Rinaldo Zamai

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O violinista, arranjador, multi-instrumentista e pesquisador da tradição do cavaquinho, Rinaldo Zamai consolida uma trajetória que une formação erudita, atuação popular e dedicação à difusão da música brasileira.

Rinaldo traz no repertório influências que vão do samba e da MPB à tradição erudita, formando um discurso musical plural e contemporâneo.

Formação e trajetória Iniciou sua formação musical ainda criança na Fundação das Artes de São Caetano do Sul e no Conservatório Integrado de Amparo, onde concluiu curso técnico em música.

Paralelamente aos estudos, atuou cedo em corporações musicais, missas, orquestras jovens e como músico de cerimônias desde os 12 anos de idade.

Atuação artística Rinaldo acumulou experiência em estúdio e palco: gravações em estúdios como Mix (Amparo) e Mosh (São Paulo), participação em DVD na Canção Nova, arranjos e atuação como trompetista e violinista em diversos projetos.

Produziu três edições do álbum Vozes do Natal e integrou projetos de marchinhas de carnaval. Como cavaquinista, tocou em rodas de samba e choro, na Orquestra Rock de Campinas e na Oficina de Cordas de Campinas com concerto em Geisteig, Munique (Alemanha).

É pesquisador da obra de Waldir Azevedo e Roberto “Canhotinho” Barbosa, tendo tocado o cavaquinho que pertenceu a Waldir Azevedo.

Processo criativo e ensino composição e arranjo para Rinaldo variam conforme o destinatário: partituras acessíveis para iniciantes e exploração timbrística para grupos profissionais.

Costuma compor majoritariamente sozinho, mas já assinou hinos e trabalhos com letristas e parceiros locais.

Na pedagogia, adota metodologia personalizada, criando exercícios e utilizando métodos consagrados para atender objetivos individuais; lecionou cavaquinho no Conservatório Integrado de Amparo.

Visão sobre mercado e tecnologia Rinaldo transita entre ações independentes e parcerias institucionais, trabalhando com prefeituras, empresas, editais e leis de incentivo.

Projetos e metas Rinaldo busca ampliar apresentações nacionais e internacionais, divulgar a cultura brasileira em formações instrumentais e orquestrais, além de seguir evoluindo como músico, pesquisador e colaborador na formação de outros artistas.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Rinaldo Zamai para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 14/08/2026:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Rinaldo Zamai: Nasci no dia 23/10/1987 em São Caetano do Sul – SP. Registrado como Rinaldo José Francisco Marchesi Zamai.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Rinaldo Zamai: Meus pais (Maria Cecilia Zamai e Edson Reinaldo Zamai) sempre ouviam muita música em vitrola, discos vinil.

Em geral meus pais gostavam muito de samba, MPB e meus avô paterno ouvia muita música italiana, óperas, Pavarotti. Um dos álbuns que marcou minha infância foi o disco do Toquinho: “Canção de todas as crianças, lançado no ano do meu nascimento.

Tinha um violão e um cavaquinho que eu levava para todos os lados como se fosse um brinquedo. Iniciei aos cinco anos as aulas de musicalização infantil na Fundação das Artes de São Caetano do Sul.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Rinaldo Zamai: Estudei com professores particulares de violão, cavaquinho, teclado, trompete e violino. Ingressei no Conservatório Integrado de Amparo – SP e conclui o curso técnico em música.

Posteriormente cursei o bacharelado em violino na UNESP (2006-2009), pós-graduação em regência e docência na UNESP (2012), pós-graduação em musicoterapia na Faculdade Metropolitana (2026). Atualmente estou cursando mestrado em música na UEM.

Fora da área musical me interesso por vários temas, como direto, neurociência, psicologia e filosofia, me dedicando no estudo informal.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Rinaldo Zamai: Todas as influências que obtive tanto positiva quando negativa me ensinaram algo. Dessa forma, sinto que as influências sempre tiveram importância na construção constante de quem sou. Sempre absorvi um pouco ou muito das pessoas com quem convivi e convivo, isso vai moldando nossa autoconstrução.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Rinaldo Zamai: Muita atuação como músico começa em São Caetano do Sul – SP na Fundação das Artes aos cinco anos de idade e posteriormente em Pedreira aos sete anos de idade, tocando na missa.

Posteriormente ingresso na Corporação Musical Santana de Pedreira, tocando percussão e instrumentos de sopro em eventos variados. Concertos, procissões, inaugurações, desfiles cívicos, velórios, etc. Aos 12 anos de idade começo a atuar tocando violino em casamentos, aniversários e orquestras jovens.

06) RM: Quantos álbuns lançados? Cite alguns álbuns que já participou como violinista?

Rinaldo Zamai: Minha primeira oportunidade em estúdio, aconteceu no Mix, em Amparo – SP. Gravando para o álbum de uma amiga, Cely Mayara. Depois disso, gravei um DVD com a Salette Ferreira na Canção Nova.

Algumas músicas para álbuns produzidos em Amparo, Pedreira, Jaguariúna, Campinas e São Paulo.

Atuando como arranjador e trompetista participei do álbum de marchinhas de carnaval de J. Peron.

Como violinista participei da gravação do álbum de Edu Cristófaro nos estúdios Mosh em São Paulo. Como produtor realizei três edições do álbum vozes do Natal, que são vários grupos participando tocando músicas tradicionais e autorais de Natal.

07) RM: Apresente sua atuação tocando Cavaquinho.

Rinaldo Zamai: Atuei tocando em festas de carnaval, rodas de samba e choro, além da Orquestra Rock de Campinas – SP.

Atuei junto a Oficina de Cordas de Campinas em concerto realizado em Geisteig Munique na Alemanha. Também fui professor de cavaquinho do conservatório Integrado de Amparo.

Atuo como pesquisador da obra de Waldir Azevedo e Roberto Barbosa (canhotinho), pessoa pela qual tenho profundo carinho e respeito. Tive a oportunidade de tocar o cavaquinho que foi de Waldir e hoje pertence ao Canhotinho.

08) RM: Como é o seu processo de compor?

Rinaldo Zamai: Depende de para quem é a encomenda. Se for um grupo iniciante procuro organizar de forma a ser possível a realização sem tanta complexidade técnica.

Mas se for para um grupo profissional procuro explorar os timbres da orquestra ou banda. No caso de elaboração de arranjos procuro ouvir algumas referências. Para compor para violino solo busco sempre fazer com o instrumento ouvindo e tocando, sentindo como soa e como executa.

09) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Rinaldo Zamai: Em geral componho sozinho, mas já escrevi alguns hinos com letristas e outros músicos, como Antonio Miguel Fabrin, José Martins de Oliveira, Zito Fabrin, Luno Volpato.

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Rinaldo Zamai: Os prós é que temos liberdade para escolher quando, onde e como tocar, compor e reger, mas o ônus é que precisamos dar conta de gerenciar toda a carreira, com contratantes, administrativo, financeiro, entre outras partes burocráticas. Isso sem dúvidas consome muita energia e tempo que poderia ser empregado no desenvolvimento artístico.

11) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Rinaldo Zamai: Pretendo ampliar as apresentações para outros estados e países, valorizando a cultura brasileira da música popular ao violino solo e como regente das minhas obras orquestrais e de banda. Aliando um cuidado com a saúde do corpo, mente e espírito. Além do cuidado com a família que é primordial.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Rinaldo Zamai: Fazer parcerias comerciais com prefeituras e empresas. Além disso, trabalho com editais de fomento a cultura e leis de incentivo, bem como patrocinadores.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Rinaldo Zamai: A internet ajuda a propagar a arte para mais pessoas terem acesso. Prejudica no momento que que uma apresentação pública é executada competimos a atenção com a internet dos celulares.

14) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Rinaldo Zamai: Vantagem de conseguir gravar a qualquer momento, sem agendamento. Desvantagem de não estar em contato com outros artistas e desenvolver o networking.

15) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Rinaldo Zamai: Procuro ser original e ser versátil nos tipos de trabalho que eu executo. Procuro não me limitar e estar disposto a enfrentar novos desafios.

16) RM: Como você analisa o cenário da Música Instrumental no Brasil? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Rinaldo Zamai: A música instrumental brasileira é composta de muitas preciosidades. Temos obras maravilhosas, que muitas vezes permanecem desconhecidas do grande público.

Atendo-me ao estado de São Paulo, local que tenho maior atuação temos grandes nomes da música instrumental: no violino uma das grandes referencias é o Emmanuele Baldini, Ricardo Herz, Pablo de Leon, Maria Fernanda Krug, Paulo Pascoal, Elisa Fukuda, Luiz Amato. No bandolim, Danilo Brito e Raquel Aranha, no cavaquinho, Canhotinho. Na viola caipira, Lucas Campaci, Mazinho Quevedo. E muito mais.

17) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Rinaldo Zamai: Dos conhecidos que tive a oportunidade de trabalhar e dividir o palco, senti que todos são ótimos exemplos e carisma, humildade e profissionalismo.

Jota Quest, Os Paralamas do Sucesso, CPM22, Dinho Ouro Preto, Ivan Lins, Renato Teixeira, Danilo Brito, Raimundos, Titãs, Skank, Supla, Di Ferrero, Roupa Nova, Melim e muito mais.

18) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Rinaldo Zamai: Talvez algo cômico, tenha sido um casamento que esqueci de levar a calça social. E tive que emprestar de um músico bem mais magro do que eu para fazer o cortejo da noiva. Teve uma gravação em que o arco do violino não estava no case, aí tive que improvisar no pizzicato.

19) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Rinaldo Zamai: Mais feliz é quando sabemos que fizemos a vida de alguém melhor com nossa música. Mais triste quando as pessoas mostram indiferença com o nosso trabalho.

20) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Rinaldo Zamai: Se o compositor for o filho do dono talvez. Ou grandes sucessos já consagrados.

21) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Rinaldo Zamai: Além de música, estude outras áreas. Isso vai ajudar a moldar sua interpretação enquanto artista. Não se isole em uma sala apenas estudando técnica. Faça parcerias e procure ser humilde, iluminado com sua arte a vida de outras pessoas.

22) RM: Quais os violinistas que você admira?

Rinaldo Zamai: Artur Huf, Samuel Lima, Emmanuele Baldini, Claudio Cruz, Alexandre Kanji, Rommel Fernandes, Pablo de Léon, Maria Fernanda Krug, Luiz Amato, Davi Graton, Amanda Lima.

23) RM: Quais os compositores eruditos que você admira?

Rinaldo Zamai: Não sou muito adepto dos rótulos que colocamos nos gêneros musicais. Para mim música é música. Mas entendo que a sociedade costuma colocar cada coisa em uma caixinha. Bach, Mozart, Beethoven, Mendelssohn, Brahms, Carlos Gomes, Villa-Lobos, André Mehmari.

24) RM: Quais os compositores populares que você admira?

Rinaldo Zamai: Djavan, Caetano Veloso, Ivan Lins, Adoniran Barbosa, Noel Rosa, etc.

25) RM: Quais os compositores da Bossa Nova que você admira?

Rinaldo Zamai: Tom Jobim, Vinicius de Moraes.

26) RM: Quais os compositores do Choro que você admira?

Rinaldo Zamai: Pixinguinha, Waldir Azevedo, Zequinha de Abreu, Chiquinha Gonzaga, Jacob do Bandolim, Danilo Brito, Canhotinho.

27) RM: Pode usar a técnica de pizzicato no Violino?

Rinaldo Zamai: A técnica consiste em beliscar a corda com o dedo, como se fosse dedilhar um violão ou cavaquinho.

28) RM: Apresente sua metodologia de ensino do Violino e seus métodos que estão à venda.

Rinaldo Zamai: Cada aluno tem uma formatação diferenciada, pois cada um tem um objetivo. Não tenho métodos autorais meus. Costumo criar exercícios para cada aluno e utilizar métodos já existentes.

29) RM: Quais as diferenças técnicas entre os instrumentos que usam arco: Violino, Violoncello, Contrabaixo?

Rinaldo Zamai: O pensamento é o mesmo. Friccionar o arco para produzir o som e apertar os dedos sobre as cordas para alterar a frequência. Mas cada instrumento tem sua postura diferenciada.

30) RM: Quais as principais técnicas que o aluno deve dominar para se tornar um bom violinista?

Rinaldo Zamai: Ter o controle do arco para a produção do som, sabendo executar diferentes cores (timbres) e dinâmicas. Ter o controle da afinação e vibrato na mão esquerda.

31) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Rinaldo Zamai: Achar que todo aluno deve utilizar a mesma metodologia. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra.

32) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Rinaldo Zamai: Acredito que as pessoas têm uma pré-disposição com características que favorecem o aprendizado. Mozart sempre foi classificado como criança prodígio. Mas desde antes de nascer já estava inserido em um ambiente musical tendo o pai como principal exemplo e a irmã.

Desenvolver as habilidades dentro desse contexto favorece o aprendizado. Beethoven por sua vez teve uma trajetória diferente, formas distintas para compor, mas ambos são geniais. O que acontece é que muitos acreditam que o dom ou talento não precisa de esforço e dedicação. Sem isso é impossível compor, reger ou tocar em alto nível.

33) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Rinaldo Zamai: Acredito que a base é o ouvido. Absorvemos muito conteúdo na nossa trajetória e criamos e recriamos frases que sentimos cair bem naquele contexto. Tudo vai de bom senso.

No meu caso eu gosto de ter a noção harmônica da obra, para mim favorece a criação das frases. Mas sei que tem ótimos improvisadores que tem essa noção apenas pelo ouvido, muitas vezes sem o estudo acadêmico, sem ler cifras ou partitura.

34) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Rinaldo Zamai: Os métodos servem para organizar as ideias e muitas vezes mostrar um caminho sequencial de dificuldades, mas depois de conhecer vários métodos acredito que devemos criar nosso próprio caminho e muitas vezes desenvolver o nosso próprio método.

35) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Rinaldo Zamai: Eu em particular quando improviso gosto de deixar fluir sentindo os espaços que podem ser preenchidos, ou uma cama onde não necessita de tanto movimento para dar espaço a outra frase que seja mais importante. Tudo é o bom senso.

36) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Rinaldo Zamai: Ajudam ao estudante observar como os processos de composição era pensando em cada período da história, os encadeamentos, condução das vozes, resolver dissonâncias, modulações, entre outros.

Mas tomarmos por base o tratado de harmonia de Schoenberg, aprendemos muitas coisas além da harmonia. E o próprio autor não desenvolvia suas composições no formato tradicional de música tonal. Desenvolvendo o dodecafonismo.

37) RM: Quais os prós e contras de ser multi-instrumentista?

Rinaldo Zamai: Ter acesso as particularidades de cada timbre conhecendo os recursos mecanismos aprendendo novas técnicas e maneiras diferente de expressar os sons. A parte ruim é ter que carregar, transportar e fazer manutenção.

38) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Rinaldo Zamai: Artistas que permaneceram com obras relevantes e que são instrumentistas e compositores: Danilo Brito, André Mehmari, Arthur Silva Petroli, Toninho Ferraguti, Lucas Campaci, Mazinho Quevedo, Roberto Barbosa.

39) RM: Quais os seus projetos futuros?

Rinaldo Zamai: Procurar evoluir como pessoa, tentando melhorar minhas falhas, e seguir ajudando quando puder ajudar. Estar aberto a novas experiências, poder tocar em locais que nunca toquei, divulgar a música brasileira não apenas no Brasil. Colaborar para que o músico entenda seu papel na sociedade, sabendo da sua importância.

40) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Rinaldo Zamai: (19) 99743 – 9473 | [email protected] | https://www.instagram.com/rinaldozamai

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCiPDTxpcc1bCnFRSyBdOKKw


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