Grupo Viola Quebrada

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O grupo Viola Quebrada foi indicado no ano de 2017 ao Prêmio da Música Brasileira como melhor grupo regional, mas a história do grupo vem desde 1998, ano em que fez seu primeiro show.  

Entrou no mundo do disco em 2000, ao lançar o CD – Viola Quebrada e que foi gravado durante todo o ano de 1999. Naquela estreia trazia as participações

especiais de Pena Branca e Xavantinho, do violeiro Roberto Corrêa e do grupo Terra Sonora, de Curitiba, que faz pesquisa em músicas tradicionais do mundo todo.  O nome do grupo vem de uma canção de Mário de Andrade, fundador do Modernismo brasileiro e pesquisador musical.

Os componentes fazem jus ao padrinho pois continuam pesquisando bastante para

montar os repertórios de seus discos. No primeiro, aproveitou o fandango paranaense e a curraleira, uma dança de Goiás que se acreditava extinta, mas foi registrada e recuperada pelo violeiro e pesquisador Roberto Corrêa e pela primeira vez apresentada em CD.

Em 2002 lançou o álbum duplo “Viola Fandangueira”, só de fandango paranaense, gravado com a Família Pereira de Guaraqueçaba. No álbum “Sertaneja”, de 2003, Zeca Baleiro foi convidado para uma participação especial em um fandango de Paranaguá, “Balão que Cai”.

Segundo consta, a música foi composta sob o impacto do balão dirigível Hindemburg quando este passou pela cidade portuária paranaense. E além da música que dá nome ao disco, ainda estavam presentes outras preciosidades, como “Nhá Carola” gravada em 1956 por Amácio Mazzaropi e Lolita Rodriguez, “Cabelo Loiro”, “Cabocla Tereza”, “Boneca Cobiçada” também gravada em 1956.

Em janeiro de 2006 o grupo lançou o álbum “Noites do Sertão” que tem a participação da cantora Alaíde Costa num repertório só com compositores da nossa MPB. Em 2011 foi lançado o CD e DVD “Viola Quebrada canta Cascatinha e Inhana” em que presta homenagem à mais famosa dupla caipira formada por um casal, com a participação das Irmãs Galvão. Em 2017, lançou o sexto álbum, “Meus Retalhos”, veio em setembro de 2015 com canções compostas por seus integrantes.

O grupo Viola Quebrada nasceu da vontade de músicos reunidos em Curitiba de tocar a música caipira brasileira. Os integrantes têm formações musicais diferentes, mas o Viola Quebrada foi reunido justamente por causa do gosto que todos cultivam pela verdadeira música nativa.

Conseguem uma tessitura de sons que por vezes parecem nascidos de um grupo de cordas. Uma delicadeza que ressalta a tão difícil simplicidade destas canções. Expõem a alma do homem sertanejo com um toque urbano, não por meio de guitarras ou instrumentos plugados, mas pelo trabalho de harmonização conseguido pela soma de diferentes tendências e experiências.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Oswaldo Rios do grupo Viola Quebrada para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 22/04/2026:  

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Oswaldo Rios: Nasci no dia 22/09/1960 em Planaltina do Paraná – PR (voz e violão). Outros músicos do Grupo Viola Quebrada: Margareth Makiolke (voz e violão, nasceu no dia 10/02/1960 em Londrina – PR), Rogerio Gulin (viola, nasceu no dia 24/10/1961 em Curitiba – PR), Sandro Guaraná (contrabaixo, nasceu no dia 21/05/1969 em União da Vitória – PR); Marcão Saldanha (percussão, nasceu no dia 20/11/1970 em União da Vitória – PR), Rubens Pires (acordeon, nasceu no dia 09/09/1961 em Curitiba – PR).

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Oswaldo Rios: Meu primeiro contato mais antigo com a música foi em Planaltina do Paraná – PR quando eu presenciei a entrada Folia de Reis na venda onde eu estava com meu pai fazendo compras para casa, eu tinha menos de três anos de idade. Depois, crescendo um pouco mais, foram com as duplas caipiras nas festas e o rádio dos anos 70 que eram muito democráticos e se tocava de tudo.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Oswaldo Rios: Estudei Violão no Conservatório Musical Villa-Lobos em Curitiba e Desenho Industrial na PUC-PR.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Oswaldo Rios: Tião Carreiro e Pardinho e Carreirinho, influências musicais eternas.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Oswaldo Rios: Nos anos 80 em Curitiba – PR, ainda nos tempos de universidade. Encontros musicais, parcerias e os primeiros shows amadores.

06) RM: Quantos álbuns lançados?

Oswaldo Rios: Lançamos seis CDs e um DVD com o Grupo Viola Quebrada.

(Margareth Makiolke – voz e violão; Oswaldo Rios – voz e violão; Rogerio Gulin – viola caipira; Rubens Pires – acordeon; Sandro Guaraná – baixo; Marcão Saldanha – percussão).

Discografia do Grupo Viola Quebrada: Meus Retalhos (2017); Cascatinha e Inhana – CD e DVD (2011); Noites do Sertão (2006); Sertaneja pela Kuarup (2003); álbum duplo “Viola Fandangueira” (2002); Viola quebrada (2000). E Oswaldo Rios lançou um álbum solo.

07) RM: Como você se define como Violeiro?

Oswaldo Rios: Música Caipira Raiz.

08) RM: Quais afinações você usa na Viola?

Oswaldo Rios: O Grupo Viola Quebrada usa mais comumente a afinação de Cebolão em Ré maior. Mas também usa a Rio-abaixo.

09) RM: Quais as principais técnicas o violeiro tem que conhecer?

Oswaldo Rios: Conhecer as afinações diversas, os ponteados, ligados e ornamentos e as técnicas de mão direita para os ritmos, assim como os duetos de terças e sextas além do uso de dedeiras.

10) RM: Quais os violeiros que você admira?

Oswaldo Rios: Tião Carreiro, Bambico, Renato Andrade. Hoje, Roberto Corrêa, Victor Gulin, Paulo Freire, Fernando Deghi.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Oswaldo Rios: Gosto de compor canções, crio melodias, mas também escrevo letras. Às vezes melodia e letra ao mesmo tempo, mas, muitas vezes, eu pego uma letra pronta para colocar uma melodia, isso é bem comum.

12) RM: Quais as principais diferenças técnicas entre a Viola e o Violão?

Oswaldo Rios: Acho que a diferença de anatomia (tamanho do corpo, braço e escala), a configuração das cordas e afinações fazem com que as técnicas, sobretudo de mão direita, sejam completamente diferentes ao tocar Violão e Viola. Ainda mais se levarmos em consideração que a Violas Caipira leva cordas de aço e o Violão, em geral, são cordas de nylon. Para a mão esquerda temos o desafio de serem cordas duplas na Viola, diferente do Violão.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Oswaldo Rios: Acho que a vantagem principal de desenvolver uma carreira musical de forma independente é ter o controle sobre a sua obra e materiais resultantes como gravações, fonogramas e masters. E as desvantagens principais é ter que, quase sempre, investir do próprio bolso e a sobrecarga de funções que tiram tempo e espaço do fazer artístico.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Oswaldo Rios: Basicamente usando as leis de incentivo cultural para financiar as gravações e as viagens de circulação ao mesmo tempo em que mantemos um mínimo de profissionalismo técnico e contatos com produtores e festivais de música.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Oswaldo Rios: Nós somos de um tempo em que não tínhamos o meio digital e tudo funcionava diferente de hoje. Estamos aprendendo, mas sem poder parar pra isso, aprendendo enquanto fazemos, mas tentando manter a excelência do fazer artístico com o profissionalismo técnico.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Oswaldo Rios: A internet é uma faca de dois gumes, pois ao mesmo em que democratizou o acesso também inflacionou a atenção. No caso da música caipira, ainda mais, pois é um nicho que tem um público fiel, mas a competição com o mainstream é desleal. E como todo mundo pode postar, há uma enxurrada de conteúdo e fica muito difícil se destacar no meio de milhões lançamentos diários.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Oswaldo Rios: Ter um home studio mudou o jogo para o músico independente, especialmente para instrumentistas como o violeiro, que dependem da fidelidade do timbre acústico. A principal vantagem é a liberdade traduzida no tempo ilimitado para criação e o conforto e a espontaneidade, onde você pode gravar quando a inspiração surge. Mas também consigo ver a velha armadilha do acúmulo de funções. Você pode ficar responsável por muito mais coisas e acaba perdendo tempo para se dedicar à parte artística, à criação.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Oswaldo Rios: Pois, é… como estamos nesse processo de aprendizado para entender como se comportar e o que fazer no meio digital, atrasado a meu ver, não sei se estamos fazendo o suficiente (temo que ainda não, ou tenho quase certeza de que não) e nem se sabemos fazer esse suficiente.

19) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja pop. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Oswaldo Rios: Não acompanho música Sertaneja pop. Se for o que eu estou pensando música sertaneja pop é Luan Santana e aquele outro que não estou lembrando…

20) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Oswaldo Rios: Fico feliz quando vejo que consigo viver da opção que fiz como trabalho e também quando vejo que minha arte fez a diferença na vida de alguém e pode fazer mais por outras pessoas. E fico triste quando noto a falta de reconhecimento, a comparação constante e a insegurança financeira.

21) RM: Quais os outros instrumentos musicais que você toca?

Oswaldo Rios: Eu, só toco Violão.

22) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja Caipira/Raiz. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Oswaldo Rios: Há uma safra boa de novos instrumentistas, compositores, jovens músicos, mulheres inclusive como: Mel Moraes, que estão trazendo a Viola para o século XXI sem perder a essência e evoluindo muito na parte técnica. Zé Mulato & Cassiano, Almir Sater e Renato Teixeira permanecem com obras consistentes.

23) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Oswaldo Rios: Digo que siga em frente.

24) RM: Existe o Dom musical? Qual a sua definição de Dom musical?

Oswaldo Rios: Acredito numa facilidade que certas pessoas têm para desenvolver a música. Acho que muito depende de a pessoa ter “ritmo”, ou “senso rítmico”. Mas nada que com esforço a pessoa não consiga superar. o Dom pode deixar a pessoa desmotivada, ou seja, não tenho dom, não quero nem tentar.

25) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário musical brasileiro?

Oswaldo Rios: Acho que a cobertura da grande mídia é feita com o foco em números e não na arte ou no conteúdo.

26) RM: Qual a importância de espaço como SESC, Itaú Cultural, Caixa Cultural, Banco do Brasil Cultural para a música brasileira?

Oswaldo Rios: A existência desses espaços hoje é fundamental para quem quer desenvolver uma carreira musical. Eles mantêm uma estrutura com curadoria preocupada em democratização dos acessos e formação de público. Com boa estrutura técnica, bons palcos em bons espaços e boa divulgação.

27) RM: Quais os vícios técnicos o músico deve evitar?

Oswaldo Rios: Deixar de praticar. A prática enriquece principalmente a execução e digitação do instrumento. A prática deve seguir a velocidade coerente com o

aprendizado da obra executada. Nem sempre a velocidade é sinônimo de execução perfeita. Deixar de conhecer outros “nichos” musicais.

24) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Oswaldo Rios: Aplicar didática acima ou inferior à capacidade do aluno. Forçar o aluno executar obras que não lhe dizem respeito. Estar sempre atento e receptivo a novidades sobre ensino e aprendizado. Estabelecer um método específico para alunos diversos.

25) RM: Tocar muitas notas por compasso ajuda ou prejudica a musicalidade?

Oswaldo Rios: Respeitando a harmonia e melodia e ritmo, pode significar virtuose, porém na música quase sempre “menos é mais”.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Oswaldo Rios: É uma carreira de estudo e pesquisa permanente.

27) RM: Qual a sua definição de Improvisação?

Oswaldo Rios: É um ornamento que exprime o prazer do executante da obra através de frases repentinas.

28) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Oswaldo Rios: Na maioria das vezes, algo estudado antes e aplicado depois. Depende muito da experiencia e conhecimento musical.

29) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Oswaldo Rios: A improvisação é pessoal. O método traz novas ideias e possibilidades.

30) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Oswaldo Rios: Alguns métodos apresentam apenas harmonia musical e exercícios. Outros são mais ricos, com a apresentação de obras que possibilitam a prática das informações harmônicas.

31) RM: Quais os seus projetos futuros?

Oswaldo Rios: Desenvolver alguns projetos que temos na cabeça, inclusive mais um projeto autoral (já temos algumas canções prontas) e continuar tocando e divulgando essa música baseada na viola caipira.

32) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Oswaldo Rios: (41) 99107.6778 e (41) 3324.1017 | https://www.violaquebrada.com.br | [email protected] | https://www.instagram.com/banda_violaquebradaoficial |

www.facebook.com/violaquebradaoficial

Canal: https://www.youtube.com/c/ViolaQuebrada

VIOLA QUEBRADA – CD Viola Quebrada (2000): https://www.youtube.com/watch?v=Bed4ShVUYrg


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