Larissa Caldeira

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A cantora e compositora baiana Larissa Caldeira, ama o cancioneiro de sua terra! O samba e os ritmos afro-baianos se fazem presentes na sua essência artística, como aguerê e ijexá, estes advêm da sua convivência com a cultura soteropolitana há 6 anos, mas sem dúvida é a caatinga que te constituiu.

Nascida em Vitória da Conquista, terra de Glauber Rocha, Elomar e Xangai, e também de Geslaney, Iara, Dinho, Didi Aráujo, Papalo, Gutemba, Evandro e tantos outros talentos. As suas raízes conquistenses com os trovadores e cantadores de sua terra, a compõem enquanto artista. Além disso, Larissa Caldeira propõe diálogos sonoros entre indie rock, música pop, MPB e o cancioneiro regional do sertão baiano.

Em 2021 lançou o single Barcoeu destaque no Jornal A Tarde e Educadora FM, TV Sudoeste (Globo) e TV UESB (TVE -TV Brasil). Em 2023 lançou o disco Bahia Interior, uma mescla de interior com capital, o álbum ficou entre os melhores discos do ano pelo site El Calbong, do crítico musical Luciano Mattos.

Foi destaque na Revista Muito, Programa Multicultura, TVE, site Dois Terços e outros. Teve uma mini turnê que passou por Salvador (Teatro Gamboa), Vitória da Conquista (Centro de Cultura) e Mucugê (Feira Literária de Mucugê- Fligê). Em 2024 foi contemplada no Edital Edna Nolasco (Lei Paulo Gustavo) e Prêmio Maurê (Lei Aldir Blanc) ambos pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, Bahia.

Em 2023 e 2024 lançou os videoclipes de Mãe Natureza e Ar Que Mede, como parte do projeto Bahia Interior, que já percorreu cidades baianas, composto pelo disco Bahia Interior. Em 2026 lança Recanto, como o segundo disco do projeto Bahia Interior. Recanto é um aprofundamento em suas raízes musicais . É o caminho de volta! É afeto e memória!

A mini turnê do Recanto acontecerá em Abril de 2026 com apoio da PNAB Bahia nas cidades de Vitória da Conquista, Jequié e Salvador. E mini-turnê do show “É Nóis: Larissa Caldeira & Nuno Menezes” pela capital e Recôncavo baiano entre o mês de Maio e Junho.. Um encontro de dois artistas caatingueiros num palco, a união de Conquista e Jequié.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Larissa Caldeira para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 06/05/2026:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Larissa Caldeira: Nasci no dia 07/05/1988 em Vitória da Conquista, Bahia. Registrada como Larissa Caldeira Gaspar Padre.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Larissa Caldeira: O meu interesse pela música começou aos cinco anos de idade com meu encantamento pela bateria, tive uma de brinquedo, passava horas tocando. Aos 12 anos comecei tocar violão autodidata e nesse período comecei também a compor canções. Apenas aos 17 anos comecei estudar música formalmente no Conservatório Municipal de Vitória da Conquista, após isso fiz muitos cursos e hoje estou no segundo ano do curso de Licenciatura em Música pela UniCesumar.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Larissa Caldeira: Sou musicista com formação no Conservatório Municipal de Vitória da Conquista e atualmente curso Licenciatura em Música pela UniCesumar. Além disso, sou formada em Comunicação Social pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), tenho mestrado e doutorado na área de Comunicação e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) com temas relacionados à música de Tom Zé e aos Malditos da MPB (Jards Macalé, Itamar Assumpção e Sérgio Sampaio), respectivamente.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Larissa Caldeira: As raízes musicais da caatinga baiana, os cantadores e cantadoras da minha região como Elomar, Xangai, Geslaney Brito, Iara Assessú, Evandro Correia, Gutemberg Vieira e outros. Além disso, os ritmos afro-baianos, como aguere e ijexá, e ritmos nordestinos como maracatu, xote, forró e baião, e o rock independente e progressivo nacional e internacional.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Larissa Caldeira: Comecei oficialmente e profissionalmente aos 20 anos de idade (2008) com meu primeiro show no Teatro Carlos Jeovah, em Vitória da Conquista, desde então já são 17 anos na estrada.

06) RM: Quantos álbuns lançados?

Larissa Caldeira: Tenho dois álbuns lançados oficialmente: Bahia Interior (2023) e Recanto (2026). Além de Âmago, lançado em 2012, mas que não se encontra mais nas plataformas. Tenho também o single Barcoeu (2021).

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Larissa Caldeira: Uma mistura de elementos sonoros e tradições do sertão baiano com elementos da música contemporânea, mais especificamente, o indie rock e o rock progressivo.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Larissa Caldeira: Sim. Fiz aulas com o professor Carlos Eduardo Santos, professor formado em Canto pela UFBA, e atualmente integrante do corpo de músicos do Teatro Municipal de São Paulo.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Larissa Caldeira: A técnica ajuda a melhorar o uso da voz e a preservar as cordas vocais. Acredito que ela seja primordial para um artista profissional, cuidar da voz é cuidar do seu instrumento de trabalho. Na música é 30% dom e 70% estudo, trabalho e muita dedicação.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Larissa Caldeira: Maria Bethânia, Ângela Ro Ro, Gal Costa, Dolores Duran e Maysa.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Larissa Caldeira: Esse processo não é padronizado, por vezes tem canções que nascem com tudo: letra, melodia, harmonia e até arranjo. Outras canções pedem mais calma e paciência, elas surgem devagar, nasce uma letra, depois uma melodia vem a cabeça, até se chegar em uma harmonia compatível.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Larissa Caldeira: Teu Soares e Coral, apenas em duas canções. No mais componho sozinha mesmo.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Larissa Caldeira: Os prós é que temos mais liberdade de tomar decisões e gerenciar a carreira da forma que entendemos correta ou justa, os contra é que isso torna o processo mais longo e penoso, já que sem um grande produtor ou empresário, você não tem como “queimar” as etapas. Eu, particularmente, gosto de gerenciar minha carreira e de ter liberdade criativa sem necessitar agradar ao mercado ou aos nichos.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Larissa Caldeira: Costumo programar shows com uma antecedência de no mínimo três meses, enquanto turnê, como é o caso da minha atual com o novo disco Recanto, programo como um a dois anos de antecedência, faço orçamentos e planejamentos de cada etapa para garantir uma produção satisfatória. Estou sempre de olho nos editais e estou sempre me inscrevendo para captar e ter recursos.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Larissa Caldeira: Atualmente tenho investido tempo em escrever projetos para editais de cultura e em termos de divulgação do meu trabalho faço uso do tráfego pago e tenho um social media contratado para gerenciar minhas redes sociais e deixá-las mais profissionais.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Larissa Caldeira: Não vejo nenhum prejuízo quanto a minha carreira, vejo a internet como uma aliada para divulgação da música independente produzida no Brasil, e tenho buscado usá-la de forma estratégica, já começo perceber os efeitos do planejamento de postagens, tráfego pago, análise de público e storytelling junto ao público-alvo.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Larissa Caldeira: A grande vantagem é a mobilidade e possibilidade de gravar à um custo mais abaixo do mercado, o meu primeiro single Barcoeu e o meu primeiro disco Bahia Interior foram gravados entre o meu home estúdio e os dos meus amigos e parceiros musicais. Esses lançamentos possibilitaram ser contemplada em alguns editais de cultura, e um deles proporcionou gravar em estúdio profissional o meu segundo disco Recanto, logo acredito que o home estúdio é uma ferramenta importante pro artista independente, ainda que tenha as limitações técnicas, o que seria uma desvantagem, acho que gravar em casa pode ser um bom começo.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Larissa Caldeira: Como havia dito, eu busco gerar conteúdos mais profissionais possível, com bom áudio, boa câmera e ter consistência e constância nas postagens, mas não de forma aleatória, com planejamento estratégico e cronograma definitivo e em torno de um projeto que tenha coesão e conceito, que o público chega na minha página ou redes sociais e consigo compreender claramente do que se trata. Além de fazer uso do tráfego pago para direcionar esses conteúdos para o público-alvo que desejo atingir, criando assim uma espécie de comunidade.

19) RM: Como você analisa cenário da Música Popular Brasileira? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Larissa Caldeira: Acho que é uma pergunta difícil. A Música Popular Brasileira é cada vez mais heterogênea, e apesar de beber nas fontes do passado, ainda tem forte poder criativo. Nesse sentido, acredito que Liniker é uma artista que tem coesão sonora e consistência estética, um trabalho artístico que se mostra cada vez mais em ascensão. Posso citar nomes não tão consistentes como Liniker, mas que também tem produzido coisas interessantes no âmbito popular como Tim Bernardes, Rodrigo Alarcon, Anelis Assumpção, Ava Rocha, Buhr, Letrux, Zé Ibarra, Zeca Veloso, Chico Chico e outros contemporâneos.

20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Larissa Caldeira: Acredito que no início da carreira já toquei em muito som ruim, sem retorno, sem qualidade de PA, com ambiente com acústica não adequada.

21) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Larissa Caldeira: O que me deixa mais feliz é trabalhar e fazer música, o que me deixa mais triste é quando eu não faço isso.

22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Larissa Caldeira: Existe dom, mas dom sem estudo, trabalho e dedicação pode afundar o seu Eu artista. Como sempre digo, 30% dom, 70% estudo, dedicação, trabalho, suor etc etc.

23) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Larissa Caldeira: A improvisação musical é algo que traduz o dom e o estudo, eles precisam estar alinhados e em dia, para que se possa improvisar bem e com segurança.

24) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Larissa Caldeira: Acredito que seja as duas coisas, existe o ouvido, o feeling, mas é preciso ter também as horas de estudo.

25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Larissa Caldeira: Os prós é dar ao músico possibilidades dentro dos campos harmônicos, o contra é o músico ficar limitado a isso.

26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Larissa Caldeira: Digo o mesmo que disse acima, se o músico fica apenas se baseando nas regras do estudo de harmonia, ele pode ficar pouco criativo, pois não sairá das caixinhas estabelecidas, portanto, é preciso estudar e ter noção, mas também pensar além dos ditames.

27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Larissa Caldeira: Aí depende da rádio. Acredito que em rádios independentes é possível fechar parcerias, enquanto que naquelas mais comerciais, talvez, seja necessário o jabá.

28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Larissa Caldeira: Estude, foque e persista. A carreira musical é um trabalho como qualquer outro, você precisa monetizar, planejar, trabalhar muito, porque senão vira um hobbie caro, muito caro.

29) RM: Festival de Música revela novos talentos?

Larissa Caldeira: Depende do tamanho e objetivo do festival de música. Mas acredito que hoje em dia a força dos festivais diminuiu muito, não é mais um espaço de divulgação tão expressivo como foi décadas passadas.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Larissa Caldeira: Desde seu surgimento a grande mídia se alinha ao mercado mainstream e aos ditames da indústria cultural, e hoje em dia, ela segue a mesma toada, com o objetivo de manter o establishment da música no Brasil, por isso que quem injeta mais grana aparece mais, não a toa o sertanejo tão ligado ao agronegócio é um dos gêneros musicais que mais aparece na grande mídia.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Larissa Caldeira: Acho espaços importantíssimos para o fomento das artes no Brasil. Nós artistas independentes temos dificuldades de espaços e cachês, e lugares como SESC, SESI e Itaú Cultural possibilitam o fazer artístico com equipamentos de qualidade e cachês justos.

32) RM: Quais os seus projetos futuros?

Larissa Caldeira: Atualmente estou em turnê de lançamento do meu novo disco Recanto, lançado em fevereiro de 2026, só passarei a planejar novo projetos um pouco mais para frente.

33) RM: Quais seus contatos?

Larissa Caldeira: https://www.larissacaldeira.com.br | [email protected] | https://www.instagram.com/larissa_caldeira | https://www.facebook.com/lcaldeiral

Canal: https://www.youtube.com/@LarissaCaldeira

Álbum Recanto: https://www.youtube.com/watch?v=nvMmkOZHXxg&list=PLveZG0ryWXSFAWwJfYLhtTW48P9EJl7fc

Álbum Recanto: https://open.spotify.com/intl-pt/album/5tyfLPxdgU1HYTT3we0KOO?si=EstdfDJ1QMqD_yIBAFzC-A&nd=1&dlsi=ce1adbdeacab45cd

Tese Invenções do “maldito” na música brasileira: crítica cultural e regimes estéticos não lineares: https://sigaa.ufba.br/sigaa/public/programa/noticias_desc.jsf?lc=pt_BR&id=1351&noticia=1841983


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