Christian Camilo
Christian Camilo apresenta o álbum “Mas Você Não Desistiu”, folk autoral que mistura poesia, rock e narrativa. Um trabalho que dialoga com referências como Bob Dylan, Nick Cave, Zé Ramalho e Raul Seixas.
O álbum marca sua estreia solo após trajetória à frente da banda Instiga. O disco reúne canções autorais que transitam entre folk, indie e rock, conduzidas por uma forte dimensão narrativa e por um eixo temático que atravessa o álbum: recomeço,
Christian constrói suas composições a partir da tradição da canção narrativa, aproximando poesia e música em histórias que exploram personagens, memórias e reflexões sobre o tempo presente. O resultado é um repertório que alterna momentos intimistas com passagens de maior intensidade, sempre com a palavra como elemento central da obra.
Entre os destaques do álbum está “Árvore”, música que sintetiza a ideia de reconstrução que atravessa o trabalho. Outra canção de destaque é “Raio Amarelo”, homenagem ao piloto Ayrton Senna, construída a partir de uma experimentação sonora que incorpora o som do motor da McLaren do ídolo brasileiro como elemento musical.
O lançamento do álbum “Mas Você Não Desistiu” vem sendo acompanhado por uma série de videoclipes que ampliam a dimensão visual do projeto e já somam mais de 200 mil visualizações nas plataformas digitais.
Antes da carreira solo, Christian Camilo foi fundador e vocalista da banda Instiga, com a qual lançou três discos e realizou circulação nacional, incluindo participação no festival El Mapa de Todos, em Brasília, além de apresentações em diferentes cidades brasileiras. Paralelamente à atuação como músico, também desenvolve projetos de articulação cultural: é o idealizador do festival Onde Pulsa Nova Música, iniciativa realizada no interior paulista voltada à valorização da produção autoral contemporânea.
No palco, o artista apresenta o show “Mas Você Não Desistiu”, acompanhado por banda em formato de quinteto (violão/voz, guitarra, baixo, teclado e bateria). O espetáculo reúne canções do novo trabalho e momentos de sua trajetória autoral, construindo uma narrativa musical que oscila entre delicadeza e intensidade.
Segue abaixo entrevista exclusiva com Christian Camilo para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 27/03/2026:
01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?
Christian Camilo: Nasci no dia 12/10/1980, em Campinas – SP. Registrado como Christian Camilo dos Santos.
02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.
Christian Camilo: Minha memória nesse ponto falha…seria honesto dizer que o primeiro contato foi por empenho de meus pais de colocarem música clássica para ouvir, ou de algum desenho animado. Mas se for contato mais formal, aí eu me lembro bem do terror das aulas de violino aos seis ou sete anos de idade.
03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?
Christian Camilo: Estudei música um pouco de maneira formal: aulas de canto, violino. Mas minha formação acadêmica ocorreu em Jornalismo e História da Arte (a pós).
04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?
Christian Camilo: As influências musicais se tornaram relevantes pra mim quando comecei a compor: Oasis, Pearl Jam, Nirvana, Los Hermanos, Chico Buarque…e um pouco de música clássica como Mozart, Tchaikovsky, Debussy….
05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?
Christian Camilo: Em 2000, comecei a compor, em Campinas – SP, mas acho que antes disso já gostava de compor e gravar minha própria voz em gravadores de fita k7.
06) RM: Quantos álbuns lançados?
Christian Camilo: Em 2025, lancei meu primeiro álbum na carreira solo. Com bandas, minhas composições estão espalhadas em três álbuns nas bandas: Instiga e Fiz no Cometa.
07) RM: Como você define seu estilo musical?
Christian Camilo: Indie folk, ou somente indie.
08) RM: Você estudou técnica vocal?
Christian Camilo: Estudei técnica vocal.
09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?
Christian Camilo: Acho que é muito importante esse processo de conhecimento e descoberta através do estudo da técnica vocal, inclusive, por descobrimos em qual tonalidade e extensão a voz nossa voz soa melhor. É preciso maturidade para achar esse ponto. Se aceitar dentro de um contexto que talvez não seja aquele que você gostaria de emular…
10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?
Christian Camilo: Bruce Springsteen, Sidney Magal, Frank Sinatra, Eddie Vedder, Matt Berninguer, Rodrigo Amarante, Caetano Veloso.
11) RM: Como é seu processo de compor?
Christian Camilo: Varia demais…as vezes começa com um riff no violão, as vezes com uma ideia na cabeça, as vezes com uma frase melódica que vem em sonhos, mas sinto que preciso de tempo para tentar entender como uma nova composição se encaixa na minha história pessoal/musical.
12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?
Christian Camilo: Tive alguns: Heitor Pellegrina, Felippe Pompeo e atualmente Camilas Neves. São as pessoas que de alguma forma que tiveram pelo menos mais de duas músicas feitas comigo.
13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?
Christian Camilo: Eu não sei dizer muito bem, mas acredito que a melhor forma talvez de responder seja desmistificar o quanto uma gravadora realmente é algo bom. A gravadora é como um banco que te financiará, e te cobrar resultados. Você terá que pagar por tudo que for aplicado em você. Não é diferente de pegar um empréstimo e investir em si. A Taylor Swift é o maior exemplo de como sofreu com as gravadoras…
14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?
Christian Camilo: Eu entendo que o artista que não aguenta o silêncio da falta de feedback nas redes sociais acaba colapsando, porque os números — views, seguidores, comentários — viram pontos de comparação que minam a confiança.
Por isso, minha estratégia é usar as plataformas como ferramentas de divulgação, mas não trabalhar para elas. Invisto em propaganda e em criação de conteúdo, mas procuro não me apegar aos números.
O planejamento da minha carreira parte mais de um eixo artístico: cada música, vídeo ou material precisa pertencer a um universo estético coerente com quem eu sou como artista. A ideia é construir uma identidade reconhecível, dentro e fora do palco, em que a comunicação, a música e a imagem formem um mesmo conceito.
15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?
Christian Camilo: Faço muitas coisas além da composição. Produzo meus próprios videoclipes, crio o conteúdo para redes sociais e administro a divulgação do meu trabalho. Como artista independente, acabo assumindo também uma parte do planejamento e da estratégia de comunicação.
Invisto regularmente em divulgação nas plataformas digitais, como Instagram, TikTok e YouTube, porque entendo que hoje o artista precisa participar ativamente da construção do próprio público.
Ao mesmo tempo, procuro não ficar refém da lógica de postagem constante. Vejo o YouTube como um investimento de longo prazo, onde o conteúdo pode permanecer relevante por anos, ajudando a construir uma presença mais sólida para a minha música.
16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?
Christian Camilo: Acho que não prejudica se temos a mentalidade de não se importar com comparações com outros artistas, ou com expectativas de curto prazo.
17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?
Christian Camilo: Hoje vejo apenas vantagens no uso do home estúdio. Democratização dá mais possibilidade de experimentação. Sou a favor.
18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?
Christian Camilo: Eu parto da ideia de que já existem músicas demais no mundo. As pessoas não precisam simplesmente de mais músicas — elas precisam de motivos para ouvir novas músicas.
Esses motivos geralmente estão ligados a contexto, identidade e conexão pessoal. Por isso, procuro construir um universo em torno das minhas canções, seja nos videoclipes, nas imagens ou nas histórias que acompanham cada lançamento.
A tentativa é oferecer a descoberta da música certa, para a pessoa certa, na hora certa, criando uma relação mais profunda entre o ouvinte e o trabalho.
19) RM: Como você analisa cenário do Rock/Folk no Brasil? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Christian Camilo: Acho que o rock e o folk passaram por um processo de perda de espaço no mainstream, principalmente a partir dos anos 2000. Não diria que foi exatamente censura, mas uma mudança de prioridade da indústria musical, que passou a investir muito mais em gêneros urbanos como hip-hop, pop e funk.
Nesse cenário, o rock e o folk acabaram ocupando um lugar mais próximo do blues e do jazz: continuam muito vivos artisticamente, mas com menos presença no centro da cultura pop.
Ao mesmo tempo, surgiram artistas muito interessantes nas últimas décadas. No Brasil eu destacaria nomes como Tim Bernardes, Pélico e Cícero, que trabalham a canção de forma muito sensível. Fora do país, gosto muito do trabalho do The National. Também acho muito interessante a força estética de projetos como BaianaSystem e a presença pop da Marina Sena.
Sobre consistência de obra, acho sempre difícil fazer julgamentos definitivos, porque a arte depende muito do tempo e do contexto histórico para ser realmente avaliada.
20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?
Christian Camilo: Tocar em bares sem muita condição, quase insalubres. Eu, lembro em um bar em Araraquara – SP, alguém da banda deu um acorde no amplificador, na passagem de som, e baratas saíram correndo de baixo do palco (risos) foi um momento típico de filme de bandas em turnê.
21) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?
Christian Camilo: Fico Feliz em poder compartilhar histórias, em preencher um lado da minha vida com mais dinamismo. Sentir mais envolvimento com pessoas (seja na produção, no show ou na divulgação).
O que me deixa triste é o quanto as vezes o ego e a comparação quebram pontes, ou geram preconceitos, em um contexto que exige cooperação e espaço de generosidade.
22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical??
Christian Camilo: Acho que existe sim um dom musical, principalmente ligado à criatividade e ao senso rítmico. A música tem algo muito instintivo: o impulso de batucar, cantar, repetir padrões e criar ciclos sonoros que unem as pessoas.
Nesse sentido, o lado formal e teórico da música muitas vezes corre atrás desse impulso espontâneo. A teoria organiza e explica aquilo que, em muitos casos, já surgiu primeiro de forma intuitiva.
23) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?
Christian Camilo: Para mim, improvisação musical é a capacidade de criar dentro do momento, reagindo ao que está acontecendo ao redor — seja na execução, no ritmo ou na interpretação. Mesmo quando a música é estruturada, sempre existe um espaço de liberdade na forma como ela é tocada ou cantada.
24) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?
Christian Camilo: Existe improvisação de fato. Muitas vezes ela nasce de forma espontânea, quando alguém reage ao momento da música. Um exemplo curioso é a própria plateia: quando as pessoas começam a bater palmas ou acompanhar o ritmo, muitas vezes criam padrões inesperados, às vezes até “errados”, mas que mostram justamente esse impulso instintivo de participar da música.
Ao mesmo tempo, o músico normalmente improvisa a partir de algo que já domina — linguagem, harmonia ou ritmo — então existe sempre um encontro entre espontaneidade e experiência.
25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?
Christian Camilo: Acho que os métodos de improvisação podem ser úteis porque ajudam o músico a ampliar o vocabulário musical e perder o medo de experimentar.
Ao mesmo tempo, nenhum método deveria virar uma regra rígida, porque a improvisação também depende de liberdade e surpresa. O ideal é aprender o máximo possível, mas também se colocar em situações em que os atalhos desaparecem: improvisar em um instrumento que você não domina ou dentro de um estilo com o qual não tem familiaridade. Isso obriga o músico a reagir de forma mais intuitiva.
26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?
Christian Camilo: Acho que os métodos de estudo de harmonia são importantes porque ajudam o músico a entender as relações entre acordes, tensões e resoluções. Mas acredito muito na ideia defendida por Debussy de que a melhor forma de aprender harmonia é tocando e experimentando no instrumento.
Quando ficamos apenas no papel e na teoria, muitas vezes perdemos o lado experimental do som. Um mesmo acorde pode ter cores completamente diferentes dependendo do instrumento ou até da acústica da sala. É nesses contextos que linhas harmônicas e melódicas acabam evoluindo de forma mais singular.
27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?
Christian Camilo: De forma geral, é difícil que músicas independentes tenham grande rotação nas rádios sem algum tipo de investimento em promoção. Mas ainda existem casos pontuais em que programas específicos ou curadores acabam abrindo espaço para artistas novos. Então eu diria que não é a regra, mas também não é impossível.
28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?
Christian Camilo: Eu diria para a pessoa encontrar uma forma de trabalhar com projetos que envolvam música além da própria carreira artística. Produção, gravação, audiovisual, ensino ou qualquer atividade próxima desse universo.
Isso ajuda a manter contato constante com a música, ao mesmo tempo em que dá mais liberdade para desenvolver a própria obra sem depender exclusivamente dela para sobreviver.
29) RM: Festival de Música revela novos talentos?
Christian Camilo: Talvez. Festivais de Música podem funcionar como vitrine para novos artistas, mas muitas vezes acontece o contrário: são os novos talentos que acabam revelando o próprio festival. Quando aparece um artista forte, o evento ganha importância e passa a ser lembrado por causa daquela descoberta.
30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?
Christian Camilo: Acho que ainda falta no Brasil aquilo que o Eduardo Miranda chamava de “azeite” ou “tempero” da cena musical. Tem muitos artistas interessantes e tem público, mas faltam mais jornalistas especializados, mais sites dedicados à música e mais festivais de música. Essa mediação cultural é importante, porque são esses curadores — jornalistas, programadores, produtores — que ajudam a levar os artistas até um público maior.
31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?
Christian Camilo: Acho importantes esses espaços. E deveria ter muito mais.
32) RM: Quais os seus projetos futuros?
Christian Camilo: Em 2025, lançar meu segundo álbum e fazer mais videoclipes. Pretendo fazer alguns shows em breve, mas anunciarei quando for o momento.
33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?
Christian Camilo: https://christiancamilomusic.com |christiancamilomusic.com | https://www.instagram.com/christiancamilo
Meu Malibu — https://youtu.be/HIVCutcwp5g
Árvore — https://youtu.be/SDPBtyEYrGk
Raio Amarelo — https://youtu.be/Z6S8PbON-YQ
Tomado por estrelas — https://youtu.be/t1lmlo0dHtA
De verdade, me desculpa — https://youtu.be/bswcr–pgT0


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