Rildo Brazzy 

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O cantor e compositor baiano Rildo Brazzy construiu uma trajetória marcada pela diversidade musical, pela formação coral sólida e por uma postura independente na condução da carreira artística.

O primeiro contato profissional com a música aconteceu em 1993, quando Rildo assumiu os vocais da banda de axé music “4 Estações. Após mudanças de nome, passou a se chamar banda Via de Acesso.

Paralelamente à experiência com bandas, Rildo desenvolveu forte atuação como cantor de coral:Coral do Mosteiro de São Bento, Coral QuodLibet, grupo seleto com apenas 12 integrantes. Com o QuodLibet, participou de apresentação no aniversário do Teatro Castro Alves, em evento que contou com a presença especial de Maria Bethânia. Também participou do Coral Keiler Rego, apresentando-se ao lado de Lazzo Matumbi e Márcia Short, além do Coral dos Servidores Públicos do Estado da Bahia. Também tem formação em ator de propagandas, formação essa feita com Waldiki Moura, ator, diretor e flautista transversal.

Foi selecionado numa audição para interpretar a voz de Luís Dias, arquiteto militar, comandado por Tomé de Sousa, ordenado pelo rei de Portugal D. João III, nos 450 anos de fundação da Cidade de São Salvador da Bahia de Todos os Santos.

Com estilo assumidamente eclético, Rildo transita por gêneros como reggae, soul, MPB, samba, samba-reggae, forró, jazz, funk clássico, frevo, rock, música clássica, música erudita, música lírica e R&B. Segundo ele, deixou de ser influenciado pelo axé music.

Seu processo de composição é intuitivo: mesmo sem tocar instrumentos, utiliza o gravador do celular para registrar melodias e ideias até alcançar um resultado satisfatório em letra e música. Entre os parceiros atuais estão Reginaldo Lima Conceição Filho, Kinó Fias, Jorge Eumawiliê, Nuno Menezes, Dudu Pelicano, Rildo Ramalho e Nilson Nascimento.

Rildo gravou dois singles em samba com o produtor e guitarrista Chico Mendonça, que já trabalhou com nomes como Cid Guerreiro, Sarajane e Dado Brazzaville.

O artista desenvolve um trabalho voltado à valorização da cultura negra, da musicalidade popular urbana e das matrizes afro-diaspóricas presentes na música brasileira, buscando construir uma sonoridade acessível ao público sem renunciar à pesquisa estética e do conteúdo cultural.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Rildo Brazzy para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 20/03/2026:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Rildo Brazzy: Nasci no dia 03/03/1967 em Salvador, Bahia. Registrado como Rildo José Santos Conceição.

02) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Rildo Brazzy: Sou graduado em Administração pela Faculdade Visconde de Cairu e Pós-Graduado em Gestão da Comunicação Organizacional Integrada, pela Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

03) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Rildo Brazzy: Eu sou influenciado por Reggae, Soul, MPB, Samba, Samba Reggae, Forró, Jazz, Funk antigo, Frevo, Rock, Música Clássica, Música Erudita, Música Lírica e R&B. Deixei de ser influenciado pelo Axé Music.

Bob Marley, Peter Tosh, Alpha Blond, Gregory Isaac, Bernie Lyon, Edson Gomes, Geraldo Cristal, Nengo Vieira, Edi Brown, Tim-tim Gomes, Remanescentes, Tribo de Jah.

04) RM: Fale do seu primeiro contato com a música. E quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Rildo Brazzy: Meu primeiro contato com a música a título de participação direta foi em 1993, como vocalista da 4 Estações, uma banda de axé music, fui indicado pelo meu professor de canto Jocemar Aguiar. Mudamos algumas vezes o nome da banda, por existirem bandas com nomes iguais, e chegamos a um nome que não havia no mercado: banda Via de Acesso, nome criado por meu irmão Reginaldo Conceição. Contudo, a banda não teve apelo midiático.

Para além disso, cantei em diversos corais, como o Coral do Mosteiro de São Bento, onde fui regido por Ângelo Rafael Fonseca (criador do Coral Ecumênico da Bahia), também criou o Coral QuodLibet (coral com a participação de apenas 12 integrantes), eu era um deles, fizemos uma apresentação no aniversário do Teatro Castro Alves, com outros corais e tendo a participação de Maria Bethânia, como convidada especial. Ainda no Coral São Bento tive a oportunidade de ser regido por outros regentes: José Maurício Brandão (professor da Escola de Música da UFBA) e posteriormente Dilton César, com um legado incalculável no cenário dos coros na Bahia.

Cantei ainda nos Corais: Keiler Rego, em duas apresentações com a Participação de Lazzo Matumbi e Márcia Short. No coral dos Servidores Públicos do Estado da Bahia sob a regência de Jocemar Aguiar.

Em 1993, comecei minha carreira musical cantando numa casa de show chamada Sabor da Terra (administrado por um cantor e compositor muito requisitado na época, Chocolate da Bahia), Casa D´Ítália, Carnaval em Ilha de Maré e no Bairro de Cosme de Farias.

Cantei na Bahia Zulu’s, indicado e apresentado aos responsáveis pela banda, Osvaldo Filho, contrabaixista da Cão de Raça, banda que acompanha Edson Gomes. A Banda Bahia Zulu’s se apresentava junto ao bloco carnavalesco: Os Negões.

05) RM: Quantos álbuns lançados?

Rildo Brazzy: Na realidade nunca lancei um álbum, gravei dois singles, com duas canções em Samba com o produtor Chico Mendonça que é guitarrista e que já havia tocado com Cid Guerreiro, Sarajane, Dado Brazaville, dentre outros.

06) RM: Como você define seu estilo musical?

Rildo Brazzy: Muito eclético e com um gosto muito forte por fusões musicais que possam transmitir uma sonoridade rítmica muito legal e que caia no gosto popular.

07) RM: Você estudou técnica vocal?

Rildo Brazzy: Estudei técnica vocal. Tive como professores de canto, os amigos Jocemar Aguiar (professor de canto das cantoras Márcia Freire e Gilmelândia), o saudoso Dilton César e tive uma experiência muito massa em curso de extensão de canto, apenas um semestre, na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, com a professora Cecília e uma outra professora que não lembro no momento o nome. Fui selecionada em audição que fiz com professor Moacyr Silva Costa Filho, professor doutor da EMUS.

08) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Rildo Brazzy: Importantíssimo, pois possibilita ter um processo evolutivo muito grande, fazendo com que possamos perceber nuances musicais que sem um certo conhecimento a pessoa talvez nem notaria. As técnicas me ajudaram muito na colocação de voz em seu devido lugar e muitos outros ensinamentos. No tocante ao cuidado com a voz e as brocas vocais alguns macetes ajudavam a cuidar melhor dessa questão.

09) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Rildo Brazzy: Quem mais me influenciou como intérprete no Brasil é Lazzo Matumbi, me inspiro nele e no Tim Maia que foi outro grande intérprete. Contudo, tenho admiração por Emílio Santiago, Milton Nascimento, Djavan e tantos outros. Intérprete estrangeiros eu curto muito: Berry White, Michael Jackson, James Brown, Louis Amstrong e tantos outros. A lista é grande…

10) RM: Como é o seu processo de compor?

Rildo Brazzy: Eu não nenhum instrumento, mas a minha técnica é pegar o gravador do celular e cantarolar a ideia até obter algo satisfatório em melodia e letra.

11) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Rildo Brazzy: Reginaldo Conceição Filho, Kinó Fias, Jorge Eumawilie, Nuno Menezes & Dudu Pelicano, Rildo Ramalho, Nilson Nascimento.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Rildo Brazzy: A grande vantagem de desenvolver uma carreira musical de forma independente é que não é algo engessado em que se faz a vontade das grandes gravadoras, ou seja, temos muita liberdade para criar e a desvantagem são os custos financeiros que não são baixos para manter uma carreira.

13) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Rildo Brazzy: Penso em ter uma equipe pequena, com uma seleção natural dos músicos que tenham qualidade técnica e postura em cima de um palco e que o trabalho em equipe seja algo muito leve sem tensões. A divulgação dos trabalhos e avaliar quais músicas terão uma produção de audiovisual adequada para que possamos utilizar os diversos veículos de divulgação do trabalho.

14) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Rildo Brazzy: Eu pretendo utilizar os diversos meios de divulgação que não seja com custo alto e que tenhamos acesso fácil aos mesmos.

15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Rildo Brazzy: A internet é um mecanismo que se bem usado pode render ótimos frutos e a desvantagem do uso da internet é o artista ter problemas com a desinformação.

16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Rildo Brazzy: A grande vantagem é a velocidade do processo de gravação de música no home estúdio, isso facilita o projeto em menos tempo e a desvantagem é complexidade da internet em dado momento. Prefiro o estúdio de gravação e com músicos fazendo a gravação da música.

17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Rildo Brazzy: Observo que as novas possibilidades são muitas, mas ter uma equipe de parcerias em todos os segmentos da música facilita o trabalho e pode me colocar em pé de igualdade com a sua concorrência no mercado musical.

18) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Rildo Brazzy: Lazzo Matumbi, Márcia Short, Luiz Caldas, Carlinhos Brown, Seu Jorge, Russo Passapusso, Jorge Benjor e muitos outros.

19) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Rildo Brazzy: Interessante esse questionamento. Foram diversas situações citadas na pergunta que já aconteceram. Em 1994, fomos tocar em Ilha de Maré e a viagem era de barco, fomos tocar no último dia de carnaval e em seguida teríamos outro show em Cosme de Farias, quando o barco atracou na volta estávamos todos encharcados de água salgada, trocamos de roupa sem tomarmos banho e subimos no palco assim.

20) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Rildo Brazzy: A possibilidade de ascender musicalmente me deixa muito feliz, o que me deixa triste são os pagamentos de jabás que o artista tem que pagar para que toquem suas músicas em diversos tipos de mídia.

21) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Rildo Brazzy: Tenho muita fé nisso e nos meus Orixás.

22) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Rildo Brazzy: Digo que busque seu lugar no meio musical, pois quem persevera sempre alcança algo nesse nicho.

23) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Rildo Brazzy: A grande mídia busca o que tem grande apelo popular e possa lhe dar um retorno financeiro imediato, não há nada muito elaborado da parte delas.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Rildo Brazzy: Importantíssimos espaços! Possibilitando que artistas não tão populares possam utilizar esses palcos de forma mais constantes com custos mais baixos e assim divulgar os seus trabalhos com mais tranquilidade e conseguir o objetivo pretendido.

25) RM: Você é Rastafári?

Rildo Brazzy: Não sou rasta, mas respeito muito os Rastas Man de nossa Bahia, do nosso país, da Jamaica e Etiópia. Etiópia que nos serve de lição por ter conseguido não ser colonizados pelos eurocentristas. Haile Selassie deixou um grande legado naquele país que serve e serviu de exemplo para o povo de África. Um povo cristão que merece todo nosso respeito.

26) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa tal afirmação?

Rildo Brazzy: Essa questão é cultural. Na Bahia os músicos de Reggae comentam muito sobre isso. Discute-se que os músicos de Cachoeira são os que mais se aproximam do Reggae tocado e gravado na Jamaica. O Reggae tocado em diversas partes do Brasil é diferente em cada comunidade que cultua o gênero no nosso país. No Maranhão tem um jeito dos músicos tocarem, no Rio de Janeiro já munda algumas coisas e assim vai…

27) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Rildo Brazzy: Pelo preconceito, se associa o Reggae como um gênero que faz apologia à cannabis sativa. Quando sabemos que na sua origem a erva serve para conexão com suas divindades conforme os rastafáris pregam.

28) RM: Quais os pros e contras de se apresentar com o formato Sound System?

Rildo Brazzy: O formato do Sound System tem a vantagem da praticidade em relação aos equipamentos utilizados, mas a fusão com uma banda dá um ótimo resultado.

29) RM: Quais as diferenças de se apresentar com banda em relação ao formato com Sound System?

Rildo Brazzy: Penso que a banda contagia mais que o formato Sound System, porém não devemos nos prender a rótulos.

30) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae e o uso da maconha?

Rildo Brazzy: Um grande equívoco fazer a associação do reggae com o uso da erva. Sabemos que muitos adeptos da maconha a utilizam de forma espiritual e outros fumam de forma recreativa, não devemos julgar.

31) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a cultura Rastafári?

Rildo Brazzy: Uma relação auspiciosa do ponto de vista cultural e que fez com que os Rastafaris se identificassem com esse gênero musical.

32) RM: Quais os seus projetos futuros?

Rildo Brazzy: Finalizar o álbum com oito músicas que estão sendo produzidas no Estúdio NS, do amigo Nascimento, da banda Cativeiro. Um dos maiores Reggae Man deste país.

33) RM: Quais seus contatos?

Rildo Brazzy: (71) 99311 – 5210 | https://www.instagram.com/rildoportosanto


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