Pagode de Viola, misturando elementos do cateretê, da música caipira e do ritmo sertanejo. O ponteado torna-se mais sofisticado.

Décadas de 1970 e 1980: A viola passa a ocupar espaço também na música instrumental. Cresce o trabalho de luthiers brasileiros. Novas afinações e técnicas são difundidas. Artistas como Renato Teixeira e Almir Sater aproximam a viola do grande público.

Década de 1990: A viola entra nas universidades. Surgem pesquisas acadêmicas sobre história, construção e linguagem musical. Cresce o número de festivais de viola e encontros de violeiros.

Século XXI (2000–2026) – A viola vive um verdadeiro renascimento.

Destacam-se: cursos superiores dedicados ao instrumento; festivais nacionais; concursos de violeiros; valorização da luteria artesanal; presença na música instrumental, popular, sertaneja, MPB e até no rock.

Grandes nomes contemporâneos incluem: Ivan Vilela; Roberto Corrêa; Paulo Freire; Fernando Deghi; Chico Lobo; Bruna Viola; Pereira da Viola

Linha do tempo resumida

PeríodoMarco histórico
Séculos XV–XVIOrigem nas violas portuguesas
1500Chegada ao Brasil com os portugueses
Século XVICatequese dos indígenas pelos jesuítas
Séculos XVII–XVIIIExpansão com bandeirantes e tropeiros
Século XVIIIConsolidação da fabricação artesanal (Viola de Queluz)
Século XIXSímbolo da cultura caipira
1929Primeiras gravações comerciais da música caipira
1959–1960Revolução técnica com Tião Carreiro
Décadas de 1970–1990Expansão artística e acadêmica
2000–2026Renascimento nacional da viola, festivais, universidades e novos violeiros

 


Principais ritmos da viola caipira

A história da Viola de 10 cordas no Brasil é, ao mesmo tempo, a história da formação da cultura caipira e sertaneja. Introduzida pelos portugueses, apropriada por indígenas, bandeirantes, tropeiros e comunidades rurais, ela se transformou em um símbolo da identidade musical brasileira, mantendo-se viva por mais de cinco séculos.

A viola caipira é o principal instrumento da música caipira e um dos símbolos da música sertaneja. Seu repertório desenvolveu, ao longo de mais de dois séculos, um conjunto de ritmos, técnicas e estilos de execução que definem a identidade do gênero.

Principais ritmos da viola caipira:

1. Cururu: Ritmo tradicional do interior de São Paulo e Mato Grosso. Compasso geralmente em 2/4 ou livre. Associado a desafios poéticos e temas religiosos. Viola com ponteios lentos e ornamentados.

2. Cateretê (Catira): Um dos ritmos mais característicos da música caipira. Compasso binário (2/4). Marcado por forte pulsação rítmica. Tradicionalmente acompanhado de sapateado e palmas.

3. Moda de Viola: Gênero narrativo. Andamento lento. Grande valorização da interpretação vocal. Introduções e interlúdios executados na viola.

4. Pagode de Viola, criado e popularizado por Tião Carreiro. Características: Grande virtuosismo. Ritmo sincopado. Alternância entre ponteios e batidas. Tornou-se um dos estilos mais complexos da viola.

5. Toada: Ritmo lento. Melodias longas. Bastante expressivo. Muito usado em músicas românticas e religiosas.

6. Recortado: Ritmo rápido. Muitas síncopes. Exige excelente coordenação entre mão direita e esquerda.

7. Querumana: Bastante presente nas gravações antigas. Influência da música rural paulista.

8. Cana-Verde: Dança tradicional brasileira. Muito utilizada por violeiros do interior.

9. Lundu Caipira: Herança afro-brasileira. Ritmo sincopado.

10. Fandango Caipira: Presente principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Técnicas tradicionais da viola:

Ponteado é a técnica mais conhecida. Consiste em: tocar nota por nota; desenvolver melodias independentes; criar introduções instrumentais. É considerada a “assinatura” da Viola Caipira.

Rasqueado: Consiste em: batidas rápidas sobre todas as cordas; criação de forte efeito rítmico; muito usado em cateretês.

Repique: Alternância rápida entre graves e agudos. Muito utilizada em: pagodes; recortados; cateretês.

Baixaria: Linha de baixos executada com os bordões (as cordas mais grave da Viola). Funções: ligar acordes; criar movimento harmônico; preencher espaços entre frases.

Ponteio Duplo: O violeiro toca: melodia; baixo; harmonia ao mesmo tempo. É uma das técnicas mais difíceis.

Campanella: Notas permanecem soando simultaneamente. Produz um efeito semelhante ao toque de sinos.

Ligados (Hammer-on e Pull-off): Permitem executar frases rápidas sem repicar todas as notas.

Harmônicos Naturais: Produzem um timbre cristalino. Muito usados em introduções instrumentais.

Tremolo: Repetição muito rápida da mesma nota. Bastante utilizada por violeiros instrumentistas.

Trêmulo de Polegar: Muito comum na escola de Renato Andrade.

Arpejos: Execução das notas dos acordes separadamente. Muito presentes em: modas de viola; toadas; músicas religiosas.

Batida Caipira: Acompanhamento tradicional. Alterna: polegar; indicador; médio; anelar. Cada escola de violeiro possui sua própria batida.

Levadas características: Os violeiros desenvolveram levadas específicas para: moda de viola; pagode; cururu; cateretê; toada; guarânia; rancheira; rasqueado; chamamé; valsa caipira.

Afinações (cebolões e outras): A riqueza técnica da viola também depende das afinações. Entre as mais utilizadas estão: Cebolão em Ré; Cebolão em Mi; Rio Abaixo; Boiadeira; Natural; Paraguaçu; Meia-Guitarra; Travessa. Cada afinação favorece determinados ponteios, acordes e recursos técnicos.

Grandes escolas de execução. Alguns violeiros foram decisivos para a consolidação de diferentes estilos:

  • Tião Carreiro — criador e principal difusor do pagode de viola, com uso marcante de repiques, baixarias e sincopação.
  • Bambico — importante na tradição do ponteado caipira.
  • Renato Andrade — aproximou a viola do repertório de concerto, explorando arpejos, tremolos, harmônicos e técnicas refinadas.
  • Almir Sater — integrou influências da música pantaneira, folk e country, ampliando o vocabulário técnico da viola.
  • Roberto Corrêa — sistematizou técnicas e repertórios em obras didáticas, contribuindo para a pesquisa e o ensino da viola.
  • Ivan Vilela — desenvolveu uma linguagem instrumental contemporânea inspirada na tradição caipira e em elementos da música de concerto.

A tradição da viola caipira reúne três dimensões fundamentais:

DimensãoPrincipais elementos
RitmosCururu, Cateretê, Moda de Viola, Pagode de Viola, Toada, Recortado, Cana-Verde, Querumana, Lundu Caipira e Fandango Caipira
TécnicasPonteado, Rasqueado, Repique, Baixaria, Ponteio Duplo, Campanella, Ligados, Harmônicos, Tremolo, Arpejos e Batida Caipira
Recursos musicaisAfinações variadas, levadas específicas, improvisação, ornamentação e diálogo entre melodia, baixo e harmonia

Esse conjunto de ritmos e técnicas faz da viola caipira um instrumento de grande riqueza musical, capaz de atuar tanto como acompanhamento quanto como instrumento solista, preservando a tradição da música caipira e dialogando com linguagens contemporâneas da música instrumental brasileira.

Fonte: ChatGPT


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