Caetano Veloso é foda!
Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa
Eu (Antonio Carlos) a partir de 12 de julho de 1989 ao chegar aos 17 anos de idade deixei de “ser menino em geral” e comecei construir “o homem social” que me tornei.
Em agosto de 1989 (de 1987 a 1989 morei na rua Rocha no bairro do Bixiga (Bela Vista) em São Paulo, eu e minha mãe (Ilza) voltamos para o Nordeste e passamos seis meses morando no bairro de Messejana – Fortaleza – CE, onde nasceu e viveu o romancista José de Alencar.
Vivendo quase recluso no apartamento, eu passei a ler os livros de Paulo Coelho, escutar as fitas K7, tentar tocar o violão do meu irmão mais velho (Glaucio Montenegro) e escrever meus primeiros poemas. Hábitos que se intensificaram quando eu e minha mãe em fevereiro de 1990 fomos morar na casa de minha avó materna (Maria Montenegro) na rua Amaro Coutinho no bairro de José Pinheiro em Campina Grande – PB. Período que comecei a me interessar pela política partidária.
Comecei comprar livros (das áreas de sociologia, filosofia, história, poesia, literatura, psicologia social, etc), fitas K7 com as 20 melhores músicas de artistas da MPB, comprei meu primeiro violão e revistas com letras cifradas (estão comigo até hoje).
Eu passei a escutar as melhores músicas de Zé Ramalho, Raul Seixas, Gonzaguinha, Geraldo Vandré, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Djavan, Milton Nascimento, Cazuza, prestando muita atenção nas mensagens das letras e o trio: Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso explodiam meus neurônios a cada canção que foram lançadas nos anos 60,70,80. Entre as obras dos três artistas, as canções de Caetano Veloso eram mais possíveis de eu tocar como aprendiz de violão.
As canções de Caetano Veloso que me impactaram na primeira audição foram: Você é linda, Sampa, Eclipse Oculto, Podres Poderes, Fora de Ordem, Qualquer coisa, Força Estranha, Beleza Pura, Odara, Baby, Rapte me Camaleon, Meia Lua Inteira, Haiti, Cajuína, Tigresa, Tropicália, London London, Alegria, Alegria, Leãozinho. A diversidade no ritmo, nas melodias, nos acordes, nas letras e estética dessas canções revelam sua pluralidade em transitar no imaginário popular com profundidade filosófica com elegância sem ser esnobe.
Os anos 90 foi uma década de efervescência política e defesa da democracia após 21 anos de Ditadura Militar exigindo um posicionamento político, ideológico dos artistas e a falta de posicionamento causava desconfiança aos fãs. Caetano era um social democrata, eu um socialista marxista. Quando Caetano apoiou duas vezes Fernando Henrique Cardoso para presidente do Brasil, eu passei a escutar menos suas canções, opiniões e seu ponto de vista. Em 1989 pedi votos para Lula, em 1992 pedi o Fora Collor e em 1994, 1998, 2002, 2006, 2022 votei em Lula.
Mas a história é dinâmica e me reaproximei da obra de Caetano Veloso e compreendi seu pensamento social democrata e os seus motivos do seu distanciamento ao socialismo real. Estamos em consonância política com “à esquerda” que a elite brasileira aguenta: Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Fernando Haddad, Lula, Luiza Erundina, Marielle Franco, Marcelo Freixo, etc!
Mas Caetano Veloso é um parâmetro de qualidade da Música Popular Brasileira com atitude rock e pop. Seu amor pelo cinema e pela filosofia o fez construir uma obra musical imagética e profunda e mesmo sem a mesma genialidade musical de alguns dos seus contemporâneos conseguiu se manter na mesma galeria top 10 com louvor.
Caetano Emanuel Viana Teles Veloso é um pensador e poeta do seu tempo com sólida formação intelectual e com opinião sobre tudo na vida, na música e na sociedade. Expressa seu ponto de vista com ímpeto de um leonino (07/08/1942) com ascendente em áries e defende sua verdade com “os dois pés no peito sem massagem” com originalidade e honestidade intelectual. Ele não alisa os burros!
Link: https://www.caetanoveloso.com.br


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