Marco Ozzetti
Ná Ozzetti e Marco Ozzetti unem música, poesia e afeto em novo EP – “Música na Poesia” reúne canções de Marco Ozzetti e Simone Bacelar em interpretações de Ná.
No dia 25 de fevereiro de 2026, a cantora Ná Ozzetti lançou o EP “Música na Poesia – Canções de Marco Ozzetti e Simone Bacelar”, reunindo quatro canções inéditas que nascem do encontro entre poesia e música, em um projeto marcado pela intimidade criativa, pela escuta atenta e pela força da canção brasileira contemporânea. O ponto de partida do projeto remonta a setembro de 2022, quando o músico e compositor Marco Ozzetti decidiu se dedicar à criação de canções autorais de forma experimental, gravadas em processo simples e caseiro. Motivado pelo desejo de registrar e compartilhar essas experiências, Marco criou seu canal no YouTube, onde passou a publicar as composições.
Ainda em 2022, Marco iniciou a parceria com a poeta soteropolitana Simone Bacelar, após ler um poema seu nas redes sociais. A identificação foi imediata e resultou na canção “Lugar Algum”, primeira colaboração da dupla. A partir desse encontro, consolidou-se um vínculo de amizade, confiança mútua e afinidade artística, do qual surgiram outras canções, sempre unindo as melodias de Marco à força imagética e sensível dos poemas de Simone.
As gravações publicadas no YouTube despertaram o interesse dos ouvintes — entre eles, Ná Ozzetti, que se encantou com o repertório e propôs gravar algumas das músicas do irmão. Curiosamente, ao escolher as canções para o EP, Ná percebeu que as quatro selecionadas coincidiam com as mais acessadas do canal, todas parcerias de Marco Ozzetti com Simone Bacelar. Dessa convergência nasceu também o nome do trabalho: “Música na Poesia” — Ná Ozzetti cantando canções de Marco Ozzetti e Simone Bacelar.
O álbum celebra a parceria artística entre os irmãos Ná e Marco Ozzetti, que se reencontram em estúdio para dar nova dimensão a canções que já carregavam, em sua origem, a força do encontro entre palavra e som. Marco assina as composições, os arranjos de cordas e as gravações de violões e cavaquinho, enquanto Ná imprime sua interpretação precisa, sensível e madura às canções.
O EP foi concebido de forma coletiva, com colaborações da percussionista Thata Ozzetti, responsável pela criação e gravação das levadas rítmicas, e do baixista Xantilee Jesus. O disco conta ainda com participações especiais de Mário Manga, na concepção e performance de violoncelo em “Lugar Algum”; Fernando Sagawa, na concepção e performance do naipe de saxofones em “Sou Estações”; e Luana Ozzetti, que participa com a cuíca em “Dividi com Você”.
A produção musical é assinada por Dante Ozzetti, com participações diretas de Marco e Ná, reforçando o caráter familiar e colaborativo do projeto. As gravações aconteceram no Estúdio 185, com engenharia de som de Marcos Mendonça, e a mixagem e masterização ficaram a cargo de Jonas Tatit, no Estúdio Pratápolis (SP). A arte da capa é de André Salerno, com fotos de Vange Milliet, e a distribuição digital é realizada pela Tratore.
Em “Música na Poesia”, o percurso das canções — do experimento caseiro à gravação em estúdio — revela um trabalho que valoriza o processo, o afeto e a escuta profunda. Um EP que reafirma a trajetória de Ná Ozzetti como uma das grandes intérpretes da música brasileira e evidencia a potência criativa de Marco Ozzetti como compositor, unidos pela poesia de Simone Bacelar e pelo laço familiar que atravessa toda a obra.
Segue abaixo entrevista exclusiva com Marco Ozzetti para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 16/03/2026:
01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?
Marco Ozzetti: Nasci no dia 24/07/1954 em São Paulo – SP.
02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.
Marco Ozzetti: Meu primeiro contato com a música posso dizer que foi pelo rádio, ouvidos atentos principalmente às melodias, que sempre me emocionaram, independente das letras, pois muitas eram em outras línguas, mais comum a inglesa. A vontade de tocar veio muito antes de compor, acompanhando as primeiras investidas musicais de meu irmão Dante Ozzetti, que desde cedo já compunha para festivais da escola.
03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?
Marco Ozzetti: Minha formação superior é em Arquitetura e Urbanismo. Formação musical autodidata.
04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?
Marco Ozzetti: Minhas influências musicais vem dos Festivais de MPB dos anos 60 e do Rock progressivo dos anos 70, pela fusão do rock com a música erudita (Mutantes, Yes, Genesis, entre outros). Atualmente, o Choro brasileiro é o que mais me influencia.
05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?
Marco Ozzetti: Comecei nos anos 70 tocando guitarra base em bandas de Rock. Mais tarde tocando cavaquinho base em formações de Choro.
06) RM: Quantos álbuns lançados?
Marco Ozzetti: O meu primeiro álbum é o EP – Música na Poesia, em parceria com a poeta soteropolitana Simone Bacelar, na voz de minha irmã Ná Ozzetti, que foi lançado nas plataformas digitais no dia 25/02/2026. Antes disso, eu havia participado das gravações do disco do rockeiro Cornélius Lúcifer, em 1976, como integrante da banda Santa Fé.
FICHA TÉCNICA do EP – Música na Poesia:
1 – as bençãos de oxalá (Marco Ozzetti e Simone Bacelar)
Violões e cavaquinho – Marco Ozzetti
Baixo – Xantilee Jesus
Percussão – Thata Ozzetti
Voz, coro e pad – Ná Ozzetti
2 – dividi com você (Marco Ozzetti e Simone Bacelar)
Violões – Marco Ozzetti
Baixo – Xantilee Jesus
Percussão – Thata Ozzetti
Voz – Ná Ozzetti
Participação especial – Luana Ozzetti – cuica
3 – lugar algum (Marco Ozzetti e Simone Bacelar)
Violões – Marco Ozzetti
Baixo – Xantilee Jesus
Percussão – Thata Ozzetti
Voz e coro – Ná Ozzetti
Participação especial – Mário Manga – violoncelo
4 – sou estações (Marco Ozzetti e Simone Bacelar)
Violões – Marco Ozzetti
Baixo – Xantilee Jesus
Percussão – Thata Ozzetti
Voz e coro – Ná Ozzetti
Participação especial _ Fernando Sagawa – naipe saxofone
Fotos: Vange Milliet
Arte da capa: André Salerno
A produção musical: Dante Ozzetti, com participações de Marco e Ná
As gravações foram realizadas no Estúdio 185 por Marcos Mendonça
Mixagem e masterização por Jonas Tatit no Estúdio Pratápolis – SP
Capa: André Salerno
Distribuição digital: Tratore
07) RM: Como você define seu estilo musical?
Marco Ozzetti: Meu estilo musical é eclético, com todas as influências citadas anteriormente, mas com perfil bem intuitivo.
08) RM: Você estudou técnica vocal?
Marco Ozzetti: Não estudei técnica vocal por não ser meu objetivo principal o de cantor, mas tenho boa afinação, suficiente para gravar e publicar minhas composições, de modo caseiro, em meu canal do Youtube, além de dar conta do recado quando me apresento ao vivo.
09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?
Marco Ozzetti: Considero importantíssimo o estudo de técnica vocal, tanto para música, como para o teatro, e demais atividades cuja comunicação se dê pela voz.
10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?
Marco Ozzetti: São várias cantoras, mas vou citar apenas algumas, como Na Ozzetti, pela amplitude da voz, técnica e versatilidade, Roberta Sá, pelo timbre de voz e fidelidade musical, e também Patricia Bastos e Mariana Furquim pela busca por um repertório próprio, autêntico e de perfeito encaixe para cada perfil vocal. Mas há muitas outras que admiro. Como cantor, o impecável para mim é Caetano Veloso.
11) RM: Como é seu processo de compor?
Marco Ozzetti: Meu processo de compor é por inspiração e arranjos intuitivos, não convencionais. Um método prático empírico, uma vez que sou autodidata. Geralmente quando a letra também é minha, a melodia vem primeiro. Mas quando a letra é em parceria, como os poemas da poeta soteropolitana Simone Bacelar, com quem tenho mais canções, entre outras, a leitura do poema me provoca inspiração para um determinado caminho a seguir, e assim vou compondo a melodia.
12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?
Marco Ozzetti: Então, não tenho parceiros fixos de composição. O que ocorre é de eu ter inspiração melódicas ao ler algum poema, sempre de poetas mulheres, posso dizer assim. Mas isso não impede de eu constituir parcerias com outros músicos, por afinidade musical, como meu irmão Dante Ozzetti (músico/compositor/arranjador e produtor), minha filha Mariana Furquim (cantora), minha ex companheira Lena Wild (atriz/musicista) ou meu amigo guitarrista Tony Babalu. Estão em meus planos.
13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?
Marco Ozzetti: Ser músico independente é sempre um desafio, mas menos no sentido de se lançar, e muito mais no sentido de alcançar visibilidade, pela própria lógica de mercado capitalista. Isso porque hoje qualquer músico pode gravar em estúdio e lançar suas músicas, com pouca burocracia, porém o alcance de público é o xis da questão, às vezes desgastante e muitas vezes desanimador.
14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?
Marco Ozzetti: Minhas pretensões não são de artista de palco, embora também seja sonho antigo. No momento meu empenho e dedicação e interesse como artista é o de divulgar meu trabalho autoral, e dar sequência ao meu projeto de musicar poemas inspiradores.
15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?
Marco Ozzetti: Para o meu processo atual a sequência é: compor, gravar primeiro em processo solo e caseiro, publicar no canal do Youtube, esperar e analisar repercussão, escolher repertório e músicos para elaboração de novos arranjos, gravar em estúdio profissional, e lançar por uma distribuidora de música independente. Essa tem sido minha prática empreendedora para esse meu primeiro projeto.
16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?
Marco Ozzetti: A internet ajuda no sentido de que passou a ser a única forma possível de divulgar qualquer ação, qualquer trabalho. Porém, por conta disso, a concorrência também é enorme e assustadora, e o alcance maior ou menor fica por conta dos algoritmos, condicionados às vezes à um alto investimento persistente, dependendo de onde se quer chegar. Mas o maior desafio hoje, para qualquer segmento artístico é a introdução da chamada Inteligência Artificial (IA) com a criação de programas que promovem a facilitação de processos sem a qualidade artística proveniente de quem estuda, se inspira, se emociona e se dedica. É um baita desafio não só aos artistas, mas aos rumos apontados para o futuro.
17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?
Marco Ozzetti: Acho que o acesso à tecnologia para produção em home studio muito positiva, pois permite um processo de composição bem mais estudada e finalizada, no tempo certo, com toda a calma e tranquilidade necessária para se chegar ao produto desejado. E como arquiteto aprecio muito essa forma de trabalhar.
Porém a qualidade sonora de mixagem e masterização vai depender sempre do investimento aplicado e do conhecimento técnico, sendo às vezes, ou quase sempre, necessário recorrer à um estúdio profissional melhor equipado e conduzido, para se chegar ao ideal. O meu caso é mais simples. Tenho apenas um espaço em casa com poucos recursos técnicos, mas suficientes para eu registrar minhas composições com qualidade suficiente para inseri-las no meu canal do youtube, e partir para um estúdio profissional quando quer gravar em definitivo para publicar nas plataformas.
18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?
Marco Ozzetti: Isso é verdade. Mas o principal nem acredito que seja a procura por diferenciar-me musicalmente de um certo nicho, mas fazer o que é verdadeiro, o que me inspira fazê-lo, do meu modo empírico e eclético, e crer que por si só coisas boas vão acontecendo, de forma espontânea, e sem pressa.
19) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Marco Ozzetti: A Música Popular Brasileira, pela própria riqueza intrínseca, está sempre em movimento, e o que fica para sempre é o que foi feito com dedicação e qualidade. Tanto que artistas que lançaram tendências importantes no passado, se vivos, continuam compondo preciosidades em novos campos harmônicos. Assim sendo, não creio que a música brasileira apresente regressões. Às vezes quem provoca essa sensação é a mídia focada no sucesso mediato, com interesse mais na quantidade do que na qualidade. Estou fora disso.
20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em abiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?
Marco Ozzetti: Minha carreira musical, apesar da idade, é muito curta para a ocorrência de eventos inusitados expressivos. Só o que consigo me lembrar é positivo, de eu estar nervosíssimo, pensar ter errado tudo ou bastante, mas ser surpreendido até hoje com dizeres de que mandei bem (risos). Mas ainda haverá de surgir momentos curiosos, com certeza.
21) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?
Marco Ozzetti: O que me deixa mais feliz é estar realizando algo que eu nem imaginava, com parcerias tão importantes para mim. O que me deixa só um pouco triste é não ter descoberto essa possibilidade antes.
22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?
Marco Ozzetti: Sim, eu acredito em dom musical, vindo talvez de uma ancestralidade. Mas acredito também na força de vontade. De vencer barreiras e tornar-se um grande musicista. Se as duas coisas andam juntas então o sabor é especial.
23) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?
Marco Ozzetti: Tem a improvisação em tempo real, aquela de músicos experientes, com técnica proveniente de estudos e conhecimento teórico e prático, como vemos muito no jazz, no rock, no blues e no choro, como exemplos. Mas também tem outro tipo de improvisação que considero. que é a introdução de notas, acordes e riffs que acrescentam riqueza melódica à composição.
24) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?
Marco Ozzetti: Como eu disse anteriormente, começa estudado, mas com o tempo alguns músicos passam a criar algo inusitado, embora decorrente da prática acumulada.
25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?
Marco Ozzetti: Não creio que haja contras, porque é sempre cada vez mais enriquecedor, conforme os estudos avançam.
26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?
Marco Ozzetti: Com jabá é certo que tocarão, e na maioria das vezes infelizmente, porque a qualidade nem sempre é critério nesses casos. Tem artistas que já não precisam mais, ou até nunca precisaram, porque seu trabalho é sólido e culturalmente reconhecido. Para quem estréia, vai depender do objetivo. Eu nunca me submeteria a isso. Prefiro ficar no meu tranquilo anonimato, com a consciência tranquila. Vai de cada um.
27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?
Marco Ozzetti: Faça seu plano, baseado no que você tem de melhor, coloque fé, empenho, energia e dedicação. É o básico. Não há cartilha honesta para o sucesso além do principal, sua capacidade.
28) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?
Marco Ozzetti: Muito ruim. Só se divulga o que vem pronto, com muito dinheiro investido. Há sempre uma intenção por trás e quase sempre a critério e ditames dos patrocinadores. Ainda bem que não existe só a grande mídia.
29) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?
Marco Ozzetti: Costuma-se dizer, e com total propriedade, de que são esses os verdadeiros impulsionadores da cultura, por criarem oportunidades, com critério artístico, atenção, bons cachês. São exemplos de boa gestão.
30) RM: Quais seus projetos futuros?
Marco Ozzetti: Acompanhar os resultados e repercussão desse primeiro trabalho, e continuar compondo nos mesmos moldes e objetivos, acrescentando talvez parcerias com outros músicos, e gravar ainda este ano um novo disco com mais inéditas.
31) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?
Marco Ozzetti: [email protected] | https://www.instagram.com/marcoozzetti | https://tratore.ffm.to/musicanapoesia
Canal: www.youtube.com/@marcoozzetti2973


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