Junior da Violla

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O violeiro Junior da Violla é um dos maiores nomes da viola no Brasil.

Bacharel em música pela FAAM e formado no curso “Cordas Dedilhadas Barrocas” com ênfase em viola pela EMESP possui mais de vinte e cinco anos de carreira profissional como concertista e professor de viola, quatro álbuns lançados.

Diversas apresentações em mídias, SESCs, bares e eventos diversos além de ser endorser das duas maiores marcas musicais do país (Rozini no segmento de violas e Giannini no segmento de cordas).

Foi agraciado com dois Prêmios Rozini de Excelência na Viola Caipira em 2010 na categoria PROFESSOR e em

2013 na categoria VIOLEIRO.

Desde 2000, Junior da Violla atua na pesquisa sobre a história da viola do seu surgimento no século XII até os dias atuais sendo hoje um dos maiores pesquisadores sobre o instrumento no Brasil, trabalho este que resultou em um RECITAL de 1 hora de duração ou um WORKSHOP de uma hora e meia de duração baseado em vasta bibliografia como também um repertório de peças para violas dos séculos XVIII a XIX embasadas com técnicas, compositores e linguagem de época.

O violeiro Junior da Violla tem um longo currículo dentro do universo da viola. Bacharel em música pela FAAM, formado no curso “Cordas Dedilhadas Barrocas” com ênfase em viola pela EMESP, pesquisador da história do instrumento, atua desde 1999 como concertista de viola com quatro trabalhos lançados: Chão Marcado (2009), Grandes Clássicos da Música Sertaneja (2015), Violando Conceitos (2018) e Viola Antiqua (2023).

Foi agraciado com dois Prêmios Rozini de Excelência na Viola Caipira em 2010 e 2013 e é endorser das duas maiores marcas relacionadas a viola no país: a Rozini no segmento de instrumentos musicais e a Giannini no segmento de encordoamentos. Atualmente se dedicada ao estudo da história e repertório da viola dos séculos XVIII e XIX com o Projeto Viola Antiqua.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Junior da Violla para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 07/01/2026:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Junior da Violla: Nasci no dia 02/01/1978 em São Paulo. Registrado como Ernestino Ciambarella Junior.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Junior da Violla: Meu pai sempre tocou violão em casa. Cresci o vendo tocar. Queria ser violonista como ele, mas acabei ganhando um teclado aos cinco anos de idade e fui matriculado pelos meus pais em um curso de piano perto de casa. Fiquei um ano nesse curso.  

Dois anos depois meus pais (Ernestino Ciambarella e Ângela Maria Ciambarella) se separaram e meu pai se casou novamente com uma musicista (Ângela Trevisan Ciambarella) profissional. Cresci assistindo aos casamentos que ela tocava até passar aos 12 anos de idade a integrar a banda de baile que eles montaram como percussionista. Aos 15 anos comecei a tocar violão e aos 18 anos comecei a tocar viola.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Junior da Violla: Sou bacharel em música pela FAAM – São Paulo, tenho formação em cordas dedilhadas antigas com ênfase no repertório de viola dos séculos XVII e XVIII pela EMESP e atualmente faço pós-graduação também em cordas dedilhadas antigas pela FABRANGE com término do curso previsto para setembro de 2026.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Junior da Violla: Fora da viola músicos como Paul MacCartney, Eric Clapton, Jimi Hendrix, Bach. Dentro do universo da viola Almir Sater, Tião Carreiro, Roberto Corrêa, Gisela Nogueira e Ivan Vilela. Dentro do universo da música antiga tenho ouvido muito músicos como Miguel Rincón, Enrike Solinis, Thomas Schimitt e Xavier Díaz-Latorre.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Junior da Violla: Comecei a mexer com música em 1983 aos 5 anos quando ganhei meu primeiro instrumento musical de meu pai, um teclado Cassiotone. Em 1993 aos 15 anos comecei a me aventurar pelo violão. Em 1996 aos 18 anos assistindo uma cena da novela Rei do Gado vi Almir Sater tocando viola. A partir dali assumi a viola como meu instrumento principal. Em 2000 comecei a dar aulas de viola e fazer concertos.

06) RM: Quantos álbuns lançados?

Junior da Violla: Tenho atualmente 4 CDs lançados e 1 e-book. São os CDs: Chão Marcado (2009), Grandes Clássicos da Música Sertaneja (2016), Violando Conceitos (2018) e Viola Antiqua (2023). Tenho também o E-Book de Viola Caipira, livro lançado em 2025.

07) RM: Como você se define como Violeiro?

Junior da Violla: Defino-me como um violeiro que usa a viola para tocar música e não um músico caipira que toca viola. Nunca me defini como um músico caipira apesar de viver dela já que a maior parte dos meus alunos são de viola caipira.

Minha viola não tem rótulos musicais. Já tive fases na música caipira, no blues e na música erudita. No meu repertório já passaram jazz, blues, caipira, rock, música antiga, baião, forró, samba.

Atualmente trabalho com música antiga focado em repertório de viola dos séculos XVII e XVIII, música caipira e toco em um power trio de blues com viola, baixo e bateria. Todos os trabalhos são instrumentais.

08) RM: Quais afinações você usa na Viola?

Utilizo duas afinações: Cebolão Eb (Eb, Bb, Gb, Eb, Bb) para música caipira (mas posso usar Cebolão D (D, A, F#, D, A) ou E (E, B, G#, E, B) dependendo do trabalho a ser feito) e afinação natural para música antiga e blues.

09) RM: Quais as principais técnicas o violeiro tem que conhecer?

Junior da Violla: O violeiro caipira precisa conhecer as afinações abertas, conhecer os ritmos básicos da música caipira como o pagode, o cururu, toada, guarânia, cateretê entre outros e saber tocar em escalas duetadas.

Precisa saber também a usar notas soltas e notas pedais nos ponteios, linguagem característica da viola caipira. Já o violeiro dentro da música antiga precisa saber ler e interpretar as tablaturas de época, saber trabalhar com afinações reentrantes e dominar escalas em campanelas.

10) RM: Quais os violeiros que você admira?

Junior da Violla: Almir Sater, Tião Carreiro, Roberto Corrêa, Gisela Nogueira e Ivan Vilela

11) RM: Como é seu processo de compor?

Junior da Violla: Não sou um compositor nato. Nunca consegui focar para escrever música. Geralmente minhas composições nascem de fragmentos que vão ganhando novas partes de forma aleatória e descompromissada com o passar do tempo.

12) RM: Quais as principais diferenças técnicas entre a Viola e o Violão?

Junior da Violla: A principal diferença está no posicionamento da mão direita. No violão toca-se apenas uma corda por ordem, na viola toca-se duas cordas por ordem. Por isso o posicionamento da mão do violeiro é diferente do violonista.

No violão toca-se com o polegar paralelo a corda, na viola toca-se com o polegar quase em 90 graus com as cordas, o que faz com que a mão fique com um formato que lembra um “bico de pato”.

Na viola antiga onde toca-se o repertório dos séculos XVII e XVIII utiliza-se o dedinho apoiado no tampo, o que faz com que a mão fique mais deitada, em paralelo com as cordas.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Junior da Violla: Acredito que no caso de nós violeiros não existe outra forma de trabalhar que não seja independente já que nossa música não é produto de consumo de massa, mas sim de um nicho específico, pequeno, mas fiel.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Junior da Violla: Fora do palco o que realmente paga as contas são as aulas, os alunos. Isso me permite que dentro do palco eu possa tocar aquilo que realmente eu quero e não o que o mercado me determina. Fiz a escolha de ser totalmente livre no palco e de tocar aquilo que seja importante para mim como artista.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Junior da Violla: Hoje o virtuosismo é um dos fatores que mais chamam a atenção do público. Nunca me considerei um virtuoso no instrumento. Dessa forma minha maneira de me destacar é fazer coisas diferentes, inéditas e que quase ninguém fez. Foi assim com a viola de 12 cordas que utilizo desde 2013 e na minha relação com a viola dentro da música antiga.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Junior da Violla: A internet foi fundamental para a minha carreira já que me iniciei como músico profissional ao mesmo tempo em que a internet nascia no Brasil. Fiz massivamente minha publicidade no começo de minha carreira através da internet.

Modéstia à parte fui um dos primeiros violeiros no Brasil a usar a internet como ferramenta de propaganda e promoção de carreira no início dos anos 2000 e fui o primeiro professor de viola no Brasil a dar aulas de viola online a partir de janeiro de 2006, na época pelo MSN e pelo então recém-criado Skipe.

Pesquisei muito na época e não havia nenhum professor de viola atendendo nesse formato que ainda era uma novidade. Havia apenas poucos professores de guitarra e violão. Hoje o excesso de informação é prejudicial para quem está iniciando no instrumento.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Junior da Violla: A vantagem é que se ganha em praticidade pois você pode gravar dentro de sua casa sem gastar dinheiro. Isso permitiu que qualquer músico pudesse produzir e lançar seus trabalhos de forma acessível. Não vejo desvantagens.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Junior da Violla: Procuro ser eu mesmo. Como disse anteriormente procuro ser diferente do que a maioria dos violeiros fazem trabalhando abordagens inéditas ou repertório inexplorado como no caso da música antiga aonde a viola apesar de ser um instrumento desse nicho sempre foi relegada.

19) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Junior da Violla: Acompanho a música caipira. Dentro dela vi bons violeiros aparecendo. Há diferença entre a música caipira e a sertaneja. Não acompanho a música sertaneja a qual não me simpatizo por isso não tenho como falar desse estilo musical.

20) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Junior da Violla: O que me deixa feliz é poder acordar todos os dias e fazer o que amo. Não enxergo minha vida hoje sem a música e sem a viola. Mas fico triste quando não somos valorizados ou quando somos desrespeitados. Ninguém vive sem música, mas muita gente trata o músico como vagabundo e desocupado. As pessoas não compreendem o trabalho que há por trás de uma simples música. Acham que a música surge simplesmente do nada.

21) RM: Quais os outros instrumentos musicais que você toca?

Junior da Violla: Já toquei contrabaixo, violão e guitarra, mas meu instrumento mesmo é a viola.

22) RM: Quais as semelhanças e diferenças entre a música sertaneja atual e sertaneja caipira do passado?

Junior da Violla: Tudo, a música sertaneja atual é uma transformação da música caipira lá de trás onde ao longo do tempo foram sendo inseridos modismos de época, como, por exemplo, o acordeom na década de 30 vinda da música nordestina, as guarânias trazidas na década de 30, os boleros e rancheiras na década de 50, o rock da jovem guarda da década de 60 que deu origem a duplas como Chitãozinho e Xororó, no country nos anos 90 e no pop atualmente. Apesar disso hoje são duas práticas completamente diversas.

23) RM: Quais os vícios técnicos o violeiro deve evitar?

Junior da Violla: Vícios acontecem quando se aprende errado. A melhor forma de evitar isso é procurar um bom professor para te guiar nos seus primeiros passos.

24) RM: Quais os erros no ensino da Viola?

Junior da Violla: Posso falar aqui algo que desagrade muitos violeiros, mas viola não é só música caipira. A viola é um instrumento musical muito mais antigo que o próprio Brasil e que já existia antes do descobrimento do nosso país.

Já música caipira é um gênero musical tipicamente brasileiro e é um dos gêneros musicais que podem ser tocados pelo instrumento viola entre inúmeros outros de maior ou menor importância.

A música caipira é importante, mas ensina-se viola sempre de forma única pelo prisma da música caipira, principalmente em cursos superiores. Afinação cebolão e notas duetadas é típica da música caipira do Sudeste, mas não é típica, por exemplo, da viola nordestina onde se utiliza afinação natural e notas simples.

Creio que o grande erro no ensino da viola seja essa visão unilateral do instrumento em que se coloca a forma caipira de tocar como se fosse a única e legítima forma de se praticar a viola.

25) RM: Tocar muitas notas por compasso ajuda ou prejudica a musicalidade?

Junior da Violla: Depende, se o músico tocar assim o tempo todo prejudica. Virtuosismo é algo que precisa ser usado com inteligência e parcimônia.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Junior da Violla: Que carreira musical é igual a qualquer outra carreira. Precisa levar o trabalho a sério e suar a camisa porque nada vem de graça.

27) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Junior da Violla: Creio que a divisão entre o estudo de música erudita e popular seja um equívoco que só limita o músico. No final ou você se torna um bom leitor de partitura, mas um péssimo improvisador ou vice e versa, um bom improvisador, mas um péssimo leitor. Creio que o ideal seria o aprendizado das duas coisas. Para mim o melhor músico é aquele que lê bem, interpreta bem e que sabe se virar bem em uma improvisação.

28) RM: Existe o Dom musical? Qual a sua definição de Dom musical?

Junior da Violla: Não creio no dom, no caso do instrumentista existe aquele que tem boa coordenação motora e facilidade com os movimentos que são exigidos para tocar determinado instrumento.

Tocar um instrumento é algo que se aprende por aquisição, não se nasce sabendo. Uns terão mais coordenação para aqueles movimentos, outros não. Creio ser um pouco diferente do ato de cantar em que na maioria dos casos é algo intuitivo e natural.

29) RM: Qual a sua definição de Improvisação?

Junior da Violla: Improvisar é aprender regras de expressão e saber colocá-las como um discurso coerente. É como falar. Aprende-se letras, palavras, frases para que depois possa-se escrever seu próprio texto. Dentro da música é conhecer as escalas e a aplicação destas dentro da harmonia corrente.

30) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Junior da Violla: Improvisação são ferramentas pré-estudadas pois na improvisação sem estudo corre-se o risco de se ter como resultado um discurso sem coerência com aquilo que se está criando de forma espontânea.

31) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Junior da Violla: Não estudei a fundo improvisação. Sempre foi um calcanhar de Aquiles para mim. Por isso não tenho como opinar sobre esse assunto.

32) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Junior da Violla: Acho q o estudo de harmonia imensamente importante para o entendimento da construção musical. Eu aprendi harmonia analisando peças de grandes compositores. O único, porém, é quando se estuda música barroca com o pensamento harmônico atual já que a música barroca tinha uma construção diferente do que temos na música de hoje.

33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário musical brasileiro?

Junior da Violla: Acho que para a grande mídia só há espaço para os “peixes-grandes”, aqueles em que se tem muito dinheiro rolando por trás de seus trabalhos e de suas carreiras. Músicos como eu não tem chance na grande mídia.

34) RM: Qual a importância de espaço como SESC, Itaú Cultural, Caixa Cultural, Banco do Brasil Cultural para a música brasileira?

Junior da Violla: São espaços muito importantes, pois são praticamente os únicos locais aonde um músico de pequeno porte tem a chance de ter um bom cachê. Fora disso o espaço e dinheiro disponível é praticamente inexistente.

35) RM: Quais os seus projetos futuros?

Junior da Violla: Manter-me na arte, continuar dando minhas aulas e tocando aquilo que eu amo.

36) RM: Quais seus contatos?

Junior da Violla: http://www.juniordaviolla.com.br  | (11) 99181 – 2928|[email protected] | https://www.facebook.com/jrdaviolla | https://www.instagram.com/juniordaviolla

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCmKeTSp4kosK92_5zJR6Qwg

Spotify – https://open.spotify.com/intlpt/album/45uwoBSRzEH12ju641vlOs?si=yLmYvttLRa2__Xr-Tfd4YQ

Recital na UFU na íntegra – https://youtu.be/vo3Iup7AevU

Cumbe 8º Tom – https://youtu.be/8vs9TUKNA9M

Minueto do Padre Basílio – https://youtu.be/JvFVJP9iTrQ

Minueto e Valsa – https://youtu.be/67iHKTpj4-8

Minuette da Rozinha – https://youtu.be/vbV2Pop8dR8

Trecho de Rondo Pour La Guitare ao vivo no Festival de Violas de Eldorado (SP) em 4 de Maio de 2024 – https://youtu.be/jLLo3kXeES0


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