Karoline Violeira

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Karoline Violeira é violeira, catireira, cantora, mestra de Folia de Reis, educadora musical, maestra e curadora do Museu Tião Carreiro.

Nascida em Botucatu (SP), essa “caboclinha”, carinhosamente chamada assim pela saudosa Inezita Barroso, teve contato com a música ainda muito pequena. Cresceu em um sítio cercada por memórias deixadas pelo avô, entre fitas, discos de vinil, vitrolas e o mais puro sertanejo raiz!

Iniciou sua carreira em duplas, primeiro com Bárbara Viola e depois com a cantora Michelle (2008–2017), participando de festivais e programas renomados, como Viola, Minha Viola. Recebeu elogios de Mariângela Zan e Alex Marli Dias (filha de Tião Carreiro) pela interpretação da moda de viola “Ferreirinha” no Programa Aparecida Sertaneja. Seu toque genuíno na viola, aliado à interpretação.

Seu toque genuíno na viola, aliado à interpretação das letras tradicionais sem modernizá-las, cria uma harmonia singular que encanta o público, sempre ao lado de sua inseparável companheira: a viola caipira.

Em 2019, Karoline Violeira lançou seu primeiro álbum, Traço de Giz, trabalho que apresenta um repertório sensível e consistente, profundamente ligado à cultura e às tradições caipiras, reunindo

canções que dialogam com a memória, a identidade e os valores do interior brasileiro.

No ano de 2020, lançou o single Viola de Ninar, uma canção intimista e afetiva, criada em homenagem à sua primeira gestação, na qual a viola caipira assume um caráter acolhedor e delicado, refletindo a relação entre maternidade, música e ancestralidade.

Em 2025, gravou o single Missão da Violeira, marcando a celebração de seus 20 anos de trajetória como violeira. A canção reafirma seu compromisso com a música caipira, sintetizando sua caminhada artística, sua identidade cultural e sua missão de preservar e difundir a viola e os saberes tradicionais.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Karoline Violeira para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 15/06/2026:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Karoline Violeira: Nasci no dia 17/10/1993 em Botucatu – SP. Registrada como Ana Karoline Beneditti Almeida.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Karoline Violeira: Sempre gostei muito de cantar. Na minha casa havia um balanço, e era lá que eu passava horas e horas cantando. Mais tarde, ganhei uma violinha de brinquedo.

Eu subia em um tronco de árvore caído no galinheiro e jogava milho para as galinhas. Enquanto elas comiam e ciscavam, eu cantava e tocava como se fossem a minha plateia. Quando começavam a se dispersar, eu jogava mais milho para que o meu show pudesse continuar.

Aos 9 anos de idade, um primo começou a dar aulas de violão na capelinha da comunidade onde moro até hoje. Percebendo que eu estava me desenvolvendo bem, meu avô me convidou para ir à cidade com ele comprar uma Viola. Na época, eu tinha R$ 100,00 guardados e ele completou com mais R$ 100,00. Assim, compramos minha primeira viola.

Meu avô (José Beneditti) começou a me ensinar, mas, infelizmente, em menos de um ano ele faleceu. Diante de seu caixão, fiz uma promessa: onde quer que ele estivesse, sempre me ouviria cantar e tocar.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Karoline Violeira: Iniciação de Viola Caipira, professores Tavares e Valdir Luiz da cidade de Botucatu, 2009-2012. XV Viola nas montanhas, lecionado pelo Violeiro Braz da Viola na cidade de São Jose dos Campos, 2013.

Curso Intensivo de Viola Caipira, lecionado por Ricardo Vignini, Zé Helder e Índio Cachoeira na cidade de São Paulo, 2014. Curso Viola Brasileira, lecionado por Arnaldo Freitas, formato online, 2019.

Licenciatura em Música, Faculdade Unimes, término em Julho de 2020.

Pós-graduação em Regência Orquestral, Instituto Alpha Cursos, 2021. Pós-graduação em Pedagogia da Voz, Faculdade Unyleya, 2023.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Karoline Violeira: Minhas Influências permanecem vivas em meu coração, mas as que não estão mais entre nós são: Tião Carreiro e Pardinho, Zé Carreiro e Carreirinho, Inezita Barroso, Helena Meirelles, Goiano, Tonico e Tinoco, Marilene.

As que estão entre nós: Leyde e Laura, Irmãs Barbosas, Irmãs Freitas, Juliana Andrade, Mococa e Paraíso, Mary e Mario Galvão, Arnaldo Freitas, Carol Viola e Rafael, Os Altaneiros.

Jamais minhas influências deixarão de ter importância, meu coração sempre cabe mais e mais influências!

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Karoline Violeira: Depois que meu avô faleceu, as coisas foram acontecendo naturalmente. Surgiu a oportunidade de fazer aulas de viola com o professor Tavares, em Botucatu – SP. Foi lá que conheci minha primeira parceira musical, Bárbara Viola. Cantamos juntas durante um ano e, depois, segui carreira solo.

Nessa fase, consegui comprar minha primeira viola elétrica com o dinheiro que arrecadei juntando latinhas. Algum tempo depois, Ramiro Viola me apresentou Michelle, que se tornou minha nova parceira musical. Juntas, trilhamos uma caminhada de oito anos.

Mais tarde, retornei à carreira solo e sigo até hoje nessa estrada musical, levando comigo todas as pessoas, aprendizados e histórias que fizeram parte dessa trajetória.

06) RM: Quantos álbuns lançados?

Karoline Violeira: Em 2019, gravei meu primeiro álbum, Traço de Giz, trabalho que apresenta um repertório sensível e consistente, profundamente ligado à cultura e às tradições caipiras, reunindo canções que dialogam com a memória, a identidade e os valores do interior brasileiro.

No ano de 2020, lancei single Viola de Ninar, uma canção intimista e afetiva, criada em homenagem à minha primeira gestação, na qual a viola caipira assume um caráter acolhedor e delicado, refletindo a relação entre maternidade, música e ancestralidade.

Em 2025, gravei o single Missão da Violeira, marcando a celebração dos meus 20 anos de trajetória como violeira. A canção reafirma meu compromisso com a música caipira, sintetizando minha caminhada artística, minha identidade cultural e minha missão de preservar e difundir a viola e os saberes tradicionais.

07) RM: Como você se define como Violeiro?

Karoline Violeira: Uma violeira muito sortuda que vive uma missão muito especial preparada por Deus!

08) RM: Quais afinações você usa na Viola?

Karoline Violeira: Cebolão em E (mi)

09) RM: Quais as principais técnicas o violeiro tem que conhecer?

Karoline Violeira: Usar sempre os 4 dedos da mão esquerda, arpejos e escalas duetadas. Também é muito importante estar a par dos campos harmônicos de cada tonalidade e dominar a montagem dos acordes.

10) RM: Quais os violeiros que você admira?

Karoline Violeira: Tião Carreiro, Goiano, Bambico, Arnaldo Freitas, Juliana Andrade, Carol Viola, Vitória da Viola, Leandro Valentim, Mel Moraes.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Karoline Violeira: Quando vir a inspirar, abraçar imediatamente aquele momento e também retirar momentos para se sentar tranquila e compor (em uma casa com duas crianças pequenas as vezes isso não é tão simples (risos), mas quando sobrar uma brecha, é a hora! Ter temas, reflexões, histórias e causos também são grandes aliados do processo de compor.

12) RM: Quais as principais diferenças técnicas entre a Viola e o Violão?

Karoline Violeira: Tecnicamente, a principal diferença está na construção e na afinação dos instrumentos. A viola caipira possui dez cordas organizadas em cinco pares, o que proporciona uma sonoridade mais rica em harmônicos e um brilho característico. Já o violão possui seis cordas simples, oferecendo uma maior versatilidade harmônica e sendo amplamente utilizado em diversos estilos musicais.

Mas, para além da técnica, a diferença que mais sinto está na personalidade de cada instrumento. A viola, para mim, é mais intimista, suave e até um pouco interrogativa. É um instrumento muito gentil, mas também manhoso, que exige delicadeza, paciência e dedicação para revelar toda a sua beleza sonora.

Com o violão, minha relação é diferente. Como ele não é o meu principal instrumento de trabalho, sinto que nossa convivência acontece de forma mais leve, como a de um velho amigo que encontro para momentos de diversão e acompanhamento. Já com a viola existe um compromisso mais profundo. Ela faz parte da minha história, da minha identidade musical e da forma como me expresso artisticamente.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Karoline Violeira: Desenvolver uma carreira musical de forma independente traz muitos desafios, mas também uma grande sensação de liberdade. Entre os principais benefícios está a possibilidade de tomar as próprias decisões, escolher o repertório, definir os caminhos artísticos e construir uma identidade autêntica, sem precisar se encaixar em padrões impostos por terceiros.

Por outro lado, a independência também exige que o artista assuma diversas funções além da música. Muitas vezes somos produtores, divulgadores, administradores, vendedores e gestores da própria carreira. Isso demanda tempo, dedicação e aprendizado constante, nem sempre sobrando espaço apenas para criar e tocar.

No meu caso, acredito que o maior benefício é poder manter minha essência e minhas raízes presentes em tudo o que faço. Já o maior desafio é equilibrar a paixão pela música com todas as responsabilidades que existem nos bastidores. Ainda assim, cada conquista tem um sabor especial, porque é resultado de muito trabalho, persistência e amor pela estrada musical.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco? 

Karoline Violeira: Acredito que uma carreira artística precisa ser construída com o mesmo cuidado dentro e fora do palco. No palco, minha principal estratégia é buscar evolução constante, seja no aperfeiçoamento técnico da viola e do canto, na escolha do repertório ou na conexão com o público. Procuro fazer com que cada apresentação seja uma experiência verdadeira, respeitando minha identidade musical e minhas raízes.

Fora do palco, busco organizar minha carreira de forma profissional, planejando objetivos de curto e longo prazo, investindo na divulgação do meu trabalho, fortalecendo minha presença nas redes sociais, produzindo conteúdo e mantendo um bom relacionamento com contratantes, parceiros e o público que acompanha minha trajetória.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Karoline Violeira: Como artista independente, empreender faz parte da minha rotina. Além de me dedicar à música, também preciso atuar na gestão da minha própria carreira. Entre as ações que procuro desenvolver estão a divulgação do meu trabalho nas redes sociais, a produção de conteúdo para manter uma conexão próxima com o público, a busca por novas oportunidades de apresentações e parcerias, além do fortalecimento da minha rede de contatos no meio musical.

Também invisto no aperfeiçoamento profissional, participando de cursos, oficinas e experiências que contribuam para meu crescimento artístico e para a gestão da carreira. Procuro planejar meus projetos, organizar minha agenda, acompanhar resultados e buscar alternativas para ampliar a visibilidade do meu trabalho.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Karoline Violeira: A internet é, sem dúvida, uma das principais ferramentas para o desenvolvimento de uma carreira musical nos dias de hoje. Ela permite que a música alcance pessoas de diferentes lugares, facilita a divulgação do trabalho, aproxima o artista do público e cria oportunidades que antes dependiam exclusivamente dos meios tradicionais de comunicação.

Eu procuro acompanhar esse movimento e divulgar meu trabalho nas redes sociais, porque reconheço a importância que elas têm para a visibilidade da carreira. No entanto, também vejo alguns desafios nesse processo. A rotina do artista já é bastante corrida, envolvendo ensaios, apresentações, viagens e toda a gestão da carreira. Muitas vezes, não conseguimos acompanhar todas as exigências que a mídia digital impõe.

Hoje, além de talento e qualidade musical, existe uma demanda constante por produção de conteúdo, equipamentos adequados, bons celulares, gravações de qualidade, edição de vídeos e presença frequente nas plataformas. Em alguns momentos, tenho a sensação de que artistas acabam ficando para trás não pela qualidade do seu trabalho, mas pela dificuldade de acompanhar a velocidade e as exigências desse universo digital.

Por isso, procuro encontrar um equilíbrio: utilizar a internet como uma aliada para divulgar minha música e me conectar com o público, sem deixar que a necessidade de estar sempre produzindo conteúdo se sobreponha ao que considero mais importante, que é a própria música.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)? 

Karoline Violeira: A tecnologia de gravação e os home estúdios trouxeram muitas vantagens para os artistas, principalmente pela possibilidade de produzir e registrar músicas com mais autonomia e custos mais acessíveis. Hoje é possível gravar ideias, fazer pré-produções e até lançar trabalhos sem depender exclusivamente de grandes estúdios, o que amplia as oportunidades para quem está construindo uma carreira independente.

Ao mesmo tempo, essa facilidade exige que o artista esteja em constante atualização. No meu caso, reconheço que ainda tenho muito a aprender sobre gravação, edição e produção musical. É uma área que desperta meu interesse e que considero importante para o desenvolvimento da minha carreira, mas ainda não domino essas ferramentas como gostaria.

Como desvantagem, acredito que o acesso à tecnologia nem sempre garante qualidade. Além dos equipamentos, é necessário conhecimento técnico para obter bons resultados. Muitas vezes, o artista precisa dividir seu tempo entre criar, tocar, divulgar seu trabalho e aprender novas tecnologias, o que pode ser um desafio.

Por isso, vejo o home estúdio como uma excelente oportunidade de crescimento e autonomia, mas também como uma área em que preciso continuar me aperfeiçoando para acompanhar as transformações do mercado musical.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Karoline Violeira: Como violeira e cantora, curadora do Museu Tião Carreiro, professora de música, mãe e também cuidando da minha família com muito amor, minha rotina já é naturalmente muito intensa e cheia de responsabilidades.

Por isso, mais do que focar em concorrência, eu procuro seguir o meu próprio caminho, respeitando minha história, minha essência e aquilo que acredito para a minha vida e para a minha música. Entendo que cada artista tem sua trajetória e seu espaço, e eu me concentro em fazer o melhor dentro do meu universo.

Minha forma de me diferenciar está justamente na verdade do que eu vivo e transmito. Busco estar sempre em constante aprendizado, ensaiando, estudando e me aperfeiçoando para oferecer o melhor ao meu público, com respeito, entrega e autenticidade.

Sou muito grata por tudo o que já conquistei e encaro cada oportunidade como um presente. Acredito que a música é um caminho de propósito, e sigo com dedicação, amor e fé, procurando sempre honrar minha trajetória e dar o meu melhor a cada apresentação.

19) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja pop. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Karoline Violeira: O cenário da música sertaneja pop passou por muitas transformações nas últimas décadas, especialmente com a chegada das novas mídias e das mudanças no consumo musical. É um segmento muito dinâmico, com grande alcance e constante surgimento de novos artistas e tendências.

No meu caso, por atuar mais diretamente com a música sertaneja raiz, não acompanho de forma aprofundada o sertanejo pop. O meu universo musical está muito ligado à viola caipira, às raízes e à tradição, que considero extremamente ricas e vivas.

Dentro desse contexto, acompanho e valorizo muito as novas gerações de duplas e artistas jovens que vêm se destacando e mantendo viva a música sertaneja de raiz, trazendo também novas leituras e energia para esse estilo tão importante da nossa cultura.

Acredito que cada segmento tem seu espaço e sua importância dentro da música brasileira, e procuro respeitar todas as vertentes, mantendo meu foco no estilo que faz parte da minha identidade artística e da minha trajetória.

20) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Karoline Violeira: O que mais me deixa feliz na carreira musical é ver o crescimento de novas duplas e artistas que vêm chegando com muito talento, duetos bem construídos e a viola sendo cada vez mais valorizada e executada com maestria. É muito gratificante perceber que a música de raiz continua viva e sendo passada adiante com qualidade e dedicação.

Por outro lado, o que me entristece às vezes é ver que a música sertaneja raiz, tão rica em história, poesia e identidade cultural, nem sempre tem o mesmo espaço e visibilidade que outros estilos mais populares. Ainda assim, acredito que cada estilo tem seu público e seu valor dentro da música brasileira.

21) RM: Quais os outros instrumentos musicais que você toca?

Karoline Violeira: Violão, um pouquinho de acordeon, alguns instrumentos de percussão e flauta doce.

22) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja Caipira/Raiz. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Karoline Violeira: O cenário da música sertaneja caipira/raiz é muito rico e importante dentro da cultura brasileira. Ao longo das últimas décadas, o gênero passou por mudanças naturais, mas manteve sua essência ligada à viola, à poesia e à narrativa do cotidiano do campo e da vida simples.

Nesse período, surgiram novas gerações de artistas e duplas que contribuíram para manter a música de raiz viva, trazendo releituras, continuidade e também renovação do público. Ao mesmo tempo, grandes nomes já consolidados seguem sendo referência até hoje, justamente pela consistência de suas obras e pela contribuição histórica para o gênero.

Mais do que comparar ou classificar artistas, acredito que o mais importante é observar como a música caipira/raiz se mantém viva através do tempo, mesmo com as mudanças do mercado e das novas tendências musicais.

Como violeira, me inspiro tanto nos mestres que construíram essa história quanto nas novas gerações que continuam surgindo, sempre buscando manter respeito pela tradição e ao mesmo tempo estar aberta ao novo dentro do estilo.

23) RM: Quais os vícios técnicos o violeiro deve evitar?

Karoline Violeira: Não estudar diariamente.

24) RM: Quais os erros no ensino da Viola?

Karoline Violeira: Ouvir pouco, é preciso sempre ouvir muito para realizar cada aprendizado.

25) RM: Tocar muitas notas por compasso ajuda ou prejudica a musicalidade?

Karoline Violeira: Ajuda sim, são excelentes exercícios.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Karoline Violeira: Para alguém que deseja trilhar uma carreira musical, eu diria que o primeiro passo é ter clareza de que a música é um caminho de muito amor, mas também de muita dedicação e constância. É importante estudar, praticar, se aperfeiçoar e estar sempre aberto a aprender, porque a música exige evolução contínua.

Também é fundamental ter paciência e persistência, porque os resultados nem sempre chegam rapidamente. Haverá desafios, momentos de dúvida e de dificuldade, mas é justamente nesses momentos que se constrói a base de uma carreira sólida.

Outro ponto essencial é manter a autenticidade. Cada artista tem sua própria identidade, e é isso que o diferencia. Seguir o próprio caminho, sem perder a essência, é o que faz a música ganhar verdade.

E, acima de tudo, é preciso amar o que se faz. Quando existe propósito, fé e dedicação, o caminho se torna mais leve e cada conquista passa a ter um significado ainda maior.

27) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Karoline Violeira: Na minha visão, alguns dos principais erros na metodologia de ensino de música acontecem quando o processo deixa de considerar o aluno como um indivíduo único. Muitas vezes, há uma tentativa de aplicar um método engessado, sem respeitar o tempo, a sensibilidade e a forma de aprendizado de cada pessoa, o que pode gerar desmotivação.

Outro ponto é quando o ensino fica excessivamente técnico e distante da prática musical real. A técnica é fundamental, mas ela precisa estar conectada com a musicalidade, com a escuta e com a vivência da música, para que o aprendizado tenha sentido.

Também vejo como um erro a falta de estímulo à criatividade e à autonomia do aluno. Ensinar música não é apenas transmitir conteúdo, mas também despertar sensibilidade, expressão e identidade musical.

Por fim, acredito que o ensino de música precisa sempre manter o equilíbrio entre disciplina e prazer. Quando esse equilíbrio se perde, o processo pode se tornar pesado e pouco inspirador, afastando o aluno daquilo que deveria ser o principal: o amor pela música.

28) RM: Existe o Dom musical? Qual a sua definição de Dom musical?

Karoline Violeira: Acredito que o chamado “dom musical” existe, mas não como algo isolado ou suficiente por si só. Para mim, o dom é uma sensibilidade natural para a música — uma facilidade inicial para ouvir, sentir ritmo, melodia e se expressar através do som. Algumas pessoas realmente demonstram essa conexão de forma mais espontânea desde cedo.

No entanto, o dom sozinho não sustenta uma carreira musical. Ele precisa ser desenvolvido com estudo, disciplina, prática e vivência. A música é construção diária, e muitas vezes o que parece “dom” é, na verdade, dedicação constante somada à paixão pelo que se faz.

A minha definição de dom musical é justamente essa combinação entre sensibilidade e propósito. É um chamado interno que desperta o interesse pela música, mas que só se transforma em arte verdadeira quando é lapidado com esforço, aprendizado e experiência.

Por isso, acredito que todos que têm amor e dedicação pela música podem evoluir muito, independentemente de começarem com mais ou menos facilidade.

29) RM: Qual a sua definição de Improvisação?

Karoline Violeira: Para mim, improvisação é a capacidade de criar música no momento presente, de forma espontânea, mas com base no conhecimento, na escuta e na sensibilidade musical. Não é algo aleatório, e sim uma expressão livre que nasce da combinação entre técnica, repertório interno e emoção.

30) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Karoline Violeira: Acredito que a improvisação existe, sim, mas ela não surge do nada. O que chamamos de improvisação é, na verdade, o resultado de tudo aquilo que foi estudado, ouvido e internalizado ao longo do tempo, sendo aplicado no momento presente de forma espontânea.

31) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Karoline Violeira: Os métodos de ensino de improvisação musical trazem muitos benefícios, mas também alguns pontos que precisam ser observados com cuidado.

Entre os principais pontos positivos, estão a organização do aprendizado e a possibilidade de o aluno ter um caminho mais claro para desenvolver a prática da improvisação. Métodos bem estruturados ajudam a compreender escalas, harmonia, ritmo e linguagem musical, o que dá base e segurança para que o músico consiga se expressar com mais liberdade.

Por outro lado, um possível ponto negativo é quando o método se torna rígido demais e acaba limitando a criatividade. A improvisação, por natureza, precisa de liberdade e expressão pessoal, e se o ensino ficar preso apenas a fórmulas, o aluno pode se sentir engessado ou inseguro para criar fora do padrão.

32) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Karoline Violeira: Os métodos de estudo de harmonia musical são fundamentais para a formação de qualquer músico, pois oferecem uma base estruturada para compreender como os sons se organizam e se relacionam dentro da música.

Entre os principais pontos positivos, está justamente a organização do conhecimento: o aluno consegue entender de forma mais clara conceitos como acordes, funções harmônicas, encadeamentos e tonalidades, o que contribui diretamente para a leitura, a composição e a improvisação.

Outro benefício importante é que o estudo de harmonia amplia a percepção musical, ajudando o músico a ouvir e compreender melhor o que está tocando, além de facilitar a comunicação com outros músicos em contextos de grupo, gravação ou apresentação.

Por outro lado, um possível ponto negativo dos métodos de harmonia é quando o aprendizado fica muito teórico e distante da prática musical. Se o conteúdo não for aplicado em situações reais de música, ele pode se tornar abstrato e pouco motivador para o aluno.

33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário musical brasileiro?

Karoline Violeira: A cobertura da grande mídia sobre o cenário musical brasileiro é ampla, mas muitas vezes bastante seletiva. Em geral, observa-se uma forte concentração de espaço para os estilos que têm maior apelo comercial e alcance de audiência, o que acaba influenciando diretamente o que é mais divulgado e consumido pelo grande público.

Isso não significa que outros estilos não tenham valor ou qualidade, mas sim que nem sempre recebem a mesma visibilidade. No caso da música de raiz e de gêneros mais tradicionais, muitas vezes a divulgação acontece de forma mais pontual ou em espaços específicos, o que exige ainda mais esforço dos artistas para manterem seu trabalho em evidência.

Por outro lado, a mídia também desempenha um papel importante na difusão da música brasileira, ajudando a revelar artistas e a impulsionar carreiras. O desafio está em buscar um equilíbrio maior, valorizando a diversidade musical do país e dando espaço para diferentes expressões culturais.

34) RM: Qual a importância de espaço como SESC, Itaú Cultural, Caixa Cultural, Banco do Brasil Cultural para a música brasileira?

Karoline Violeira: Espaços como o SESC, Itaú Cultural, Caixa Cultural e Banco do Brasil Cultural têm uma importância enorme para a música brasileira, especialmente para a manutenção e valorização da diversidade cultural do país. Eles funcionam como grandes incentivadores da arte, oferecendo estrutura, programação e acesso ao público de diferentes estilos musicais.

35) RM: Quais os seus projetos futuros?

Karoline Violeira: Meus projetos futuros estão diretamente ligados ao meu desejo de continuar levando a música para cada vez mais pessoas. Quero seguir gravando meu trabalho com mais frequência, registrando minha trajetória e minhas interpretações, para que minha música possa alcançar diferentes públicos e lugares.

Também pretendo intensificar minhas apresentações, levando a viola e a música de raiz para eventos, palcos e espaços culturais onde eu possa tocar e emocionar pessoas, mantendo viva essa tradição tão importante para a nossa cultura.

Além disso, tenho o objetivo de continuar me aperfeiçoando como artista e educadora, unindo minha experiência como professora de música com minha vivência no palco. Acredito que ensinar e aprender caminham juntos, e isso também faz parte dos meus planos.

Acima de tudo, meus projetos futuros são guiados pelo desejo de seguir fazendo música com verdade, gratidão e propósito, respeitando minha história e ampliando cada vez mais o alcance do meu trabalho.

36) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Karoline Violeira: (14) 99135 – 3970 / [email protected] / https://www.instagram.com/karolinevioleiraoficial

Karoline Violeira –   https://www.facebook.com/KarolineVioleira

Luar do Sertão – Karoline Violeira: https://www.youtube.com/watch?v=eCG0hsUGBLc

Moreninha Linda e Cana Verde – Karoline Violeira: https://www.youtube.com/watch?v=wOLqoVyGuF0

Boiadeiro Errante – Karoline Violeira: https://www.youtube.com/watch?v=xVirnXdnvck

Estrada da Vida – Karoline Violeira: https://www.youtube.com/watch?v=Kz_obMW8-lg

Meu Casório – Karoline Violeira: https://www.youtube.com/watch?v=xfNsmRvCEb4


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