Fabrício Conde

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Herdeiro da linhagem de mestres da cultura popular, o violeiro Fabrício Conde desenvolve um trabalho que alia sensibilidade e virtuosismo e que já foi apresentado em vários países da América Latina e Europa.

Fabrício Conde é convidado, frequentemente, para ministrar palestras e oficinas de música em Universidades no Brasil e no exterior como: Universidade de São Paulo – Ribeirão Preto, Universidad Pedagógica Nacional – Bogotá, Universidad Nacional de Villa Maria – Córdoba, Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Universidade Federal de Juiz de Fora.

Fabrício gravou “São de Viola”- 2001, “Viola da Mata” – 2004, “Viola Brasileira” – 2008, “Fronteira” – 2015 e “Viola Perfumada” – 2025 e participou de diversos CD’s de coletâneas no Brasil e no exterior.

Fabrício Conde tem em seu currículo importantes conquistas. Em 2014, foi vencedor do XIV Prêmio BDMG Instrumental. Em 2012, venceu o I Concurso Instrumental Estúdio 66, do Canal Brasil. Em 2022, venceu o 2º Prêmio da Música Popular Mineira promovido pela Rádio Inconfidência e transmitido pela Rede Minas.

Foi selecionado para importantes projetos como: Rumos Coletivo – Itaú Cultural, em 2010; Caixa Cultural, em 2014, com apresentações em Fortaleza, Brasília e São Paulo; Quintas do BNDES, em 2016, Rio De Janeiro, Arte como Respiro – Itaú Cultural 2020; entre outros.

É autor dos livros “Causos, histórias e um pouco mais” (Franco Editora), “O caminho das asas” (Roda e Cia), selecionado pela FLINJ para feira literária de Bologna.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Fabrício Conde para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 12/01/2026:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Fabrício Conde: Nasci no dia 02/04/1976 em Juiz de Fora – MG. Registrado como Fabrício Conde Alves.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Fabrício Conde: Quando criança, minha mãe (June Conde) cantava e tocava violão. Passei a gostar de estar envolvido pela música.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Fabrício Conde: Estudei até a quarta série primária e sou músico autodidata. 

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Fabrício Conde: Gosto de ouvir Bach para caminhar ou andar de bicicleta, gosto de ouvir MPB e Jazz para cozinhar, música africana e música do Oriente Médio para rezar, gosto de samba para celebrar. Nada que eu já ouvi deixou de ter importância, tudo me deu forma.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Fabrício Conde: Comecei a estudar piano em 1986 e daí nunca mais parei.

06) RM: Quantos álbuns lançados?

Fabrício Conde: Lancei cinco CD’s: “São de Viola” (2001), “Viola da Mata” (2004), “Viola Brasileira” (2008), “Fronteira” (2015), “Viola Perfumada” (2025) e participei de diversos CD’s de coletâneas no Brasil e no exterior. E lancei um DVD.

07) RM: Como você se define como Violeiro?

Fabrício Conde: Sou indefinível porque sou tantos, mas me arriscaria a dizer que sou um violeiro disponível a aprender.

08) RM: Quais afinações você usa na Viola?

Fabrício Conde: Rio Abaixo (G, D, G, B, D) e Afinação de Ronroco (A, B, E, A, E).

09) RM: Quais as principais técnicas o violeiro tem que conhecer?

Fabrício Conde: Somente a que ele conseguir se expressar com verdade.

10) RM: Quais os violeiros que você admira?

Fabrício Conde: Admiro todos, com especial atenção para Antônio Macário e Ivan Vilela.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Fabrício Conde: Primeiro afino a viola. Pronto! Deixo passar o que me vem ao coração.

12) RM: Quais as principais diferenças técnicas entre a Viola e o Violão?

Fabrício Conde: Não saberia dizer porque não toco violão.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Fabrício Conde: Não saberia dizer porque nunca tive uma carreira dependente de fatores que não precisasse de mim.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Fabrício Conde: Conduzo do jeito que posso a minha carreira. Não tenho energia suficiente para fazer marketing pessoal e sei que isso é um dos fatores que impulsionam o acesso das pessoas até aos artistas. Me preocupo em conseguir tocar o instrumento, fazendo o melhor que eu posso.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Fabrício Conde: Tenho um instagram.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Fabrício Conde: Pela internet fico sabendo sobre editais e faço contatos. Em breve, acredito que, devido às inteligências artificiais, a forma de comunicação entre os artistas e o público deverá ser outra.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Fabrício Conde: Gravei meus discos em estúdios grandes. Gosto da possibilidade dos fatores técnicos serem mais controlados. Gosto de gravar ao vivo com  banda, coisa que nem sempre é possível em home-studios.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Fabrício Conde: Somente tento compor com originalidade e tocar o melhor que posso o meu instrumento.

19) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja Caipira/Raiz. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Fabrício Conde: Não saberia dizer. Tive grandes amigos que tocaram viola com a formação de dupla caipira, contudo alguns já morreram e outros pararam de tocar.

20) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja pop. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Fabrício Conde: Não acompanho este segmento musical.

21) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Fabrício Conde: Fico feliz quando componho uma música bonita. Fico triste quando só eu acho que é bonita.

22) RM: Quais os outros instrumentos musicais que você toca?

Fabrício Conde: Ronroco e percussão.

23) RM: Quais os vícios técnicos o violeiro deve evitar?

Fabrício Conde: Tocar sem emoção.

24) RM: Quais os erros no ensino da Viola?

Fabrício Conde: Só há um erro: querer ensinar Viola para quem não quer aprender.

25) RM: Tocar muitas notas por compasso ajuda ou prejudica a musicalidade?

Fabrício Conde: A musicalidade não tem relação com a quantidade de notas por compassos.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Fabrício Conde: Saiba o que busca.

27) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Fabrício Conde: O grande erro na metodologia de ensino de música, talvez, é não estar atento ao que o aluno precisa saber. Cada um precisa de um conteúdo e de uma dosagem.

28) RM: Existe o Dom musical? Qual a sua definição de Dom musical?

Fabrício Conde: Acho que dom é uma coisa e vocação é outra. O dom, está relacionado a habilidades e vocação está relacionada ao desejo e chamado.. Nem sempre as duas coisas caminham juntas. 

29) RM: Qual a sua definição de Improvisação?

Fabrício Conde: Ter um repertório técnico e desfrutar com ele sobre as ideias do momento.

30) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Fabrício Conde: Faço uma analogia. É como a vida que é estudada a cada instante pela pessoa atenta. Isso não significa que a vida possa ser decorada. Cada situação exige uma presença, uma atitude, assim como na música. Nem na vida, nem na música as soluções são simples. Quanto maior o repertório emocional, nos dois casos, maiores serão os horizontes.

31) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Fabrício Conde: Não saberia dizer, pois sou autodidata.

32) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Fabrício Conde: Não saberia dizer, pois sou autodidata.

33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário musical brasileiro?

Fabrício Conde: Geralmente são empresas comprometidas com o faturamento próprio, contudo, exerceram um papel importante na sociedade revelando grandes compositores e instrumentistas. Fosse a “grande mídia” mais comprometida com a informação e com a arte, de um modo geral, as pessoas teriam mais acessos à cultura. 

34) RM: Qual a importância de espaço como SESC, Itaú Cultural, Caixa Cultural, Banco do Brasil Cultural para a música brasileira?

Fabrício Conde: Estes espaços oferecem excelentes condições de trabalho e de remuneração para os artistas. Em alguns casos, possibilitam ao público o contato com artistas de várias regiões do Brasil e mobilizam toda uma rede de profissionais de arte e de cultura. Estes espaços também são necessários para que artistas circulem fora de suas cidades e ganhem outras projeções de horizontes e possibilidades de trabalho.

35) RM: Quais os seus projetos futuros?

Fabrício Conde: Continuar tendo desejos, encontrar grandes músicos pelos caminhos, continuar tocando por outros países, ser mais solidário, ter algum dinheiro e desfrutar com saúde.

36) RM: Quais seus contatos?

Fabrício Conde: [email protected] | https://www.instagram.com/fabricio_conde_alves

Canal: https://www.youtube.com/@fabriciocondevideos

Tristeza do Jeca (Angelino de Oliveira) – Fabrício Conde: https://www.youtube.com/watch?v=hL6ZwbgRwWc

Canto de Ossanha – Baden Powell e Vinícius de Moraes: https://www.youtube.com/watch?v=7Z-mt7sh2_k


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