Volmi Batista
Volmi Batista atuou no Teatro, foi Cineclubista, diretor de cultura do Núcleo Bandeirante, criou a biblioteca pública, a feira da lua, o festival “Canta Cidade Livre” e a Feira da lua, fundador do CLUVIC, VBS Produções e ANVVB.
Idealizador dos Encontros de Folia de Reis, de Violeiros e do Seminário da cadeia produtiva da música e Viola Caipira, entre outros, produtor da dupla Zé Mulato e Cassiano, Claudinho da Viola e cantador e violeiro já tendo gravado dois CD’s. Trabalhou em comunicação através da rádio cultura há 25 anos com interfaces em outras emissoras.
Idealizador do projeto Núcleo de ensinamento da Viola, projeto educacional para crianças sobre a música e viola caipira. Idealizador do projeto Viola Em Canto de Mulher, projeto exclusivo para mulheres Violeiras.
Produtor da revista sobre a cadeia produtiva da música e viola caipira. Mentor do projeto de lei que institui o dia da Música e Viola Caipira. Produtor do DVD Zé Mulato e Cassiano e Orquestra Sinfônica TNCS.
Ascensão e difusão das culturas afrodescentes, indígenas e Europeias enquanto manifestações tradicionais. Inserção, empoderamento e valorização das mulheres na concepção artística e na produção cultural de seus projetos. Valorização do conceito Caipira enquanto identidade que expressa originalidade, autenticidade, brasilidade e estilo de vida.
Transversalidade cultural no que diz respeito aos diferentes segmentos que englobam as manifestações tradicionais no Distrito Federal e no Brasil. Execução de projetos com viés social e acesso gratuito às comunidades de baixo IDH no Distrito Federal, projetos que atende alunos da rede pública de ensino.
Produção cultural que leva espetáculos e entretenimento às comunidades, promovendo a democratização de acesso à cultura e a utilização de bens e espaços públicos no Distrito Federal.
Produção e promoção de trabalhos realizados por pessoas portadoras de deficiência, disponibilizando também reservas de espaços para cadeirantes, banheiros PCD e tradução em libras.
Participação pública através de seminários, oficinas de música, projetos de formação, e apresentações culturais. Iniciativas de formalização de políticas públicas culturais. Inclusão de projetos culturais no calendário oficial de eventos do Distrito Federal.
Manutenção de um programa de rádio que atinge toda a comunidade do Distrito Federal, zona rural e entorno. Produção de revistas e documentários, além de manter um acervo bibliográfico e discográfico disponível de forma gratuita à toda a comunidade do Distrito Federal.
Volmi Batista atua no segmento cultural desde a década de 1970, já tendo executado centenas de projetos que se desdobraram em geração de renda para diversos setores da comunidade, tais como, artistas, produtores, jornalistas, radialistas, técnicos, gestores administrativos e culturais e para o comércio geral das cidades.
Volmi já produziu dezenas de CD’s e DVD’s de artistas do Distrito Federal e de outros estados, proporcionando trabalho e renda para toda a cadeia produtiva cultural.
Volmi Batista foi precursor na manutenção e difusão da cultura popular e das manifestações tradicionais da música e viola caipira na cidade, entende o Distrito Federal como uma Arca de Noé cultural onde desenvolve há mais de 40 anos seu trabalho.
Segue abaixo entrevista exclusiva com Volmi Batista para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 11/02/2026:
01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?
Volmi Batista: Nasci no dia 27/08/1957 em Coromandel – MG. Registrado como Volmi Batista da Silva.
02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.
Volmi Batista: Nos anos 60 eu ouvia músicas no rádio de pilha do meu pai (João Batista) e as cantorias de Folia de Reis que passavam pela fazenda onde nasci.
03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?
Volmi Batista: Sou autodidata em tudo e aprendi com as vivências. Na escola concluir o Ensino Fundamental.
04) RM: Quais as suas influências musicais.
Volmi Batista: No passado tive influência de quase todo tipo de música que se possa pensar, sempre fui fascinado por música e tive oportunidade de conhecer, morando em Brasília – DF que é uma Arca de Noé cultural.
E no presente, depois de diversas vivências musicais, resolvi me dedicar à música regional caipira que me identifica culturalmente. Quais deixaram de ter importância? Nenhuma, gosto de música boa que desperta em mim algum tipo de sentimento bom.
05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?
Volmi Batista: Nem sei se tenho uma carreira, acho isso relativo. Sempre estive em Brasília – DF e desde 1970 que me envolvo com arte e cultura, passando por diversas linguagens.
06) RM: Quantos álbuns lançados?
Volmi Batista: Apenas dois álbuns como cantador, violeiro e compositor.
07) RM: Como você se define como Violeiro?
Volmi Batista: Toco Viola “pro gasto”, não sou exímio como instrumentista, mas conheço bastante o universo da Viola Caipira.
08) RM: Quais afinações você usa na Viola?
Volmi Batista: Cebolão Mi maior (E, B, G#, E, B) e Rio abaixo Sol Maior (A, D, G, B, D).
09) RM: Quais as principais técnicas o violeiro tem que conhecer?
Volmi Batista: Na Viola não tem técnicas especificas. A princípio são as mesmas técnicas para todos os instrumentos de cordas. A diferença da Viola, é o que chamamos de manha, astúcia e muita identificação com a cultura caipira.
10) RM: Quais os violeiros que você admira?
Volmi Batista: Na verdade todos de uma fora ou de outra, mas poucos podem ser identificados pela originalidade e criatividade como: Raul Torres, Julião Saturno, Bambico, Rento Andrade, Zé Mulato.
11) RM: Como é seu processo de compor?
Volmi Batista: Incidental.
12) RM: Quais as principais diferenças técnicas entre a Viola e o Violão?
Volmi Batista: A Viola é diferente, é mágica, por isso não é questão de técnica é mais cultural.
13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?
Volmi Batista: Essa questão de carreira independente é relativa, pois envolve mais a quentão da indústria fonográfica. E hoje de redes sociais, quase tudo agora é independente.
14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?
Volmi Batista: Os meus objetivos com a música são bem específicos e diferentes do que prega a indústria fonográfica, pois quero continuar divulgando o que normalmente não é visível, mas é importante no contexto cultural.
15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?
Volmi Batista: Valorização, manutenção e divulgação da autêntica música brasileira especialmente a ligada à Viola.
16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?
Volmi Batista: A internet é sempre uma boa ferramenta desde que bem usada.
17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?
Volmi Batista: Você consegue desenvolver e levar o seu produto ao público com mais rapidez.
18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?
Volmi Batista: Primeiro o meu trabalho não é comercial, não preciso me preocupar com o mercado musical, mas como produtor cultural procuro inovar sem perder a essência do que me proponho a fazer.
19) RM: Como você analisa o cenário da Música Sertaneja pop. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?
Volmi Batista: Não acompanho esse cenário de música sertaneja pop que acho até criminoso o uso do termo sertanejo. O importante hoje é o reconhecimento da Viola Caipira no cenário musical brasileiro.
20) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?
Volmi Batista: Feliz é ver e saber que mesmo com tanta hipocrisia a cultura musical caipira permanece firme. E triste é ver que nem os órgãos oficiais de cultura do nosso país valoriza essa cultura, deixando que os próprios agentes culturas faça isso.
21) RM: Quais os outros instrumentos musicais que você toca?
Volmi Batista: Viola em duas afinações, violão e a voz que é o mais importante.
22) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja Caipira/Raiz. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Volmi Batista: Primeiro não usamos o termo sertanejo e sim caipira. O verso do Zé Mulato define muito bem isso: Se me chamam de caipira fico até agradecido, pois falando sertanejo, posso ser confundido. A não ser pela perda de uma geração insubstituível como Raul Torres, Carreirinho, Tião Carreiro e Inezita Barroso, só pra citar alguns
Os que permanecem estão segurando muito bem a bandeira como a dupla Zé Mulato e Cassiano, Juliana Andrade, Pereira da Viola. Seria preciso entender melhor o que seria “revelação”, pois existem dois mundos o midiático e o real. Existe um universo de artistas extraordinários onde a TV por exemplo não chega. O que regride pra mim são obras musicais sem consistência, descartáveis que infelizmente invadem a cena musical do país.
23) RM: Quais os vícios técnicos o violeiro deve evitar?
Volmi Batista: O vício do Violeiro de copiar outros violeiros.
24) RM: Quais os erros no ensino da Viola?
Volmi Batista: Não avaliar o real interesse do aluno pelo instrumento (Viola).
25) RM: Tocar muitas notas por compasso ajuda ou prejudica a musicalidade?
Volmi Batista: Isso vai de cada um. Se o músico tiver capacidade, não tem problema a quantidade de notas toca por compasso.
26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?
Volmi Batista: Digo que tem que ter força de vontade e dedicação.
27) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?
Volmi Batista: Não tem como ter erros, música é mais sentimento do que técnica e cada mestre tem seu próprio método.
28) RM: Existe o Dom musical? Qual a sua definição de Dom musical?
Volmi Batista: O dom existe e é divino, quem tem deve usar e aprimorar.
29) RM: Qual a sua definição de Improvisação?
Volmi Batista: Conhecimento e técnica.
30) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?
Volmi Batista: Se for criado antes não é improviso. Ele pode ser planejado.
31) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?
Volmi Batista: Nada contra, tudo que é pra ensinar tem que ser respeitado.
32) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?
Volmi Batista: Tudo que é pra ensinar tem que ser respeitado.
33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário musical brasileiro?
Volmi Batista: A grande mídia só visa o que é lucrativo e comercial, não se relaciona com o contexto cultural.
34) RM: Qual a importância de espaço como SESC, Itaú Cultural, Caixa Cultural, Banco do Brasil Cultural para a música brasileira?
Volmi Batista: São muito importante espaços, apenas são muito sofisticados e elitistas. Eu por exemplo que lido com as tradições, não consigo chegar a esses espaços.
35) RM: Quais os seus projetos futuros?
Volmi Batista: Tenho primeiro que garantir a manutenção dos projetos que temos e que são únicos nas suas propostas e depois e aos poucos explorar outras linguagens como a do audiovisual para a música e viola caipira.
36) RM: Quais seus contatos?
Volmi Batista: (61) 99964 – 7945 | www.violabrashow.com.br | [email protected] | [email protected] | [email protected] | https://www.instagram.com/volmibatista | https://pt-br.facebook.com/volmi.batistadasilva
Canal: https://www.youtube.com/@volmibastista
EP 6 POÉTICAS POPULARES 2022 | Viola e choro: https://www.youtube.com/watch?v=AL8ZXJ2gbeE
POÉTICAS POPULARES 2022 | ep 12 Cavaquinho e Viola Caipira: https://www.youtube.com/watch?v=oWUlgN_bmHI
CANTO DE REIS DE TOCANTINS – VOLMI BATISTA: https://www.youtube.com/watch?v=VS3oP1MRc7w


Leave a Comment