Rui de Carvalho 

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Rui de Carvalho é um artista autodidata multimídia: intérprete, compositor e escritor (com livros de crônicas, romance, poesia e uma autobiografia). É também artista plástico premiado, com exposições no Brasil, Hamburgo-Alemanha e em Portugal. Como designer gráfico, trabalhou durante 20 anos no Jornal do Brasil, como Comunicador Visual. 

É autor do emblemático LP amazônico “Enfieira” e de vários CDs autorais (com músicas regionais, bossas, sambas, baiões, boleros e canções). Todo o seu trabalho está disponível em lojas virtuais em plataformas: YouTube, Instagram, Facebook, entre outras. Reside no Rio de Janeiro desde 1968, sendo natural de Rondônia (Porto Velho). Rui de Carvalho está no Dicionário da MPB Cravo Albin.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Rui de Carvalho para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 14/09/2026:

01) RM: Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Rui de Carvalho: Nasci nos trópicos da Amazônia, no dia 12/10/1949, em Porto Velho, no antigo Território, hoje Estado de Rondônia. Gosto muito dessa data por ter sempre a criança que existe dentro de mim. Registrado como Rui Dias de Carvalho

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Rui de Carvalho: Desde aos 8 anos de idade, em Porto Velho, onde morávamos, havia um pequeno hotel e vizinhos músicos onde eu ouvia instrumentos de sopro. Meu irmão mais velho (Carlos), já falecido, apaixonado por Nelson Gonçalves, tocava acordeon e minha irmã (Odete), ainda viva, também tocava o mesmo instrumento. 

Quando a família toda mudou para Manaus – AM, no início da Zona Franca, meu horizonte musical ampliou e na época ouvíamos muito rádio, pois só fui conhecer a TV, em 1968 aos 17 anos, quando mudamos para São Paulo e fomos morar num acampamento de uma construtora no Horto Florestal, onde vi festivais de música na TV ainda em Preto e branco. Em 1968, em plena Ditadura Militar, quando se implantou o famigerado AI5, nos fixamos num apartamento na rua Alice, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, ao lado da “Casa Rosa”, onde funcionava um famoso e luxuoso bordel. 

Depois mudamos para a Tijuca, onde moro até hoje e por onde residiram muitos artistas famosos, com Tim Maia, Roberto Carlos, Aldyr Blanc, Nana Caymmi, entre tantos artistas e instrumentistas. Mais tarde, no Baixo Leblon, foi que eu comecei a conviver com alguns criadores e artistas de todos os estilos, pois já trabalhava no Jornal do Brasil que me abria as portas.

Meu irmão, Marciso “Pena” Carvalho, que trabalha em agência de Propaganda, também mais tarde  virou compositor, me introduziu na turma, onde convivi com o poeta Tavinho Paes, o artista plástico como Lobianco, compositores e cantores como, minha querida Beth Carvalho, Walter Queiroz, Zizi Possi, Fafá de Belém, Paulo Levita, Augusto Jatobá, que me levou a conhecer a famosa dupla Antonio Carlos & Jocafi, Xangai, Elomar Figueiras, Sérgio Sampaio, Cazuza e tantos outros que jpa eram famosos ou que iniciavam suas carreiras onde se hospedavam no apartamento do Jatoba, no Leblon. Quem tinha vindo da Selva Amazônica, era uma novidade e eu, covivia numa boa sem me deslumbrar.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Rui de Carvalho: Não tenho formação acadêmica, mas o Jornal do Brasil me deu toda a formação que eu precisava e aproveitei o máximo que pude, pois fiz estágios onde eu desejava dentro dessa empresa maravilhosa e que sinto falta hoje. Toda a minha arte surgiu de forma espontânea e curiosidade. Me considera um autodidata. Meu violão é simples e não leio nem mesmo cifras. 

Aprendi a escrever e entender mais a língua portuguesa quando ingressei no Jornal do Brasil aos 18 anos de idade, e lá fiquei durante 20 anos e boa parte como designer, onde era responsável da imagem visual das empresas da organização. Cruzava nos corredores com Clarice Lispector, Drummond de Andrade, Ziraldo, meu amigo Chico Caruso, o ilustrador e cartunista Bruno Liberati, onde fizemos belas parcerias.O premiado fotógrafo e amigo, o premiado Evandro Teixeira, críticos de música, editores, jornalistas. Era a nata do Jornalismo e intelectualidade brasileira cruzando o meu caminho.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Rui de Carvalho: Minha influência, no início, eram os boleros de Nelson Gonçalves, , Altemar Dutra, Miltinho, Waldik Soriano, onde o ouvia nos autofalante dos arraias no bairro da Cachoeirinha em Manaus, Luiz Gonzaga, Jacson do Pandeiro, Beatles, Elvis, toda a Jovem Guarda. Nessa época, eu nem sonhava em cantar ou compor, portanto ouvia de tudo, sem preconceito. 

Quando me estabeleci no Rio de Janeiro, ai foi uma loucura: no Baixo Leblon, comecei a criar meus novos ídolos, como António Carlos & Jocafi, hoje meus grandes amigos,  Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Gilberto Gil, João Gilberto com sua divisão e o seu jeito particular de cantar e que eu tentava imitá-lo, João Donato, Aldyr Blanc, João Bosco, Fafá de Belém, Zizi Possi, João do Vale, Flávio Pereira, Euclides Amaral, Ruy Quaresma, músico e compositor que foi diretor do meu LP “Enfieira” e que depois viramos parceiros musicais e tantos outros.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Rui de Carvalho: Tudo começou, profissionalmente, quando gravei o LP “Enfieira” em 1982. O lançamento do LP aconteceu no conhecido “Bar do Violeiro”, na Barra da Tijuca, acompanhado com parte dos músicos que participaram da gravação do LP. 

O primeiro dia do show foi razoável pois houve alguns problemas com o técnico de som som, que largou tudo e foi beber fora de suas atribuições. Eu não tinha nenhuma experiência de palco. Eram para ser dois dias de show. Infelizmente, sofri um grave acidente caseiro, com queimaduras de primeiro, segundo e terceiro grau, com óleo de cozinha inflamado que saiu lambendo minha pele nas pernas e braços que me deixou afastado da música por mais de dois anos. 

O que me salvou das marcas e cicatrizes das queimaduras, foi o tratamento espacial que o Jornal do Brasil me proporcionou. A assistente social da empresa, Teresinha Linhares Dias. Minha amiga, uma linda mulher, me deu todo o paio. Ela me lembrava demais a atriz Elizabeth Taylor, com seus belos olhos azuis, e até mesmo sua altura, Era muito parecida. O acidente foi um balde de água fria!

06) RM: Quantos álbuns lançados?

Rui de Carvalho: O LP “Enfieira” (1982) que pode encontrado nas lojas online ou em discos usados e também em plataformas e-commerce, já que se trata de um álbum raro. No Mercado livre, por exemplo os preços hoje variam de 60,00 a 120,00. Eu mesmo tive que comprar um para o meu arquivo. Este LP independente, foi financiado pelo governo do estado do Amazonas. 

Mais tarde, lancei vários CDs e EPs, entre eles: Lendas Amazônicas, Noel Rosa por Rui de Carvalho, De Bar em Bar, Águas do Brasil, Santo & Profano, todos independentes e financiados com minha grana. O Ruy Quaresma, meu produtor, parceiro e amigo, tinha uma pequena gravadora de nome “Fina Flor”, onde ela e uma secretária eram os únicos funcionários. 

Ruy Quaresma pediu meus álbuns para colocar nas plataformas e nas lojas pela gravadora dele, sem eu precisar editá-los. Os meus álbuns, estavam sob a responsabilidade da gravadora “Fina Flor” que que repassou somente uma vez um valor muito pequeno pelas vendas online. Em 2021, com o falecimento de Ruy, não havia ninguém para responder pela gravadora e me prestar contas e que me parece que a mesma existir, mas como ainda não tenho condições de reverte a situação e colocar o controle para o meu nome, estou vendo a ver navios.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Rui de Carvalho: Eclético, adoro cantar, do meu jeito e forma sem me preocupar com estilos. se é “brega” ou “Chique”.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Rui de Carvalho: Certa vez participei do coral na Pro arte, em Laranjeiras sob a Batuta do maestro pelo maestro Hans-Joachim Koellreutter. Ele fez alguns ensaios e um dia decidiu fazer uma seleção. Ele me chamou e me perguntou se sabia ler e eu disse que não, então ele sentou ao piano e tocava as notas e me pedia para solfejar e eu fui até onde ele apertava os graves e agudos. Ele me deu um mês para prender ler música. Disse ok. Eu levava um gravador escondido em uma bolsa tiracolo e gravava e depois decorava e deu certo porque ele nunca reclamou ou me cobrou leitura. Acho que, no fundo, ele sabia, mas me deixou à vontade.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Rui de Carvalho: Criei um grupo com o nome de “Eu Canto Samba”, Todas as sextas e meus amigos, que tocavam, violão, cavaco, tantã, pandeiro às vezes flauta no “Bar do Violeiro” na praça de Bandeira e nos divertíamos pra valer. 

Na época eu fumava que uma chaminé quando bebia cervejas e drinques a fumaça aumentava. Durante 10 anos, fizemos do lugar um sucesso, mas tudo era na base do couvert e ganhávamos uma merreca. No final os dona nos servia o um prato enorme cheio de linguiça e batata frita nadando em óleo de cozinha. Uma noite perdi a voz no palco e achava que era uma gripe. 

Minhas cordas vacais estavam desalinhadas  e danificadas e séria e poderia virar um câncer. Quem me salvou foi O SUS. No primeiro dia no hospital Pedro Ernesto, em Vila Isabel, terra de Noel, dei um CD ao médico e falei de minha situação. Ele resolveu me tratar a base de remédios durou um ano e três messes.  Já no terceiro mês de tratamento eu voltei a canta e nunca mais peguei num só maldito cigarro e diminui a bebida. Como disse certa vez o Chico Anísio numa entrevista: “não me arrependo de nada, só me arrepende de ter fumado.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Rui de Carvalho: São muitos, mas Elis Regina, Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Beth Carvalho, Frank Sinatra, Antônio Carlos & Jocafi, são meus preferidos.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Rui de Carvalho: Como meu modo de tocar violão não é lá grandes coisas, penso em um tema, começo a escrever à mão, pesquiso algumas o tema, fico cantarolando à capela e finalizo a letra no meu computador de mesa, limpando as arestas. 

Quando me mandam uma letra para colocar melodia, eu peço para fazer uns ajustes, se o parceiro concordar. Certa vez o Augusto Jatobá autor de “Matança” me mandou uma letra chamada “A Lenda do Pirajurú” me exigiu não mexer numa vírgula sequer. Consegui fazer a música em alguns minutos. Tem algumas que tenho dificuldade de terminas e deixo na prateleira.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Rui de Carvalho: Paulo Levita, Augusto Jatobá e Bruno Liberati, Andre Penna-Firme, Zé Arnaldo Guima, Euclides Amaral, Reizilan Cartola Neto, são todos maravilhosos.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Rui de Carvalho: Cheguei a participar da diretoria da Associação de Produtores Independentes do Rio de Janeiro, sob a direção de Antônio Adolfo, Francisco Mário, irmão do Henfil e outros interessados e a coisa é muito complicada. Dizem que Chiquinha Gonzaga, em sua época, já fazia discos independentes.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Rui de Carvalho: Ensaio sempre que posso e me apresento conforme o lugar e o público. O importante é escolheu um bom repertório.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Rui de Carvalho:  Hoje, faço arte, seja lá se for música, por puro prazer e não espero tal do sucesso. Se chegar m tudo bem, desde que não me deixe paranoico. Hoje, com as redes sociais, acredito que devo ter um público, por causa das visualizações que variam de cinquenta pessoas a meio milhão de acessos, mas é difícil avaliar. 

Não pago nada para turbinar ou aumentar seguidores, e nem sei mexer com esse troço. Não tenho grana e nem conhecimento para isso. Como a Inteligência Artificial controla tudo, jogam isca de todas as formas para pegar a minha pouca grana, pois viver de arte sempre foi uma grande aventura.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Rui de Carvalho: Ajuda mostrar a cara do artista, mas tem que alimentar as redes sempre, ela é como um verme, uma solitária, pois é bastante gulosa e faminta, senão você vira esquecimento.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Rui de Carvalho: Hoje, em casa com um bom equipamento e conhecimento se faz um bom trabalho, usando músicos e plug-ins, mas evito usar a Inteligência Artificial. O resultado musical, às vezes é muito falso é tudo muito falso e sem emoção. Mas tudo tem seu lado bom e o ruim, em todos os aspectos da vida, incluindo nas máquinas.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Rui de Carvalho: O mercado hoje é coisa de doido. Atiram para todos os lados em busca do sucesso e dinheiro. O meu amigo Antonio Carlos da dupla com Jocafi, não entende como eu não fiz sucesso e sempre me dá muita força. Não temos uma bola de cristal. 

O Cartola e o Nelson Cavaquinho, tinham idades avançadas quando fizeram sucesso e a Beth Carvalho foi a responsável. Escrevi uma auto biografia chamada “Travesso Como é o Tempo” que coloco essas dificuldades os atropelos no caminho. O direito autoral no Brasil e nas plataformas para mim não existe. Com a Internet a coisa ficou pior. Saudades do tempo das gravadoras.

19) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Rui de Carvalho: Sem saudosismo, mas a minha geração foi sensacional. Existem hoje muita gente talentosa por ai que não conhecemos. Porém, a grande mídia, em muitos casos, faria Wolfgang Amadeus Mozart, se revirar em seu túmulo.

20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Rui de Carvalho:  Várias, todo artista passa por isso. Certa vez fui convidado para fazer show no teatro Amazonas. Dividia o show com um amigo e compositor local de nome Celito Chaves, já falecido. Quando residia em Manaus, nunca havia entrado pela frente daquele famoso teatro com cadeiras folheadas a ouro e com paredes com mais de um metro de largura para assistir um espetáculo. Fizemos um ensaio só com artistas locais e estava muito inseguro e ainda mais eu iria tocar no violão as minhas músicas autorais. Dessa vez eu iria entrar no famoso teatro pelos fundos, mas era pra cantar. 

No camarim o pessoal começou a beber e eu também tomei uns goles, mas me segurei o máximo para não dar vexame no palco. Havia um sujeito que não ia tocar e estava lá enchendo a cara. No meio do show, na coxia, por trás de uma grande cortina vermelha, o sujeito, para fazer graça, se enfiou numa carcaça de boi bumbá e começou a danças e ameaçara entrar no palco enquanto eu estava e olhava para ele nervoso e quase me descontrolei. Sorte que o sujeito estava tão alcoolizado que desmaiou fazendo um barulho e conseguimos continuar a apresentação. Era inicio de minha “carreira” e com muito pouca experiência.

21) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Rui de Carvalho: Hoje, eu não mais me preocupo com isso. Meu ego já foi domado há muito tempo. Faço tudo por puro prazer. O planeta passa por grandes transformações e tudo é muito rápido e não dá para planejar nada. Logo teremos, governantes, juízes cantores, namoradas, etc., tudo robotizado. A Inteligência Artificial será a grande estrela da nova era que já começou.  Vai ser uma loucura e eu vou atravessar o espelho antes de acontecer o boom de tudo isso eu já não estarei aqui para ver a grande tragédia ou não. Nunca se sabe!

22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Rui de Carvalho: No meu caso, existe algo no universo que colabora com minhas criações e às vezes cai de bandeja no meu colo. Como não tenho religião e nem Deuses para adorar, pois me considero agnóstico… sou como Charles Darwin, que acreditava na evolução e provou que os seres vivos mudam ao longo da seleção natural.

23) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Rui de Carvalho:  Eu gosto muito quando a improvisação é bem feita, mas sem exagero e me entregando a música de “bandeja” quando estou cantando.

24) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Rui de Carvalho:  A improvisação está ligada a base nos estudos e experiências de cada músico.

25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Rui de Carvalho: O equilíbrio, nem mais e nem menos no estudo de improvisação.

26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Rui de Carvalho: A Harmonia salva e completa a música. O mestre Tom Jobim, é um excelente exemplo de criador de acordes para as melodias. Mas nesse campo não sou um especialista, só me basta sentir.

27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Rui de Carvalho:  Não acredito mesmo! O “Jabá” foi criado pelas gravadoras e até hoje e ainda existe. Um diretor de uma grande gravadora disse o seguinte: “criamos esse monstro e agora não sabemos como destruí-lo.” Eventualmente as rádios tocam durante uma entrevista com o artista as músicas dele e nunca mais vão tocar nada dele, principalmente os novos, pois não entram na programação da rádio, onde a direção, DJ ou disc Jockeys são os que determinam quem vão tocar. Tem poucas exceções. 

Tenho um grande amigo chamado Décio Luiz dos Reis que tem uma bela rádio na internet com uma excelente programação, de nome BB Music de Búzios no Rio de Janeiro. Eu estou na programação da rádio diariamente com meu projeto “Cantarolando com Rui de Carvalho” que toca em horários programados e ele já faz isso alguns anos. Toca porque gosta do meu trabalho. Lá não tem Jabá pra ninguêm!

28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Rui de Carvalho: Procure um plano B, um emprego para sobrevier.

29) RM: Festival de Música revela novos talentos?

Rui de Carvalho: Hoje Não! Existem hoje pequenos festivais por tudo quanto é canto, menos os grandes TVs.  tudo é muito passageiro. Em 1968, o artista plástico Andy Warhol, foi categórico e mandou essa famosa frase: “No futuro, todo mundo será famoso por 15 minutos.”

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Rui de Carvalho: A grande mídia não revela ninguém e nunca revelou. Ela pega tudo já pronto e só faz a maquiagem, como movimentos do rap, do sertanejo ou sei lá de que. 

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Rui de Carvalho:  São importantes. Fiz o meu projeto lítero-musical sobre minhas “Lendas Amazônicas, em escolas públicas (CIEPS), financiado pelo SESC do Rio de Janeiro, em parceria com a contadora de histórias Silvia Ferraz, onde dez lendas eram apresentadas com minhas pinturas, meus textos e minhas músicas sobre as lendas. 

Fiz também quatro shows aqui no Rio num teatro lindo na Muda/Tijuca no Centro de Referência da Música Carioca Arthur da Távola, pertencente a Prefeitura, onde eu a Silvia falamos e cantamos a lendas. Depois fiz mais um show homenageando, Joao Nogueira, outro sobre Noel Rosa, nesse teatro.

32) RM: Quais os seus projetos futuros? 

Rui de Carvalho: Continuar fazendo o que eu gosto sem espera nada em troca. Tentar ter paz e ser feliz! Vale o presente!

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Rui de Carvalho(21) 98110 – 9699 | https://www.instagram.com/ruidecarvalho_arte | https://dicionariompb.com.br/artista/rui-de-carvalho

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCb95MHlE8vmh1roo9yALahg

“NAURÚ (1)” IN MEMORIUN A BRUNO E DOM – CANTA RUI DE CARVALHO: https://www.youtube.com/watch?v=bVDx39rRl9k

Playlist com músicas de Rui de Carvalho: https://www.youtube.com/watch?v=0m98FMGfV94&list=PL10AUFN766jb8mCDMtq6fE_eptePfGBb4


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