More Paulo Brandão »"/>More Paulo Brandão »" /> Paulo Brandão - Revista Ritmo Melodia
Uma Revista criada em 2001 pelo jornalista, músico e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Paulo Brandão

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Em 1981, Paulo Brandão inicia sua carreira de músico profissional como integrante do grupo vocal Céu da Boca.

Atualmente é baixista do instrumental Aquarela Carioca, e, ainda como instrumentista, participou das bandas “Tuna” (com Clara Sandroni), Cão Sem Dono (com Marcos Sacramento) e “Os Maníacos” (com Fabiano Medeiros).

Como produtor musical de CDs atua não só como arranjador, baixista ou violonista, mas, também, como técnico de áudio, já somando mais de quatrocentas produções e trabalhos técnicos.

Dedicou-se à produção e composição de trilhas sonoras, colecionando prêmios pela produção de trilhas para filmes, desenhos animados, programas de rádio e televisão.

Por 12 anos foi o co-diretor musical da Multirio (Empresa Municipal de Multimeios/RJ). Ministra palestras e oficinas sobre produção musical, áudio e produção de trilhas.

Desde 1998 é sócio proprietário do BRand Estúdio, juntamente com a cantora e compositora gaúcha Elizah, aonde realiza a maioria de suas produções.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Paulo Brandão para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 12.12.2023:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Paulo Brandão: Nasci no dia 08 de setembro de 1954 (virginiano) no Rio de Janeiro – RJ. Registrado como Paulo Roberto Brandão Henriques.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Paulo Brandão: A primeira música que me lembro foi “Banana Boat Song” do Harry Belafonte. Minha mãe colocava na vitrola, e eu chorava de me acabar. Umas vozes graves em coro com um reverb longo. Aquilo me emocionava demais. Depois vieram os Beatles e Jimi Hendrix. Aí tudo virou de ponta cabeça.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Paulo Brandão: Minha intenção era a Engenharia Mecânica. Cursei a PUC/RJ. Mas, ao invés de me formar, me deformei. O tempo perdido na faculdade me instigou a responder por meus instintos. Não aguentava ter mais aulas. De nada. Revolta de pós adolescente mesmo.

A música já estava presente. Na música sou praticamente auto didata. Tive só uns seis meses de aula na Pró Arte do Rio, como aluno de Felícia Wang, professora de teoria, e como aluno de violão clássico de Leo Soares.

Depois algumas aulas avulsas de teoria com Bia Paes Leme, Adamo Prince e Isidoro Kutno. Tive umas três aulas de contrabaixo com Zeca Assunção. Foram minhas únicas aulas do instrumento. Eu ia lá mais para vê-lo tocar. Por isso me considero mais auto didata do que formado academicamente.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Paulo Brandão: Eu ouvi de tudo. Acho uma condição determinante para se abraçar a profissão. No início, Beatles e Jimi Hendrix. Um pouco depois, Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal. Fui fundo no progressivo e adoro Gentle Giant e Yes. Depois vieram Gilberto Gil, Tom Jobim, Caetano Veloso. Atualmente ouço muito The Aristocrats.

Mas, na verdade acho que minhas maiores influências sempre foram meus amigos músicos, como Paulo Malaguti Pauleira, Jon Scoville, Juca Filho, Sidon Silva, Alberto Rosenblit, entre muitos outros. Me considero muito afortunado. Influências verdadeiras nunca deixam de ter importância.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Paulo Brandão: Sempre fui de bandas e grupos. Aos 14 anos de idade (1968) entrei para a primeira banda de minha vida, The Cougars. Amigos da minha rua, e tocávamos em bailes pela zona sul do Rio de Janeiro. Chegamos a gravar um compacto simples, estória engraçada.

Um bicheiro nos viu tocando num baile no Clube Monte Líbano e nos convidou para gravar um compacto pelo selo que ele acabara de lançar. O selo chamava-se Orange, provavelmente uma concorrência à Apple dos Beatles.

Aceitamos, mas, havia uma condição: deveríamos gravar uma base para um artista que ele estava lançando, ninguém menos que o famoso roqueiro Serguei, o brasileiro que transou com Janis Joplin nas areias de Saquarema – RJ e, também, fazia sexo com as árvores. Orgulho-me muito disso. Minha primeira entrada num estúdio foi gravando uma base para o Serguei. Página de ouro do meu currículo.

Depois, terminado The Cougars a fissura de tocar não me largava, e, ainda de modo bem alternativo, ingressei na banda Los Panchos que fazia cover nos bailes dos subúrbios do Rio de Janeiro. Músicos maravilhosos, como a deputada Jandira Feghali na bateria (super!!) e seu irmão, Ricardo Feghali, integrante do Roupa Nova. Fiquei um mês e não aguentei.

Na época estudava engenharia mecânica na PUC/RJ. Daí, fui para os Seminários de Música Pró Arte tentar estudar. Ingressei no Coral Pró Arte, regido à época pelo Jacques Morelenbaum. Do coral saiu o grupo vocal Céu da Boca, meu primeiro trabalho profissional. Gravamos dois LPs, um independente e outro pela Polygram. Aí eu considero um começo profissional.

06) RM: Quantos discos lançados? Cite alguns discos que você já participou como contrabaixista?

Paulo Brandão: Caramba, você vai me fazer contar tudo isso. São várias atividades que exerço. Sou baixista, violonista, produtor musical, técnico de áudio e compositor de trilhas.

Em grupos que ingressei foram: Com os Cougars, dois compactos simples. Com o Céu da Boca, dois LPs, com a banda do Cão Sem Dono, um LP, com a cantora Clara Sandroni, dois LPs, com o instrumental Aquarela Carioca quatro projetos.

Como produtor musical eu não tenho a conta fechada, mas, deve estar em torno de uns 200 trabalhos. Na maioria desses trabalhos atuei também como baixista.

07) RM: Você publicou método para contrabaixo?

Paulo Brandão: Nunca.

08) RM: Como é seu processo de composição musical?

Paulo Brandão: Componho quase que exclusivamente para trilhas sonoras. Tenho algumas canções. Mas, o forte mesmo são as trilhas. Adoro trabalhar estimulado pelas imagens.

09) RM: Você compõe melodia para letra?

Paulo Brandão: Quando faço canções a harmonia vem antes. Depois a melodia. Se alguém se aventurar a botar letra, será bem-vindo.

10) Quais são seus principais parceiros de composição?

Paulo Brandão: Meus dois parceiros de letras são Marcelo Sandman, de Curitiba – PB, e Edson Natale, de São Paulo.

11) RM: Como você define seu estilo como contrabaixista?

Paulo Brandão: Sempre admirei os músicos que procuram uma assinatura própria. Tento sempre achar uma forma pessoal de tocar. Às vezes acho meu estilo bem estranho, mas, é o meu jeito, e me dou bem com ele.

Muitas vezes ouço dizer que o meu baixo não é do chão. Chego a admitir que adoro voar. Sempre do meu jeito. Adoro descobrir novas possibilidades sonoras do instrumento. Isso me ajuda a me manter curioso. Aliás, a curiosidade é tudo para a vida artística, não é verdade?

12) RM: Quais as principais técnicas que o baixista deve se dedicar?

Paulo Brandão: Para mim, a melodia é a base. Ela é o grande resumo da música. Tocar melodias no baixo expande muito os horizontes do instrumento.

13) RM: Qual a importância de o baixista equilibrar a função de condução e de solista?

Paulo Brandão: Eu entendo o baixo como um definidor de ambientes, esteja ele na base, ligando partes, ou assumindo melodias ou solos. O equilíbrio de tudo isso está no bom senso e no que pede a música.

14) RM: Quais os principais vícios técnicos ou falta de técnica tem os baixistas alunos e alguns profissionais?

Paulo Brandão: Às vezes tocar demais é um vício de alguns. Como disse, o baixo é um climatizador, um ambientalista. Se for preciso, ir lá para a frente, ele vai, mas, ainda com essa função. Fico meio constrangido quando alguém sai com mil slaps quando a música não pede nenhum.

15) RM: Quais as principais características de um bom baixista?

Paulo Brandão: Ter noção do grupo. Fazer a liga. O sindicato dos baixistas é como se fosse o Itamaratida da música.

16) RM: Quais são os contrabaixistas que você admira?

Paulo Brandão: Caramba. São muitos. Os que mais estudei foram Luizão Maia e Itiberê Zwarg. Acabei me tornando grande amigo de Itiberê. Trabalhamos juntos há mais de vinte anos, mixando todos os trabalhos das Orquestras Família. Outro grande no Brasil foi nossos saudoso Artur Maia.

Adoro Tony Levin, Paul McCartney, Flea, Dino Paladino. Leland Sklar, MeShell. São muitos. E Jaco Pastorius, é claro.

17) RM: Existe uma indicação correta para escolher um contrabaixo de mais de 4 cordas? Quais os gêneros musicais correspondentes a quantidade de cordas do instrumento?

Paulo Brandão: Sou adepto das quatro cordas. Tenho um Music Man de 5 cordas. Acho que a quinta corda ajuda muito em estilos ou situações em que a música necessita se assentar num Si grave. Os de seis já fogem muito do meu jeito. Mas, são muito bem utilizados por quem a eles se dedicam. Há grandes solistas baixistas.

18) RM: Qual a marca de encordoamento da sua preferência? Existe marca ideal para cada gênero musical ou é preferência pessoal?

Paulo Brandão: Acho que é uma preferência pessoal. A corda é parte da personalidade do instrumento. As vezes ele é mais ágil, as vezes mais pesado, mais preguiçoso.

Adoro as GHS 0.40. Mas, de vez em quando é bom testar outras marcas. Sairão outras sonoridades. Isso me interessa.

19) RM: Quais os prós e contras de ser professor?

Paulo Brandão: Às vezes grandes músicos são péssimos professores. O contrário também acontece. Como não dou aula, a resposta ficará para outra ocasião.

20) RM: Quais os prós e contras de ser músico freelancer acompanhando outros artistas?

Paulo Brandão: Estar à disposição da música é um grande pró. Para se abraçar essa vertente de acompanhante é preciso ter todas as ferramentas à mão. Isso é muito bom.

O lado contra, para mim, é ver muitas vezes que o músico abandona ou deixa de desenvolver seu próprio estilo e personalidade. Não é sempre que acontece, mas, já vi acontecer.

Definir um estilo próprio, para mim, é o mais importante. E ser chamado para algum trabalho devido ao seu estilo é a melhor situação.

21) RM: Quais os prós e contras de ser músico de estúdio de gravação. Gravando as linhas de contrabaixo em discos de artistas?

Paulo Brandão: Eu amo o estúdio. A vida em estúdio tem muitos contras, como, horas infindáveis, viradas de noites, etc. Mas, o maior pró é ver uma música ser produzida e se tornar algo que vai emocionar as pessoas de alguma forma. Não tem nada igual. Mais uma vez afirmo, procurar o próprio estilo é o mais importante.

22) RM: Quais bandas que já participou?

Paulo Brandão: The Cougars, Los Panchos, Céu da Boca, Tuna (com Clara Sandroni), Cão Sem Dono, Vagabanda, Os Maníacos e Aquarela Carioca.

23) RM: Quais os prós e contras de tocar em uma única banda?

Paulo Brandão: A vantagem seria desenvolver uma linguagem de maneira profunda. O ruim seria deixar a coisa estagnar por comodidade ou conforto. É preciso estar sempre curioso.

24) RM: Quais principais dificuldades de relacionamento que enfrentou em bandas?

Paulo Brandão: Geralmente os problemas começam quando a disponibilidade diminui. Isso acontece por diversas razões. A vida em grupo traz uma exigência estranha. Você precisa se desenvolver individualmente para que o grupo se mantenha em desenvolvimento.

Quando a renovação ou a curiosidade param, aí os problemas começam a surgir. O velho clichê: a vida em grupo é um casamento. A habilidade de manter o ego em equilíbrio é difícil de ser alcançada. Mas, quando acontece, é pura mágica.

25) RM: Quais os artistas já conhecidos você já acompanhou como músico freelancer?

Paulo Brandão: Sempre fui de grupos. Como freelancer foram poucos. Olivia Byington, Bili Blanco. Fui da banda da Funarte para o projeto Pixingão e acompanhei muitos cantores nessa época, como Sydnie Magal, Jerri Adriani, Marlene, entre muitos outros.

26) RM: Quais principais dificuldades de relacionamento que enfrentou acompanhando artistas já conhecidos?

Paulo Brandão: Com os artistas acredito que nenhum. Mas, com os produtores, várias vezes. Aquarela Carioca gravou com Ney Matogrosso o CD “As Aparências Enganam”, e, no início, foram alguns produtores terríveis. Depois a coisa se acertou e tudo foi maravilhoso.

27) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Paulo Brandão: Fazer música boa e sincera. Estar cercado não só de grandes músicos, mas, principalmente, de grandes seres humanos.

28) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Paulo Brandão: Ter um resultado de excelência em meu trabalho, seja como músico, técnico ou como produtor musical. Acreditar no que faço me leva adiante.

29) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Paulo Brandão: Para mim a Internet tem ajudado. E muto. Não só pela possibilidade de estar em contato com grandes músicos espalhados mundo afora, como na facilidade técnica de desenvolvimento de trabalhos. Talvez o único e grande prejuízo seja em relação aos direitos autorias e conexos que foram engolidos pelas plataformas de streaming.

30) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Paulo Brandão: Tenho dois bons “home estúdios”. Um no Rio de Janeiro e outro em Porto Alegre, aonde moro já há dois anos. O acesso à tecnologia se tornou um ambiente muito saudável para mim. As possibilidades se tornaram infinitas.

A grande desvantagem é que há muito trabalho sendo mal produzido por aí. Isso me dá muito mais trabalho, tendo que focar em recuperar situações ao invés de me concentrar na música, que é o que mais importa.

31) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje grande não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para ser diferencia dentro do seu nicho musical?

Paulo Brandão: Mantenho-me curioso. Isso, associado a um aprofundamento de meus conhecimentos e a manutenção da qualidade dos resultados, vai imprimir um diferencial no que faço, e me impulsiona adiante.

32) RM: Como você analisa o cenário da Música Instrumental Brasileira. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Paulo Brandão: O Brasil é um manancial incrível de músicos maravilhosos. Durante os anos em que exerço a profissão, alguns grupos se sobressaíram aos meus ouvidos.

Talvez o que mais me impressionou foi o choro revolucionário do Tira Poeira, grupo que infelizmente teve uma carreira muito curta. Aqui no Sul admiro muito o Quartcheto, que transforma de várias maneiras a tradição gaúcha.

Fica difícil nomear, pois, pela vastidão de nossa cultura, muitos são os grupos espalhados por aí. Adoro os Irmãos Aniceto do Ceará, A Enxadada do reconcavo baiano, Renato Borghetti do Rio Grande do Sul, o Pau Brasil, Barbatuques e A Barca de São Paulo. Pedro Luis e a Parede do Rio de Janeiro, Grupo Fato, de Curitiba – PB. E tenho o privilégio de integrar o Aquarela Carioca, no RJ. Os que regrediram deve ter sido por falta de crença ou curiosidade.

33) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Paulo Brandão: Nesse Brasilzão as revelações são quase que diárias. Venho de uma geração que teve muita sorte. Os anos 60 e 70 foram muito profícuos, praticamente todos os grandes artistas desse tempo se mantiveram ativos, criativos e inquisidores.

Muitas revelações, como Renato Brás, Gabriel Gezsti, Os Ordinarius, Pedro Luis, Paulo Malaguti Pauleira, Marianna Leporace, Simone Mazzer, Fabiano Medeiros. Muitas.

Em contrapartida, o mercado atual propicia carreiras relâmpago, o que não é bom, trazendo fugacidade à profissão. Por si só isso e uma regressão. A concorrência é grande, mas, é importante que os trabalhos se fixem por seus conteúdos.

34) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado, etc)?

Paulo Brandão: Certa vez. Como monitor do Coral da Shell, fomos cantar em uma refinaria da baixada fluminense e o palco ficava na frente de uma churrasqueira imensa, saímos defumados e engordurados. Há o provérbio do músico: a roubada nunca vem sozinha.

35) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Paulo Brandão: Mais feliz é ver a emoção das pessoas ao ouvir música. Mais triste é ver um músico trabalhando em situações em que ninguém presta atenção nele.

36) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Paulo Brandão: Ser músico é exercer disponibilidade. Para si próprio, para seus companheiros, para seu instrumento. Além de resiliência, ter muito bom humor e muita crença no próprio talento.

37) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Paulo Brandão: Acredito que alguns nascem com o dom, como Jacob Coliier e Mozart. Mas acredito também que não são apenas esses os agraciados com a felicidade de ser músico. O talento pode ser desenvolvido. Basta manter-se curioso e obstinado.

38) RM: Qual seu conceito de Improvisação?

Paulo Brandão: O improviso é uma composição espontânea e imediata. É fruto de desenvolvimento e de uma intimidade com o conceito musical criado por cada um de nós, músicos.

39) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Paulo Brandão: Existe as duas maneiras. O improviso estudado e o improviso espontâneo e instantâneo. Todo processo de composição se inicia sempre como uma improvisação. Depende apenas da forma como esse improviso se desenvolve no tempo.

40) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Paulo Brandão: Temos que estar atentos e críticos a todos os métodos que nos são apresentados. Não que sejam infrutíferos, mas, muitas vezes ditam regras aonde não existe regra.

O uso da liberdade e do instinto serão sempre o nosso primeiro “take”. Analisar regras e caminhos enriquece o nosso vocabulário. Mas, temos que nos livrar delas o mais rápido possível.

41) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Paulo Brandão: Não há nada contra qualquer estudo. Harmonia é o meu xodó. Amo acordes e me guio sempre pelo meu ouvido. Mas, nunca estudei a fundo. Às vezes sinto falta, mas, fico muito feliz quando o instinto se manifesta harmonicamente. Prefiro sempre adotar o método Karl Reuter: questione sempre, tudo.

42) RM: Você toca outros instrumentos?

Paulo Brandão: Não me considero um instrumentista. Houve poucos períodos em minha vida em que eu tenha me dedicado de forma intensa aos instrumentos. A música me atrai pela sua construção.

E, para construí-la preciso de ferramentas. Assim chamo meus instrumentos, cada um com uma personalidade muito distinta, ou seja, o baixo, o violão e o computador. Ah! Também já acordei muitos vizinhos estudando bateria. Mas isso foi num passado remoto.

43) RM: Quais os prós e contras de ser multi-instrumentista?

Paulo Brandão: Não há nenhum contra. Tocar um instrumento é uma via dupla de troca. Quantas mais pessoas eu conhecer, mais vasta será a minha vida. Assim são os instrumentos. Eles ampliam essa vastidão. Eles são a demonstração certeira do provérbio espanhol, que diz: “A vida é curta, mas, é larga”.

44) RM: No passado existia a “dependência” do Baixo tocar “colado” com a célula do ritmo do bumbo da bateria. Quando o Baixo se tornou independente desse conceito?

Paulo Brandão: Com Jaco Pastorius.

45) RM: Quais os compositores da Bossa Nova você admira?

Paulo Brandão: Tom Jobim, Tom Jobim e Tom Jobim. Brincadeira! Sim, Tom é o máximo. Adoro Carlos Lira, Menescal, Johnny Alf. Todos mestres.

46) RM: Quais os compositores do Samba e do Choro você admira?

Paulo Brandão: Paulinho da Viola, Monsueto, Nelson Cavaquinho, Cartola, Radamés, Moacyr Luz, Arlindo, Zeca, Pixinguinha, Jacob do Bandolim. Nossa, que país é esse, né?

47) RM: Quais os compositores da MBP você admira?

Jacob do Bandolim Tom Jobim, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Itamar Assunção, Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti… Nossa, que país é esse, né?

48) RM: Quais os seus projetos futuros?

Paulo Brandão: Me manter curioso e estar com grandes amigos fazendo boa música.

49) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Paulo Brandão: (21) 99769 – 9414 | [email protected]

| https://www.instagram.com/paulobrandbrandao

Canal: https://www.youtube.com/paulobrandao8

DOM DE ACREDITAR – Paulo Malaguti Pauleira & Elizah: https://www.youtube.com/watch?v=XfX0GsvK-Vs

Marianna Leporace Convida Nº 32 – Paulo Brandão: https://www.youtube.com/watch?v=kAI1vHWC_2I

Discografia que participou: https://discografia.discosdobrasil.com.br/musico/37509


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Uma Revista criada em 2001 pelo jornalista, músico e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.