Osni Ribeiro

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Osni Ribeiro é cantador violeiro e compositor com trajetória profundamente vinculada à música caipira e à cultura do interior paulista. Nascido e criado em Botucatu (SP), iniciou suas composições ainda na adolescência e, ao longo de mais de quatro décadas de atuação, consolidou uma obra autoral que dialoga com a tradição da viola, a canção brasileira e a reflexão contemporânea sobre território, memória e identidade.

Com seis álbuns lançados em diferentes fases da carreira, entre eles Arredores (2018), Cantigas de Andar (2022) e o instrumental Rabiola (2023), desenvolve um trabalho marcado pela centralidade da palavra, pelo vínculo com o interior e pela busca de coerência estética entre palco e estúdio. Sua música transita entre a raiz caipira e a MPB, sem perder o eixo da viola como instrumento estruturante.

Fundador da Abacateiro – Produção e Arte, é responsável pela idealização e produção de festivais, projetos de circulação e ações formativas. Atuou por oito anos como Secretário Municipal de Cultura de Botucatu, coordenando políticas públicas, programas de fomento e iniciativas voltadas à valorização do patrimônio cultural regional.

Como educador e articulador cultural, coordenou a Orquestra Fraterna de Viola Caipira e atualmente está à frente da Filarmônica da Serra – Tradição e Viola, dedicando-se à formação de violeiros e à transmissão do saber musical entre gerações.

Mais do que intérprete, Osni Ribeiro constrói sua trajetória como alguém que cria, organiza, produz e compartilha a música — mantendo viva a tradição enquanto amplia seus horizontes.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Osni Ribeiro para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 25/02/2026:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Osni Ribeiro: Eu nasci no dia 30/06/1964 em Botucatu, interior de São Paulo, lugar que moldou profundamente minha relação com a música, a cultura caipira e o jeito de olhar o mundo. Registrado como Osni de Pontes Ribeiro Júnior.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Osni Ribeiro: Meu primeiro contato com a música veio ainda na infância, muito ligado ao ambiente familiar. Meu pai (Osni) sempre foi um grande admirador da música: tocava um pouco de violão, gostava de cantar e até hoje mantém essa paixão. Algumas das minhas memórias mais antigas são dele cantando pra gente dormir. Dessa época me vêm à cabeça canções como Saudades de Miraí (A Professorinha), do Ataulfo Alves, e Trauma, do Erasmo e do Roberto. São lembranças musicais muito fortes pra mim.

Em casa, a vitrola era bastante eclética: ouvia Chico Buarque, Jamelão, Nelson Gonçalves, Maysa, Roberto Carlos, mas também The Platters, Johnny Mathis, Nat King Cole e um clássico LP de 50 sucessos da música sertaneja. Com dez ou onze anos comecei a aprender violão, cheguei a fazer um ou dois meses de aula com uma professora que morava na rua de casa, mas acabei interrompendo e não voltei mais para as aulas. Aprendi a me virar sozinho e segui tocando.

Essa convivência cotidiana com a música acabou criando uma espécie de herança afetiva e musical que fui absorvendo quase sem perceber. Com o tempo, essa escuta foi se transformando em prática instrumental, composição e, mais adiante, em um caminho profissional, sempre entendendo a música como memória, identidade e pertencimento.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Osni Ribeiro: Não tenho formação musical regular. Tirando essa curta experiência na infância, segui como autodidata, primeiro no violão, depois com maior dedicação, na viola. Minha formação musical foi sendo construída na prática, nos festivais, nas parcerias, no palco e na convivência com mestres da música popular brasileira. Paralelamente, tenho formação superior em Ciências Econômicas. Embora nunca tenha exercido a profissão, essa formação contribuiu bastante para minha atuação como produtor cultural, gestor público e na organização da minha própria carreira artística.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Osni Ribeiro: Sinto que as influências jamais deixam de ter importância. Elas podem mudar de lugar, de intensidade, de função, mas seguem fazendo parte da formação. Sempre tive muita informação musical marcante e bastante variada. Entre as influências mais evidentes, posso citar Chico Buarque, Renato Teixeira e a dupla Zé Carreiro e Carreirinho, que tiveram papel importante na minha escuta e no meu imaginário musical.

Comecei na MPB, foi ali que dei os primeiros passos como compositor. Com o tempo, fui me encontrando na música caipira, que acabou se tornando um eixo fundamental da minha identidade artística. Depois vieram os bares, a noite, os festivais e, com isso, uma grande mistura de referências, sonoridades e experiências. Esse percurso me levou naturalmente a um certo ecletismo, que hoje encaro como parte do meu processo criativo.

No fim das contas, acabei encontrando meu caminho justamente nessa mistura entre a música caipira e a MPB. Às vezes ainda fico em dúvida se faço MPB com influência caipira ou música caipira com influência da MPB — e talvez essa dúvida, mais do que um problema, seja a melhor definição do meu trabalho. Continuo atento, absorvendo referências, porque não vivemos isolados, e essas trocas seguem sendo fundamentais para o crescimento artístico.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Osni Ribeiro: Nunca consegui determinar com precisão o que seria exatamente um início profissional. A primeira vez que me apresentei como artista foi em 1980, ainda em dupla, como Zé Lira e Ribeirinho, cantando em programas de auditório na rádio PRF-8, em Botucatu – SP. A partir dali vieram os festivais, pequenos shows em festas populares, quermesses e até comícios políticos, espaços que hoje reconheço como fundamentais para aprendizado e contato direto com o público.

Em 1983, por ocasião de um festival, gravamos duas faixas que saíram em um LP lançado em 1984. Em 1985, gravei mais um LP ainda em dupla. A partir de 1986, iniciei a carreira solo, adotando meu nome próprio como identidade artística, circulando por bares, festivais e projetos culturais, tocando onde havia espaço e construindo o caminho aos poucos.

Somente em 1994, depois de muito trabalho na noite e em festivais de MPB, gravei meu primeiro disco solo, em CD e LP. Não sei precisar se todo esse percurso pode ser chamado de “profissional” nos moldes de hoje, mas vejo como diferentes perspectivas de trabalho na música e na arte, que foram se transformando ao longo do tempo e moldando o que sou. 

06) RM: Quantos álbuns lançados?

Osni Ribeiro: Tenho um LP lançado em dupla (*Riber e Renan*, 1986) e, em carreira solo, os álbuns: *Osni Ribeiro* (1994 – CD e LP), *Bebericando* (1996 – CD), *Arredores* (2018 – CD), *Cantigas de Andar* (2022) e *Rabiola* (2023 – CD), este último um trabalho instrumental de viola. Todos disponíveis para streaming e tenho também um Single lançado de um projeto com outros dois violeiros, o Victor Batista e o Valdir Verona. 

Participei também de coletâneas importantes, como o LP do FEMSEBO (1984), uma coletânea regional organizada pelo UOL e pelo *Diário da Terra* de Avaré (1988) e da coletânea *Viola Paulista* (2018), pelo selo SESC.

07) RM: Como você se define como Violeiro?

Osni Ribeiro: A viola é minha companheira de caminho, o instrumento que organiza meu pensamento musical. Ao mesmo tempo, não me vejo preso a uma ideia restrita de estilo. Meu trabalho dialoga com a canção brasileira de forma ampla, com a MPB, com a música urbana e com outras linguagens. A viola é o eixo, o ponto de partida e de retorno, mas o que faço é música que nasce do interior,  mas não se limita a ele.

Sempre gosto de dizer que faço música caipira, afinal de contas sou um caipira mesmo: nascido e criado no interior, construindo meu trabalho a partir da influência cultural que está ao meu redor. Me defino como violeiro por pertencimento e por vivência. Foi nesse território que cresci, vivo e me inspiro, e é daqui que nascem as histórias que carregam minhas canções.

08) RM: Quais afinações você usa na Viola?

Osni Ribeiro: Uso com mais frequência a Cebolão, tanto em Mi quanto em Ré. No álbum Arredores gravei duas músicas em Rio Abaixo, uma afinação que me chamou muito a atenção pela sonoridade. Em Cantigas de Andar voltei a usar o Rio Abaixo e experimentei, pela primeira vez, a afinação Rio Acima.

No trabalho instrumental Rabiola, uso o Rio Abaixo na faixa Pescaria Rio Abaixo, e já criei uma relação de composição com essa afinação, que traz um timbre poderoso, muito bonito e inspirador. Também venho experimentando coisas em Chitarino e Realejo. A verdade é que a gente aprende todo dia — na viola e na vida também (risos).

09) RM: Quais as principais técnicas o violeiro tem que conhecer?

Osni Ribeiro: Acho difícil apontar técnicas como algo fechado ou obrigatório. Para mim, a principal técnica que o violeiro precisa desenvolver é a escuta — do instrumento, do próprio corpo, do ambiente e da música que está sendo feita. A partir disso vêm outras coisas importantes, como o cuidado com o ritmo, o toque, a pulsação e a relação entre melodia e harmonia.

Mas também é fundamental entender o universo em que a viola se insere. Conhecer a linguagem da tradição, pra gente que é caipira, um cateretê, uma moda de viola, uma querumana. Mas não como peça de museu, mas como base viva. Esses ritmos e formas trazem uma sabedoria própria, e o desafio é encontrar caminhos para que dialoguem com a criação contemporânea, com o que a gente produz hoje.

Cada violeiro acaba construindo sua técnica a partir desse encontro entre raiz e presente. Mais do que dominar fórmulas, acredito na construção de uma técnica pessoal, que nasce da prática, da observação dos mestres e da vivência musical. A técnica, no fim das contas, deve servir à música e não o contrário.

10) RM: Quais os violeiros que você admira?

Osni Ribeiro: Admiro muitos violeiros, de diferentes gerações e caminhos. Alguns me tocaram pela linguagem, outros pela postura e outros ainda por terem ampliado meu jeito de pensar a viola. Alguns é até redundante citar, mas quero lembrar do Tavinho Moura, uma referência importante; guardadas as diferenças, sinto nele uma alma próxima da minha. Ivan Vilela foi decisivo: o álbum Paisagens mudou profundamente minha forma de encarar a viola, e a convivência e a amizade só reforçaram isso.

Além deles, tenho grande respeito pelos violeiros da tradição, pelos mestres anônimos, pelos violeiros das catiras, fandangos e folias, pelos cantadores de cururu e por todos aqueles que mantêm a viola viva no cotidiano. 

Poderia citar muitos outros ainda, contemporâneos, mas com certeza deixaria muitos nomes de fora. Sigo acreditando que a viola é esse instrumento generoso, que se reinventa a cada violeiro que a toma como companheira de caminho.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Osni Ribeiro: Não tenho um processo de composição muito definido. Muitas vezes nem sei dizer o que vem primeiro, se a letra ou a música. As canções que faço sozinho quase sempre nascem juntas: melodia e palavra se misturam desde o início. Às vezes a ideia surge de uma melodia, outras de uma palavra, de uma imagem ou de uma história ouvida por aí.

Costumo ir construindo a música na memória, guardando trechos, deixando a ideia circular, pensando caminhos melódicos, rítmicos e deixando que tudo amadureça aos poucos. Evito registrar logo de início. Aquilo que vai ganhando força acaba ficando vivo, pedindo espaço. Quando sinto que a canção se completa, aí sim faço o registro, para não esquecer. As harmonias geralmente vêm depois, como um processo de lapidação da canção.

Nas parcerias musicais, meu processo costuma ser diferente. É mais comum trabalhar a partir de letras ou poesias já escritas. Gosto de encontrar os caminhos das palavras, a sonoridade que está oculta em cada sílaba, em cada acentuação, deixando que a própria linguagem do texto me conduza às ideias musicais. 

Também componho músicas instrumentais, mas sempre pensando nelas como canção, buscando soluções melódicas e narrativas. Claro que existem músicas que nascem de repente, quase prontas, mas mesmo essas acabam passando por esse tempo de maturação.

12) RM: Quais as principais diferenças técnicas entre a Viola e o Violão?

Osni Ribeiro: As diferenças técnicas entre a viola e o violão estão diretamente ligadas à intimidade que se constrói com cada instrumento. A viola, com suas cordas duplas e múltiplas afinações, exige um tipo de toque muito atento ao ritmo, à pulsação e aos harmônicos. Cada afinação muda completamente o desenho do instrumento, o jeito de pensar a melodia e a harmonia, o que faz com que a técnica da viola seja menos padronizada e mais construída pela convivência.

O violão teve sua técnica organizada mais cedo. É um instrumento mais estabilizado do ponto de vista do ensino, com uma escola definida, métodos consolidados e caminhos técnicos mais previsíveis. Isso permite um aprendizado mais linear e estruturado.

Na viola, ainda que os métodos e espaços de formação estejam mais consolidados, a técnica nasce do uso: dos contextos em que se toca, dos ritmos tradicionais, das afinações, das regiões e das histórias que o instrumento carrega. 

Nenhuma é melhor ou pior — são naturezas diferentes. A viola pede tempo, intimidade e escuta; o violão oferece caminhos mais pavimentados, diretos. Entender essas diferenças é, antes de tudo, entender a relação que se constrói com cada instrumento.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Osni Ribeiro: Houve um tempo em que desenvolver uma carreira independente fazia do artista quase um herói, como foi o caso do Cornélio Pires, talvez o primeiro produtor independente. O Itamar Assumpção na época da Lira Paulistana. Hoje, a independência deixou de ser exceção e passou a ser uma opção da grande maioria dos artistas, especialmente daqueles que optam por deixar de lado interesses meramente comerciais e se dedicar à alma da sua inspiração.

O avanço da tecnologia democratizou profundamente esse caminho. Quando comecei a gravar, fazer um disco era caro, era restrito: havia poucos estúdios, os valores eram altos, a fabricação de LPs era dispendiosa e fazer a música chegar às pessoas exigia um verdadeiro corpo a corpo. Era preciso visitar rádios, tentar espaço em programas de TV e circular fisicamente. Ou o público te conhecia do rádio e da televisão ou em um show. As grandes gravadoras detinham o mercado e o controle desses caminhos.

Hoje, os principais prós da independência estão na liberdade de decidir sobre o próprio trabalho, na autonomia criativa e na construção da personalidade artística. A internet encurtou muitos caminhos pra gente estar visível, disponível. 

Os contras continuam muito ligados à penetração de mercado, especialmente nos espaços mais tradicionais como rádio e TV, que ainda são bastante fechados e controlados pela força das empresas ou pelo investimento financeiro que elas conseguem fazer.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Osni Ribeiro: Nunca tive um planejamento rígido ou de longo prazo de carreira. Meu caminho sempre foi mais uma construção diária, feita de relações humanas, busca de espaços, trocas e escolhas que precisam fazer sentido ao longo do tempo. Vou me estruturando aos poucos, amadurecendo ideias e encontrando caminhos à medida que eles se apresentam.

Dentro do palco, procuro estar inteiro, atento ao momento, ao público e à emoção do encontro. Fora dele, sigo antenado às possibilidades, mas também me permito viver o fluxo da vida, das relações e dos afetos, que muitas vezes apontam direções inesperadas. Acho importante estar próximo de movimentos e ações que dialoguem com o meu trabalho, estabelecer relações de respeito com os colegas e manter sobriedade e responsabilidade no dia a dia.

Entendo a carreira como um processo em movimento, feito de escuta, tempo, escolhas e intuição. Algumas coisas se organizam pela razão, outras pela sensibilidade e é nesse equilíbrio, nem sempre previsível, que meu trabalho vai se construindo.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Osni Ribeiro: A palavra empreendedorismo sempre me soou um pouco estranha quando aplicada diretamente à música, como se fosse um cativar obrigatório do público. Não consigo pensar o fazer artístico pautado exclusivamente por essa lógica. Para mim, o principal “empreendimento” é estar vivo no fazer musical, lúcido nos princípios e objetivos. Se o trabalho precisar causar estranheza, provocar, cutucar quem está na ponta fruindo da música, que seja assim.

Ao longo do tempo, fui entendendo que buscar caminhos também é uma vocação. A necessidade me levou a aprender a produzir meus próprios projetos, viabilizar gravações, organizar circulações, criar parcerias e pensar a música para além do palco. Isso envolve escrever projetos, dialogar com editais, produzir shows, discos e ações formativas.

Mas nada disso acontece de forma mecânica ou apartada da criação artística. Esse movimento de empreender nasce do mesmo lugar da música: da atenção, da curiosidade e do desejo de fazer o trabalho existir e circular de maneira coerente com o que acredito.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Osni Ribeiro: Acho que a internet ajuda muito mais do que atrapalha. É um meio novo e muito potente de levar a arte, de alcançar pessoas e lugares que antes eram inacessíveis. Quando comecei na música, produzir e divulgar um trabalho era quase um outro trabalho à parte — homérico, por sinal. Hoje, a possibilidade de falar diretamente com o público e fazer a música circular é algo realmente novo e transformador.

Ao mesmo tempo, esse universo está constantemente em construção e os caminhos nem sempre são claros. Existe espaço para todos, e isso talvez seja uma das maiores novidades, mas também há uma enorme divisão de atenção. A quantidade de produções lançadas todos os dias é imensa, e tudo passa rápido demais, tudo pede resposta imediata.

O desafio é não se contaminar por essa velocidade, não se deixar levar pelo fluxo incessante de novidades e manter o foco, a atenção e o cuidado com a arte. Usada com consciência, a internet e por consequência, a tecnologia, são grandes aliadas; sem consciência existe o risco de afastar o artista do tempo necessário para criar.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Osni Ribeiro:  Vou ser direto: a grande vantagem do Home estúdio é o custo de produção, a facilidade de acesso e a autonomia. Hoje é possível gravar com qualidade, experimentar, errar, refazer e registrar ideias com muito mais liberdade e baixo custo, o que ampliou enormemente as possibilidades criativas e de produção.

Por outro lado, essa mesma facilidade acaba inundando o mercado com todo tipo de produção, muitas vezes sem critério artístico ou técnico. A tecnologia é muito bem-vinda, mas é preciso saber lidar com ela, entender seus limites e suas responsabilidades.

Nesse contexto entram também as novas ferramentas de inteligência artificial, que hoje geram muita polêmica. A história mostra que a música e a arte sempre conviveram com transformações tecnológicas: máquinas de escrever, fotografia, xerox, fax, computadores, celulares; na música, MIDI, sintetizadores, samplers, gravadores digitais, a transição do analógico para o digital. Até mesmo a guitarra elétrica já foi alvo de resistência. Com o tempo, tudo isso foi se acomodando e incorporado aos processos criativos.

A desvantagem aparece quando a facilidade técnica não vem acompanhada de critério e amadurecimento. A tecnologia resolve o meio, mas não substitui o conteúdo, a experiência e a verdade artística. E como novas tecnologias surgem todos os dias, isso redobra nossa atenção na mesma medida em que amplia as possibilidades. No fim, elas devem servir à criação e não o contrário.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Osni Ribeiro: Posso parecer redundante, mas não penso muito em diferenciação como estratégia. Não vejo o “diferente” como algo essencial por si só. Presto mais atenção na verdade que o trabalho carrega.

Procuro entender a diferenciação como consequência do caminho que escolhi trilhar. O que faço, efetivamente, é manter coerência entre o que componho, o que gravo e o que apresento no palco. Não tento acompanhar modas nem acelerar processos para dar respostas imediatas. Invisto no repertório, na qualidade das canções, na relação entre tradição e contemporaneidade e na construção de projetos que façam sentido. Acredito muito na presença: tocar ao vivo, circular, conversar com o público, criar vínculos reais.

Essa postura está sintetizada em Realeza, canção que gravei em 1996, cujo verso diz: “no reino dos violeiros tem muitos castelos, ninguém é primeiro nem é soberano”. Essa ideia me acompanha até hoje. Não acredito em hierarquias engessadas nem em disputas vazias. O que importa é a nobreza da cantoria, a partilha, o respeito e a verdade do canto. Em um cenário de excesso, a permanência vem da consistência, da dedicação e da honestidade artística. Como aponto na canção, “a flor que eu planto em meu canto é amor”.

19) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Osni Ribeiro: O que mais me deixa feliz é o encontro: quando a música chega em alguém, cria identificação, afeto e diálogo. Quando uma canção encontra abrigo no outro, tudo passa a fazer sentido.

O que me entristece é uma certa contradição. No convívio cotidiano, as pessoas costumam se interessar pela novidade, pela história recente, pela conversa nova. Mas, quando se trata de música, muitas vezes parece haver menos disposição para ouvir uma canção que acabou de nascer. Não no sentido de buscar algo inovador ou diferente a qualquer custo, mas simplesmente de se abrir para uma nova história em forma de canção. 

Talvez o desafio esteja justamente em encontrar esse ponto de equilíbrio: como criar pontes para que o público se interesse pelo novo, não especificamente pelo rótulo da novidade, mas pela experiência, pela amplitude de saber mais da intimidade musical de cada músico, de cada cantador, de cada compositor.

20) RM: Quais os outros instrumentos musicais que você toca?

Osni Ribeiro: Não me considero essencialmente um instrumentista, uso mais para criar, dar suporte pras minhas canções, desenvolver as ideias. Talvez seja um outro foco da palavra instrumento né. Uso o violão também e, no estúdio, acabo gravando percussão, baixo e me arriscando nas tecnologias quando o trabalho pede. 

Mas, no fundo, o instrumento que mais gosto é a voz, junto com as ferramentas que me acompanham desde sempre: as palavras e as melodias. É nesse lugar que me completo, e onde a música também se mostra completa para mim.

21) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quem foram as revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Osni Ribeiro: Vejo o cenário musical brasileiro como algo vivo, em permanente movimento, cheio de contradições, mas também de muita riqueza. Há uma produção intensa acontecendo em diferentes territórios, muitas vezes fora do alcance da grande mídia, e isso é algo muito positivo. Ao mesmo tempo, o mercado tende a acelerar processos, criar modas passageiras e dar pouca atenção ao tempo necessário para a maturação artística.

Prefiro evitar listas ou julgamentos diretos sobre quem avançou ou regrediu. A música é feita de ciclos, de momentos de maior ou menor profundidade, e cada artista percorre seu caminho à sua maneira.  O que me interessa observar é que é possível manter coerência, verdade e compromisso com a própria obra, independentemente do sucesso imediato.

Reforço que me chama atenção a vitalidade dessa música fora dos rótulos. E assim acontece com a chamada música caipira, que segue viva quando permanece ligada à escuta, ao território, à palavra e à experiência humana. Enquanto houver gente disposta a cantar suas histórias com verdade, esse universo continuará se renovando, independentemente de modas ou classificações. Apesar de todos os ruídos, sigo acreditando na força da música brasileira e na sua capacidade de se reinventar, de dialogar com o tempo presente sem perder suas raízes.

22) RM: Quais os vícios técnicos o violeiro deve evitar?

Osni Ribeiro: A viola é um instrumento que carrega muito forte o signo da liberdade, talvez por isso soe sempre tão inventiva e diversa. Nesse sentido, o principal vício que o violeiro deve evitar é a preguiça de deixar de tocar.

A viola pede convivência. Quando se abandona o instrumento, perde-se intimidade e naturalidade. Muitos outros vícios acabam sendo consequência disso: repetir fórmulas por conforto, automatizar o gesto, deixar a técnica se sobrepor à música ou se afastar da tradição sem compreendê-la.

Mais do que corrigir vícios específicos, a viola pede uso constante, curiosidade e abertura. Tocar sempre, mesmo que pouco, manter a mente aberta e a relação ativa com o instrumento.  Isso mantém a técnica em movimento e a linguagem pulsando. Na viola, a técnica só faz sentido quando está a serviço da música e da liberdade de expressão.

23) RM: Quais os erros no ensino da Viola?

Osni Ribeiro: Na minha visão, um erro comum é ensinar a viola apenas no aspecto técnico, desconectada do universo cultural que a sustenta. A viola não é só um conjunto de cordas e afinações; ela carrega história, território, ritmos, modos de tocar e de cantar. Quando o ensino ignora isso, fica superficial.

Outro equívoco é tentar padronizar demais um instrumento que, por natureza, sempre foi múltiplo. A viola tem diversas afinações, escolas regionais, formas diferentes de construção e de uso. Engessá-la em um único modelo pode empobrecer sua riqueza. Quando a pessoa fala que determinado ritmo, ou toque – tem que ser assim – está equivocada. Se fosse verdadeiro o Tião não teria criado o Pagode né, rsrs.

Também vejo como problema a pressa por resultados imediatos. A viola exige convivência. Ela responde ao tempo, à prática constante, ao contato com repertórios tradicionais e contemporâneos.

Para mim, o ensino da viola precisa equilíbrio entre técnica, repertório, contexto cultural e liberdade criativa. Sem isso, é possível formar tocadores corretos, mas não necessariamente violeiros de verdade.

24) RM: Tocar muitas notas por compasso ajuda ou prejudica a musicalidade?

Osni Ribeiro: É uma pergunta curiosa, porque a quantidade de notas, ou a velocidade delas, não está necessariamente ligada à musicalidade. Música não é medida, é expressão. Às vezes uma única nota, colocada no lugar certo, com intenção e silêncio ao redor, comunica muito mais do que uma sequência veloz e cheia de virtuosismo.

Tudo depende da estética, da linguagem e do momento. Há situações em que muitas notas fazem sentido, quando a proposta pede movimento, tensão ou exuberância. Em outras, o silêncio e a economia são mais potentes. Para mim, musicalidade está muito mais ligada à sensibilidade, ao bom senso e à coerência com o que se quer dizer do que à quantidade ou a velocidade de notas executadas. A técnica pode impressionar, mas é o sentido que permanece.

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Osni Ribeiro: A primeira coisa é ser honesto consigo mesmo. A música precisa fazer sentido por dentro. Se não houver alegria, verdade e identificação profunda com o que se faz, o caminho fica muito mais pesado. Mas só inspiração não sustenta uma carreira. É preciso transpiração, disciplina, trabalho constante. A música exige tempo, estudo, prática, persistência. Exige aprender a lidar com frustrações e continuar mesmo quando o reconhecimento demora.

Ao mesmo tempo, é importante não perder a essência no meio do percurso. O mercado muda, as tendências passam, as tecnologias se transformam. O que permanece é a coerência entre quem você é e o que você canta ou toca. Se a pessoa estiver disposta a trabalhar com dedicação, sem abrir mão da própria verdade, já começou pelo caminho certo. 

26) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Osni Ribeiro: Na minha opinião, um dos principais equívocos é tratar a música apenas como conteúdo técnico, esquecendo que ela também é experiência, sensibilidade e cultura. Quando o ensino se limita à mecânica — escalas, exercícios, teoria isolada da prática — pode acabar formando bons executores, mas nem sempre músicos.

Também acredito que seja um erro desconsiderar o repertório e o contexto de onde o aluno vem. Cada pessoa traz uma história, uma escuta, um território cultural. Ignorar isso pode afastar o estudante da própria identidade musical. Volto ainda na questão da pressa. A música tem seu tempo e não existe um  desempenho imediato.

Metodologia é importante, mas, para mim, deve ser uma ferramenta flexível. Quando técnica, repertório, sensibilidade e vivência caminham juntos, o aprendizado se torna mais orgânico e verdadeiro.

27) RM: Existe o Dom musical? Qual a sua definição de Dom musical?

Osni Ribeiro: Acredito que exista uma predisposição, uma sensibilidade inicial, algo que pode ser chamado de dom. Mas ele só ganha sentido quando é cuidado, provocado e colocado em movimento. Para o dom desabrochar é preciso de trabalho, tempo, curiosidade e dedicação.

28) RM: Qual a sua definição de Improvisação?

Osni Ribeiro: A improvisação pode significar muitas coisas. Pode ser fazer do jeito que dá, com o que é possível, mas também pode ser criar no repente, no calor do momento, respondendo ao ambiente, ao parceiro, à provocação e à emoção.

Sempre me fascinou essa ideia do improviso. Na minha região existe o cururu, canto de desafio totalmente improvisado, e isso sempre me encantou. Na adolescência improvisava versos com amigos e cheguei a participar de rodas com cantadores experientes — verdadeiros bambas — experiências que me marcaram muito. Em 2008 produzi um álbum com mestres do cururu, Jonata e Horácio Neto, o que aprofundou ainda mais meu contato com essa linguagem. 

Quando improviso na viola, é sempre uma aventura. Nunca tive estudo formal de escalas; tudo acontece mais pelo instinto e pela emoção. Para mim, improvisar é estar disponível ao momento. Não é fazer qualquer coisa, é dialogar com o que está acontecendo ali, a partir da vivência e do repertório acumulado ao longo do tempo.

29) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Osni Ribeiro: Acredito que existam as duas coisas. Há improvisos que nascem de muito estudo, onde o músico acumulou vocabulário, padrões, escalas e combina isso em tempo real. E há improvisos que surgem mais da vivência, da experiência prática, da convivência com a música ao longo dos anos.

Mesmo o improviso mais espontâneo carrega fragmentos do que já foi vivido. A gente junta pedaços, como num mosaico, reorganiza elementos que já passaram pelo corpo e pelo ouvido. Então existe improvisação de fato, sim, mas ela quase nunca vem do vazio. Ela nasce do encontro entre experiência acumulada e um instante de liberdade.

30) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Osni Ribeiro: Não sou muito de pensar em termos de prós e contras. Cada músico encontra seu próprio caminho, identifica-se ou não com essa prática, e isso não é uma obrigação dentro da música. Improvisar não é requisito, nem algo que deva ser imposto como necessidade.

Quando um método funciona para alguém, é ótimo. Ajuda a organizar ideias, ampliar possibilidades. Quando não funciona, ainda assim valeu como experiência. O improviso, por natureza, envolve algo que não estava previsto, e se alguém consegue sistematizar completamente o imprevisível, é um mérito (risos).

O improviso existe desde muito antes das escolas e dos métodos. Desde que as pessoas se juntaram para tocar e cantar, ele já estava ali. Métodos podem auxiliar alguns músicos com apontamentos técnicos e lógicos, mas a essência da improvisação continua sendo encontro, presença e disponibilidade.

31) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Osni Ribeiro: Eu costumo pensar primeiro na melodia. Para mim, a harmonia é como uma roupa: existem muitas que servem, mas nem todas vestem bem naquela música, naquele momento. Às vezes uma mesma melodia pode ganhar sentidos completamente diferentes dependendo da harmonia que a envolve. Como a roupa, ela define o ambiente, o alcance, até onde aquela ideia pode chegar.

Por isso, considero muito importante conhecer harmonia. Ela amplia possibilidades, organiza caminhos e ajuda a entender melhor o território onde a melodia caminha. O estudo traz consciência e repertório.

O “contra”, se é que posso chamar assim, aparece quando o método vira regra e começa a sufocar a intuição. Harmonia é ferramenta, não fim em si mesma. Assim como tudo na música e na vida, o essencial é ter bom senso.

32) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário musical brasileiro?

Osni Ribeiro: A cobertura da grande mídia ainda é insuficiente e, muitas vezes, injusta com a dimensão real da música brasileira. Falamos de meios que operam em concessões públicas, mas que não refletem a diversidade cultural do país nem acompanham, na mesma medida, os avanços das políticas públicas de cultura que vêm se estruturando em todo o Brasil.

O Brasil é imenso, plural, atravessado por regionalismos, sotaques, tradições e experiências artísticas muito distintas. Cada região produz sua própria verdade, sua estética, seus modos de criação e seus repertórios. No entanto, a grande mídia ainda funciona sob uma lógica de concentração que lembra os ciclos do Pau-Brasil e da Cana-de-Açúcar: uma espécie de monocultura simbólica, onde poucos centros e poucos formatos determinam o que ganha visibilidade.

Reduzir a complexidade cultural do país a esse recorte estreito é empobrecedor. A música brasileira é muito maior do que aquilo que aparece nas vitrines principais e continua viva, diversa e potente, mesmo quando não ocupa os grandes espaços de exposição.

33) RM: Qual a importância de espaços como SESC, Itaú Cultural, Caixa Cultural e Banco do Brasil Cultural para a música brasileira?

Osni Ribeiro: Primeiro é importante separar as naturezas dessas instituições. O SESC, por exemplo, não é do governo. É ligado ao comércio, faz parte do Sistema S e tem um papel fundamental na circulação de música, especialmente em São Paulo, onde sua atuação ganhou muita força nos últimos anos. O Sesc-SP, em particular, deu visibilidade a artistas de todo o país e até de fora dele, oferecendo estrutura técnica de excelência e aproximando a produção cultural do comerciário, do trabalhador, do público em geral.

Em outros estados, o Sesc nem sempre tem a mesma pujança, embora existam iniciativas que vêm se fortalecendo, inclusive por meio de editais, como no Sesc Rio e no Sesc PR. Ainda assim, os programas muitas vezes ficam atrelados às gestões e às visões dos dirigentes e programadores, o que pode limitar ou direcionar as escolhas. Mesmo assim, é um dos espaços mais importantes de circulação musical hoje.

O SESI-SP também vem fortalecendo bastante sua relação com a música e com os territórios, com editais que atendem tanto regionalmente quanto no âmbito estadual, para espetáculos e ações formativas. Por enquanto, esse movimento é mais visível em São Paulo, e seria muito saudável que se multiplicasse pelo país.

O Itaú Cultural é uma instituição privada e não tem a mesma capilaridade do Sistema S. Muitas vezes suas ações não chegam com tanta clareza para quem está na ponta da produção, mas, sempre que olham para a música e para a cultura isso é positivo.

Já a Caixa Cultural e o Banco do Brasil Cultural, instituições ligadas ao governo, estão numa retomada de seus espaços depois de um período de ociosidade. Têm potencial enorme de articulação com políticas públicas federais e estaduais, podendo ampliar significativamente a circulação, a fruição e a formação cultural. No momento, conseguem acolher parte do que se produz, mas poderiam dialogar ainda mais com a diversidade que existe no país.

Em resumo, todos esses espaços são importantes, mas cada um atua dentro de limites institucionais e estruturais próprios. Quanto mais articulados e distribuídos pelo território nacional, maior será o alcance da música brasileira em toda a sua diversidade.

34) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical? 

Osni Ribeiro: Já vivi muitas situações inusitadas na estrada, de épocas e contextos bem diferentes. Uma delas foi tocando em um clube, num american bar, quando o trabalho da noite exigia organização rígida de repertório e intervalos — eram quase quatro horas de som. Durante um intervalo combinado, um frequentador bastante exaltado veio exigir que eu voltasse imediatamente ao palco, dizendo ser diretor do clube. Mantive o intervalo, como acertado com o contratante. Quando retornei, perguntei ao público se havíamos ficado mais de meia hora parados; a resposta veio em risos. Peguei o violão e comecei um samba sobre vaidade e queda. Antes da música terminar, o mesmo sujeito arrancou a aparelhagem da tomada e instaurou o clássico “deixa disso”.

Outra situação curiosa aconteceu em 2013, num show em Auriflama pelo Sesc Birigui. Enquanto passávamos o som, um casal perguntou ao técnico se o show era bom. A resposta dele foi: “o percussionista tocou com Rick & Renner, o baixista com Almir Sater… deve ser bom”. Achei curioso perceber como, às vezes, a música é apresentada antes pelos currículos que pelo som.

E teve também um momento bonito e inesperado no projeto Sobre Trilhos e Canções, que fiz com Cláudio Lacerda. No dia da estreia, uma poesia do Sérgio Santa Rosa, composta apenas pelos nomes das estações da linha Sorocabana, acabou virando música ali, quase na hora, durante a passagem de som. Estreei a canção naquela noite, cantando com a letra na mão para não errar as estações. O refrão foi cantado pelo público repetidas vezes, e a música acabou entrando no álbum Cantigas de Andar. Vale dizer batizamos o sambinha caipira de Tanto Trem e ele está disponível nas plataformas de streaming para quem quiser ouvir. Essas surpresas são parte do encanto do caminho.

35) RM: Quais os seus projetos futuros?

Osni Ribeiro: Às vezes me sinto como uma represa: cheio de ideias acumuladas, vontade de criar, de fazer verter, mas sem saber exatamente até onde essa água vai alcançar. Existe um turbilhão de composições, projetos e caminhos possíveis. O que eu sei é que quero continuar mergulhado na música, na criação, abrindo as comportas sempre que for o momento certo.

Entre essas ideias já há um projeto em curso: um novo álbum de carreira, intitulado  “Osni Ribeiro: Cantador e Violeiro”, que vai reunir de forma mais direta minhas duas vertentes — a canção e a viola — como síntese da minha trajetória.

E há também um sonho antigo, que considero quase uma missão: dar luz à obra de Angelino de Oliveira, autor de Tristezas do Jeca e de tantas outras canções pouco conhecidas, além de composições ainda inéditas. É um projeto que desejo concretizar em breve, porque acredito que preservar e revisitar essas obras é também manter viva uma parte importante da nossa memória musical.

No fundo, meus projetos futuros seguem nessa direção: continuar criando, aprofundando repertórios e contribuindo para que a música brasileira — especialmente a que nasce do interior — permaneça viva, pulsante e em movimento.

36) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Osni Ribeiro: https://osniribeiro.com.br | [email protected] | https://www.instagram.com/osniribeirooficial 

Canal: https://www.youtube.com/@OsniRibeiro


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