A História da Viola no Mundo
A Viola de 10 cordas é um instrumento cuja história atravessa séculos e continentes. Sua origem está ligada aos cordofones europeus renascentistas, especialmente da Península Ibérica, que deram origem a diversas violas tradicionais espalhadas pelo mundo.
Antiguidade (c. 3000 a.C. – século V): Os ancestrais da viola surgiram na Antiguidade. Na Mesopotâmia existiam liras e alaúdes primitivos. No Egito e na Grécia desenvolveram-se instrumentos de cordas dedilhadas. Os romanos difundiram diversos instrumentos pela Europa. Esses instrumentos ainda não possuíam dez cordas, mas estabeleceram os fundamentos da família dos cordofones.
Séculos VIII–XV – Influência Árabe: Durante a ocupação moura da Espanha e de Portugal, o alaúde árabe (al-‘ud) exerceu enorme influência sobre os instrumentos europeus. Os construtores ibéricos passaram a adaptar esses instrumentos às tradições locais, criando as primeiras “violas” medievais.
Século XV – Surgimento das Violas Ibéricas: No final da Idade Média surgiram diversos instrumentos aparentados:
Vihuela; Viola de mão; Viola de arco; Primeiras violas portuguesas. Nessa época, muitos instrumentos possuíam cinco ordens (pares) de cordas.
Século XVI – A Vihuela: Entre 1500 e 1600, a vihuela tornou-se um dos principais instrumentos da aristocracia espanhola. Características: cinco ou seis ordens de cordas; normalmente dez ou doze cordas; repertório extremamente sofisticado. Grandes compositores: Luis de Milán; Luys de Narváez; Alonso Mudarra. Foi a primeira grande fase histórica de instrumentos com dez cordas organizadas em pares.
Século XVII – A Guitarra Barroca: A guitarra barroca substituiu progressivamente a vihuela. Ela possuía: cinco ordens; geralmente dez cordas; afinações variadas. Foi difundida por toda a Europa.
Séculos XVII–XVIII – Portugal: Portugal desenvolveu uma enorme diversidade de violas regionais. Entre elas: Viola Braguesa; Viola Amarantina; Viola Beiroa; Viola Campaniça; Viola Toeira. Cada região criou afinações próprias.
Século XVI – Chegada ao Brasil: Os portugueses trouxeram a viola durante o processo de colonização. Os instrumentos eram utilizados: pelos missionários jesuítas; em festas religiosas; na catequese indígena; em celebrações populares. A viola tornou-se rapidamente um dos instrumentos mais difundidos da colônia.
Séculos XVII–XVIII – Interiorização. À medida que bandeirantes, tropeiros e sertanistas avançavam pelo interior, a viola espalhou-se por: São Paulo; Minas Gerais; Goiás; Mato Grosso; Paraná. Nesse período consolidou-se a futura viola caipira.
Século XIX – Consolidação da Viola Caipira.A viola brasileira passou a ter identidade própria. Características: cinco ordens de cordas; dez cordas (cinco pares); inúmeras afinações. As principais afinações passaram a incluir: Cebolão em Mi e Ré; Rio Abaixo; Boiadeira; Natural; Paraguaçu; Meia-Guitarra.
Século XX – Popularização. A viola tornou-se símbolo da música caipira.
Grandes intérpretes ajudaram a consolidar sua importância: Cornélio Pires; Tião Carreiro; Pardinho; Bambico; Renato Andrade; Almir Sater; Roberto Corrêa; Ivan Vilela; Pereira da Viola. Também surgiram métodos, festivais e escolas dedicadas ao instrumento.
Século XXI – Internacionalização. Hoje, a viola de dez cordas é estudada em universidades e conservatórios, e seu repertório vai muito além da música tradicional. Ela está presente em: música caipira; música instrumental; música erudita contemporânea; jazz; folk; fusões com música latino-americana. Pesquisadores e músicos têm ampliado sua projeção internacional por meio de concertos, gravações e intercâmbios culturais.
Linha do Tempo Resumida
| Período | Marco histórico |
| 3000 a.C. | Primeiros cordofones na Mesopotâmia e Egito |
| Séculos VIII–XV | Influência do alaúde árabe na Península Ibérica |
| Século XV | Surgimento das primeiras violas ibéricas |
| Século XVI | Apogeu da vihuela espanhola |
| Século XVII | Consolidação da guitarra barroca de cinco ordens |
| Séculos XVII–XVIII | Desenvolvimento das violas regionais portuguesas |
| Século XVI | Chegada da viola ao Brasil com os portugueses |
| Séculos XVII–XVIII | Expansão pelo interior brasileiro |
| Século XIX | Formação da viola caipira de dez cordas |
| Século XX | Consolidação como símbolo da música caipira brasileira |
| Século XXI | Internacionalização e ampliação do repertório |
É importante observar que a viola caipira de dez cordas, tal como é conhecida atualmente no Brasil, não surgiu pronta na Europa.
Ela é resultado de um longo processo histórico que começa com instrumentos antigos, passa pela vihuela e pela guitarra barroca de cinco ordens, pelas diversas violas tradicionais portuguesas e, finalmente, se transforma no Brasil em um instrumento com identidade própria.
Hoje, a viola caipira é reconhecida como um dos mais importantes símbolos da cultura musical brasileira, preservando sua herança ibérica ao mesmo tempo em que desenvolveu técnicas, afinações e repertórios exclusivos.


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