Sandra Nisseli

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A cantora, compositora e baixista baiana Sandra Nisseli, começou a estudar música aos 18 anos na EMEM (Escola de Música do Estado do Maranhão).

Ela estudou baixo acústico no Conservatório Dramático e Musical de Tatuí, São Paulo. Em 2012, se apresentou em concertos na Orquestra Sinfônica do Conservatório de Tatuí e da Orquestra Sinfônica Jovem de Stuttgart. Em 2012 se apresentou na Orquestra Sinfônica do Conservatório de Tatuí no Festival de Inverno de Campos do Jordão.

Em 2017, contrabaixista convidada no Festival Internacional de Contrabaixo em São Luís – MA. Chegou no Rio de Janeiro no final de 2018 a convite da cantora Xana Gallo com quem produziu um trabalho de contrabaixo e voz. Em 2019, tocou no metrô e nas ruas do Rio de Janeiro.

Em 2019 tocou no Rock in Rio e gravou o clipe da música “Nós” do cantor e compositor Ualdo.  Tocou em Luanda-África com a cantora e pianista Maíra Freitas no festival Eva.

Em 2024, fez figuração especial para o filme “Perdida” com predição Disney, disponível no Diney +.

Em outubro de 2024, lançou o EP “Lugar da Mulher”, com o projeto MANA, tendo sido parte integrante no processo de composição das músicas e responsável pela criação das linhas de baixo. Participou da banda base na peça-filme 27’s que fala sobre a trágica coincidência da morte dos cantores de rock aos 27 anos de idade. Com direção de Vera Holtz, Gustavo Leme e Guilherme Leme Garcia.

Atualmente tem se dedicado a gravações e criações de linhas de baixo em estúdio, shows, clipes, teatro e cinema com lançamentos previstos para data posterior ao envio desse documento.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Sandra Nisseli para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 27/02/2026:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Sandra Nisseli: Nasci no dia 28/05/1987 em Juazeiro – BA. Registrada como Sandra Nisseli Nascimento dos Santos. Com um ano de vida minha família mudou-se para Serra dos Carajás, no Pará. Dos dez aos treze anos, morei em Ferreira de Santana, na Bahia. E com quatorze anos, eu fui morar em São Luís, no Maranhão e eu comecei na música.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Sandra Nisseli: Ganhei um violão de presente do meu pai (Wellington dos Santos Conceição) no Natal de 2001, quando eu tinha 14 anos de idade.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Sandra Nisseli: Cursei contrabaixo acústico erudito na EMEM – Escola de Música do Estado do Maranhão por dois anos. Conservatório Carlos Gomes – PA por seis meses; Conservatório Carlos Gomes – PA por seis meses. estudei contrabaixo elétrico por seis meses Escola de música Walkiria Lima em Macapá – AP. E de 2011 a 2013 estudei contrabaixo acústico no Conservatório Dramático e Musical de Tatuí, São Paulo.

Em 2018, iniciei a licenciatura em Música na Federal do Pampa-

UNIPAMPA. Foi convidada a ser aluna bolsista no Instituto Municipal de

Belas Artes em Bagé-IMBA. E convidada também a estagiar na área da

musicoterapia sob orientação da musicoterapeuta Ana Maria Delabary

em um projeto com mulheres com câncer de mama. Mas não conclui o curso em nenhuma destas instituições.

Minha formação fora da música: sou técnica nível médio em Mecatrônica e auxiliar em automação industrial-DATAWAY Campinas – SP, estágio FEEC (Faculdade de Engenharia Elétrica e Computacional- Unicamp). Atualmente estou no quinto semestre do bacharel em Psicopedagogia – Famart (Ead) e Musicoterapia- CBM (Conservatório brasileiro de música).

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Sandra Nisseli: Quando eu era adolescente apreciei muito rock, então eu acordava escutando o CD “Schizofrenia” do Sepultura e antes de dormir escuta o CD “Load” do Metallica. Hoje eu não aguento 10 segundos escutando música do Sepultura (risos).

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Sandra Nisseli: Iniciei meus estudos em 2005 na EMEM- Escola de música do Maranhão e apresentações musicais em São Luís – MA.

06) RM: Quantos álbuns lançados?

Sandra Nisseli: Em outubro de 2024, lancei o EP – “As folhas caem” e em 2023 o single “O Sol brilha”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Sandra Nisseli: Cada uma das minhas composições pertencem a um gênero musical diferente. Acredito que a combinação de todos os gêneros se encaixa no conceito brasileiro de Música Popular Brasileira.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Sandra Nisseli: Estudei canto Coral por três anos no Conservatório de Tatuí – SP, mas era um estudo direcionado a leitura de partitura e altura de nota, não era um curso voltado para o canto solo.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Sandra Nisseli: É bastante necessário, pois a voz é um instrumento, escrevo poemas e acontecem as canções, mas não sou cantora e não me afirmo como tal, talvez por isso mesclo com o instrumental, é uma forma de “falar” através das sensações.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Sandra Nisseli: Gosto muito da Joyce Moreno, especificamente do álbum “Passarinho Urbano”.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Sandra Nisseli: Eu atendo um telefonema do além e escuto toda a poesia, harmonia e melodia da canção.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Sandra Nisseli: Javier Nasceu.

13) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Sandra Nisseli: Eu só componho de forma aleatória, quando escuto a música na minha cabeça. Às vezes eu recebo mensagens de alguns músicos me convidando para tocar o contrabaixo elétrico ou acústico nos seus trabalhos. Eu não tenho uma estratégia, apenas concretizo o que está dentro das possibilidades.

14) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Sandra Nisseli: Tento manter a rede social ativa.

15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Sandra Nisseli: A Internet me ajuda a lançar o meu trabalho, com ela posso expor na vitrine os meus fazeres.

16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Sandra Nisseli: A vantagem do home estúdio é que todas as gravações o meu filho estava presente, sou mãe solo então é algo que torna possível.

17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Sandra Nisseli: Eu não faço nada e tenho a certeza de que sou estranha, de forma demasiada, para ter um nicho, um samba canção e logo depois um solo de contrabaixo acústico, que tipo de estratégia de divulgação existe para isso? (risos)

18) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Sandra Nisseli: Não me sinto apta para fazer a análise da Música Popular Brasileira, mas posso falar dos meus gostos, gosto de “Graveola e o lixo polifônico”, Arrigo Barnabé, Tom Zé, Djavan, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Guerra Peixe, Carlos Gomes.

19) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Sandra Nisseli: A situação mais inusitada que passei foi quando eu estava a tocar o contrabaixo acústico em uma Orquestra, era ensaio, e teve um momento em que o percussionista pegou um prato gigante e deu uma pratada muito forte, eu me assustei e cai da cadeira, a Orquestra inteira veio para segurar o contrabaixo, o contrabaixo ficou intacto! (risos).

20) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Sandra Nisseli: O que me deixa mais feliz é quando eu consigo uma oportunidade de apresentar no formato voz e violão ou com banda, seja no trabalho autoral ou para tocar jazz, no “Nisseli Jazz”, meu quinteto de Jazz instrumental. E com isso, eu consigo ter uma remuneração digníssima, isso me deixa feliz.

O que me entristece é a falta de espaços que aceitem este som e remunerem bem. E vê músicas de cunho sexual tendo muito espaço, músicas que fortalecem a ideia de desunião familiar, músicas com o foco no público infantil sendo algo sexualizado. Vivemos em um país em que o feminicídio só tem crescido e continuam a dar espaço para músicas que incentivam a violência contra a mulher, eu sinceramente não consigo entender.

21) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Sandra Nisseli: Eu defino como “gostar musical”.

22) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Sandra Nisseli: A improvisação tem hora e tem regra.

23) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Sandra Nisseli: Estudado e depois aplicado.

24) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Sandra Nisseli: O contra é não estudar Harmonia Funcional.

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Sandra Nisseli: Acho que se não tivesse o pagamento do jabá a nossa sociedade seria de outra forma, pois a música define padrões de comportamento e pensamento.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Sandra Nisseli: Estude para ser médico.

27) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Sandra Nisseli: É a mais seletiva possível a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira, já acompanhei muitos compositores no Rio de Janeiro – RJ e existe um cenário autoral independente de altíssima qualidade que é invisibilizado.

28) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Sandra Nisseli: Não sei opinar, sempre preencho editais para esses espaços e os contemplados são sempre os mesmos artistas.

29) RM: No passado existia a “dependência” do Baixo tocar “colado” com a célula do ritmo do bumbo da bateria. Quando o Baixo se tornou independente desse conceito?

Sandra Nisseli: O contrabaixo se torna independente desse conceito dependendo exclusivamente do arranjo. Tem arranjador que quer de fato o contrabaixo bem marcante, na pulsação da música e tem composições que são sugestionadas o contrabaixo fazendo contraponto, de forma proposital para dar uma sensação de leveza, algo no ar.

30) RM: Qual a importância de o baixista equilibrar a função de condução e de solista?

Sandra Nisseli: O baixista, dependendo do arranjo e orquestração envolvida a preferência é que fique na região grave, mantendo a linha do baixo da harmonia e marcando o ritmo de forma incisiva. O solo tem que ser no momento certo para que não se “desmonte” esta estrutura deixando os outros músicos sem referência.

31) RM: Quais as principais técnicas que o baixista deve se dedicar?

Sandra Nisseli: É o básico aprimorar a técnica de digitação, entender como caminhar na escala do instrumento. É importante a digitação, pois se não souber caminhar na escala não terá agilidade.

E falando do contrabaixo acústico se não souber a “mano ferma” que é a técnica da “mão firme” será difícil achar as notas afinadas, se abrangemos o arco o mais importante é o “detaché simples”, pois a primeira coisa mais importante do contrabaixo com arco é saber tirar o som do instrumento sem ruídos e oscilações.

32) RM: Quais os principais vícios técnicos que o baixista aluno de contrabaixo deve corrigir?

Sandra Nisseli: Na digitação do contrabaixo acústico utilizamos os dedos: 1 (indicador) e 2 (médio) para marcar um semitom, para marcar um tom, que é a soma de dois semitons, utiliza-se os dedos 1 (indicador) e dedo 4 (mindinho). E se utilizar o dedo 3 (anelar) dentro desta digitação estará acessando um “coma”, que é um intervalo microtonal, que não é utilizado com frequência na música ocidental e que convencionamos em nomeá-la como “nota desafinada” ou “errada”.

33) RM: Quais as principais características de um bom baixista?

Sandra Nisseli: Criar linhas de baixos marcantes. Se você pensar em uma música do Michael Jackson por exemplo (…)

34) RM: Existe uma indicação correta para escolher um contrabaixo de mais de 4 cordas? Quais os gêneros musicais correspondentes a quantidade de cordas do instrumento?

Sandra Nisseli: Para escolher um contrabaixo acústico deve se atentar a sua estatura física, pois tem contrabaixo um pouco maiores de 4/4 e de 3/4 e outros menores de 2/4.

Pode-se tocar qualquer gênero musical com um contrabaixo acústico de 4 cordas, mas existe uma regulagem ideal do cavalete para se tocar música erudita, as cordas ficam mais tensas e existe uma curvatura específica para poder tocar o arco sem friccionar as outras cordas.

É possível tocar a música popular com esta regulagem, porém as cordas ficam mais tensas. A quantidade de cordas não está correlacionada ao gênero musical, se tratando de contrabaixo acústico que tem os de 4 e 5 cordas.

35) RM: Quais seus projetos futuros?

Sandra Nisseli: Estudar, compor e amar.

36) RM: Quais seus contatos?

Sandra Nisseli: https://www.instagram.com/sandranisseli | https://www.instagram.com/nisselijazz

Canal: https://www.youtube.com/@sandranisseli

O Sol Brilha: https://www.youtube.com/watch?v=cKdFifl5ueA

Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=yyJvkZp9i-M&list=PLtlYaQ1I557RszG-XlaZB4V7mCTFXPAtt

Orquestra Sinfônica do Conservatório de Tatuí: https://www.youtube.com/watch?v=8bzjDvtduUg


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