Grupo Ritmo Negro Radical
O grupo Ritmo Negro Radical surgiu nos anos 90 pelo seu mentor Antônio Carlos Marciano, compositor e MC do grupo, juntamente com outros membros J.N.A, N.MC, DJ Ge.
Desde o princípio o grupo R.N.R aderiu o intuito através de suas rimas manifestar sobre diversos assuntos, inclusive sobre: as diferenças sociais e raciais, trazendo mensagens de conscientização referente a não violência, bebidas e drogas ilícitas. Informando e lutando em prol dos menos favorecidos, com apresentações na capital, interior e regiões.
Em 1995, o grupo R.N.R se inscreveu no Festival de RAP do Tio Sam Club e por ser um dos grupos finalistas do concurso ganharam o direito de gravar Pare de se destruir em vinil. Após alguns anos da coletânea o grupo R.N.R elabora seu primeiro álbum R.N.R na Parada e no decorrer do mesmo ano o grupo R.N.R foi convidado para participar da coletânea melhor do RAP Nacional pela gravadora Rhitm and Blues com Siga essa sigla ft MSP.
Após anos difundindo o álbum R.N.R na parada, o grupo ficou ausente da cena RAP a partir de 2005, porém em 2011 ressurge com a nova formação:
Black Sea, Mano Gil, J.N.A em 2018 gravaram um novo álbum O povo é forte.
Segue abaixo entrevista exclusiva com o grupo Ritmo Negro Radical para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbos em 17/04/2026:
01) Ritmo Melodia: Qual a data de nascimento e a cidade natal dos músicos do grupo?
Ritmo Negro Radical: Celso de Assis (J.N.A, vocalista, compositor, co-produtor), nasceu no dia 20/05/1973 em Atibaia – SP. Valdemir Fernandes Silva (Black SEA, DJ, produtor, compositor), nasceu no dia 20/03/1978 em Mairiporã – SP. Gilberto De Assis (Mano Gil), nasceu no dia 30/11/1971 em Atibaia – SP.
02) RM: Fale do primeiro contato com a música dos músicos do grupo.
Ritmo Negro Radical: JNA e Gil, acompanhando meu pai, as modas de viola e referência dos bailes e fomos buscando conhecimento sobre a música quando juntamos o grupo. BLACK SEA, aos cinco anos de idade, meu avô era sanfoneiro participava de apresentação.
03) RM: Qual a formação musical e/ou acadêmica fora da área musical dos músicos do grupo?
Ritmo Negro Radical: Nenhum dos integrantes do grupo tem conhecimento musical teórico ou fizeram curso de música para atuação, aprendemos com a faculdade da vida, ensaiando, ouvindo música e participando.
04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?
Ritmo Negro Radical: Escutávamos Música Sertaneja, Samba, Reggae, Forró e outros tipos de músicas, como músicas de Luiz Gonzaga, Jackson dos Pandeiros, Riachão (atuais), Kendrick Lamar, J. Cole, Djonga, Erica Badu, Racionais MC’s. Todos permanecem com a mesma importância devido a sua Relevância.
05) RM: Quando, como e onde você começou o grupo?
Ritmo Negro Radical: O grupo Ritmo Negro Radical iniciou em 1990, no bairro do Portão em Atibaia – SP, Eu (JNA), e meus irmãos, e em seguida com a saída de alguns integrantes em meados de 2010 foi iniciada a nova formação do grupo com o “DJ BALCK SEA” atuando como Dj e hoje atua como MC, o “MANO GIL” iniciou vendo os ensaios, depois ajudando nos bailes, nas festas quando o “DJ. G “saiu eu entrei na função de DJ do grupo R.N.R.
06) RM: Quantos álbuns lançados?
Ritmo Negro Radical: São dois álbuns e alguns EP’s. Primeiro álbum: ”R.N.R na PARADA”.Segundo álbum: “O POVO É FORTE”.
07) RM: Como você define seu estilo musical dentro do RAP?
Ritmo Negro Radical: BLACK SEA e JNA além do estilo e visão moderna e clara, dentro do RAP tenho inspirações voltados ao RAP Underground, alguns dos integrantes seguem um estilo próprio de seu gosto.
08) RM: Vocês estudaram técnica vocal?
Ritmo Negro Radical: Todos nós integrantes buscamos conhecimento e técnicas autodidatas, visando a melhoria para cada show e composição.
09) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?
Ritmo Negro Radical: DJ Jazzy Jeff, DJ KL Jay, Racionais MC’s, Leci Brandão, Lauryn Hill, Dina DJ.
10) RM: Como é o processo de compor música dentro grupo?
Ritmo Negro Radical: Normalmente acontece a criação musical no espaço de cada um, com as coisas que acontecem no dia a dia. E ajustamos algumas coisas nos ensaios, conversamos a distância e discutimos a respeito até escutarmos outras músicas para buscar referências. A composição depende da inspiração onde você esteve e até chegarmos em grupo numa definição.
11) RM: Quais são seus principais parceiros de composição musical?
Ritmo Negro Radical: DMN, Racionais MC’s, RZO, Pepeu, Thaíde, Ndee Naldinho, Sampa Crew, etc.
12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?
Ritmo Negro Radical: Temos ambas as visões no sentido positivo o livre acesso para produção, criação e desenvolvimento da Arte sem restrições, liberdade de vestimentas e como se portar sendo nós mesmo.
Já no sentido negativo o alcance na divulgação e questões voltadas ao financeiro do grupo, de ser remunerado a altura, o alcance de novas oportunidades. E não ter um padrão acaba em algumas vezes não nos levando onde gostaríamos. No começo não temos nem o apoio da família, é trabalhar dobrado correr atrás dos seus sonhos e objetivos viver a vida e ser feliz.
13) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?
Ritmo Negro Radical: Estar atento nos ensaios, nos palcos e sempre observo os novos aparelhos as novas tecnologias para evitar erros nas apresentações do grupo, a atitude e a postura.
O que vem nos ajudando nesse último mês, é que um tempo atrás não havia assessoria, porém agora estamos com um time para nos auxiliares nessa questão de gerenciamento e planejamento do grupo com as mídias sociais, tendo uma melhor visibilidade e alcance real. E uma das maiores dificuldades fora do palco, é ter uma jornada dupla, pois todos nós atuamos de forma profissional não vivemos só de música ainda.
14) RM: Quais as ações empreendedoras que você prática para desenvolver a sua carreira?
Ritmo Negro Radical: Conteúdos para divulgação do Grupo e idealização de produtos voltados a Marca do Grupo, e voltado aos integrantes o trabalho externo fora a música para o sustento diário.
15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?
Ritmo Negro Radical: Feliz ter o Reconhecimento do nosso trabalho e está em evidência em todas as plataformas digitais e veículo de comunicação. A internet ajuda muito no marketing e promover eventos do Grupo a divergência de opiniões voltadas a polêmicas e pautas no meio RAP.
Triste ver a nova geração degradando nossa Cultura e Essência com intuito de lucrar financeiramente esquecendo o objetivo inicial da nossa Ideologia, o que mais prejudica infelizmente são as mentiras as “fake news”.
16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?
Ritmo Negro Radical: As vantagens não só de poder fazer algumas coisas a distância, estando nas suas próprias casas, mas as outras com a Correção e Sync de Vocais produções de beats/instrumentais e a desvantagem vem em questão de investimentos em equipamentos de última geração para uma boa produção audiovisual.
17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?
Ritmo Negro Radical: Mantemos a autenticidade e a essência da música e diferenciar os estilos de som para atualizar e viralizar no meio atual e todas as nossas músicas são autorais, não cantamos músicas de outros artistas como “covers”.
18) RM: Como você analisa o cenário do RAP brasileiro. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Ritmo Negro Radical: Black: Vejo como um avanço no cenário do RAP o que a nova “safra” e o público feminino vêm apresentando, e ganhando destaque. E tenho a consciência que esse fato vem da antiga geração e que ainda inspiram quem trabalha na cena. Não impede que o Hip-Hop melhore, dando mais oportunidades e investimentos para quem trabalha na cena.
19) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que vocês têm como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?
Ritmo Negro Radical: O grupo “Crítica Fatal”.
20) RM: O que deixam vocês mais felizes e mais tristes na carreira musical?
Ritmo Negro Radical: Black: Ver e acompanhar o crescimento do Ritmo Negro Radical tanto em questão de reconhecimento, mas principalmente na evolução artística, ouvir a rádio 105 FM do interior tocando no ESPAÇO RAP e a rádio da cidade onde iniciamos (Atibaia), é sensacional. Não podemos deixar de lembrar os momentos difíceis, uma das maiores tristeza vem das perdas ao longo do caminho de pessoas que fizeram parte da nossa trajetória e que por diferentes motivos não puderam seguir conosco, e a inveja as pessoas que se aproveitam.
21) RM: Vocês acreditam que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?
Ritmo Negro Radical: Não, infelizmente, se fosse apenas pela qualidade da música, tocariam na rádio, dificilmente qualquer artista não consiga divulgar sem pagar o jabá, afinal de contas tudo gira em torno do dinheiro.
22) RM: O que vocês dizem para alguém que quer trilhar uma carreira musical?
Ritmo Negro Radical: Black: Manter a autenticidade acima de tudo acreditar no potencial e desenvolver sua arte. Faça tudo com seriedade e autenticidade para desenvolver a sua arte, haja com coerência mantendo a sua postura e essência. E procure fazer primeiramente com amor, pois se não for de verdade nada tem sentido nem valor. Não é fácil, às vezes nem a sua família te apoia, poucas pessoas vão estar do seu lado, acredite no seu sonho e siga em frente na luta.
23) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?
Ritmo Negro Radical: Os prós do Festival de Música são as oportunidades de divulgar o trabalho e interagir com artistas do mesmo seguimento e os contras são a burocracia para inscrição e desenvolvimento de projetos e algumas ações mal-intencionadas que dificultam ações de artistas, e grupinho fechado vinculado ao festival que tem naquele momento maior destaque.
24) RM: Como vocês analisam a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?
Ritmo Negro Radical: Tem ambos os lados, a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira é boa para quem tem projeção, porém, para os que estão a pouco tempo no mercado tem que ser diferenciado com potencial para conseguir chegar no resultado, mas por questões morais e “valores” a grande mídia distorce e “silencia” certas questões o que gerar ruido na mensagem final, a grande mídia destaca grupos famosos.
25) RM: Qual a opinião de vocês sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI, Itaú, Banco do Brasil e CAIXA Cultural para cena musical?
Ritmo Negro Radical: São ótimas oportunidades a todos para desenvolver sua arte com chances reais de atingir o objetivo desejado, pois no passado havia falta de palco e incentivo para a cultura. Hoje com esses projetos o meio artístico tem uma visibilidade e incentivo maior para esse seguimento.
26) RM: Quais os projetos futuros do grupo?
Ritmo Negro Radical: Lançar o álbum de comemoração de 35 anos do Ritmo Negro Radical com músicas inéditas e parcerias de vários artistas do RAP e vídeos clipe de algumas músicas antigas e as atuais.
27) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?
Ritmo Negro Radical: (11) 993354-9002 | https://linktr.ee/ritimonegro.radical
| [email protected] | https://www.instagram.com/ritmonegroradical | https://www.facebook.com/ritmo.negro.rnr
Canal: https://www.youtube.com/channel/UCjTWDUkDxiMFq2BnratqcSA
Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=iNr0ebkJXnA&list=PLQZ0FvWs6k5pRCw_nj9HQxUZXoy9otiEA


Leave a Comment