Marcelo Bida 

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Marcelo Bida atua como baterista desde 2002, tendo participado de diversos grupos musicais contemplando diferentes gêneros em Piracicaba e região, e também como freelancer em shows e gravações. 

Iniciou carreira profissional com o grupo de samba e MPB de Izaíra Barbosa, a Zazá, gravando um DVD no Teatro Municipal de Piracicaba, tendo passado por grupos como “O Fino da Bola” em vertentes do Samba-rock/Funk/Soul, o qual lançou 2 EPs, e outras grupos do mesmo gênero.

Fez parta da banda “Rio Grande Blues” de 2013 até 2022 aonde gravou 2 discos autorais e 1 tributo, se apresentando em diversas casas de shows, SESCs, SESIs, festivais nacionais e internacionais de blues. Neste mesmo projeto, fez parceria com grandes nomes do cenário do Blues como o pianista Adriano Grineberg, Marcos Otaviano, Edu Gomes, Rodrigo Belloni, Carol Laudisi, Paulo Coruja, entre outros.

Hoje atua como freelancer e junto à banda Maracangalha, dentro do universo da MPB da velha escola e contemporânea, com um álbum gravado e outro em preparação e também com o trio de blues Hotel Magnólia, com Claudio Formiga (https://ritmomelodia.mus.br/claudio-formiga) e Mário Américo (https://ritmomelodia.mus.br/mario-americo).

Segue abaixo entrevista exclusiva com Marcelo Bida para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 09/09/2026:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Marcelo Bida: Nasci no dia 23/05/1986 em Piracicaba – SP. Registrado como Marcelo Favareto Correa

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Marcelo Bida: A minha querida mãe (Elaine Ap. Favareto Correa) me colocou na aula de Teclado quando eu tinha uns 10 anos de idade. O teclado de 3 oitavas ainda existe na sua casa.

A família do meu pai (Reginaldo Sachetto Correa) também sempre flertou um pouco com a música, meu pai tocava um pouco de guitarra e violão, meu tio (Ricardo Sachetto Correa) tocava bateria e sempre me estimulou a aprender algum instrumento e foi ele quem apareceu com uma bateria em casa pegando todo mundo de surpresa.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Marcelo Bida: Eu tenho graduação em Ciências Biológicas e mestrado em Ciências na Agricultura e no Ambiente pelo CENA/USP, lugar aonde trabalho a 16 anos.

A minha formação musical é mais informal, com professores particulares que contribuíram muito para minha carreira, formação e pensamento musical, sobretudo o Fabrício Felix, que ampliou a minha visão sobre o instrumento e suas possibilidades.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Marcelo Bida: Eu acredito que tudo que nós vivemos, tocamos e temos como referência sempre fica um pouco “grudado” na gente mesmo se não fizer mais sentido depois de um tempo.

Eu comecei no universo do punk/hardcore, trash metal e seus subgêneros e vim parar em um universo de MPB, Samba, Blues e afins. Hoje eu busco escutar um pouco de tudo, as vezes para estudo outros por prazer e as influências do passado vira e mexe estão na playlist.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Marcelo Bida: O pessoal mais velho da rua onde eu morava já tocavam alguma coisa e eu sempre ia nos ensaios, até que um dia formamos uma banda de rock nacional a “Sr. Leprechaun”.

Em 200, quando tinha uns 14 anos de idade fizemos uma apresentação na festa do sorvete na escola a qual eu estudava, foi o maior “auê”. Depois com meu primo que também era guitarrista dessa antiga banda, reunimos um pessoal para tocar punk/hardcore o que me levou a conhecer outras pessoas do meio e a montar outro grupo chamado “Lazy train”, o qual tocávamos com uma frequência muito alta. 

Mas o que virou a chave foi quando eu tinha uns 17 anos (em 2003), quando o Fabrício me indicou para um trabalho com o Léo França que fazia uma onda de MPB e samba, onde recebi o meu primeiro cachê em dinheiro, na época, R$70,00 reais, paguei um cachorro-quente para todos os amigos que foram assistir. 

Com o guitarrista João que trabalhava com um pessoal do sertanejo e me convidou para integrar o grupo, aceitei e fizemos alguns shows e neste grupo a baixista (Cris Neres) me convidou para um lance de MPB, junto com a falecida Zazá, tinha show quase todo dia e a partir daí o processo foi tomando seu caminho.

Conheci vários músicos e acabei indo pra uma gig de Samba Rock Funk Soul que foi o Fino da Bola e nesse período fazia também muitos freelances com o pessoal da MPB da cidade.

06) RM: Quantos álbuns autorais lançados? O conceito de cada álbum? Cite alguns álbuns que participou tocando bateria ou percussões?

Marcelo Bida:  Em 2002 – Lazy train EP (2 faixas). Influências do Hardcore Californiano, mas com uma pegada visceral, segundo minha mãe era uma paulada. Em 2003 – Lazy Train – Lazy train. Mesma pegada que o anterior. Em 2003 – Naifs – Naifs – Hardcore Californiano.

Em 2007 – DVD Zazá Brasileira no Teatro Municipal – Pérolas da Música Brasileira – Releitura de grandes nomes da música brasileira em uma diversidade de ritmos.

Em 2015 – Rio Grande – Roses Cafe – Uma onda de Eletric Blues com muita personalidade.

Em 2017 – Rio Grande – Ramblin Soul – Novamente na mesma onda só que um pouco mais pesado.

Em 2018 – Maracangalha – Mãos e pés – Música brasileira utilizando diferentes elementos regionais.

Em 2020 – Rio Grande – What If (single) – Single gravado durante a pandemia com uma atmosfera blues pop.

Em 2021 – Rio Grande – Blues Agreement – Robert Johnson Tribute – Releitura das músicas do artista com uma pegada mais moderna e com elementos da música brasileira. 

07) RM: Você toca outro instrumento musical?

Marcelo Bida: Eu não posso dizer que toco, eu arranho uma coisa ou outra, mas o meu instrumento é a bateria mesmo.

08) RM: Quais as principais técnicas que o Baterista deve se dedicar?

Marcelo Bida: É muito importante estudar o básico, os fundamentos do instrumento, estudar com o metrônomo em andamentos confortáveis antes de acelerar, ter um bom controle de mãos e pés, uma base sólida dos rudimentos. Escutar muita música, de diferentes gêneros, sempre com a cabeça aberta pra aprender algo novo e entender as diferentes situações que a música pode te colocar.

09) RM: Quais os principais vícios técnicos ou falta de técnicas têm bateristas alunos e alguns profissionais?

Marcelo Bida: Ignorar o básico e os fundamentos acreditando que tudo é “simples”. O alicerce de tudo está ali no começo, o que você faz depois com isso é indiferente. Uma boa base te abre muitos caminhos.

10) RM: Quais são os Bateristas que você admira?

Marcelo Bida: Eu admiro muitos, em diferentes gêneros, cada um tem suas peculiaridades, e sempre tem aqueles que temos uma afeição maior, eu gosto muito do Kiko Freitas, que é baterista do João Bosco e do Cássio Cunha, que trabalha com o Alceu Valença, o Adelson batera que toca com o Spok Frevo, o Jorge Gomes (irmão do Pepeu) e estudando os métodos de Dave Weckl, Vinie Colaiuta, Steve Gadd, Billie Cobhan, entre outros que são unânimes nesse meio.

11) RM: Existe uma indicação correta para escolher uma Bateria?

Marcelo Bida: O melhor instrumento é aquele que você tem naquele momento, o importante é sempre estar praticando, pode ser até o sofá ou um catado de panelas.

12) RM: Quais os gêneros musicais que necessitam de bateria específica?

Marcelo Bida: Cada gênero tem sua peculiaridade e suas nuances. No exemplo que dei acima, o Adelson é um baterista de frevo, e por mais que você estude, ele vive aquilo há mais de 60 anos, vai ser praticamente impossível ter a desenvoltura e a leitura do gênero como a dele. Então para tudo existe o meio e as suas particularidades, cada gênero tem detalhes únicos, que pode caber o instrumento de uma determinada maneira.

13) RM: Qual a marca de Bateria da sua preferência?

Marcelo Bida: Hoje em dia eu uso um instrumento “custom” da marca Odery, feita de Imbuiam, está comigo há quase 20 anos. Foi produzida em 2008.

14) RM: Existe marca ideal para cada gênero musical ou é preferência pessoal?

Marcelo Bida: É sempre bom ter um instrumento com uma boa qualidade para se apresentar, mas a marca é indiferente nesse quesito o que muda mais são as medidas dos tambores e a afinação. Vamos fazer um contraste entre um batera de Rock, com medidas maiores e uma sonoridade mais grave e um batera de Jazz com medidas menores e afinações mais tensas.

15) RM: Quais os prós e contras de ser professor de Bateria?

Marcelo Bida: Atuei muito pouco como professor, mas tenho uma admiração muito grande pelos professores de música, principalmente os que fizeram parte da minha trajetória.

16) RM: Existe o Dom musical? Qual seu conceito de Dom?

Marcelo Bida: O dom ou talento sempre existe, mas nunca vai superar a dedicação e o esforço com os estudos em qualquer área da vida. O “dom” pode facilitar o seu caminho na música, mas também pode atrapalhar, te deixar desleixado, e é preciso tomar muito cuidado com isso.

17) RM: Quais os prós e contras de ser baterista freelancer acompanhando artista ou grupo?

Marcelo Bida:  Trabalhei bastante como freela, a dificuldade vai ser os diferentes repertórios e adequações aos gêneros e os prós é a mesma coisa, pois você acaba aprendendo muito, aumentando o repertório e o vocabulário musical.

Já passei por situações que na mesma semana tinha uma gig de Rock n Roll clássico, uma de MPB e outra de blues. É muito enriquecedor passar por esse processo.

18) RM: Quais os prós e contras de ser músico de estúdio de gravação?

Marcelo Bida: Quando o Formiga tinha um estúdio, fiz algumas gravações para outros artistas e foi bem bacana, quando existe um entendimento entre as partes o trabalho desenrola muito fácil, agora quando começa a dar trave com quem contratou, fica MUITO difícil e já ocorreram situações em que isso aconteceu.

19) RM: Quais grupos você que já participou?

Marcelo Bida:  Hoje em dia eu trabalho com a banda Maracangalha, Hotel Magnólia e o Márcio Sartório. Fazendo alguns freelances esporadicamente, mas já passei por vários grupos e toquei com vários artistas.

Vou citar os que tiveram maior contribuição na minha carreira que foi a All the Rules, Lazy train, Marden e Marlon, Zazá e Banda, Bala na Agulha, O Fino da Bola, Rio Grande Blues, Hotel Magnólia, Banda Maracangalha.

20) RM: Quais principais dificuldades de relacionamento que enfrentou em grupos?

Marcelo Bida: Eu acredito que dei sorte com isso pois sempre me dei bem com o pessoal que trabalhava junto, mas qualquer situação que envolva mais de uma pessoa vai dar um jazz em algum momento né?

21) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Marcelo Bida: Eu utilizo a internet geralmente para divulgar as apresentações, mas acredito que as ferramentas que ela oferece facilitou o aprendizado e o acesso a informação que era muito limitado no passado.

Você conseguir ver “vídeo aula” de um músico que você admira somente pesquisando na barra é muito bom, antigamente era na base da cópia pirata do VHS, os livros/métodos eram a base da cópia também. 

E da mesma forma, o excesso de informação e a facilidade com que isso chega até nós, pode deixar as pessoas perdidas no caminho e gerar um sentimento de “vai estar sempre aí” depois eu estudo/vejo. Eu vejo muitas entrevistas dos bateristas em podcasts o que dificilmente aconteceria antigamente.

22) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Marcelo Bida: É bacana pra fazer muita coisa, gravações com músicos que estão distantes, divulgar o trabalho com um custo menor, o que é relativo pois existe sempre o custo com os equipamentos do estúdio, tem vários prós. 

Acredito que o único contra é conseguir chegar na qualidade que você tem em um estúdio com equipamentos/microfones sofisticados e dedicados para gravação, o tratamento acústico do local e todas as particularidades do meio.

23) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Marcelo Bida: O cenário da música sempre foi muito dinâmico, hoje ainda mais. Os grandes da MPB já estão indo e alguns já se foram. Hoje nos vemos um terreno muito fértil com Samuca e a Selva, Liniker, Gilsons, Duda Beat, Luedji Luna, mas temos que ter em mente que as formas mudam e o conceito também. 

Os gigantes da MPB: Gilberto Gil, Caetano Veloso, Alceu Valença, entre outros tantos, dificilmente serão esquecidos nessa terra e regredir é impossível, o que já foi feito está eternizado e é uma marca da cultura do povo brasileiro no mundo da música.

24) RM: Como você analisa o cenário da música instrumental brasileira. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Marcelo Bida: A música instrumental brasileira é um “negócio” de outro mundo… Vou citar o disco de alguém próximo que é o Ramsés Paraguassu intitulado “Diferentes Pianos” e dá para citar muita gente como o Trio Corrente do baterista Edu Ribeiro o Nosso Trio que é a banda o João Bosco, o pessoal do André Marques, é um buraco sem fim!

25) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Marcelo Bida:  Teve uma situação em que estávamos indo para Itu – SP de van, e eu tinha lavado o tapete que uso para montar a bateria.

O tapete não secou direito e precisei arrumar um tapete, o único que encontrei foi na casa do meu avô, um tapete velho cheirando a cachorro molhado que ele estava usando para pintar a casa. No meio da viagem olhei para trás e estava todo mundo dando risada, o percussionista (Edu Viana) tinha jogado o meu tapete na rodovia de tão fedido que estava. 

Em uma outra situação, fomos nos apresentar em uma casa de shows, e o técnico de som colocou um clamp de aço, para microfonar, no aro de madeira do meu bumbo e eu não vi.

NA hora que o show terminou estava desmontando a bateria e quando vi eu fiquei maluco, sai correndo atrás dele com o tom Holder na mão chamando de todos os nomes que você pode imaginar.

26) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Marcelo Bida:  O trabalho vai ser sempre trabalho, certo? Fico muito feliz em ainda poder atuar como músico, quando me apresento com os meus parceiros e conseguimos entregar um bom show, um bom disco e um bom projeto. A parte que podemos chamar de “triste” é como a profissão é desvalorizada e o caminho é árduo e doloroso até você conseguir se posicionar de uma forma adequada no mercado.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Marcelo Bida:  Estude muito o seu instrumento, aprenda a ler, deixe o seu ego de lado, escute de tudo, não tenha preconceito com outros gêneros e principalmente, entenda que músico “bom” é aquele que toca para música e como diria o Mário Brito, não fica se “amostrando”. Sabe aquela frase: “O Fulano toca DEMAIS”… então, as vezes o fulano toca tanto que até atrapalha…

28) RM: Quais os erros na metodologia do ensino musical?

Marcelo Bida:  Acho que começar sem orientação pode trazer muitos vícios no futuro, o que não é errado, mas pode comprometer assim como deixar a leitura e o metrônomo de lado.

29) RM: Apresente seu método para o ensino de Bateria?

Marcelo Bida:  Não atuo mais como professor.

30) RM: Como surgiu o conceito que Bateria e o Baixo trabalham juntos? Já caiu em desuso esse conceito?

Marcelo Bida: Até onde eu conheço essa onda do que é chamado de Groove, foi concebida lá pelos anos 40 no surgimento do blues elétrico e ganhou mais força nos anos 60, 70 com o pessoal da Motown Records. Esse conceito desde então só se ampliou e se modernizou, ganhando até protagonismo em algumas produções. O Groove tem que rolar!

31) RM: Como você analisa o cenário do Rock no Brasil? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Marcelo Bida: Sinceramente, eu não sou muito conhecedor do Rock atual, mas vejo que o Chico Chico que é filho da Cássia Eller está aparecendo por aí e fazendo um trabalho bem bacana.

O que posso comentar é que vejo que os músicos brasileiros estão se alastrando pelo mundo ganhando notoriedade como o Eloy Casagrande que atualmente toca no Slipknot, Luigi Paraventi que fez uma substituição no Gojira.

32) RM: Quais os seus projetos futuros?

Marcelo Bida: Continuar a minha jornada com a bateria, eu sou mais um sideman que um artista solo. Quer continuar acompanhando meus parceiros e dando continuidade aos nossos projetos. Cuidar da minha filha, a Maya, e se o universo conspirar, tocar com ela algum dia!

33) RM: Quais os seus contatos para os fãs?

Marcelo Bida: [email protected] https://www.instagram.com/marcelobida

Canal: https://www.youtube.com/@hotelmagnoliabluesband

King’s do Blues – Hotel Magnolia Blues Band: https://www.youtube.com/watch?v=RYd7MUuvKc4


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