Luiz do grupo Violeiros de Diadema
O grupo Violeiros de Diadema surgiu numa oficina para o aprendizado da Viola Caipira. Oficina inserida em um dos vários Pontos de Cultura do município de Diadema, o Ponto de Cultura do Urbano ao Rural: A Reconstrução de Práticas Culturais Adormecidas.
O projeto busca através da música caipira de raiz e tradicional, resgatar as práticas culturais ligadas as raízes rurais, à moda de viola, à terra, ao sertão, que se encontram submersas no imaginário individual e coletivo da população urbana.
Hoje, o grupo Violeiros de Diadema possui 16 integrantes, já tendo participado de várias atividades culturais do município de Diadema, região do ABC, São Paulo capital e interior com repertório que busca manter viva a música sertaneja e a bela obra do povo interiorano.
Segue abaixo entrevista exclusiva com Luiz do grupo Violeiros de Diadema para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 23/03/2026:
01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?
Luiz: Nasci no dia 30/03/1956 em Belo Horizonte – MG. Registrado como Luiz Hermínio Puntel de Oliveira.
02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.
Luiz: Meu pai, que tocava violino sempre reunia uma turma de chorões lá em casa. Eram violonistas, cantadores de samba, bossa nova, choro e tantas outras maravilhas brasileiras.
03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?
Luiz: Sou arquiteto formado desde 1983 pela Universidade Braz Cubas de Mogi das Cruzes (SP). Quanto a formação musical sou autodidata, pois não tive a orientação formal de um professor. Sempre fui observador e auto aplicava exercícios com base nas minas observações.
04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?
Luiz: Fui muito influenciado em minha adolescência pelo Rock mundial. Mais tarde conheci, através do meu pai os grandes autores e compositores nacionais antigos como: Noel Rosa, Pixinguinha, Lamartine Babo, Tom Jobim, Luiz Gonzaga entre muitos outros.
Mais adiante, já por conta própria tive contato com Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Milton Nascimento e o Clube da Esquina, Djavan, Chico César e tantos outros que aprendi a admirar e que gostava de reproduzir suas belas canções ao violão.
Acredito que aquela turma da Jovem Guarda, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléia, Roni Von, Wilson Simonal, etc deixaram, para mim de terem importância.
05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?
Luiz: Não considero que tive uma carreira musical, porém acredito que com pequenas e modestas participações em grupos musicais, minha vida passou a ter um propósito, um sentido mais visível e palpável pois sempre admirei a vida de um profissional da área musical.
O grupo Violeiros de Diadema surgiu em abril de 2011 numa oficina para o aprendizado da viola caipira. Oficina inserida em um dos vários Pontos de Cultura do município de Diadema, o Ponto de Cultura do Urbano ao Rural: A Reconstrução de Práticas Culturais Adormecidas. Com sede de ensaios e encontros o Centro de Memória de Diadema, localizado a Avenida Alda, 255 / 277 – Centro Diadema.
06) RM: Quantos álbuns lançados?
Luiz: Lançar um álbum é sonho ainda não realizado. No entanto tenho gravações realizadas ao vivo e em estúdio e uma gravação feita com um grupo no Teatro Clara Nunes – Centro Cultural Diadema que resultou na produção de um DVD.
07) RM: Como você se define como Violeiro?
Luiz: Um músico mediano, consciente que tenho muito a aprender. A viola caipira é um instrumento muito dinâmico e versátil. Considero o que me proporcionou uma boa base de aprendizado da viola caipira foi o violão que conheci desde menino.
08) RM: Quais afinações você usa na Viola?
Luiz: Apenas uma – a afinação aberta Cebolão Mi (E). Penso que precisaria de mais tempo, em vida para conhecer e desenvolver aprendizado sobre tantas afinações existentes (risos).
09) RM: Quais as principais técnicas o violeiro tem que conhecer?
Luiz: Os ritmos, que são a base da música caipira (mão direita) e saber executar os ponteados e “pinicados” (mão esquerda) que dão todo o “molho”, toda a beleza e magia que o instrumento proporciona. Agora, em se tratando de música a viola pode estar em qualquer lugar, desde que a música seja de boa qualidade e aceite seus encantos.
10) RM: Quais os violeiros que você admira?
Luiz: São vários: conheci em primeiro lugar Almir Sater na década de 70, depois vieram tantos outros – Goiano, Tião Carreiro, Paulo Freire, Ivan Vilela, Chico Lobo, Bilora, Bambico, Arnaldo Freitas e mais recentemente Lyan, um jovem fenômeno que faz dupla com seu irmão Mick. São muitos. Brasil – celeiro de grandes músicos.
11) RM: Como é seu processo de compor?
Luiz: Tenho poucas composições e essas são instrumentais que fiz com a viola caipira.
12) RM: Quais as principais diferenças técnicas entre a Viola e o Violão?
Luiz: Vejo que, a Viola caipira sendo um instrumento com afinação aberta ela se torna muito dinâmico e versátil nas tonalidades que se aplica. No nosso caso a afinação aberta em E maior. E também sendo um instrumento de 10 cordas de aço a viola ganha muito na sonoridade.
13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?
Luiz: Atualmente não penso em desenvolver uma carreira musical propriamente. Pretendo manter o grupo Violeiros de Diadema e seguir até onde for possível e é claro Deus nos permitir.
14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?
Luiz: Com o grupo Violeiros de Diadema temos como rotina nos encontrar todas as quartas feiras para o nosso ensaio semanal. Esses ensaios são em geral formação de repertório, músicas do universo caipira tradicional.
Eventualmente fazemos instrumentais objetivando extrair toda a sonoridade pureza da viola caipira. No palco procuramos nos comportar como “orquestra” explorando não só a sonoridade musical, mas também os vocais, o posicionamento do grupo tentando obter um visual atraente à visão do público presente considerando nosso uniforme e os instrumentos.
15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?
Luiz: Somos os nossos próprios empresários. Atualmente gerenciamos nossa agenda anual com base nas festividades municipais aqui na cidade de Diadema. Na ocasião das festas juninas surgem algumas oportunidades de participação em todo o território. Já tendo sido convidados a compor a agenda em outros municípios.
16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?
Luiz: As redes sociais nos proporcionam visibilidade e anúncio de nos agenda. E também nos auxilia a recorrer a estudos de repertório e estudos para aprimorar técnicas de execução.
17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?
Luiz: Vejo como vantagem o recurso de gravar músicas em Home estúdio e conseguir com isso corrigir erros de execução por exemplo: ajustar instrumentos e vozes. E também para a divulgação do trabalho do grupo.
18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?
Luiz: Isso não nos traz uma preocupação efetiva. Tendo sido o resultado da gravação do nosso gosto e apresso já considero uma vitória.
19) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja pop. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?
Luiz: A música sertaneja, seja ela tradicional ou não, evoluiu com a tecnologia. Duplas sertanejas se reformularam e fazem hoje grandes apresentações com arenas lotadas. Permaneceram: Chitãozinho e Xororó, Zezé de Camargo e Luciano, Bruno e Marrone, Jorge e Matheus, Fernando e Sorocaba e outras tantas duplas sem esquecermos das duplas femininas: Maiara e Maraisa, Irmãs Barbosa. No passado As Galvão, As Marcianas.
20) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?
Luiz: Feliz com a reação do público pois essas canções trazem para muitos, recordações de tempos distantes e aí as lágrimas correm e nós podemos observar tudo isso ao vivo e a cores. É emocionante!!! Não tem preço. Um ponto negativo que observo é que nem sempre somos bem atendidos na preparação de palco com relação ao som e com isso todo o nosso empenho nos ensaios preparando o melhor do repertório fica, nesses casos prejudicados.
21) RM: Quais os outros instrumentos musicais que você toca?
Luiz: Além da viola caipira, o violão. Gosto muito de percussão, Cajon e todos aqueles “badulaques” que fazem efeitos lindos como pratos, chocalhos, caxixis, apitos de vocalização de pássaros, etc.
22) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja Caipira/Raiz. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Luiz: Alguns artistas se mantiveram fiéis, outros mesmo fazendo música mais moderna sempre recorrem a velha, boa e tradicional música caipira raiz. Parece ser, por parte destes últimos uma obrigação conhecer alguns clássicos da real música caipira tradicional. O público exige!
23) RM: Quais os vícios técnicos o violeiro deve evitar?
Luiz: Com a prática e contato com o violão, eu criei o costume de tocar com a palheta. Fui para a viola e levei esse costume e esse é um vício a ser evitado para que quer tocar viola caipira. Com o uso da dedeira na viola caipira a mão direita ganha um aliado forte que é o dedo indicador que fica livre para executar o chamado “cavalo” nos primeiros pares das cordas da viola possibilitando um dedilhado tradicional.
24) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?
Luiz: Convicção em primeiro lugar. A pessoa tem de estar segura de si dessa decisão.
25) RM: Existe o Dom musical? Qual a sua definição de Dom musical?
Luiz: Acredito que haja uma facilidade, uma predisposição, mas que deve ser desenvolvida com treinamento, estudo frequente e dedicação.
26) RM: Qual a sua definição de Improvisação?
Luiz: Acredito que da mesma forma do dom musical a improvisação pode ser desenvolvida com treinamento frequente e dedicação.
27) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?
Luiz: Acredito que da mesma forma do dom musical a improvisação pode ser desenvolvida com treinamento frequente e dedicação.
28) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?
Luiz: Estar seguro no que tem a fazer é fundamental, as variações de tonalidades, harmonias, arranjos, solos combinando e alternando. É prática.
29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário musical brasileiro?
Luiz: Penso que o interesse comercial grita mais forte, formando opinião de nomes de talento muitas vezes duvidosos. É inegável que no Brasil sempre haverá talentos emergentes de grande valor, mas que não recebem a cobertura que merecem da grande mídia.
30) RM: Qual a importância de espaço como SESC, Itaú Cultural, Caixa Cultural, Banco do Brasil Cultural para a música brasileira?
Luiz: Espaços de importância imensa tendo em vista a visibilidade que entregam aos artistas que nesses lugares se apresentam. No entanto penso que todos os espaços culturais disponíveis devem ser ocupados.
31) RM: Quais os seus projetos futuros?
Luiz: Quanto ao futuro penso em continuar os estudos da viola e do violão, manter ativo o grupo Violeiros de Diadema, ampliando nosso repertório bem como seguindo em aprimorar tecnicamente e individualmente os membros do grupo para atingirmos uma performance que se aproxima de uma orquestra de violas o que ainda não somos.
Individualmente tenho em mente ingressar no grupo de louvor da igreja que congrego com a viola e violão. As canções são lindas e as possibilidades de enriquecê-las tanto com a viola como no violão são grandes.
32) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?
Luiz: https://www.instagram.com/violeirosdediademaoficial
Canal: https://www.youtube.com/@rosecorrea983


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