Edu Guerra

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O cantor, compositor e violonista paulista Edu Guerra, acompanhou como violonista diversos artistas do cenário independente.

É co-produtor do álbum ‘Encontros e encantos’ lançado em 2020. Apresenta-se em shows autorais desde 2010 e em 2018 se apresentou na Exposição Cuiabá 153 / Portões que falaam(Les fenêtres qui Parlent).

Atualmente, Edu Guerra se apresenta em show do álbum ‘Encontros e encantos’, as músicas são poemas de Zhô Bertholini e Jurema de Souza musicados por Edu. E apresenta também em um show dividindo o palco com a poeta, cantora e compositora Lári Germano com composições de ambos.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Edu Guerra para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 31/07/2026:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Edu Guerra: Nasci dia 29/10/1967 em São Caetano do Sul, mas sempre morei em Santo André. Registrado como Eduardo Guerra.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Edu Guerra: Eu tinha um tio (Cido) por parte de pai (Jovair) que tocava sanfona e um tio (Neno – Baixinho) por parte de mãe (Dona Cida) que tocava violão, ambos amadores, e esse contato com a música já me encantou desde muito criança.

E a primeira vez que tive a intenção de tocar um instrumento, de fato, foi por volta dos meus 13 anos de idade, quando alguns amigos de escola já começavam a tocar também. Era uma turma de amigos de escola que ouvia basicamente rock, dos anos 1970, portanto, a idéia geral era de aprender a tocar violão para depois partir pra guitarra, o que no meu caso não se concretizou, porém, hoje toco violão, contrabaixo, canto, componho e produzo.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Edu Guerra: Sou formado em Violão Clássico na Fundação das Artes de São Caetano do Sul em 1989. Estudei Violão Clássico com Gilberto Assis Rosa, Contrabaixo Elétrico com Jorge Pescara, Violão Popular com Herivelto Villa Hutterer, Canto com Rosemeire Moreira. Licenciatura em Música no Claretiano (Incompleto).

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Edu Guerra: Minhas principais influências musicais são João Gilberto e Walter Franco e por consequência Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Beto Guedes e Lô Borges. Nenhuma das minhas influências deixou de ter importância.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Edu Guerra: Em 1986 comecei minha carreira musical me apresentando no formato voz e violão na noite e na mesma época cantando como baixo no coral Madrigal da Fundação das Artes e em 1988 tocando contrabaixo numa banda de baile de São Caetano do Sul.

06) RM: Quantos álbuns lançados?

Edu Guerra: Em 2008 um álbum com a banda Aquelezuns, como compositor e contrabaixista.

Em 2020, o álbum – Encontros & Encantos, álbum Lítero musical, como compositor, cantor, violonista e produtor musical em 2020, com 14 músicas: Cidadela (Jurema Barreto & Rui Ferreira) interpretada por Tata Alves, De rolê (Zhô Bertholini & Rui Ferreira) interpretada por Rui Ferreira e Denise Coelho, Encontros e encantos (Zhô Bertholini & Edu Guerra) interpretada por Adolar Marin e Denise Coelho, Setembro (Jurema Barreto & Rui Ferreira) interpretada por Pri Ferminio, Retrato cantado (Zhô Bertholini & Edu Guerra) interpretada por Kleber Albuquerque, Chuva (Jurema Barreto & Rui Ferreira) interpretada por Rui Ferreira e Denise Coelho, Invocações (Zhô Bertholini & Edu Guerra) interpretada por Fernando Cavallieri, Itinerários (Zhô Bertholini & Rui Ferreira) interpretada por Rui Ferreira e Giselle Maria, Sem ensaio (Zhô Bertholini & Edu Guerra) interpretada por Denise Coelho e Edu Guerra, Ultimatum (Zhô Bertholini & Rui Ferreira) interpretada por Rui Ferreira, Repertório (Zhô Bertholini & Edu Guerra) interpretada por Edu Guerra e Giselle Maria e fala de Stella Baster, Os meus Livros (Jurema Barreto & Rui Ferreira) interpretada por Rosi Pascoal, Esquina dos dias (Jurema Barreto & Rui Ferreira) interpretada por Glau Piva, Becos e bocas (Jurema Barreto, Rui Ferreira & Edu Guerra) interpretada por Rui Ferreira e Edu Guerra.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Edu Guerra: MPB.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Edu Guerra: Estudei canto com Rosemeire Moreira.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Edu Guerra: Desenvolver as potencialidades vocais com consciência e segurança a serviço da expressão musical como um todo.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Edu Guerra: João Gilberto, Joyce Moreno, Milton Nascimento, Rita Braga.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Edu Guerra: Quando componho melodia e letra, geralmente tenho uma ideia curta, uma frase que já nasce pronta, que pode ser um trecho de um refrão ou o início da música, fico repetindo essa ideia e gravando no celular e ouvindo e a partir daí vou desenvolver a canção.

Quando crio melodia para um poema, geralmente, fico lendo o poema, ou trechos, explorando as sílabas tônicas até encontrar o ritmo natural da fala e geralmente a melodia já surge sem muito esforço e o tempo em que decorre esse processo pode variar muito, às vezes instantâneo e às vezes se estende por muitos dias.

Já ocorreu de eu enxergar primeiro a forma, como no caso do poema de Zhô Bertholini “Encontros e Encantos”, que dá nome ao álbum, assim que vi o poema escrito contendo 6 estrofes, pensei, é um choro, forma ternária, 2 estrofes para cada parte A+B+C, forma ABACA, como no choro tradicional.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Edu Guerra: Minhas parcerias são todas de poemas musicados de Zhô Bertholini, Jurema Barreto de Souza, Rosana Banharoli, Vanessa Molnar e Denise Coelho.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Edu Guerra: Os prós, no meu entendimento, ficam por conta de que hoje vivemos uma realidade que, em tese, foi por muito tempo desejada que nos possibilita desenvolver essa carreira independente desde a facilidade de gravação até a divulgação e distribuição nos meios digitais com custo relativamente baixo, Já os contras ficam por conta das dificuldades em se gerenciar todo esses processos, percebo um sufocamento do artista no exercício de corresponder às demandas desse universo digital.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Edu Guerra: Há alguns anos acompanho workshops e aulas abertas para me orientar nesse sentido, aplico as ações que estão ao meu alcance conforme cada trabalho exige, e penso que correspondo em grande parte a esse intento no sentido de construir e comunicar minha proposição artística, porém, os resultados efetivos ainda ficam muito aquém do potencial do meu trabalho e vejo o mesmo ocorrer em outros trabalhos autorais.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Edu Guerra: O trabalho artístico em si representa uma ação empreendedora no sentido de abrir uma possibilidade onde não havia, onde havia um silêncio, cometi uma canção, isso é algo, e por consequência forma um público que estava ávido dessa expressão.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Edu Guerra: A internet oferece uma infinidade de ferramentas que viabilizam a produção e tudo o mais que envolve uma carreira musical, mas não resolve tudo.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Edu Guerra: Só vejo vantagens. Gosto muito dos resultados das minhas gravações e de outros home studios. Embora eu tenha muitas inquietações, sempre, no sentido de melhorar as produções, isso está longe de configurar uma desvantagem.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Edu Guerra: Me diferencio naquilo que caracteriza o trabalho artístico, que é a assinatura, identidade. Quem disser algo diferente disso incorre no risco de tentar reinventar a roda, ou o que é pior: o quadrado.

19) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Edu Guerra: Permanecem João Gilberto e Walter Franco. Não vejo regressões, penso que cada artista é íntegro em sua expressão.

20) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Edu Guerra: Compor é o que me dá mais satisfação. E o que deixa mais triste é não obter reconhecimento onde poderia ter havido.

21) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Edu Guerra: Não existe dom musical, pois, tudo é resultado de estudo formal ou informal.

22) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Edu Guerra: Improvisação musical é qualquer som que se execute em música que não esteja previamente determinado.

23) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Edu Guerra: O fato de se estudar algo e aplicar esse algo em uma improvisação não tira o caráter de improvisação, portanto, qualquer forma de improvisação é improvisação de fato.

24) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Edu Guerra: Não há contras, mas tem que estudar, aplicar o conhecimento adquirido e buscar orientação sempre.

25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Edu Guerra: Não há contras, mas tem que estudar, aplicar o conhecimento adquirido e buscar orientação sempre.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Edu Guerra: Acredito, mas em pequena escala.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Edu Guerra: Trilhe sua carreira, é fascinante, embora os aborrecimentos, assim como em qualquer outra carreira, possam ser enormes, se você tem uma relação verdadeira com a sua música, vá em frente e enfrente.

28) RM: Festival de Música revela novos talentos?

Edu Guerra: Revela. Principalmente para o próprio circuito dos festivais de música, visto que muitos artistas desenvolvem sua carreira bastante voltada para esse meio. Alguns artistas fazem dos festivais um meio a mais, mas nunca de menor importância.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Edu Guerra: Ruim. Contempla a alguns poucos.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Edu Guerra: Realizei alguns trabalhos pelo SESC Santo André e SESC São Caetano e considero excelente. Ainda não realizei nenhum trabalho junto ao SESI ou Itaú Cultural, mas no que posso observar, cumprem bem ao que se propõem.

31) RM: Quais os seus projetos futuros?

Edu Guerra: Como produtor, estou finalizando o álbum da poeta, cantora e compositora Lári Germano, onde as canções são melodias dela sobre os próprios poemas.

Neste álbum fiz também os violões, baixos e alguns vocais. Gravar um álbum com minhas parcerias com mulheres poetas de Santo André. E Gravar um álbum com minhas canções onde componho letra e música.

32) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Edu Guerra: (11) 99167 – 9750 | [email protected] | https://linktr.ee/EduGuerraDeAndre | https://www.instagram.com/eduguerradeandre

Canal: https://www.youtube.com/channel/UC0rDcEOhOfg1eTOmHk6EOVA

Álbum Encontro e Encanto: https://tratore.ffm.to/encontroseencantos2020


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1 Comment

  • Márcia Tauil

    10 horas ago / 31/07/2026 @ 07:20

    Que entrevista ótima!!

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