Oswaldinho Viana
O Bar Café Fubá é do cantor, compositor, violonista, violeiro paulista Osvaldinho Viana, que é natural de Piraju, cidade do Interior de São Paulo.
Viana tem um trabalho musical voltado para as tradições e costumes regionais. Fez várias apresentações pelo Brasil junto com o cantor e compositor mineiro Renato Teixeira.
Quando se estalou na capital paulista para divulgar o seu trabalho e desenvolve uma atividade profissional paralela que foi a organização de um centro cultural na forma de um Bar na Vila Madalena em 1990: O “Armazém Bar” que ficou no local por nove anos, como um refúgio daquelas pessoas que gostam da música regional e da comida, bebida da roça e queriam esquecer a poluição sonora da grande Metrópole.
Mas por motivos de ordem financeira, ele deslocou esse paraíso para o bairro do Ipiranga, região central de São Paulo. E nasceu em 2000, para alegria dos órfãos do antigo “Armazém Bar”, o “Bar Café Fubá” que mesmo sendo menor oferece o mesmo ambiente e tranquilidade do outro.
Com um som privilegiado que agrada até os ouvidos exigentes de João Gilberto e uma seleção de artistas fazendo show e mostrando o melhor da MPB e da música regional.
Segue abaixo entrevista exclusiva com Osvaldinho Viana para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01/06/2001:
01) Ritmo Melodia: Fale de sua origem familiar, formação acadêmica, primeiro contato com a música e início na carreira musical.
Osvaldinho Viana: Nasci no dia 29/03/1954 em Piraju, interior de São Paulo; antiga São Sebastião do Tijuco Preto. Registrado como Osvaldo Viana Filho.
Eu comecei com a música nem sei como. Porque quando menino, eu já vivia enfiado com a vitrola do meu pai. Agora mais seriamente quando comecei minha vida universitária.
Nos anos 70 eu cursei Engenharia Civil em Mogi das Cruzes (SP). E nessa época foi que eu comecei desenvolver meu trabalho musical. Participando dos Festival de Música Universitário. E tendo muito contato com gente da MPB e de lá pra cá eu vim trabalhando mais com o Violão e com a Viola caipira. Minha iniciação foi essa.
Eu também nessa época fui presidente do Diretório Acadêmico. E trazia para fazer show na Universidade músicos como: Milton Nascimento, Chico Buarque, “Secos e Molhados”, Simone, Taiguara no começo dos anos setenta. Ganhei mais de sete Festival de Música.
02) RM: Quantos álbuns você lançou?
Osvaldinho Viana: Eu parei com música durante mais ou menos dez para doze anos. Eu fazia uma outra função. Fui trabalhar em outro ramo de atividade, deixei a música profissionalmente e fique trabalhando com música paralelamente.
Eu vim gravar meu primeiro disco em 1996: “São Sebastião do Tijuco Preto”. É um disco regional, em que eu retrato coisas do interior de São Paulo e do Mato Grosso, também locais que eu mais convivi.
Marisa Viana e Oswaldinho Viana – NO BALANÇO DA REDE (2004). Marisa Viana e Oswaldinho Viana – VIVA ELPÍDIO! (2009).
03) RM: Você com toda influência musical regional criou seu primeiro Bar o “Armazém Bar” na Vila Madalena. Como foi essa experiência?
Osvaldinho Viana: O “Armazém Bar”, começou em 1990 na Vila Madalena região de Pinheiros. E a casa funcionou durante nove anos, como um espaço cultural musical, teatral e artes em geral. Lá tinha exposições em telas e tiveram vários projetos. Inicialmente com Jean Garfunkel, Gica e Ticão, Miltinho Edilberto, Chico de Abreu, Paçoca.
Era um Bar que tinha um palco modesto com cento e sessenta lugares. Porém uma casa com toda característica para um público específico. Passou nesses anos pelo “Armazém Bar”: Elomar, Xangai, Renato Teixeira, Almir Sater, Rita Barroso, Ney Matogrosso, Renato Andrade, Celia e Celma e vários violeiros do Brasil.
Eu tenho tudo arquivado que é muita coisa. Quando não foi viável ficar na Vila Madalena devido à especulação imobiliária. Eu vim em 2000 para o bairro Ipiranga, porque a casa é nossa. E nós continuamos o projeto, meu velho. Estou engatinhando ainda para poder fazer realmente o que fazia lá.
04) RM: O “Bar Café Fubá” é o protótipo do “Armazém Bar” em novo endereço? Desde Sonoridade e Estética?
Osvaldinho Viana: Esse é um assunto primordial, a gente cuida disso em primeiro lugar. A gente quando vai a algum lugar para assistir algum show, mesmo que seja num Bar ou num Teatro.
A gente fica preocupadíssima se vai escutar o show bem. Aqui eu faço o máximo possível para deixar a qualidade do som nota dez. Montamos com muito carinho, visando à acústica dos instrumentos brasileiros. Quem vem se apresentar aqui com certeza sai satisfeitíssimo com a parte do som. E o artista comenta que escutou o som dele muito legal.
Eu fiquei muito contente, porque a intenção é representar o máximo possível o real do instrumento e da voz, num ambiente que é um Bar. Aqui não precisa pedir para parar de conversar na hora do show; isso que é legal. Porque existe esse clima, o pessoal já vem para o Bar sabendo do que se trata.
Então eu não preciso chegar e pedir, “Bicho vai começar o show e pare de conversar”, não. A intenção é essa para quem trabalhar com música. A minha intenção de um espaço cultural, ainda não é aqui.
O visual do “Bar Café Fubá” é o mesmo do “Armazém Bar”; o pessoal comenta que mudou só de endereço. Minha esposa Marisa é quem cuida do visual, da decoração a coisa de madeira rústica. Enfim o balcão de madeira, as mesas de palhinha. O pessoal que vem aqui achar que está no interior.
O espaço físico estava semipronto, porque aqui era um restaurante da família da minha mulher. Então a gente trabalhou muito com madeira e tem violas penduradas, luminárias de lampião que funciona com parafina liquida, inclusive está ajudando muito por conta do apagão, coisa da roça mesmo.
Tem a Viola do Miltinho Edilberto, meu camarada, do Zé Coco do Riachão que me deu de presente quando estava vivo. A viola do Miltinho que é um grande amigo, grande compadre e cantador.
Ele me ajuda muito no boca a boca que funciona muito, porque a mídia não é interessante, porque além da casa ser pequena você nunca vai selecionando o público.
Palco a Marisa teve uma ideia genial de decorar como se fosse uma sala de uma casa do interior. Tem a janela, a paisagem no fundo, os quadros, à rede, a Nossa Senhora Aparecida, no cantinho que é minha santa. As bandeirinhas.
Na entrada é como ser fosse a sala de visitar, tem um sofá que o pessoal se senta para tomar um cafezinho, come uns docinhos. Tem um chapeleiro, local para guardar o guarda-chuva. É isso aí.
05) RM: Bar é como um Oásis numas grandes metrópoles e recebe um público fiel?
Osvaldinho Viana: Olha meu compadre, eu apostei muito na ideia quando montei o “Armazém Bar” na Vila Madalena. Essa ideia que eu sempre apostei. Porque esse público existe, é fiel e vem. Essa história de você ter um bar com essa filosofia dentro de uma metrópole é raro.
E não existe outro em São Paulo e se tive me fala que eu não conheço. O “Armazém Bar” foi o único durante nove anos, dessa forma. Quem vem tocar aqui, fala que conseguiu dar o recado musical aqui, independente da parte comercial da história. É a parte cultural que é interessante. Aqui temos só setenta e seis lugares é menor que o outro mais funciona bem.
A Marisa faz um bolo de Fubá, que é receita dela. É um bolo diferente. A gente faz o café no coador, é um café que vem da minha terra Piraju, café torrado na roça. Isso para quando a pessoa começa se manifesta que vai embora, a gente serve um café com fubá na sala de saída.
Então essa turma que sabe do que se trata e os órfãos do “Armazém Bar” quando descobrem vem para cá. O bairro Ipiranga já tem uma tradição de muitos restaurantes, bares. Mas não é um local de tradição de vida noturna. O pessoal acha maravilhoso a tranquilidade, é fácil de chegar e de estacionar, temos uma equipe de segurança. É tranquilidade para quem quer sair de casa é não quer sentir o agito da Metrópole.
* Oswaldinho Viana faleceu no dia 23/04/2025, aos 73 anos.
Canal: https://www.youtube.com/channel/UCnSOUIDB-V1VG51gOc4BAZA
Cai, Sereno, por Oswaldinho e Marisa Viana: https://www.youtube.com/watch?v=0v1BL7wGtHs


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