Donato Tributo

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Donato Tributo é um projeto criado em 2024 por Daniel Faria, guitarrista e produtor natural de Belo Horizonte (MG). O tributo busca homenagear e manter viva a obra de João Donato, um dos grandes compositores da Música Popular Brasileira.

O primeiro contato de Daniel Faria com a obra de João Donato aconteceu no contexto acadêmico. Músicas como “Bananeira” e “A Rã” são consideradas standards e amplamente utilizadas, dentro e fora da universidade, no estudo da improvisação. Em 2022, Daniel teve contato mais aprofundado com essas obras na disciplina de Improvisação, ministrada por Cleber Alves, doutor, saxofonista e professor do curso de Música Popular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante um período de um ano.

A partir dessa experiência surgiu a intenção de desenvolver um projeto dedicado exclusivamente à obra de João Donato. O projeto foi efetivado após o falecimento do compositor, entendendo que, apesar da perda, Donato permanece vivo por meio de sua música. 

Segue abaixo entrevista exclusiva com os músicos do Donato Tributo para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 09/03/2026:

01) Ritmo Melodia: Qual a data de nascimento e cidade natal dos músicos da banda?

Daniel Faria (guitarrista), nasceu no dia 26/06/199 em Belo Horizonte – MG. Silas Paz (baterista), nasceu no dia 15/03/2006 – Ouro Branco – MG. Rian Reis (pianista), nasceu no dia 28/12/2001 em Muriaé – MG. Micael Ferreira (trombone). João Guerardi (baixo).

02) RM: Fale do primeiro contato com a música dos músicos da banda.

Daniel Faria: em casa minha mãe tinha discos, CD’s e fitas K7, o que eu mais gostava de ouvir era o álbum de 1999 do “Djavan ao vivo”. E na igreja sempre tinha muito contato com a música, desde de criança, era um contato visual e físico próximo, pois não tínhamos TV em casa. Na igreja era a única experiência que eu tinha auditiva e visual dos instrumentos,eu gostava muito da bateria (como toda criança), adora também a guitarra, uma stratocaster vermelha. 

Silas Paz: inserido em um família muito musical, por conta do envolvimento com a igreja evangélica, comecei tocar bateria aos 3 anos. Por incentivo do meu pai.

Rian Reis: primeiro contato foi já na faculdade onde nos conhecemos bem no início do curso.

03) RM: Qual a formação musical e/ou acadêmica fora da área musical dos músicos da banda?

Daniel Faria: comecei a trabalhar em uma marcenaria com 15 anos de idade, aos poucos fui aprendendo, trabalhei até os 22 anos com marcenaria. Aos 23 anos, estudando para prestar vestibular em Arquitetura, mas acabei decidindo prestar vestibular em Música na UFMG, atualmente sou bacharelando em Música Popular pela UFMG e cursei Guitarra na escola profissionalizante de música popular “Bituca” de Barbacena na turma de 2023/2024.

Silas Paz: técnico em Administração pelo IFMG; Graduando em Bacharel em Música Popular pela UFMG.

Rian Reis: graduando em Bacharel em Música Popular pela UFMG, sempre exerci trabalhos e estudos na música.

04) RM: Quais as influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância dos músicos da banda?

Daniel Faria: o Djavan sempre será uma referência, com o tempo surgiram outras diversas como João Donato, Nelson Faria, Matheus Barbosa, Walter Smith III, Marcus Abjaud, Robert Glasper, Tom Jobim, Arismar do Espírito Santo, entre outros. Acredito que nenhuma referência perde a importância, apesar de existir artistas que não escuto mais, todos que ouvi e ainda ouvirei irão influenciar o meu resultado musical. 

Silas Paz: na bateria a princípio minhas principais referências foram bateristas contemporâneos do gospel como: Alexandre Fininho, Alexandre Aposan, Felipe Alves, Samuca Ovídio, Matheus Falcão… Posteriormente tive contato com outros grandes nomes da música brasileira e internacional como: Kiko Freitas, Edu Ribeiro, Cuca Teixeira, Carlos Bala, André Limão, Dave Weckl,  Steve Gadd, Dennis Chambers, entre outros grandes mestres.

Rian Reis: os músicos brasileiros sempre foram grande referência e destaco o pianista César Camargo Mariano e seu jeito único de tocar que muito me inspirou no início e até hoje inspira. Ficava horas ouvindo ele quando descobri as primeiras músicas dele.

05) RM: Quando, como e onde você começou a banda?

Donato Tributo é um projeto criado em 2024 por Daniel Faria, guitarrista e produtor natural de Belo Horizonte (MG). O tributo busca homenagear e manter viva a obra de João Donato, um dos grandes compositores da Música Popular Brasileira.

João Donato construiu uma trajetória marcante na MPB, reunindo parcerias com importantes intérpretes e compositores como Gilberto Gil, Gal Costa, Emílio Santiago, entre muitos outros. Sua música atravessa gerações e estilos, consolidando uma história pautada pela inovação sonora e estética. Ao longo de sua carreira, Donato buscou espaço tanto no Brasil quanto no exterior. Em entrevista concedida a Aldir Blanc, o pianista relata as dificuldades enfrentadas para ser aceito musicalmente no Brasil e nos Estados Unidos, destacando o acolhimento recebido por músicos cubanos nesse período. Essa convivência teve influência direta em sua forma de compor e tocar, incorporando elementos rítmicos e harmônicos que se tornaram marcas de sua identidade musical. 

O primeiro contato de Daniel Faria com a obra de João Donato aconteceu no contexto acadêmico. Músicas como “Bananeira” e “A Rã” são consideradas standards e amplamente utilizadas, dentro e fora da universidade, no estudo da improvisação. Em 2022, Daniel teve contato mais aprofundado com essas obras na disciplina de Improvisação, ministrada por Cleber Alves, doutor, saxofonista e professor do curso de Música Popular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante um período de um ano.

A partir dessa experiência surgiu a intenção de desenvolver um projeto dedicado exclusivamente à obra de João Donato. O projeto foi efetivado após o falecimento do compositor, entendendo que, apesar da perda, Donato permanece vivo por meio de sua música. Assim, nasce a oportunidade de perpetuar sua obra e manter viva a memória do artista, dando origem em novembro de 2024 ao Donato Tributo.

06) RM: Quantos álbum lançados?

Donato Tributo: Por enquanto não temos álbum lançado.

07) RM: Como você define seu estilo musical da banda?

Donato Tributo: Música Popular Brasileira.

08) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Donato Tributo: Um grande desafio, é sempre necessário estabelecer boas relações e compartilhar objetivos comuns, o grupo acreditar no projeto, em parceiros dispostos a fazer acontecer,. Tudo acontece de forma lenta, pelo contexto financeiro e suporte ao qual o grupo tem disponível, trabalhar com música brasileira é um grande prazer, mas um desafio diante do mercado musical atual.

09) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Donato Tributo: O projeto é gerido de forma coletivamente, conduzimos o projeto de forma profissional e traçar objetivos a cada ano, buscando sempre excelência em todos os trabalhos, valorizando a relação além da música. João Donato sempre demonstrou se divertir fazendo música, na simplicidade na fala e na forma de fazer música, compartilhando história, acompanhado de diversas culturas e parcerias.

10) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Donato Tributo: Iniciamos gerindo bem as partes principais do grupo, priorizando a produção de arranjos, execução de ensaios e a produção executiva do projeto. Não é de interesse do coletivo ser um projeto passageiro e sim o início da construção de algo grande e relevante no cenário musical. Uma forma de construir linguagem musical e produção cultural, tornando o projeto rentável nesse processo, com a busca de editais com premiações, leis de incentivo e festivais, revertendo as arrecadações em investimentos no projeto, tudo de forma gradativa e responsável. 

11) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Donato Tributo: É uma das principais formas de fomento do projeto, a fim de estender o trabalho além da “bolha” social do grupo, como divulgação de shows, o uso das mídias sociais como portfólio, organização temporal da evolução do projeto, compartilhamento de rotina de ensaio e  proporcionando a participação do público com o processo evolutivo e criativo do grupo.

A internet é um meio de alcançar as pessoas, mas não é o porto de final. O uso dos veículos só faz sentido quando alcançamos as pessoas, de preferência nos shows, festivais de música e demais encontros. 

12) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Donato Tributo: A pré produção passa pelo home studio, facilita muitos processos, a produção musical é estruturada nele, produção de demo, partituras, arranjos complexos que exigem áudios demos, entre outros benefícios. A desvantagem pode ser a substituição das práticas pelo home studio. Abrir mão de encontros, ensaios, prática coletiva e contato social. 

Esse processo faz parte da forma que Daniel Faria acredita na música, e o Donato Tributo passa por esse processo. Toda tecnologia deve ser usada a favor desse viés.

13) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que a banda faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Donato Tributo: Carregamos verdade no que fazemos, a música é muito além de números. Acreditamos que há valor na verdade, que a dedicação ao fazer o que acreditamos nos gera bons resultados, há fórmulas demais prontas para criarmos uma nova. Valorizamos a prática, o “ao vivo”, a troca de sonoridade e olhares, o diálogo ao fim do show e as parcerias, todas as ferramentas devem nos impulsionar pelo que pulsa dentro de nós.

14) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Donato Tributo: A internet gera grandes alcances, por isso é difícil dizer com precisão algo que não seja comum a maioria. Por isso me limito a citar o que está próximo fisicamente e preferências particulares. As citações têm mais relação pessoal do que necessariamente ditam um cenário da nova MPB como um todo. Daniel Faria (idealizador do projeto) cita os nomes:

Jennifer Souza, Felipe Bedetti, Frederico Heliodoro, Bruno Berle, Tim Bernardes / O Terno, Zé Ibarra, Dora Morelenbaum.

15) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Donato Tributo: Os ensaios do Donato Tributo são sempre inusitados, muita resenha, sempre. É um desafio concentrar e garantir rendimento, mas é muito prazeroso cultivar um ambiente leve.

Um dos bons momentos foi uma aposta após ensaio: descobrir através da análise braçal o peso do case do trombone do Micael. O perdedor nunca pagou a coca-cola apostada em questão. 

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Donato Tributo: O prazer em fazer tudo com muito amor e se ver recompensado por nossa música alcançar as pessoas, isso nos torna pessoas melhores. A competição no meio musical e a dificuldade de tornar a arte rentável é uma grande tristeza, que estamos a todo momento driblando. A maioria dos empresários e produtores não se importam com a Música e nem com a classe musical trabalhadora. 

17) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Donato Tributo: O dom é inútil por si só. Existem diversos fatores que podem nos tornar talentosos, predisposição genética(dom), estímulo na infância (principalmente), mas todas essas pré disposições dependem da ação do indivíduo. Há diversos dons estacionados por aí, e diversas “falta de talento” geniais pelo mundo.     

18) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Donato Tributo: A arte de ser livre, manifestar com liberdade o que não é dito em palavras, externar o que está dentro, um manifesto livre da composição. 

19) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Donato Tributo: Murray Schafer em seu Livro “Ouvido Pensante”, destaca e valoriza a experiência musical prática, nos ruídos, nos sons naturais e uma abordagem de percepção individual do indivíduo em relação aos sons, tudo isso antes da educação musical. A primeira experiência musical deve ser a prática, sempre. O tempo e estudo nos dão mais ferramentas, apenas isso. Aprendemos a falar antes de ir a escola, mas posteriormente nos aperfeiçoamos, melhoramos o vocabulário, criamos poemas. 

20) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

      

Donato Tributo: A aplicação dos métodos é de responsabilidade do pedagogo, sendo assim: O estudo técnico é muito valorizado, é importante, mas não é tudo. A parte emocional é extremamente importante, o que os sons representam para o indivíduo na prática, qual ligação do instrumento físico com suas intenções mais profundas, podemos ouvir improvisos semelhantes e ser tocado apenas por um, se impressionar com uma escala alterada bem aplicada a 180bpm, mas se emocionar com uma nota soprada por 20 segundos. Novamente em termos técnicos também vejo uma dedicação em estudar escalas antes da harmonia, ou uma dedicação absurda pelo domínio das escalas e posteriormente buscam-se entender harmonicamente, sendo esse um caminho longo e inverso a função da improvisação. 

21) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Donato Tributo: O estudo de harmonia e improvisação é pouco organizado fora da universidade, herança de um mundo extremamente conectado e com um acúmulo de informações desorganizadas. O Donato Tributo passa por essa escola, que valoriza, apresenta e pesquisa. A harmonia é um grande trunfo da música brasileira, então, seguindo os ensinamentos dos nossos professores da graduação dizemos: Pesquise a música brasileira, analise, faça iniciações científicas, mestrados e doutorados. A música brasileira deve ser cada vez mais registrada e pesquisada nas universidades.

22) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Donato Tributo: Trate sua formação e aprimoramento como todas as profissões, não há atalhos, principalmente para a pessoa preta e pobre, se dedique e se organize. Estude e invista no seu tempo e materiais, faça cursos, se profissionalize, conclua uma graduação na faculdade, empreenda.

23) RM: Festival de Música ainda revela novos talentos?

Donato Tributo: Sim. O Festival de Música é um bom caminho para criar uma carreira artística, a fim de se mostrar ao mercado e também um espaço para arriscar e experimentar. Donato Tributo foi premiado no Savassi Festival.

24) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Donato Tributo: A grande mídia valoriza os números, a música mais valorizada é a que gera mais renda, não há espaço para a arte pela arte. Por isso é necessário valorizar as redes, mídias e espaços dispostos.

25) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Donato Tributo: Excelente, os espaços e editais culturais são grandes oportunidades para a preservação da música popular brasileira.

26) RM: Quais os seus projetos futuros?

Donato Tributo: O Donato Tributo seguirá fazendo shows e participando de editais e festivais. Em Março o grupo se reunirá para gravar o primeiro material em estúdio com parceria com a cantora Diana Maria. Desde o início do projeto tem estado em contato com Donatinho, filho de João Donato, que em tempo oportuno, programara  um show em parceria com Donatinho. 

27) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Donato Tributo:  [email protected] | https://bio.site/donatotributo | https://www.instagram.com/donatotributo  

Canal: https://www.youtube.com/@donatotributo 

Café com Pão – Donato Tributo | Ao Vivo no Savassi Festival 2025: https://www.youtube.com/watch?v=eTuKQQ127jw


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