Pedro Rodrigues
Pedro Rodrigues, Peu Rodrigues, Piro Bairiano, Corisco Viola ou Truv3j0 é compositor e músico instrumentista com foco em Viola, Cavaquinho, Violão e compõe canções e música instrumental além de praticar seu “toque na hora”, improvisando com seus materiais e conceitos sonoros e também estuda e toca percussão tirando som também de outros instrumentos.
Tendo estudado Viola Caipira no curso de Bacharelado da ECA (USP), absorveu técnicas e saberes do prof. Ivan Vilela, que junto a suas vivências e estudos prévios de música popular formou a sonoridade e caminhos de um tocador de Viola, Cavaquinho e Violão desenvolvida pelos traços de suas pesquisas e treinos de repertórios do começo do século XX, experiências com músicas dos sertões, sonoridades modernas da cidade, manifestações tradicionais brasileiras, jazz, sons afro brasileiros e outras influências de pouca expressão midiática do Brasil e de outros países.
Pedro Rodrigues tocou em diversos festivais de colégios e cenas underground paulistanas com bandas autorais onde praticava o improviso na música instrumental enquanto estudava, pesquisava e tocava e trocava com outros músicos figurinhas, conhecimentos e sonoridades de Cavaquinho, Viola e Violão, já compondo e treinando improviso desde os 15 anos de idade, ouvindo e saindo vivenciar e tocar com outros músicos e artistas nas ruas, festas, bares e espaços culturais.
Como músico popular já tinha boa técnica e passou anos se dedicando ao estudo acadêmico, que depois veio a lhe dar frutos dos aprendizado com o Prof. Ivan Vilela e todo currículo que o fez ter maior ciência do que fazia e começou a fazer. Pedro Rodrigues teve contato e esteve perto de mestres e amigos do Boi, diversos sambistas, grupos de reisado e tocadores de Viola, mestres Jongueiros e batuqueiros como Daniel Reverendo e Anecide Toledo. Ele nunca deixou de compor ao longo dos anos, em diversos estilos.
Em 2015 áapresentou na Casa De áTijolo um agrupado de umas 12 músicas autorais dos subgêneros caipiras cantadas em dueto acompanhado da viola e seu cumpanheiro Nhô áJefferson. Pedro Rodrigues gravou seus arranjos em parcerias publicadas nas plataformas, trilhas sonoras para arte e comercial e áudios para vídeos de causos no YouTube. Ele passou alguns anos compondo músicas mais modernas utilizando também a viola com efeitos e outros instrumentos de banda, tocando em cabarés e baladas na cidade aonde seguiu suas experimentações.
Com o grupo Nayangolo, Pedro criou os arranjos do primeiro disco da banda, “Terceira Visão” com a Viola como protagonista também nas longas apresentações em centros culturais e pontos de cultura da zona oeste de São Paulo.
Em 2021 fez trabalho como dupla caipira com o violeiro Adonias Calebe e em 2022 formou-se o Trio Pedra Lascada, aonde se ligou mais forte no já presente gosto pelo Baião. Em 2024 conheceu mestre Carangueijo e a Poética do Berimbau, aonde teve grande contato com o cantador e compositor Bahiano com o qual criou, gravou e se apresentou tocando Viola de samba de roda, samba duro e chula. Recentemente gravou algumas de suas recentes criações na Viola e Violão e tem composto sambas no Cavaquinho.
Segue abaixo entrevista exclusiva com Pedro Rodrigues, Peu Rodrigues, Piro Bairiano, Corisco Viola, Truv3j0 para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01/07/2026:
01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?
Pedro Rodrigues: Nasci no dia 29/06/1990 em São Paulo – SP. Registrado como Pedro Abreu Rodrigues.
02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.
Pedro Rodrigues: Desde cedo tive contato com a música através da família, tanto ouvindo discos e indo a apresentações quanto em casa por músicos da família e amigos. Tínhamos uma viola de cocho encostada em casa trazida de viagem ao Mato Grosso e sempre um violão tocado por meu pai (Délcio), que segurava o som em encontros e eventos. Meu tio (Durval), guitarrista de carreira, sempre me deu oportunidade de pegar sua guitarra e meu avô (Abdorse Rodrigues) cantarolava e tocava na flauta suas músicas que gostava de criar.
Creio que um dos primeiros contatos mais meus por mim mesmo foi através de dois amigos gêmeos de quem o pai era professor de música. Lembro que pegava o violão e rasgava com a mão direita tentando acertar o ritmo apenas esboçando os acordes enquanto perguntava ao Léo: “Tá funcionando? Que vc tá achando”, eu ainda não lia as cifras daquelas revistas dos anos 90.
Uma vivência que me marcou foi, eu com uns 10 anos de idade em uma festa de amigos da família em Cunha (SP), um músico do grupo dos jovens viu eu interessado com o instrumento, afinando e tirando som das cordas de nylon do violão, bem nas primeiras casas, e me ensinou as quatro primeiras notas de “parabéns pra você”. Depois me disse para ir procurando o resto – “agora vai descobrindo, pode ser pra cá ou pra cá, ó”. Os jovens foram curtir e eu fiquei na saleta com o violão, me envolvi e tirei quase tudo com algumas indecisões em uma ou duas notas e saltos.. mais tarde o músico passou por mim e me deu mais umas dicas.
03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?
Pedro Rodrigues: Cursei a graduação de música no CMU, no BACHARELADO EM VIOLA CAIPIRA – ECA – USP e considero de igual importância minhas vivências, trocas e aprendizados com mestres, professores, amigos, grupos populares e cruzos
04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?
Pedro Rodrigues: Gosto muito da Vanguarda Paulistana dos anos 80, principalmente Itamar Assumpção. De guita Jimi.Hendrix, Pink Floyd e outros progressivos, Beatles, Frank Zappa e muitos improvisadores blueseiros e do jazz como Robert Johnson, Freddie King, Wes Montgomery, Chuck Berry, etc.. Miles Davis
Depois no brasil Sabotage, Charlie Brown Jr, Rita lee, Arnaldo Antunes, Ramones, Tom Zé, Mutantes, Jards Macalé, muito Gilberto Gil, Milton Nascimento e Baden Powell, sambistas como Wilson Batista, Ataulfo Alves, Nelson Cavaquinho, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Paulinho da Viola. E de duplas e violeiros: Tião Carreiro e Pardinho, Vieira e Vieirinha, Índio Cachoeira, Helena Meirelles, Zé Coco do Riacho, Ivan Vilela, Elomar, Pena Branca e Xavantinho e as culturas e manifestações tradicionais, seus mestres e desdobramentos.
Influências da minha pré-adolescência: rock hard-core, música pop ou rock metal deixaram de influenciar, enquanto alguns poucos outros caminhos de musicalidade deixaram de ser tão influentes e outros tomaram destaque, como a influência de toques de terreiro, cocos, baiões, xaxados, congada e mais
05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?
Pedro Rodrigues: Considero minha primeira banda, o Pizza Punk, aos 11, 12 anos de idade (em 2001/2002) o começo de minha vivência de tocar em grupo e experiência de palco e improviso junto com outras apresentações informais em saraus e festas de família e agregados..
Mas como carreira, depois de algumas experiências tocando Blues em bares e festivais de música, as criações e apresentações do grupo Macaca Sonora em 2007/2008/2009 me deu a base e confiança de exercer minha musicalidade. Nós fazíamos um som autoral bem bacana para nossa idade, com improviso e temas perpassando jazz, funk e instrumental brasileiro, colocando pra fora em espaços alternativos e festivais o que havia desenvolvido no estudo e tempo debruçado no instrumento. Nesse momento também já criava para Viola, que comecei aos 15 anos de idade (em 2005).
06) RM: Quantos álbuns lançados?
Pedro Rodrigues: Ainda não lancei um álbum solo, mas fiz participações em álbuns de companheiros, trilhas e singles autorais e em parcerias.
07) RM: Como você se define como Violeiro?
Pedro Rodrigues: Um violeiro que, por mais que tenha pesquisa e prática nas linguagens tradicionais, como a da música caipira, não se enquadra em uma ou duas vertentes. Uso as técnicas e saberes tanto para compor em estilos consagrados tanto para o desenvolver de minha sonoridade, misturando ritmos afro brasileiros com elementos de rock, jazz e outras brasilidades e músicas do mundo. Valorizo o improviso e o aprendizado criativo, o contato livre com o instrumento sempre ouvindo e tendo como referência alguns violeiros e vertentes da viola brasileira
08) RM: Quais afinações você usa na Viola?
Pedro Rodrigues: Basicamente afino a minha Viola em Cebolão em Ré, mas brinco com afinação Rio Abaixo e natural. Desde antes de tocar Viola também trabalho e experimento afinações inventadas e com cordas a menos, o que pra mim aumenta a plasticidade do pensamento e abre novos caminhos menos engessados quando o aprendizado ainda não contempla técnicas e buscas fora do ensino padronizado.
09) RM: Quais as principais técnicas o violeiro tem que conhecer?
Pedro Rodrigues: As técnicas de mão direita como o dedilhado, o ponteado, o “tu rum tum tum” e suas incontáveis variações que dão novas caras rítmicas aos toques. A técnica das Dez Cordas percebida e desenvolvida pelo Ivan Vilela também expande, podendo abrir caminhos com as cordas individualizadas e também começar a controlar melhor como atacar os pares. A angulação do ataque das unhas e variação da distância do contato pro cavalete também é mais um recurso fino. Colocaria os rasgados, saberes dos pagodes e abafados como técnicas importantes também, fora os característicos e saborosos ligados dos dedos da mão esquerda.
10) RM: Quais os violeiros que você admira?
Pedro Rodrigues: Índio Cachoeira, Ivan Vilela, Paulo Freire, Ricardo Vignini, Mestre Aurino e outros sambadores, Canhoto da Viola da Viola de Buriti do Jalapão, Tavinho Moura, Bambico, Tião Carreiro, entre muitos outros
11) RM: Como é seu processo de compor?
Pedro Rodrigues: É variado e singular: ou parte de um sentimento letrado, no qual ao escrever a letra já me vem um básico da melodia e acordes, dos quais vou trabalhando. Asvezes vêm de formas e rítmicas de toques e novos dedilhados e sotaques que desenvolvo e amadureço por meses ou anos, os quais uso em instrumentais e aproveito também para acompanhamento.
Gosto de ouvir, conhecer e praticar novos ritmos brasileiros para enriquecer. Também uso um aprendizado adquirido com o mestre Ivan de usar padrões rítmicos de dedilhados e ponteios de mão direita para dar musicalidade às mudanças harmônicas nas posições da mão esquerda, alterando os caminhos, dando linhas e sobreposições sonoras a uma figura. Também ouço muita música e imito, improviso encima e recolho o que me interessa para treino e para firmar. As vezes passo meses trabalhando uma ideia, asvezes ouço uma música e imito algum aspecto, varia muito. Tem musica que nasce e quase se esgota em minutos também
12) RM: Quais as principais diferenças técnicas entre a Viola e o Violão?
Pedro Rodrigues: A Viola é mais contrapontística, é mais fácil e intuitivo fazer movimentos mais individuais e de corda em corda, a Viola também possibilita o uso de escalas duetadas em diferentes pares com mais fluidez, abrindo caminho para melodias e uma outra linha harmônica, de baixo ou contrapontística. A afinação aberta possibilita mais ligados e menos mudança na mão esquerda em uma mudança maior e mais rápida da harmonia, tendendo a uma sonoridade menos rígida.
Aprendi a juntar as técnicas dos dois instrumentos mas a forma da mão é diferente e vejo que a mão direita da viola pode atingir padrões rítmicos naturalmente mais percussivos pela oposição do polegar com os outros dedos, por mais que estudos desenvolvidos busquem neutralizar e relaxar essa tendência.
Quando costumo usar o indicador, do meio e o anelar para os três pares de baixo, sobra um polegar com bastante potência e mobilidade. Digo que a viola é um instrumento mais gostoso de soltar a mão, mais intuitivo para a criação mesmo paea mim, não só usando as tonalidades sugeridas pela afinação
13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?
Pedro Rodrigues: Fazer música independente te dá grande liberdade de espaço e tempo para criar ao começar ou desenvolver as criações. Você pode ter muitas faíscas para novos começos e abrir muitos ramos em pouco tempo e pode também trabalhar em uma composição por anos.. e não precisa se portar ou encaixar em sugestões ou expectativas. Mas ficamos as vezes sem orientação, espaços de apresentação e divulgação, feitas por nós mesmos, o que nos deixa empreendedores de si mesmo, deslocando o foco da música em si.
14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?
Pedro Rodrigues: Não planejo muito, tenho diversos alter-egos, heterônimos ou projetos e estilos que vou trabalhando aos poucos, pego o que me cabe no momento, e quando está maduro, foco para gravação ou mostra pública. Deixo com que esse processo se regule e invisto no que vejo mais coerência, asvezes abdicando de uma vertente ou música e se inclinando mais em alguns caminhos.
De certo vejo grande importância em cuidar do aspecto físico corporal. Postura, treino, aprendizado constante e não se esquecer de sempre ter tempo ouvindo música e realizando outras atividades manuais e intelectuais, ou até eventos e viagens que se viva cultura.
15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?
Pedro Rodrigues: Costumava gravar demos e registros no celular, mas percebi que por uma questão de foco e objetividade que um gravador me seria de melhor resultado. Hoje quando vou gravar fico desconectado e longe de computadores e internet.
Também gosto de chamar amigos para me fortalecer em sessões de gravação. E mesmo no desenvolvimento musical de um trabalho, companhia e alguém para apertar o botão do rec, ajudar a ajeitar o espaço e dividir um café é maravilhoso. Uma das minhas melhores sessões chamei um camarada para um sítio para ficar em função e enquanto eu trabalhava ele fazia suas coisas e ajeitava o campo.
Acredito que o músico deve se preocupar e saber como chegar no resultado sonoro a ser atingido mas não deve ser o técnico de som, o produtor, o editor ou propagandista de sua música, ao menos vejo que isso me tira do foco
16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?
Pedro Rodrigues: A internet é muito boa para conhecer e acessar conteúdos musicais, escritos, ver documentários e entrevistas com facilidade e fluidez. É incrível o como posso descobrir um álbum através de um artista em comum e mergulhar em uma história e sonoridade que me inspire e dê fundamento para um novo trabalho e veia de inspiração. O contato com outros músicos colegas ou admirados também é engrandecedor e dá conexão com o meio.
Eu penso porém que muitos artistas, incluindo eu, asvezes ainda acabam cedendo à tentação de fazer uma versão pouco trabalhada de uma semente que pode se tornar uma obra madura. A ansiedade das redes sociais tem o poder de nos influenciar a pensamentos curtos e uma ansiedade em compartilhar o que estamos desenvolvendo.
17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?
Pedro Rodrigues: É excelente poder fazer registros e de gravar.. mas, ultimamente, eu tenho preferido burilar e sedimentificar no orgânico, deixar que alguém me grave. Gravação pode se tornar uma coisa mais rígida e séria enquanto palco é movimento, continuidade, superação. E para gravar o trabalho tem que estar muito mais firmado do que para se tocar ao vivo, sozinho ou para os outros. Não tenho usado home estúdio nos últimos tempos.
18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?
Pedro Rodrigues: Busco o caminho oposto, as vezes lanço e nem divulgo, espero ter um material interessante e firme para chamar alguma atenção ou então buscar lançar um trabalho voltado à vendagem e disseminação. No momento prefiro investir o meu diferencial na musicalidade.
19) RM: Como você analisa o cenário da Música Sertaneja pop? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?
Pedro Rodrigues: Vejo a Música Sertaneja atual, em grande parte, como um produto muito posto à negócio para venda. Por mais que as letras modernas sobre celular, paixões e sofrências nos encontrem e falem do nosso dia a dia, poucos artistas realmente me chamam atenção para uma escuta atenta e atenciosa. A não ser os que tem grandes vozes e composições mais atraentes para o meu gosto.
20) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?
Pedro Rodrigues: Minha alegria é acordar todos os dias e tocar com calma tudo que eu gosto, criar no meu estilo e tempo. E fazer improvisos e sessões com os amigos são minha fonte de juventude. Tocar no palco também me move demais. O fato de não conseguir espaços e também dinheiro para organização e produção de projetos e parcerias, não conseguir promover e organizar sessões de gravação e ensaios quanto queria me deixa um pouco triste, mas o processo acontece do mesmo jeito, a gente acha um caminho.
21) RM: Quais os outros instrumentos musicais que você toca?
Pedro Rodrigues: Cavaco, Violão, Guitarra, Baixo, Pandeiro, Zabumba e gosto de me abrir para novos aprendizados e brincadeiras.
22) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja Caipira? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Pedro Rodrigues: Muitos artistas ficaram em um lugar comum no cenário da música Sertaneja Caipira, se encontraram nos grandes palcos e vitrines e lá se acomodaram, mas sempre surgem novos talentos, muitas vezes sem muitos holofotes, como de costume.
23) RM: Quais os vícios técnicos o violeiro deve evitar?
Pedro Rodrigues: Além da má postura, enrijecimento maior que devido da musculatura, mão direita com pouca variação de peso, insistência em pouca variação do material musical e força exagerada no encaixe da mão esquerda, fora a inclinação exagerada de abraçar a viola e encurvar as costas e ombro rígido. É preciso para tocar a Viola uma postura muito bem trabalhada para não se forçar o corpo, principalmente em Violas de construção menos trabalhadas para suavizar o peso das cordas duplas.
24) RM: Quais os erros no ensino da Viola?
Pedro Rodrigues: Não se preocupar com o som que o aluno vai tirar do instrumento é uma via comum que acaba atrapalhando a sonoridade e acumulando problemas diversos ao longo do tempo. Deixar a Viola em um lugar de um instrumento de um estilo só, como um instrumento de um folclore parado no tempo. E não incentivar outras técnicas de mão direita, colocar de lado o uso de exercícios e técnicas de aquecimento e postura. E não mostrar um repertório abrangente do que é a Viola no Brasil todo e diminui o poder de amplificação de sonoridades que podem contribuir para uma Viola com origem, mas também inovação.
25) RM: Tocar muitas notas por compasso ajuda ou prejudica a musicalidade?
Pedro Rodrigues: Depende, às vezes é mais difícil mesmo tocar menos notas. a musicalidade não se altera somente por isso. Toques de mão direita rápidos, usando notas menos destacadas e com intenções melódicas bem definidas podem ser um caminho para uma sonoridade interessante quando bem embasadas, o que não tira o valor de uma escala duetada singela de uma introdução de música de Tonico e Tinoco, por exemplo.
26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?
Pedro Rodrigues: Saber que de grão em grão a galinha enche o bico, não se pode fazer uma bela escultura sem treinar muito e molhar a argila constantemente. Ficar em contato contínuo com o instrumento e ter persistência muito ajuda.
Penso que se programar e roteirizar seus estudos e tempos para cada atividade, traçar metas para conclusões de projetos e fazer contatos, estar sempre junto a outros músicos em momentos formais e informais engrandece e faz a paixão virar uma realização de maneira mais natural e concreta.
27) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?
Pedro Rodrigues: Penso que dar ao aluno um espaço de quase apenas um mero recebedor de um conhecimento já pronto e preparado, que lhe ensina a não muito mais que repetir acaba levando a música, território tão fértil e colorido, a um lugar de não incentivo à própria musicalidade e sua força. O método do aprendizado criativo do prof. Ivan Vilela quebra com essa tendência, junto com outros jeitos de conectar o aluno ao mundo musical que o envolve e deixar mais orgânica e viva a experiência tem grande poder transformador.
Não procurar criar no aluno a sede de se desenvolver e também estudar por si, criar uma pesquisa interna que busque vivências e experiências que lhe coloquem em contato com outros estudantes nesses mesmos caminhos de fruição, exploração e assimilação dos trabalhos, histórias e origens de artistas e movimentos inspiradores e suas sonoridades é um desperdício de grande proporção.
28) RM: Existe o Dom musical? Qual a sua definição de Dom musical?
Pedro Rodrigues: Na minha opinião existe interesse, oportunidade e processos onde a criação, condições materiais e espaciais, vivenciais e a subjetividade das experiências levam alguém a desenvolver esse dom.
29) RM: Qual a sua definição de Improvisação?
Pedro Rodrigues: Existem muitas definições de Improvisação, pode-se pegar o instrumento e traduzir um sentimento de muitas formas, em um estilo que se tem conhecimento ou simplesmente tocando uma nota ou conjunto de notas e fazendo o próximo passo, vendo aonde vai dar…
Um sentimento de uma história vivida, uma subjetividade latente ou projeção em si tem o potencial para virar arte, no caso, som. E nisso usamos recursos que temos dentro de nós em contato com técnica e pulsão.
Utiliza-se o pensamento comum de “vou improvisar encima de uma sequência de acordes com o que aprendi sobre improvisação” mas vejo este caminho menos auspicioso do que trazer seu arcabouço misturado com o que vai surgindo através de notas, que viram motivos, frases, harmonias e construções baseadas no que é feito no agora e suas sugestões dadas de si a si mesmo. Talvez seja um estado de transe de alguém que tem história e vive música.
30) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?
Pedro Rodrigues: Existe improvisação de fato! A gente tendo na mão solidificado o braço, as escalas, os intervalos, a mão direita orientada, você aplica o ouvido, você faz o que teu corpo sente, mas para isso você precisa ter o que dizer.
31) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?
Pedro Rodrigues: Muitos métodos se fixam em estudar o arpejo ou escala de tal acorde do campo harmônico, caminhos deles e esquecem de fazer do músico um ser livre, que usa suas referências internas adquiridas e coloca-as pra fora criando variações, criando encima do que há pouco foi propôs, fazendo desse um começo e alternando dinâmicas, tempos e harmonias, que vão resultar sentimentos em progressões de continuidade dentro do tempo.
Às Vezes se esquece o que o músico pode criar com três notas, o músico pode fazer um acorde e, variando uma nota, tocar mais de três minutos em variações, a coisa é simples e tem que ser nossa água, nosso oxigênio. Por isso, sempre respirar.
Tanto que eu, ao pegar uma sessão de improviso e seus caminhos e fixá-la, deixar como uma pintura, procuro não preocupar demais para não me prender a essa moldura, não virar mais um copia e cola. A composição precisa de tempo para pegar do ar a construção.
32) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?
Pedro Rodrigues: São muitos prós, fora algum trato inesperado que você possa ter ao ser leigo, o estudo é essencial para compreensão do arco de uma música, o que pode ser sobreposto, ter mais caminhos aonde aquilo pode ir.
Saber a composição e qualidade de um acorde é também imprescindível, a gente tem que saber o que está fazendo, depois você pode “esquecer tudo” e simplesmente fazer e, ainda assim, será importante e muito enriquecedor estudar o que você fez ao se soltar.
33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário musical brasileiro?
Pedro Rodrigues: A cobertura feita pela grande mídia do cenário musical brasileiro é pouco justa e não é divulgadora dos trabalhos maduros e ricos que estão fora do que é fortemente vendável, colocando a Viola, por exemplo, ou no lugar de um apetrecho de um pop star ou em uma folclorização congelada de sua capacidade e atual uso.
34) RM: Qual a importância de espaço como SESC, Itaú Cultural, Caixa Cultural, Banco do Brasil Cultural para a música brasileira?
Pedro Rodrigues: São de suma importância e dão espaço, tanto para músicos renomados no nicho, quanto para potências ainda não vistas, dando dignidade e visibilidade para nosso povo tão rico em pessoas e grupos que vivem e fazem arte e cultura.
35) RM: Quais os seus projetos futuros?
Pedro Rodrigues: Estou fazendo um compilado das canções do último ano enquanto toco meus outros projetos composicionais, o resto estará nos próximos capítulos…
36) RM: Quais seus contatos?
Pedro Rodrigues: (11) 99211 – 1431 | [email protected] | https://www.instagram.com/bairiano | https://www.instagram.com/truvejo.viola | https://www.instagram.com/peu.rodrigues_ | https://www.instagram.com/triopedralascada
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Confira Bairiano no #SoundCloud: https://on.soundcloud.com/FUaGTWiUlnqzzNkZbZ
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