Kátia Baroni
Kátia Baroni é uma compositora, cantora brasileira, escritora e professora de canto, com uma sólida carreira de mais de três décadas.
Kátia Baroni venceu inúmeros Festivais de música pelo Brasil, idealizou projetos como “Doces lundús pra Ioiô sonhar” (lundús do séc. XIX), “Feito em casa” (música autoral), “Mulheres” (músicas com nomes de mulheres) , “Isso é Modinha” (modinhas do sec XVIII), esse último, selecionado para realizar a abertura da Copa do Mundo FIFA 2014, sediada no Brasil, realizando junto ao consagrado músico Ivan Vilela, apresentações em cinco renomados teatros na cidade de Curitiba, entre eles, Teatro Paiol e Capela de Santa Maria.
Já realizou seus projetos em Sescs e Sesis em várias regiões brasileiras, além de países da América Latina e Europa. Em 2014 integrou a comitiva brasileira no WOMEX em Santiago de Compostela (Espanha), o maior evento de world music do planeta. Tem cinco livros editados e um deles já está na 4ª edição, com mais de 4.000 exemplares vendidos.
Segue abaixo entrevista exclusiva com Kátia Baroni para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 02/09/2026:
01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?
Kátia Baroni: Nasci no dia 03/11/74 em Itapetininga – SP. Registrada como Kátia Rodrigues Baroni.
02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.
Kátia Baroni: Meu avô (Valentim Baroni) era violinista da Orquestra Municipal de Sorocaba e na minha casa tinha um órgão.
03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?
Kátia Baroni: Eu comecei a estudar música no Conservatório de Tatuí – SP, depois fui para São Paulo estudar na Escola Municipal de Música e na ULM (atual EMESP), minha primeira formação universitária foi em Letras e depois em Música, também tenho pós-graduação em Pedagogia Vocal.
04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?
Kátia Baroni: Puxa… são tantas as influências, fica até difícil de enumerá-las. Quando eu era criança eu adorava Raul Seixas, Vinícius de Morais e Toquinho, Maria Creusa, Pink Floyd, Roberto Carlos.
Na adolescência eu curtia e fui muito influenciada por Caetano, Chico Buarque, Milton Nascimento, Clube da Esquina, Flávio Venturini, Noel Rosa, Lamartine Babo, curtia também música antiga, Nina Hagen, Meredith Monk e tantos outros.
Na vida adulta acredito que continuo curtindo e sendo influenciada por todos esses, acredito que aumentou meu rol, adoro Montserrat Figueras e Jordi Savall, amo Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho, Aracy Cortes e Aracy de Almeida, Lia de Itamaracá, Gladys Conde e acredito que ainda tenha inúmeros que eu não falei.
05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?
Kátia Baroni: Final da década de 80, um amigo me convidou para cantar num Festival Universitário na TV Cultura e foi aí que eu comecei profissionalmente.
06) RM: Quantos álbuns lançados?
Kátia Baroni: Realizei alguns lançamentos independentes e alternativos, como o álbum ”Feito em Casa” que também foi um projeto realizado em SESIs e SESCs e em outubro de 2026 lançarei o álbum “BARUIO NO TERRERO” de música regional autoral.
07) RM: Como você define seu estilo musical?
Kátia Baroni: Eu acredito que eu tenho muitas facetas (risos): atualmente, tenho um trabalho de música regional autoral; mas também tenho um trabalho de música contemporânea; já realizei um projeto de Modinhas (Isso é Modinha) que foi contemplado para 5 apresentações na abertura da Copa do Mundo de 2014.
Realizei um projeto de Lundus (Doces lundus pra Ioiô sonhar); tenho um trabalho de música infantil que pretende lançar no próximo ano e também tenho um trabalho de música medicina, com o qual participo de Festivais e Encontros desse segmento.
08) RM: Você estudou técnica vocal?
Kátia Baroni: Sim, estudei canto lírico e também dou aula de canto há mais de 30 anos.
09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?
Kátia Baroni: Acredito que tenha importância máxima para aquele que pretende se profissionalizar.
10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?
Kátia Baroni: Puxa…são tantas…como já falei, adoro Aracy Cortes, Aracy de Almeida, Tetê Spindola, Angela Maria, Clementina de Jesus, Elizeth Cardoso, Linda Batista, Maria Creusa, Dalva de Oliveira, Gladys Conde, Nina Hagen, Montserrat Figueras, Cecilia Bartolli, minha professora Marília Vargas e muitas outras.
11) RM: Como é seu processo de compor?
Kátia Baroni: Depende o que estou compondo, geralmente eu tenho a idéia e depois vou desenvolvendo, estudando as possibilidades, colocando e tirando, experimentando e aprimorando, assim como um escultor.
12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?
Kátia Baroni: Geralmente eu componho sozinha, mas tenho algumas parcerias com o Breno Ruiz, com o Davi Matarazzo, com o João Jorge e acho que só.
13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?
Kátia Baroni: Os prós e os contras são que você tem que fazer tudo, ser o criador, o diretor do espetáculo, o intérprete, o vendedor, o produtor e o elaborador dos projetos e aí o processo fica muito exaustivo, porém, não há outro jeito.
14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?
Kátia Baroni: Eu procuro estudar e me dedicar muito. Dentro do palco tem toda a idealização, direção, figurino, além do estudo das música e principalmente, a interpretação. Fora do palco, tem o rolê de ler editais, elaborar e escrever projetos, correr atrás de cenário e tentar vender os shows.
15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?
Kátia Baroni: As ações são essas que eu já mencionei acima: ler editais, elaborar projetos, tentar vender, e eu havia me esquecido das redes sociais, que dão um trabalho medonho, porém, acredito que atualmente, esse seja um caminho necessário e uma ação empreendedora.
16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?
Kátia Baroni: Acredito que a internet seja um “mal necessário” (risos), ela ajuda a divulgar e vender teus projetos, mas também muita coisa sem valor é divulgada por ela, o que muitas vezes pode prejudicar todo o processo e saturar com porcarias, o mercado musical.
17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?
Kátia Baroni: Eu adoraria ter um home estúdio por exemplo, acho que ia me ajudar, mas não tenho muita facilidade em manejar essas tecnologias e as desvantagens das pessoas terem home estúdio, é que muita coisa trash é gravada e colocada na grande mídia.
18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?
Kátia Baroni: Eu acredito que o que diferencia um artista verdadeiro, é a sua identidade, a sua vivência, o seu conteúdo, é o que dizia meu professor de composição Arrigo Barnabé, “o que a pessoa tem a dizer”.
19) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Kátia Baroni: Eu vejo muita coisa ruins na grande mídia, porém, muita coisa boa no mundo underground, ou seja, coisas ótimas que não são tão vistas. Artistas consistentes, com uma forte identidade, são eternos: Ná Ozzetti, Lia de Itamaracá, Anastácia, Vânia Bastos, entre outros.
As revelações…puxa… não me lembro quase ninguém que valha a pena (risos), não que eu seja saudosista, mas é que parece que hoje existe muita coisa, porém, pessoas “sem alma”. Adoro os trabalhos dos meus amigos: Breno Ruiz, Katya Teixeira, Flaira Ferro, Jana Luia, Loli Cósmica, Gladys Conde.
20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?
Kátia Baroni: Acontece muita coisa nos bastidores né? Já aconteceu claro, algumas vezes que fui cantar e só na hora o contratante anuncia que não há cachê; também já cantei para públicos que não comunicavam com a minha música. Acho que isso é normal.
21) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?
Kátia Baroni: O que me deixa mais feliz é que a música e em especial o canto, são curativos. A música já me salvou muitas vezes. O mais triste é quase impossível viver de arte nesse país.
22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?
Kátia Baroni: Acredito que haja sim, uma predisposição, não diria “dom”, mas algo genético e a partir desse “algo”, resta, desenvolvê-lo.
23) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?
Kátia Baroni: Eu acho que quando a gente se familiariza com a tonalidade e conhecemos muito bem a harmonia, podemos improvisar com segurança.
24) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?
Kátia Baroni: Eu acho que quando a gente se familiariza com a tonalidade e conhecemos muito bem a harmonia, podemos improvisar com segurança.
25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?
Kátia Baroni: Dependendo do método, acredito que seja bem salutar. Só vejo contras, se o método for errôneo.
26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?
Kátia Baroni: Um bom método, ajuda bastante né? E se o método for ruim, daí é atraso de vida.
27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?
Kátia Baroni: Óbvio que não. Aqui vale o ditado, tosco, mas vale (risos): “Dinheiro na mão, calcinha no chão”.
28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?
Kátia Baroni: Digo que estude bastante, principalmente o autoconhecimento, para que você tenha a sua identidade bem definida.
29) RM: Festival de Música revela novos talentos?
Kátia Baroni: Não.
30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?
Kátia Baroni: O dinheiro e o negócio ditam a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira.
31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?
Kátia Baroni: Acho bem limitado. Eles têm um espaço maravilhoso e usado muito pouco. Pela estrutura que possuem, era para ter espetáculos de música, dança, teatro e etc. o dia todo e de forma totalmente acessível e gratuita. Infelizmente, é o que temos de melhor.
32) RM: Quais os seus projetos futuros?
Kátia Baroni: Puxa… eu tenho três projetos prontos, só falta a estrutura financeira para serem lançados. Tenho um projeto de músicas infantis, das personagens do meu livro “Souto, o passarinho que vivia preso”.
Tenho um projeto de música solo e outro de world music. Ajuda bastante quando as pessoas nos seguem e gostam de nosso trabalho, além delas terem a oportunidade de ficar sabendo, no meu caso, sobre aulas gratuitas, cursos e vivências.
33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?
Kátia Baroni: https://linktr.ee/katiabaronioficia | https://www.instagram.com/katiabaronioficial | @katiabaronioficial (Tik Tok).
Canal: www.youtube.com/@KatiaBaroni


Leave a Comment