Euclides Amaral 

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Euclides Amaral é escritor carioca (ensaísta). Como Pesquisador Cultural teve acesso a acervo do MIS; Funarte Iconografias, Biblioteca Nacional, Instituto Cultural Cravo Albin e Arquivo Geral do Rio de Janeiro. 

Formado em Comunicação Social pela Uni-SUAM (Publicidade & Propaganda). Cursou Português-Literatura na Uni-Gama Filho e Produção Gráfica e Diagramação no Liceu de Artes e Ofícios.

Fez produção iconográfica, revisão de português e conteúdo para diversas editoras, entre as quais Funarte, no livro “MPB – A História de Um Século”, de Ricardo Cravo Albin.

Entre 1999 e 2026 atuou como pesquisador musical da Biblioteca Nacional, FAPERJ, PUC-Rio, Uni-Rio, UFRJ, UERJ, FINEP e CNPq, com bolsas de pesquisa das referidas instituições. Nesse período, trabalhou como redator e pesquisador do Instituto Cultural Cravo Albin produzindo verbetes para o portal dicionariompb.com.br e para o volume “Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira”.

Colaborou com textos sobre a MPB para as revistas BackStage e UBC, além dos jornais Socinpro Notícias e JG News. Trabalhou como produtor freelancer em programas de rádio sobre a MPB: Metropolitana AM, Continental AM, MEC AM, Roquette Pinto FM e Nacional AM.

Fez curadoria para os projetos musicais “Quintas no BNDES” e “Novo Canto”. Publicou os livros de ensaios “Alguns Aspectos da MPB” (2008), “A Letra & A Poesia na MPB: Semelhanças & Diferenças” (2019) e o “Diário de Bordo; Anotações de Cabotagem” (2026).

Participou de diversas “Bienais Internacionais do Livro” do Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco, além da “OFF FLIP – Feira Literária Paralela de Paraty”, “Feira de Literatura de Nova Iguaçu”, “Feira Literária de São Gonçalo”, “Feira de Cultura e Gastronomia de Duque de Caxias”, “Rio FLIV: 4º Festival do Livro do Rio de Janeiro” e “Paracambi Literária”, entre outras. Verbete na “Enciclopédia de Literatura Brasileira” (Academia Brasileira de Letras/Biblioteca Nacional/MEC, J. Galante e Afrânio Coutinho) e no “Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira”.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Euclides Amaral para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 16/09/2026

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e sua cidade natal?

Euclides Amaral: Nasci no dia 01/11/1958 no bairro Penha, no subúrbio carioca do Rio de Janeiro, RJ. Registrado como Euclides Amaral da Silva.

02) RM: Quais as suas preferências musicais? Quais deixaram de ter importância?

Euclides Amaral: Samba e Choro. As que deixaram de ter importância são as que nunca tiveram importância alguma: Pagode Mauriçola, Sertanojo Universitário e Sofrência de Corno & Corna, além do Funk Melody Choramingueiro, e do Funk Pesadão, exaltando a bandidagem dos grandes centros do país.

03) RM: Qual a sua formação acadêmica?

Euclides Amaral: Sou formado em Comunicação Social, com especialização em Publicidade & Propaganda e Redação Publicitária (UNI-SUAM); Português Literatura pela UNI-Gama Filho (incompleto), e, Produção Gráfica e Diagramação pelo Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro.

04) RM: Como e quando você começou a sua atividade de letrista em parceria com compositores? Quais são os seus parceiros musicais?

Euclides Amaral: Comecei com cerca de 14 anos de idade. Sempre tive muitos parceiros, mas posso listar alguns antigos e recentes como os melodistas Carlos Dafé, César Nascimento, Claudio Latini, Eliane Faria, Elza Maria, Joel Nascimento, Karina Braz, Reizilan Cartola Neto, Renato Piau, Reppolho, Rildo Hora, Rubens Cardoso e Victor Biglione, e os letristas com os quais dividi letras: Ivan Wrigg, Olten Jorge, Sil Lis e Xico Chaves. 

05) RM: Você escolhe sistematicamente quem será o seu parceiro musical ou deixa acontecer espontaneamente?

Euclides Amaral: Deixo acontecer ao sabor do vento.

06) RM: No processo da parceria na criação da canção, você envia a letra/poema para o compositor para ele colocar a melodia? Você coloca letra em melodia que o compositor envia para você?

Euclides Amaral: Em 80% das minhas composições recebi a melodia e coloquei letra. Em 10% eu fiz uma letra pensando no melodista e a direcionei. Os outros 10% foram poemas meus musicados.

07) RM: Você permite o compositor alterar a sua letra?

Euclides Amaral: Sim. Mas quando faço a letra nunca foi preciso. Só quando colocam melodia nos meus poemas, mesmo assim, tenho a última palavra, até porque, esta é parte do meu trabalho, nunca me meto na parte melódica do parceiro.

Portanto, sempre há uma certa negociação, inexoravelmente pautada pelo respeito da participação de cada um no trabalho, que é a junção da melodia e a letra, que geram este terceiro produto, a composição em si, para a qual, em primeiro lugar, o respeito dos parceiros é primordial. Contudo, quaisquer modificações são feitas em comum acordo. Sempre!

08) RM: Cite as principais canções que você é o autor da letra e quem já gravou?

Euclides Amaral: “Choro de passarinho”, parceria com Renato Piau e Rubens Cardoso com 10 gravações por diferentes intérpretes, sendo três delas pelo Luiz Melodia. E ainda, “Considerações”, parceria com Carlos Dafé e Lúcio Sherman, com nove gravações por diferentes cantores, sendo quatro delas pelo próprio Carlos Dafé.

09) RM: Alguns compositores já declaram o fim da canção. Qual a sua opinião sobre essa afirmação?

Euclides Amaral: Em 2004 o pesquisador José Ramos Tinhorão deu uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo, na qual falava sobre o possível desaparecimento da forma “canção”, pelo menos do modo como a reconhecemos no Brasil, sendo muito criticado por José Miguel Wisnik Luiz Tatit, entre outros. Somente quando Chico Buarque deu outra entrevista, ao mesmo jornal quatro meses depois, é que o assunto se tornou objeto de debate na grande mídia.

Trago aqui um trecho da entrevista do Chico Buarque, que por sinal, responde a sua pergunta: “A minha geração, que fez aquelas canções todas, com o tempo só aprimorou a qualidade de sua música.

Mas o interesse hoje por isso parece pequeno. Por melhor que seja, por mais aperfeiçoada que seja, parece que não acrescenta grande coisa ao que já foi feito. E há quem sustente isso: como a ópera, a música lírica foi um fenômeno do século 19, talvez a canção, como a conhecemos, seja um fenômeno do século 20.

No Brasil, isso é nítido. Noel Rosa formatou essa música nos anos 30. Ela vigora até os anos 50 e aí vem a bossa nova, que remodela tudo e pronto. Se você reparar, a própria bossa nova, o quanto é popular ainda hoje, travestida, disfarçada, transformada em drum’n’ bass. Essa tendência de compilar e reciclar os antigos compositores de certa forma abafa o pessoal novo.

Se as pessoas não querem ouvir as músicas novas dos velhos compositores, por que vão querer ouvir as músicas novas dos novos compositores? Quando você vê um fenômeno como o rap, isso é de certa forma uma negação da canção tal como a conhecemos.”

10) RM: Hoje ainda existe espaço e ouvinte para música com letra que se sustenta como um poema/poesia?

Euclides Amaral: Sempre haverá ouvinte para as letras com qualidade esmerada e feitas por gente como Guilherme de Brito, Cacaso, Paulo César Pinheiro, Xico Chaves, Geraldo Carneiro, Tite de Lemos, Ana Terra, Sergio Natureza, Ivan Wrigg, Salgado Maranhão, Ronaldo Bastos, Fausto Nilo, Paulinho Tapajós, Márcio Borges, Murilo Antunes, Fernando Brant e Aldir Blanc, entre outros deste naipe. 

11) RM: Na Rádio e na TV o autor da música quase não é informado. Quem canta passa a ser “o autor” da canção. Esse fato te incomoda?

Euclides Amaral: Sim. Sempre me incomodou como autor de letras, programador e como ouvinte.

12) RM: Você tem músicas que tocaram e tocam em Rádio, TV e em casa de show? O direito autoral é pago corretamente?

Euclides Amaral: Tenho! Sempre recebia normalmente pelas Associações de Arrecadação de Direitos Autorais e Conexos pelas quais passei (AMAR, Socinpro e UBC – a atual), até o advento das plataformas digitais, que tornou péssimo este repasse. 

13) RM: É possível sobreviver exclusivamente de direito autoral de suas músicas? 

Euclides Amaral: Não! Pelo menos em meu caso e de outros compositores pouco conhecidos, sejam eles melodista e/ou letristas.

14) RM: Depois que você teve letras de canções que se tornaram conhecidas, aumentou a procura de compositores em busca de parceria?

Euclides Amaral: Nem tanto! (risos).

15) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na função de letrista?

Euclides Amaral: Feliz: Ouvir a minhas composições no rádio. Triste: Saber que não irei receber nada pela execução no demonstrativo trimestral da minha Associação, a menos que eu peça uma pesquisa de repertório e as emissoras inadimplentes, que são a maioria, façam o pagamento ao ECAD, que repassa parte dele à minha Associação.

16) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira profissional? Fale de sua atuação como pesquisador cultural.

Euclides Amaral: Continuar trabalhando como pesquisador de MPB pra entidades de apoio a esta área da cultura, pelo menos pelas quais passei no decorrer destes 27 anos de profissão, contando sempre com Bolsas de Pesquisa, entre 1999 e 2026, como pesquisador musical da Biblioteca Nacional, FAPERJ, PUC-Rio, Uni-Rio, UFRJ, UERJ, FINEP e CNPq.

Nesse período, trabalhei como redator e pesquisador do Instituto Cultural Cravo Albin produzindo verbetes para o portal www.dicionariompb.com.br e para o volume “Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira” (1200 páginas), lançado pela Editora Paracatu, em 2005, muito vendido no Japão, Europa e países da América Latina. Já o “Dicionário Cravo Albin da MPB On Line” recebeu, em 2018, uma comenda da UNESCO como o “Maior Dicionário de Música Popular de Um País”. 

17) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Euclides Amaral: Pesquisador de MPB, editor/autor dos meus livros de ensaios, ambos, as minhas fontes de renda.

18) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Euclides Amaral: Ajuda na divulgação de um novo produto cultural, seja ele livro ou composição. Mas a pulverização é muito grande e a concorrência tornou-se ainda mais acirrada. 

19) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Euclides Amaral: Não mudou muito não! Apenas se aperfeiçoou na forma de desviar o D.A dos compositores, vide a monetização do Youtube e as plataformas digitais de execução de músicas.

As emissoras de dial (FMs, pois as AMs foram compradas pela Terceira Onda Neopentecostalista, que cobram pra tocar e não pagam o ECAD, nunca, além do amplo uso das mídias eletrônicas – rádio e TVs – em atuação e ocupação de espaços de poder político).

As emissoras FMs de Dial têm as suas próprias emissoras digitais, com um alcance muito maior, todas, sempre mui inadimplentes com o ECAD.

20) RM: Você acredita que as suas músicas tocarão nas rádios sem pagar o jabá?

Euclides Amaral: Sim. Pelo menos nas emissoras de TVs e rádios municipais (Empresa Municipal de Multimeios Ltda-MULTIRIO e a TV Câmara), estaduais (Rádio Roquete Pinto FM) e federais (TVE Brasil, Rádio MEC e Rádio Nacional), por sinal, estas são TAMBÉM inadimplentes em sua raiz, independentemente de que tipo de governo (Direita ou Esquerda) esteja no poder. Nenhum deles tentou consertar esse descalabro.

21) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Euclides Amaral: Entrar pra Escola da Noite e dos Bailes nos Clubes bem remotos, aqueles bem afastados dos grandes centros e da Zona Sul carioca.

22) RM: Quais os prós e contras de Festival de Música?

Euclides Amaral: Nada contra, somente a favor!

23) RM: Festivais de Música ainda têm a importância de revelar novos talentos?

Euclides Amaral: Sim! Claro!

24) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Euclides Amaral: É péssima a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira! Somente o mainstream e o padrão Global escroto, além das emissoras do AgroNegócio, que fabricam duplas sertanojas aos borbotões.

25) RM: Bob Dylan ganhou o prêmio Nobel de Literatura em outubro de 2016. Será que este fato anima outros letristas a “sonharem” com prêmios na área de Literatura ou é um fato isolado?

Euclides Amaral: Anima sim! Veja bem: a Academia Brasileira de Letras já contou com Antônio Cícero (Cadeira 27, na vaga do Eduardo Portella); conta com Geraldo Carneiro (eleito para ocupar a Cadeira 24, na sucessão de Sábato Magaldi) e Gilberto Gil (empossado em abril de 2021 na cadeira 20, sucedendo Murilo Melo Filho), esses três, supracitados, ligados à cultura musical, principalmente pelo trabalho de letrista de composições. Acho que está surgindo um novo paradigma nesta questão, e não é só no Brasil não!

Em Portugal Chico Buarque ganhou o principal prêmio literário da língua portuguesa no mundo, e não somente por sua produção cânone literária de seus diversos romances, também por sua produção na área da literatura musical nos países lusófonos.

26) RM: Os músicos americanos são conhecidos como grandes cantores, melodistas e arranjadores. Qual a sua opinião sobre a qualidade deles como letrista?

Euclides Amaral: São fracos. Os que traduziram as letras da Bossa Nova ainda conseguiram um resultado razoável, mas, no caso das composições do Djavan, eles não conseguem um bom resultado, tanto que o Djavan “Veve” (o grifo é meu!) proibindo versões em inglês pelas bandas e intérpretes dos EUA, por causa das limitações do vocabulário das línguas oriundas do Anglo-Saxão em relação às nossas, que são neolatinas ou novilatinas.

27) RM: Nos apresente os livros que você já lançou?

Euclides Amaral: Publiquei os livros de poemas e letras “Sapo C/ Arroz”, 1979; “Fragmentos de Carambola”, 1981; “Balaio de Serpentes”, 1984; “O Cão Depenado”, 1985; “Sobras Futuristas”, 1986; “Cynema Bárbaro”, 1989; “Desafio das Horas”, 2013; “Poesia Resumida – antologia poética”, 2013, e “Quase Tudo – antologia poética”, 2023.

Os livros de ensaios sobre a MPB “Alguns Aspectos da MPB”, 2008 (EAS Editora), “A Letra & A Poesia na MPB: Semelhanças & Diferenças”, 2019, e “Diário de Bordo; Anotações de Cabotagem”, em 2026.

O livro de contos “Emboscadas & Labirintos”, 1995 (Editora Aldeia), e a fotobiografia e perfil artístico “O Guitarrista Victor Biglione & A MPB”, 2009 (Esteio Editora).

28) RM: Qual a sua opinião sobre a função positiva do crítico musical?

Euclides Amaral: Já foi mais importante nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Depois, ficou totalmente aniquilado pelo Departamento de Marketing das gravadoras, que fazem e desfazem ídolos a bel prazer, independentemente do talento do artista.

Aí… os críticos recebem a grana deles pra falarem bem, e é o que fazem, ou serão despedidos do veículo, que é do amigo do diretor da gravadora.

Ademais, com o advento da “Era Digital”, quase todos os jornais impressos faliram e alguns críticos, das antigas, foram despedidos. Já os novos nem querem tanta briga assim.

A Empresária Larissa (mais conhecida como Anitta) se fez a margem desses críticos das antigas, para quem ela está “rebolando e cantando” de tanta preocupação com eles (risos).

Dá para ver que o marketing pessoal dela deu certo, aliás, unido ao seu talento de cantora (afinadíssima) e de dançarina. Outra que está “rebolando e cantando” para os críticos é a, também carioca, Iza. As duas, bonitas, no auge da juventude e exímias cantoras. 

29) RM: Qual sua opinião sobre os livros ou sobre a análise do Luiz Tatit sobre a função da letra na música?

Euclides Amaral: Sempre corroborei com parte da visão dele, como nesse trecho, por exemplo: “A canção faz crônica. O movimento literário, em nível de divulgação para o público, no Brasil, sempre esteve a reboque da canção. O Tropicalismo, por exemplo, foi um filtro para a vanguarda literária concretista”. (Luiz Tatit).

30) RM: Nietzsche comenta que a melodia (música) sem letra perturba a alma. O que você acha dessa afirmação?

Euclides Amaral: Ele deve ter falado isso depois que abraçou o cavalo. Pura bobagem! Cada parte da música (melodia, harmonia, arranjo, letra, tons e interpretação) têm o seu valor, mesmo deslocada do todo. 

31) RM: Qual a sua opinião sobre “as letras pra acasalamento” que tocam no rádio (FUNK, Sertanejo, Pagode, Forró, etc)?

Euclides Amaral: Todas uma bosta só! Só mudam as moscas! Às vezes… nem as moscas!

32) RM: Renato Russo comento que as letras que falam de amor sempre estarão na moda. Qual sua opinião a respeito dessa afirmação?

Euclides Amaral: Muito fracas as letras dele, aliás, o Rock 80 é quase todo fraco, ressalvando Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Blitz e Titãs, o restante é mui fraco em tudo, principalmente nas letras.

33) RM: Você acha que as pessoas no geral estão mais para aceitar as letras que buscam o entretenimento ou a divagação lírica do que proporcionar reflexões humanas e sociais profundas?

Euclides Amaral: Existem dois tipos de músicas e ambas se propõem a coisas e públicos diferentes. A de entretenimento é uma delas, serve a um público e a um momento específico.

E a música que é mais voltada para arte e que fica sulcada na cultura de um povo, como os Choros do Pixinguinha; os sambas do Cartola e do Nelson Cavaquinho; os baiões do Luiz Gonzaga; as canções praieiras do Dorival Caymmi; os cocos do Jackson do Pandeiro e Dona Selma do Coco; as cirandas de Lia de Itamaracá e de Dona Odete de Pilar; os aguerês e ijexás dos blocos afros e dos blocos de afoxés da Bahia, além dos maracatus de baque solto e de baque virado de Pernambuco. São coisas diferentes para pessoas e situações bem diversas.

34) RM: Fale de sua atuação no jornalismo musical.

Euclides Amaral: Colaborei com textos sobre a MPB para revistas impressas, entre as quais a da UBC, além dos jornais Socinpro Notícias e JG News. Escrevi diversas apresentações para CDs de amigos e parceiros, assim como prefácio, orelhas de livros e quarta-capa pra vários livros de poetas e ensaístas.

35) RM: Fale de sua atuação no Instituto Cultural Cravo Albin.

Euclides Amaral: Nós, os pesquisadores: Eu, Heloísa Tapajós, Paulo Luna e Geralda Magela estava na fundação deste Instituto em 1999, que se deu em decorrência do produto anterior, o “Dicionário Cravo Albin da MPB”, que começou a ser gerado efetivamente na PUC-Rio em 1995.

Contudo, segundo o próprio criador, Ricardo Cravo Albin, esta ideia dele vinha desde o tempo em foi o diretor do MIS, Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro nas décadas de 1960 e 1970.

O sonho começou a se realizar em 1995, com a PUC-Rio como geradora do programa de computador que começaríamos a usá-lo em 1999, e ainda, sob orientação pedagógica e cultural do professor/doutor Júlio César Valladão Diniz (PUC-Rio), o nosso orientador de pesquisa, claro, junto ao Ricardo Cravo Albin, o mentor de tudo.

36) RM: Fale de sua atuação como produtor freelancer em programas de rádio. 

Euclides Amaral: Trabalhei como produtor associado em programas de rádio sobre a MPB: Metropolitana AM, Continental AM, MEC AM, Roquette Pinto FM e Nacional AM.

37) RM: Quais os seus projetos futuros?

Euclides Amaral: Ficar vivo!

38) RM: Quais os seus contatos?

Euclides Amaral[email protected]  | https://www.instagram.com/euclidesamaral1 | https://www.facebook.com/euclides.amaral.7  | https://dicionariompb.com.br/artista/euclides-amaral

Canal: https://www.youtube.com/@euclidesamaral7861

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCLeCk55AG-jhEpCOnsoyQ6Q


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