Fabienne Magnant
Fabienne Magnant é uma violonista, compositora e professora francesa, apaixonada pela violão clássico desde a infância. Formada por grandes mestres como Olivier Chassain e Roland
Dyens, ela se destaca por uma carreira internacional marcada por uma exploração musical diversificada.
Aos 25 anos de idade, após se formar no conservatório, ela parte para o Brasil, onde conhece músicos influentes, entre eles o violosnista Baden Powell. Essa estadia a levou a compor e explorar novos horizontes musicais. Seus álbuns, como “Le sens Des Sens” (2003), são fruto de suas viagens e influências, especialmente do Nordeste brasileiro; ela se tornou
uma figura da música brasileira com seu instrumento preferido, a viola caipira.
Sua curiosidade musical também a levou a explorar a guitarra flamenca na Andaluzia e a integrar essa influência em suas obras. Fabienne Magnant lançou cinco álbuns, incluindo “La Trinidad” em 2011, e seu novo trabalho, lançado em todas as plataformas desde maio de 2025, “Cordas sensíveis/Cordes Sensibles”, pela Music Box Publishing e pela InOuie Distribution desde de 7 de novembro de 2025 em vendas físicas. Ela é regularmente elogiada pela imprensa especializada. Em 2018 e 2019, ela figurou no top 10 dos músicos tradicionais
brasileiros, segundo o jornal paulista “Sertaopaulistano”.
Ela ensina violão clássico e latino (Professora Titular de Ensino Artístico) no Conservatório Departamental de Grand Paris Sud e se apresenta regularmente em concertos na Europa e no Brasil. Suas composições são editadas pela Les Productions d’Oz (partituras) e pela Music Box Publishing (no catálogo de músicas para filmes e documentários). Ela colabora com vários artistas de renome (Zé Luis Nascimento, Maria Inês Guimarães, Akiko Horii, François Kokelaere, Consuelo de Paula, Ricardo Vignini, Andre Rass, Pedro Macedo…).
Segue abaixo entrevista exclusiva com Fabienne Magnant para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 18/05/2026:
01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?
Fabienne Magnant: Nasci no dia 16/03/1967 em Reims, França.
02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.
Fabienne Magnant: Desde os cinco anos de idade, fui atraído pelo som do violão, que ouvia através das paredes do apartamento de um vizinho ou em um terraço na Espanha, para onde ia todos os anos. Por volta dos oito anos, meu primeiro concerto solo de violão foi uma revelação na vila onde eu morava.
03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?
Fabienne Magnant: Na França comecei meus estudos na escola de música e, posteriormente, no conservatório departamental de Orléans, onde prossegui meus estudos musicais a nível profissional. Trabalhei na França com grandes mestres, incluindo Olivier Chassain, Oscar Cáceres, Roland Dyens e Léo Brouwer. Eu me formei em Violão Clássico (nível acadêmico) na França, estudei Viola e percussão no Brasil e Violão flamenco na Andaluzia (Espanha).
04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?
Fabienne Magnant: Minhas influências são muitas, inicialmente do mundo clássico, da música escrita. Interessei-me pela música tradicional oral, particularmente a música da América Latina, especialmente a brasileira (do Rio de Janeiro e do Nordeste), bem como pelo jazz e pelo flamenco
05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?
Fabienne Magnant: Comecei minha carreira musical aos 24 anos como intérprete de palco.
06) RM: Quantos álbuns lançados?
Fabienne Magnant: Gravei cinco álbuns: “Mémoire Vivante”, “Canto Instrumental”, “Le Sens des Sens”, “La Trinidad”, “Cordas Sensíveis”.
A história do álbum Cordas Sensíveis (2025): este quinto álbum é um testemunho de vários anos de peregrinações e inspirações artísticas. Mais uma vez, toco minhas três violões (clássico/brasileiro, flamenco e viola caipira), como em meu álbum anterior, La Trinidad (2011), mas desta vez solo ou com outros músicos, do duo ao quarteto.
As peças apresentadas são obras-primas do repertório clássico, flamenco solo, arranjos de joias da música popular brasileira na minha viola caipira e composições pessoais com minhas guitarras acompanhadas por percussão, baixo e contrabaixo, rabeca, clarinete baixo ou uma voz poética.
Este caldeirão cultural, reflexo das minhas múltiplas paixões musicais, deixa amplo espaço para a partilha com outros artistas, músicos ou poetas, mas sem esquecer a intimidade que o solo instrumental, tão querido para mim, pode oferecer. Esperemos
que este álbum, “Cordes Sensibles”, permita reunir ouvintes de diferentes sensibilidades em torno de uma mesma voz: a da música!
07) RM: Além de violeira você toca quais instrumentos?
Fabienne Magnant: Eu toco Violão Erudito, Popular e Flamenco e a Viola.
08) RM: Quais afinações você usa na Viola?
Fabienne Magnant: Utilizo diversas afinações na Viola: Em, E, Dm, D e outras afinações atípicas.
09) RM: Quais as principais técnicas o violeiro tem que conhecer?
Fabienne Magnant: Aprendi sozinho a técnica da Viola, como instrumento solo.
10) RM: Quais os violeiros que você admira?
Fabienne Magnant: Gosto de ouvir Roberto Corrêa, Avishai Cohen, Roberto Fonseca, Paco de Lucia, Djavan, Hamilton de Holanda, música tradicional brasileira, Ivan Vilela, Ricardo Vignini, Levi Ramiro, Consuelo de Paula, Buena Vista Social Club, música cubana, repertório clássico (do Renascimento até os dias atuais) e os grandes violonistas clássicos. música mundial, jazz
11) RM: Como é seu processo de compor?
Fabienne Magnant: Eu improviso e me gravo quando encontro um caminho que me inspira, depois o desenvolvo, entrelaçando-o e deixando minhas ideias amadurecerem com o tempo.
12) RM: Quais as principais diferenças técnicas entre a Viola e o Violão?
Fabienne Magnant: Tocar Violão em ritmos e técnicas diferentes me permitiu explorar outras culturas, outros horizontes melódicos, harmônicos e rítmicos. A Viola é mais rica em harmônicos devido às suas cordas duplas de metal. Seu toque é muito diferente, com muito mais tensão nas cordas da Viola do que em um Violão Clássico.
O fato da Viola ter cinco cordas duplas não permite o mesmo virtuosismo que em um Violão Clássico de seis cordas de nylon. O fato de as cordas da Viola e do Violão não serem dispostas da mesma maneira do ponto de vista da afinação, e de a formação dos acordes serem diferentes, também significa possibilidades diferentes, oferecendo diferentes aberturas harmônicas dependendo do instrumento. Os timbres da Viola e do Violão também são muito distintos e proporcionam uma ampla variedade de possibilidades expressivas.
13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente? Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?
Fabienne Magnant: Ser independente me permite grande liberdade em minha criatividade e na minha escolha de concertos. Trabalho como professora em um conservatório perto de Paris e sou funcionária pública na França, o que me dá tempo e dinheiro suficientes para criar e seguir minha trajetória artística.
A desvantagem talvez seja não ter 100% do meu tempo disponível, mas me parece que o processo criativo precisa de distância e tempo para se desenvolver. A desvantagem talvez seja a distribuição da minha música não ser suficientemente ampla.
14) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?
Fabienne Magnant: Trabalho em rede com outros artistas independentes ao redor do mundo (Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Brasil, etc.). Tenho um agente artístico local em duas regiões da França. Criei uma associação para intercâmbio artístico com outros artistas. E sou publicada por uma editora em Paris, a Music Box Publishing, que oferece minhas composições e álbuns para documentários e trilhas sonoras de filmes.
15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?
Fabienne Magnant: A internet me permite ser conhecida internacionalmente. Para mim, é uma ferramenta interessante de comunicação e distribuição.
16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?
Fabienne Magnant: Só trabalho em estúdio com engenheiros de som para a gravação dos meus álbuns.
17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?
Fabienne Magnant: Meu principal objetivo é manter minha originalidade e personalidade sem tentar me destacar de nenhuma forma específica. A internet é uma ferramenta maravilhosa para descobrir novos talentos e conectar-se com outros artistas. O problema, para mim, reside mais na música ao vivo. Fora das plataformas online, sinto que o público está indo cada vez menos às salas de concerto, embora sejam lugares incríveis e únicos para a troca de emoções entre o público e os artistas.
18) RM: Como você analisa o cenário da Música Sertaneja. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?
Fabienne Magnant: Nos últimos vinte anos, desde 1999 quando comecei a tocar Viola, tem havido cada vez mais músicos solo na Música Sertaneja, e percebo que as composições estão se tornando cada vez mais elaboradas, mais do que quando comecei.
Aliás, quando comprei uma Viola no Brasil em 1999, em uma loja de guitarras, ela nem sequer tinha um estojo, e eu tive que mandar modificar as cravelhas para que coubesse em um estojo de viola para trazer de volta para a França! O repertório está se tornando cada vez mais interessante, desenvolvido e virtuoso. A tradição permanece, mas é transformada por novas criações. Como a tradição está viva, isso é perfeitamente lógico.
19) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?
Fabienne Magnant: O que me deixa feliz é que a criatividade é infinita e estamos sempre descobrindo novos interesses em nossa jornada artística. O que me entristece é que os programadores estão assumindo cada vez menos riscos para programar obras originais em seus festivais ou salas de concerto por razões financeiras, e a programação (felizmente não toda ela) tende a se tornar empobrecida e padronizada.
O que também me preocupa é que a remuneração dos artistas nas redes sociais, particularmente nas plataformas de streaming, está sendo cada vez mais prejudicada, e o valor dos cachês dos artistas por apresentações ao vivo também está diminuindo. A distribuição de salários é muito desigual e injusta. O público não percebe quanto tempo dedicamos ao desenvolvimento de um espetáculo ou um álbum, e nem mesmo quanto dinheiro gastamos na produção de uma gravação. Eles esperam que lhes ofereçamos um emprego, que é a nossa profissão e que, como qualquer profissão, merece um salário digno.
20) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja Caipira/Raiz. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Fabienne Magnant: As mulheres estão cada vez mais presentes no cenário instrumental da Viola, como Letícia Leal e Lais de Assis, e os homens ainda estão muito presentes, como Fernando Sodré, João Arruda, Ricardo Vignini e Levi Ramiro.
21) RM: Quais os vícios técnicos o violeiro deve evitar?
Fabienne Magnant: Um violeiro deve transcender a tradição para evitar a estagnação; deve buscar inspiração em outras culturas para que as criações derivadas da tradição sejam renovadas e transformadas.
22) RM: Quais os erros no ensino da Viola?
Fabienne Magnant: Não estudei com nenhum professor de Viola. No entanto, esteja ciente de que as mídias sociais não refletem com precisão a transmissão dessa música.
23) RM: Tocar muitas notas por compasso ajuda ou prejudica a musicalidade?
Fabienne Magnant: O virtuosismo deve sempre servir à música; a musicalidade reina suprema. Demonstrações de velocidade são inúteis, exceto para impressionar um ouvinte que não entende de música. Mas eu amo música virtuosa quando ela nos leva a uma jornada musical e inspiradora.
24) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?
Fabienne Magnant: Peço a pessoa que reflita cuidadosamente e se dê tempo para tomar essa decisão. Em seguida, pergunto-lhe se está preparado para dedicar um tempo considerável à sua paixão, que precisa desenvolver a sua personalidade, ser criativo e diversificar as suas competências profissionais para ter esperança de trilhar um caminho interessante.
25) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?
Fabienne Magnant: O principal erro é impor uma forma de tocar ao aluno, sem criar um ambiente onde ele possa se expressar livremente.
26) RM: Existe o Dom musical? Qual a sua definição de Dom musical?
Fabienne Magnant: O talento engloba um conjunto de grandes qualidades: inteligência apurada, humildade, humanidade, técnica refinada,
27) RM: Qual a sua definição de Improvisação?
Fabienne Magnant: A definição de improvisação é deixar o coração falar livremente no momento, de acordo com o estilo praticado, com a capacidade de dialogar com um parceiro artístico.
28) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?
Fabienne Magnant: A improvisação exige preparação prévia para compreender a linguagem musical utilizada, as capacidades técnicas do instrumento e, com essa base, é preciso aprender a estruturá-la ao longo do tempo
29) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?
Fabienne Magnant: Não sou especialista em improvisação, mas acho que é preciso um método para estruturar a improvisação, construir uma história e também conhecer linguagens suficientes para transitar livremente entre diferentes estilos.
30) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?
Fabienne Magnant: Vejo apenas vantagens em possuir conhecimento para formar a própria opinião.
31) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário musical brasileiro?
Fabienne Magnant: Assim como em muitos países ao redor do mundo, considero insuficiente, por exemplo, a educação musical dos jovens para manter a cultura viva.
32) RM: Qual a importância de espaço como SESC, Itaú Cultural, Caixa Cultural, Banco do Brasil Cultural para a música brasileira?
Fabienne Magnant: A presença dessas estruturas é essencial e valiosa para apoiar a vitalidade da cultura, dos artistas e a abertura a todos os públicos.
33) RM: Quais os seus projetos futuros?
Fabienne Magnant: Lancei em maio de 2025 um novo álbum franco-brasileiro, “Cordas Sensíveis”, com músicos brasileiros e franceses, e minha intenção é promovê-lo. Tenho uma turnê planejada no Brasil de 22 de julho a 9 de agosto de 2026, seguida por uma turnê na França a partir de setembro de 2026, culminando em uma apresentação no dia 30 de outubro no Festival Internacional de Violão de Issoudun. Também continuo dividindo o palco com diversos parceiros musicais em projetos, principalmente de música africana e flamenca, e atualmente estou trabalhando em novos arranjos e composições.
Turnê no Brasil de 22 julho até 9 agosto 2026: Em 22 julho ás 19h na Aliança Francesa encontro e master class – Av. Brigadeiro Faria Lima, 2421 – Pinheiros São Paulo – SP – (11) 3017-5699 e WhatsApp: (11) 3572-2377
Em 29 julho ás 19h no Centro da música Carioca Artur Da Távora – Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca, Rio de Janeiro – RJ – (21)3238-3831 – http://centrodamusicacarioca.blogspot.com
Em 6 de agosto na Casa Outono Café e Cultura: em duo de violas caipiras com Fernando Sodré – Rua Outono, 571, Belo Horizonte – MG
Em 9 de agosto no Mutirão de violas em duo com Ivan Villela na Estrada da Pedra Preta, km. 2,2, Itajubá, MG – (35) 99726-1356 | https://www.instagram.com/sitio_travessia
34) RM: Quais seus contatos?
Fabienne Magnant: No https://www.fabiennemagnant.fr o leitor pode acompanhar minhas novidades | [email protected], além do https://www.instagram.com/fabiennemagnant/ e do https://www.facebook.com/people/Fabienne-Magnant-Violeira-Guitariste
Canal: https://www.youtube.com/@fabiennemagnant
Playlists: https://www.youtube.com/@Fabiennemagnant/playlists


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