Juca Ferreira
Juca Ferreira une samba de raiz e artes visuais em celebração à cultura afro-brasileira.
Com mais de duas décadas de trajetória, o sambista, cantor, compositor, produtor cultural, artesão e artista visual Juca Ferreira, firma-se como referência na preservação e difusão da cultura popular e das tradições afro-caipiras.
Apadrinhado por Monarco da Portela, o multiartista piracicabano que tem como referência o mestre batuqueiro e doutor em educação Antônio Felogênio Junior, transita entre os palcos do samba e o ateliê de artes plásticas, conectando música, ancestralidade e sustentabilidade.
Nascido em berço musical, mas profissionalmente na música desde 2004, Juca acumula passagens pela rede SESC-SP e SESI-SP, e por palcos emblemáticos como Rio Scenarium (RJ) e Bar Brahma (SP), ao lado de nomes como Délcio Carvalho, Galocantô, Ilcéi Mirian, Renato da Rocinha, T.Kaçula dentre dezenas de grandes nomes do Samba.
Idealizador do Cordão Carnavalesco Mestre Ambrósio e apresentador do quadro “A Nova Geração do Samba” dentro do programa Pérolas do Samba (Rádio Educativa FM), o artista também se destaca nas artes visuais: cria obras naïf e contemporâneas autorais em madeira reutilizável, cerâmica e tela, com participações na exposição Estação Naïf (PB), na Casa do Artesão e na Festa das Nações.
Segue abaixo entrevista exclusiva com Juca Ferreira para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 04/11/2027:
01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?
Juca Ferreira: Nasci no dia 11/12/1977 em Piracicaba – SP. Registrado como Walter Sampaio Bueno Ferreira Júnior.
02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.
Juca Ferreira: Desde o berço, pois meu saudoso pai, Walter Ferreira era cantor na noite piracicabana, e meu tio André Carvalho, irmão dele, guitarrista em bandas de Piracicaba – SP.
03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?
Juca Ferreira: Sou autodidata na música, pesquisei muito a história do samba antes de virar sambista, e no quesito acadêmico nível superior incompleto no curso de História, um “meio historiador”.
04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?
Juca Ferreira: Meu pai (Walter Ferreira) foi minha primeira influência musical cantando Samba canção, Boleros, Samba e Bossa Nova. Da parte de minha mãe (Maria Alice Ferreira) a MPB e Jovem Guarda e minhas irmãs (Mara Ferreira e Luciana Ferreira) o Pagode 90 e a black music. Nenhuma influência musical do passado deixou de ter importância.
05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?
Juca Ferreira: Desde a infância fazia batucada com os amigos no bairro, Piracicamirim em Piracicaba. Depois profissionalmente logo após falecimento de meu pai (Walter Ferreira) em 2003, com os mestres, maestro Marco Abreu como percussionista na Oficina do Jazz e PiraJazzBand, e com o professor José Godoy, como percussionista, cantor e coralista do grupo Corda Solta de samba e Choro.
06) RM: Quantos álbuns lançados?
Juca Ferreira: Lancei um álbum e vários singles.
07) RM: Como você define seu estilo musical?
Juca Ferreira: Sambista, mas com influência do balanço da MPB e essência afrobrasileira.
08) RM: Você estudou técnica vocal?
Juca Ferreira: Pouquíssimas aulas há muito tempo.
09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?
Juca Ferreira: De suma importância, conhecimento sempre bem-vindo.
10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?
Juca Ferreira: Os maiores para mim, meu pai (Walter Ferreira), Emílio Santiago, Leny Andrade, Elis Regina, Jamelão, Diogo Nogueira e tantos outros.
11) RM: Como é seu processo de compor?
Juca Ferreira: Vem a inspiração, o start e logo começo a gravar a melodia e início a letra. Às vezes vem tudo de uma vez, outras fica para depois a finalização.
12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?
Juca Ferreira: Luís Café do Rio de Janeiro e Dodô Gonçalves, lá do Guarujá – SP.
13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?
Juca Ferreira: Acho que só pró, pela sobrevivência e aprendizado, soma demais na vida de um artista.
14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?
Juca Ferreira: Além de sambista e cantor, sou produtor cultural, tenho uma produtora a F75 em parceria com a produtora Fabiana Ferraz, e por lá produzimos todo nosso trabalho, projetos para editais e alguns projetos para terceiros.
15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?
Juca Ferreira: A gestão da produtora F75, e todas as ações que desenvolvemos através dos projetos.
16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?
Juca Ferreira: Ajuda no sentido que podemos estar sempre divulgando nossas ações enquanto artista e produtor, e não vejo nada prejudicial desde que você procure desenvolver trabalhos de qualidade buscando ser criterioso.
17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?
Juca Ferreira: Só vantagem, pois acredito que enquanto artista, temos que sempre que há uma chance, produzir algo novo e os acesso aos recursos de produção hoje é mais fácil e de custo acessível.
18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?
Juca Ferreira: Tento manter qualidade nos projetos.
19) RM: Como você analisa o cenário do Samba? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Juca Ferreira: Eu tenho o orgulho de dizer que faço parte da chamada “nova geração do samba”, pois nos idos dos anos 2000 fui atrás de estar em grandes redutos de Samba em São Paulo e Rio de Janeiro, tendo a chance de conviver com alguns como Renato da Rocinha, Juninho Thybau, dentre outros no Rio de Janeiro e T.Kaçula, Ilcéi Mirian e outros de São Paulo.
Dos que sou fã como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e outros bambas, todos esses mantiveram sua linha de Samba, e isso me deixa feliz, pois são minhas referências também, além da velha guarda, os grandes guardiões.
20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?
Juca Ferreira: Já passei por todas as situações citadas na pergunta (risos).
21) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?
Juca Ferreira: No momento, mais felicidade do que tristeza, pois a maturidade me permite isso, pois hoje consigo selecionar mais e desenvolver projetos focados mais na qualidade.
22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?
Juca Ferreira: Existe o dom e é algo que o sujeito pode fazer os melhores cursos etc., mas se não tiver o dom, dificilmente evoluirá para algo de destaque, musicalmente falando.
23) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?
Juca Ferreira: Sambisticamente falando, sou cria de roda de Samba, e roda é improviso puro, pois você tem que se virar, e aprendi muito com os mestres.
24) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?
Juca Ferreira: Em relação a improvisação instrumental, com certeza, a habilidade do improviso é fruto de muito estudo e prática.
25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?
Juca Ferreira: Como não tenho conhecimento técnico instrumental a altura, prefiro não comentar.
26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?
Juca Ferreira: Como não tenho conhecimento técnico instrumental a altura, prefiro não comentar.
27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?
Juca Ferreira: Não. Hoje tenho o prazer de tocar em uma FM, porque trata-se da Rádio Educativa FM de Piracicaba, uma rádio pública que abraça as pratas da casa, e as plataformas digitais, é que salva hoje quem tem seu trabalho gravado.
28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?
Juca Ferreira: Além de estudar a parte musical, aprenda desde cedo a planejar e se formalizar, focando em projetos bem-produzidos, além dos trabalhos “ganha pão” do dia a dia é claro, mas ser organizado e se formalizar.
29) RM: Festival de Música revela novos talentos?
Juca Ferreira: Acho que a internet tirou um pouco o brilho dessa demanda, mas os festivais de música ainda continuam sendo muito importantes.
30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?
Juca Ferreira: Pode mais quem paga mais, como sempre foi.
31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?
Juca Ferreira: Extremamente importante, o sistema S como um todo é o Brasil que deu certo, em todos os sentidos.
32) RM: Quais os seus projetos futuros?
Juca Ferreira: Futuro-presente, pois tenho alguns projetos em andamento, editais que fomos habilitados e produção fonográfica que não quero demorar para gravar.
33) RM: Quais seus contatos?
Juca Ferreira: (19) 99694 – 9592 / https://linktr.ee/jucaferreirasamba / https://www.instagram.com/jucaferreirasamba / https://www.instagram.com/depiraoficial e Produção Cultural: https://www.instagram.com/fabiferraz75


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