Fred Vilela
Fred Vilela é músico, violonista, violeiro e cantor, com ampla experiência em apresentações ao vivo, atuando em eventos culturais, festivais, barzinhos e projetos musicais diversos. Seu trabalho transita entre o instrumental e o acompanhamento de artistas, sempre valorizando a musicalidade, a sensibilidade e a conexão com o público.
Ao longo de sua trajetória, participou de diversos grupos musicais de diferentes vertentes, atuando como instrumentista em contrabaixo, violão de 7 cordas, guitarra e viola caipira. Essa versatilidade permite que Fred transite com naturalidade entre a música popular brasileira, a cultura regional e projetos contemporâneos.
Em 2016, atuou como regente no Encontro de Corais de São Francisco Xavier, evento que celebrou a força da música coral como expressão coletiva, cultural e comunitária, promovendo intercâmbio artístico e valorização da música como linguagem universal.
Como violeiro, participou de festivais de música caipira, destacando-se na viola de 10 cordas e reforçando seu compromisso com a preservação e valorização da cultura popular brasileira.
É integrante do grupo Fuá Rabecado, coletivo musical originário de São José dos Campos, dedicado à pesquisa e execução de ritmos da cultura popular brasileira, com destaque para manifestações como Folia de Reis, Jongo e Quadrilha Caipira. No grupo, atua como instrumentista e vocalista, performando com viola caipira e violão de 7 cordas em apresentações marcadas pela interação e energia cultural.
Também participou de apresentações com o grupo Bonecões da Mantiqueira, além de integrar projetos como o Festival de Música (MUAU) na cidade de Jacareí, onde atuou como guitarrista. Sua trajetória inclui ainda participações em blocos de carnaval e festas populares em São Francisco Xavier, reforçando sua forte ligação com a cultura regional.
Fred Vilela constrói sua carreira com consistência, versatilidade e respeito às raízes da música brasileira, mantendo uma atuação sólida tanto como instrumentista quanto como intérprete.
Segue abaixo entrevista exclusiva com Fred Vilela para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 11/03/2026:
01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?
Fred Vilela: Nasci em 27/09/1986 em São José dos Campos – SP. Registrado como Frederico Dagoberto Vilela Vitor de Araujo.
02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.
Fred Vilela: Meu primeiro contato com a música foi quando eu tinha nove anos de idade, meu padrasto (Paulo) tinha um violão e tentava tocar. A primeira música que toquei no violão foi “Pra não dizer que não falei das Flores” de Geraldo Vandré (música que quase todos aprendem a tocar primeiramente no violão).
03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?
Fred Vilela: Na área musical não tenho formação acadêmica completa até o momento, mas já iniciei os estudos na faculdade UNIMES de Licenciatura Plena em Música, fiz parte do Coro Jovem Sinfônico de São José dos Campos – SP em 2010 – 2011. Fora da área musical fiz curso técnico de Turismo pelo SEPHAS, Auxiliar Administrativo pela FUNDHAS e posteriormente curso de Agente Socioambiental.
04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?
Fred Vilela: Minhas influências musicais permanecem desde o passado até o presente, pois foi o que me formaram como músico, porém tive fases em que ouvia mais um estilo que outro, por exemplo: da infância à adolescência ouvia bastante sertanejo e moda de viola; da adolescência até o início da vida adulta ouvia bastante Pop Rock nacional; quando adulto passei a ouvir mais MPB e músicas instrumentais.
05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?
Fred Vilela: O início da minha carreira musical se deu por volta dos 16 anos de idade em São Francisco Xavier, numa apresentação “improvisada” em um botequim, onde tive que emprestar todos os equipamentos, inclusive o violão rs. Posteriormente, entre 17 e 18 anos, ingressei em um grupo chamado Cultura em Resgate, que tocava músicas regionais, MPB, Samba, etc.
06) RM: Quantos álbuns lançados?
Fred Vilela: Álbum solo não lancei até o momento, mas fiz participações em álbuns de outros artistas como: Fuá Rabecado, com o show Fuá Caipira e o álbum Fluir de Gilson Bambuíra, entre outros.
07) RM: Como você se define como Violeiro?
Fred Vilela: Ser violeiro não é apenas tocar um instrumento. É carregar uma tradição que atravessa gerações e permanece atual. A Viola Caipira não é só som, é identidade, cultura e memória coletiva. Ser violeiro é respeitar a história que veio antes e, ao mesmo tempo, ter coragem de colocar a própria marca na música. É disciplina, estudo, prática e compromisso com a verdade do que se toca. Não vejo a viola como algo místico, mas como uma linguagem e, como toda linguagem, ela comunica vivências, valores e histórias. É escolher falar através das cordas, com simplicidade e autenticidade.
08) RM: Quais afinações você usa na Viola?
Fred Vilela: Majoritariamente, utilizo Cebolão em Ré (Ré, Lá, Fá#, Ré, Lá) e Mi (Mi, Si, Sol#, Mi, Si). Eventualmente, afinação Rio Abaixo (Sol, Ré, Sol, Si, Ré).
09) RM: Quais as principais técnicas o violeiro tem que conhecer?
Fred Vilela: O violeiro deve se ater à muitas técnicas, mas como principais: domínio de alguns ritmos de acompanhamento (Cururu, Cateretê, Toada, Pagode…), firmeza e independência da mão direita, controle de dinâmica intencional (tocar forte ou fraco), precisão nos ponteios.
10) RM: Quais os violeiros que você admira?
Fred Vilela: O Rei do Pagode, Tião Carreiro, mas admiro alguns outros também: Goiano da dupla Goiano e Paranaense, Marcos Biancardini, Paulo Freire (violeiro), Almir Sater. E atualmente, temos o excelente violeiro, Lyan, que faz dupla com Mayck. Difícil falar só de alguns (risos).
11) RM: Como é seu processo de compor?
Fred Vilela: Não componho há muito tempo, mas as vezes que o fiz trabalhava em cima de uma ideia melódica, escrevia sobre algum acontecimento do cotidiano ou alguma palavra / tema que fizesse sentido no momento.
12) RM: Quais as principais diferenças técnicas entre a Viola e o Violão?
Fred Vilela: As diferenças começam na estrutura dos instrumentos, disposição e quantidade de cordas, Viola têm cordas emparelhadas e Violão têm cordas individuais, afinação e maneira de tocar (mão direita e mão esquerda), essas são algumas das principais diferenças.
13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?
Fred Vilela: Os prós: maior liberdade artística, autonomia nas decisões de repertório e questões financeiras, proximidade com o público. Contras: alta responsabilidade, investimento próprio, por vezes a sobrecarga emocional e física.
14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?
Fred Vilela: Planejo minha carreira com foco em consistência. No palco, invisto em técnica, repertório bem escolhido e identidade musical definida. Fora dele, trabalho organização financeira, posicionamento profissional e networking. Encaro a música não só como arte, mas como gestão e estratégia de longo prazo.
15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira
Fred Vilela: Divulgação nas redes sociais, parcerias com outros músicos e produtores, busco constante aperfeiçoamento técnico.
16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?
Fred Vilela: A internet amplia a visibilidade e facilita a divulgação do meu trabalho, alcançar novas pessoas e criar oportunidades sem depender de intermediários, por outro lado, aumenta a concorrência, comparações constantes e exigência de produção de conteúdos frequentes.
17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?
Fred Vilela: Não há desvantagens do Home estúdio para os profissionais músicos, pois o serviço acaba sendo barateado comparado à grandes estúdios. Entretanto, para os produtores musicais, há uma diminuição na procura por esses serviços.
18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?
Fred Vilela: Para me diferenciar no meu nicho, eu foco em identidade musical bem definida, qualidade técnica e autenticidade. Procuro manter consistência no repertório, investir na performance ao vivo e construir uma conexão verdadeira com o público. Em um mercado competitivo, acredito que personalidade, constância e profissionalismo fazem a diferença.
19) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja pop? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?
Fred Vilela: Tratando-se da música Sertaneja Pop, posso citar como revelações das últimas décadas Jorge e Mateus, que mantêm uma carreira de 20 anos, Eduardo Costa, Gusttavo Lima, e evoluindo, cito João Gomes.
20) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?
Fred Vilela: Deixa-me feliz ser reconhecido como músico profissional, sendo capaz de desenvolver trabalhos em vários aspectos. Em contrapartida, me deixa triste saber que a profissão do músico ainda é muito mal vista, e por vezes, desvalorizada.
21) RM: Quais os outros instrumentos musicais que você toca?
Fred Vilela: Além da Viola Caipira, toco Violão de 7 cordas, contrabaixo, cavaquinho, guitarra, percuteria em geral.
22) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja Caipira/Raiz. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Fred Vilela: No cenário da música Sertaneja Caipira/ Raiz, cito duas grandes revelações das últimas duas décadas, Mayck e Lyan, Bruna Viola, Lucas Reis e Tássio.
23) RM: Quais os vícios técnicos o violeiro deve evitar?
Fred Vilela: Existem alguns vícios que devem ser evitados, como: falta de clareza na execução musical, tanto ponteio quanto arranjo base; falta de firmeza para executar os ritmos; displicência com o tempo da música (entradas, finalizações e pausas).
24) RM: Quais os erros no ensino da Viola?
Fred Vilela: Iniciar o aprendizado (principalmente para iniciantes) sem o mínimo embasamento teórico simples de acordo com o grau de entendimento do aluno; supor que o aluno entenda o que o foi dito. O estudo da música é como estudar para qualquer outra área e deve-se ter preocupação com a didática, usando exemplos do cotidiano fazendo analogias, para que seja elucidado o que está sendo ensinado.
25) RM: Tocar muitas notas por compasso ajuda ou prejudica a musicalidade?
Fred Vilela: Dependerá do contexto e estilo musical, por exemplo, Chico Buarque (MPB) geralmente são tocadas muitas “notas” por compasso, já na música Sertaneja Raiz, a quantidade de notas por compasso é menor e mais simples, priorizando a letra, melodia principal e arranjo base.
26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?
Fred Vilela: Diria que é um caminho difícil, que exige paciência, constância e muita dedicação. Música é profissão e precisa ser tratada com seriedade: estudo diário, preparo técnico, organização e maturidade emocional. Não é só talento ou palco, é construção de identidade, repertório, rede de contatos e entendimento do mercado. Quem decide seguir precisa estar disposto a evoluir sempre e permanecer firme, mesmo quando os resultados demoram a aparecer.
27) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?
Fred Vilela: Um dos principais erros é focar só na técnica e esquecer a musicalidade e a escuta. Outro é usar um método engessado, sem considerar o perfil e o objetivo do aluno. Também é falha ensinar apenas repetição mecânica, sem explicar o porquê do que está sendo feito. Ensino de música precisa unir teoria, prática, contexto e aplicação real, não só decorar conteúdo.
28) RM: Existe o Dom musical? Qual a sua definição de Dom musical?
Fred Vilela: Acredito que exista uma predisposição, mas dom por si só não sustenta carreira. O dom musical é sensibilidade e percepção aguçada para ritmo, melodia e harmonia, porém ele só se desenvolve de verdade com estudo, prática e disciplina. Sem dedicação, o dom não se transforma em resultado.
29) RM: Qual a sua definição de Improvisação?
Fred Vilela: A improvisação é criar uma ideia musical: fraseado melódico, acordes e rítmica diferente sobre uma ideia pré-concebida.
30) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?
Fred Vilela: Existe a improvisação de fato, porém é necessário ter conhecimento técnico prévio, como: escalas musicais, arpejo, agilidade para perceber o desenho melódico e harmônico para executar o improviso sobre uma forma musical pré-existente.
31) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?
Fred Vilela: Os métodos de improvisação musical ajudam de certa forma a organizar os estudos, dando base técnica e ampliando o vocabulário musical, trazendo segurança na hora de tocar. Entretanto, se forem seguidos de forma engessada, acabam limitando a criatividade, deixando o improviso muito mecânico. O ideal é usar o método como ferramenta, mas sem perder a identidade e a liberdade musical.
32) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?
Fred Vilela: Os métodos de estudo de harmonia são importantes para organizar o conhecimento, pois aprofundam a compreensão dos acordes, progressões e funções harmônicas, dando mais consciência na hora de compor ou tocar. Em contrapartida, pode-se tornar a teoria distante da prática se não tiver aplicabilidade no instrumento. O ideal é equilibrar teoria e prática para que a harmonia realmente faça sentido.
33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário musical brasileiro?
Fred Vilela: A grande mídia costuma dar espaço principalmente ao que já tem apelo comercial e alto alcance, deixando de fora muitos artistas e estilos de grande qualidade, mas com menor visibilidade. Por um lado, isso ajuda a fortalecer o que está em evidência; por outro, limita a diversidade cultural apresentada ao público. Hoje, a internet tem equilibrado um pouco esse cenário, dando voz a produções independentes e regionais.
34) RM: Qual a importância de espaço como SESC, Itaú Cultural, Caixa Cultural, Banco do Brasil Cultural para a música brasileira?
Fred Vilela: Esses espaços têm grande importância no fomento das expressões culturais que não estão presentes na grande mídia, dando espaço às mais variadas expressões de gêneros musicais e/ou artísticas.
35) RM: Quais os seus projetos futuros?
Fred Vilela: São tantos (risos), mas vou elencar alguns: realizar shows focados em música regional e raiz; trabalhos voltados para eventos e afins; fazer um show voltado para o Calango em homenagem ao meu bisavô Ernesto Vilela, calangueiro conhecido no Vale do Paraíba.
36) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?
Fred Vilela: (12) 97814 – 4873 | [email protected] | https://www.instagram.com/fred_vilelaamusico
Canal: https://www.youtube.com/@fredvilela7549


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