Luizinho do Baixo
Luizinho do Baixo dedicou uma vida ao contrabaixo, à música e à paixão pelos ritmos brasileiros. Filho de Benedito Monteiro da Silva Filho, músico conhecido como Silva do Cavaco, cresceu em um ambiente profundamente ligado à música. O pai tocava violão, cavaquinho e bandolim e chegou a tocar com Jacob do Bandolim, além de participar de rodas de choro no tradicional bairro do Bixiga, na Bela Vista.
Foi nesse ambiente familiar que Luizinho teve seus primeiros contatos com a música. Ainda criança, passou a conviver com diferentes instrumentos, repertórios e ritmos, experiência que ajudaria a construir sua característica mais marcante como músico: a versatilidade.
A carreira profissional de Luizinho começou em 1975, quando entrou como backing vocal em um conjunto de baile que apresentava principalmente músicas internacionais. Na época, morava na Vila Ema, em São Paulo. Quatro anos depois, em 1979, assumiu o contrabaixo e passou a conciliar as funções de baixista e backing vocal.
Desde então, construiu uma carreira marcada pela atuação em grupos de baile, trabalhos de estúdio e acompanhamento de diferentes artistas. Entre suas experiências, destaca-se a participação na banda The Jordans, referência brasileira do rock instrumental, da surf music e da Jovem Guarda.
Luizinho também acompanhou artistas como Antônio Marcos e Evaldo Braga, além de participar de trabalhos solo de Ventura Ramirez, violonista ligado ao grupo Demônios da Garoa, e de Gabú (João Carlos da Silva), que integrou o grupo Raça Negra, entre outros trabalhos.
Como músico de estúdio, participou de gravações e, mais recentemente, esteve envolvido em uma gravação do The Jordans. Apesar de ter composto algumas músicas ao longo da vida, Luizinho não possui uma carreira como artista solo: sua principal identidade profissional sempre esteve ligada ao contrabaixo.
Luizinho define seu estilo como eclético, característica que acompanha toda a sua trajetória. Para ele, o baixista precisa conhecer diferentes ritmos e saber ouvir o instrumento dentro da música.
Sua concepção de atuação no contrabaixo está mais relacionada à construção da linha que a música exige do que ao protagonismo do instrumento. “Não sou baixista solista, toco a linha de baixo que a música pede com meu estilo”, explica.
Além do contrabaixo, Luizinho toca bateria, cavaquinho, teclado e violão, não atuando apenas em instrumentos de sopro. Para ele, ser multi-instrumentista é importante para a formação do músico, embora considere que esse profissional ainda seja pouco valorizado.
Na sua visão, algumas das características fundamentais de um bom baixista são humildade, dedicação, percepção musical e capacidade de ouvir. Para quem toca de ouvido, destaca a importância de conhecer bem as escalas musicais e desenvolver uma relação de escuta com o próprio instrumento. Entre os baixistas que admira estão Steve Harris, do Iron Maiden; Roger Waters, baixista e principal letrista do Pink Floyd; e o brasileiro Nico Assumpção.
Entre suas referências estão compositores e artistas de diferentes universos musicais. Na Bossa Nova, cita Toquinho e Vinicius de Moraes. No rock, destaca Raul Seixas. No samba e no choro, admira Jacob do Bandolim, Dilermando Reis e o grupo Demônios da Garoa. Na MPB, menciona Moacir Franco, entre outros nomes.
Atualmente, Luizinho não atua mais regularmente na área de shows, mas continua envolvido diariamente com a música. Entre suas atividades estão trabalhos relacionados à construção de caixas e equipamentos eletrônicos musicais, mantendo uma relação prática com o universo dos instrumentos e da tecnologia.
Depois de décadas dedicadas ao contrabaixo e ao convívio com diferentes músicos, grupos e artistas, Luizinho do Baixo representa uma geração de profissionais que construíram sua carreira principalmente através da experiência prática, dos palcos, dos bailes, dos estúdios e da convivência musical.
Mais do que uma profissão, o contrabaixo tornou-se uma forma de expressão e uma presença constante em sua vida. Mesmo diante dos desafios de uma carreira musical, Luizinho mantém a convicção de que dedicação, humildade, conhecimento e paixão pelo instrumento são elementos indispensáveis para quem deseja fazer da música um caminho.
Segue abaixo entrevista exclusiva com Luizinho do Baixo para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 30/09/2026:
01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?
Luizinho do Baixo: Nasci no dia 19/12/1954 no bairro Cangaíba, zona leste de São Paulo. Registrado como Luiz Gonzaga da Silva.
02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.
Luizinho do Baixo: Meu primeiro contato com a música foi quando criança, pois meu pai (Benedito Monteiro da Silva Filho), tocava violão, cavaquinho e bandolim, ele tocou com Jacob do Bandolim. Ele tocava em Roda de Choro no bairro do Bixiga (Bela Vista) e era conhecido como Silva do Cavaco.
03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?
Luizinho do Baixo: Não cheguei a me formar na área musical, mas estudei na Capo, uma escola musical. Fora da música, quando eu tinha 17 anos de idade, nos anos 70, estudei no SENAI no curso de Torneiro Mecânico. E trabalhei como propagandista, sou desenhista, trabalhei na Escola de Samba Leandro de Itaquera, inclusive, em 1982 fui um dos fundadores da escola.
04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?
Luizinho do Baixo: Sou eclético musicalmente, mas minhas influências musicais começaram escutando em casa o que os adultos escutavam e tocavam.
05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?
Luizinho do Baixo: Em 1975 entrei como backvocal em um conjunto de baile que tocava músicas internacionais, eu mova na Vila Ema. Em 1979 passei para o contrabaixo e continuei como backvocal.
06) RM: Quantos discos lançados? Cite alguns discos que você já participou como Contrabaixista?
Luizinho do Baixo: Não tenho disco solo, pois não sou compositor e nem canto, mas como baixista tenho alguns trabalhos em estúdio, recentemente fiz uma participação na gravação do grupo The Jordans, tocam rock instrumental e surf music, destacando-se também no cenário da Jovem Guarda nos anos 1960. Em 1961, lançaram um compacto “A Vida Sorri Assim”, gravado com sua formação clássica: Aladdin, Sival, Foguinho, Tony (José de Andrade, baixista), o saxofonista Irupê e o guitarrista Mingo — que depois sairia da banda para formar o The Clevers, embrião de Os Incríveis.
07) RM: Você publicou método para contrabaixo?
Luizinho do Baixo: Nunca publiquei, mas criei um método de contrabaixo para meu estudo.
08) RM: Como é seu processo de composição musical?
Luizinho do Baixo: Fiz algumas músicas.
09) RM: Você compõe melodia para letra?
Luizinho do Baixo: Se for preciso eu faço melodia para letra, mas meu forte não é ser compositor, sou baixista.
10) Quais são seus principais parceiros de composição?
Luizinho do Baixo: Não tenho parceiros musicais. Faço música sozinho.
11) RM: Como você define seu estilo como contrabaixista?
Luizinho do Baixo: Sou um baixista eclético, gosto de tocar todos os ritmos musicais.
12) RM: Quais as principais técnicas que o baixista deve se dedicar?
Luizinho do Baixo: Quando se toca de ouvido, tem que saber ouvir seu instrumento na música, tem que conhecer bem as escalas musicais e ter muita dedicação ao instrumento e percepção musical.
13) RM: Qual a importância de o baixista equilibrar a função de condução e de solista?
Luizinho do Baixo: Vai de cada baixista, não sou baixista solista, toco a linha de baixo que a música pede com meu estilo.
14) RM: Quais os principais vícios técnicos ou falta de técnica tem os baixistas alunos e alguns profissionais?
Luizinho do Baixo: Cada baixista tem suas técnicas e seus vícios.
15) RM: Quais as principais características de um bom baixista?
Luizinho do Baixo: A humildade de tocar cada música e muita dedicação ao instrumento.
16) RM: Quais são os contrabaixistas que você admira?
Luizinho do Baixo: Têm vários baixistas que admiro, mas admiro muito Steve Harris da banda Iron Maiden, Roger Waters baixista e principal letrista da banda Pink Floyd, Nico Assumpção (nome artístico de Antônio Álvaro Assumpção Neto).
17) RM: Existe uma indicação correta para escolher um contrabaixo de mais de 4 cordas? Quais os gêneros musicais correspondentes a quantidade de cordas do instrumento?
Luizinho do Baixo: O contrabaixo de 4 cordas é muito indicado para MPB, Brega e Roc. O baixo de 5 cordas para Sambas e músicas com suingue e o baixo de 6 cordas para o Forró.
18) RM: Qual a marca de encordoamento da sua preferência? Existe marca ideal para cada gênero musical ou é preferência pessoal?
Luizinho do Baixo: Uso o encordoamento D’Addario XL.
19) RM: Quais os prós e contras de ser professor?
Luizinho do Baixo: Tem que ter muita dedicação e paciência (risos) e saber o que o aluno pretende na carreira musical e nos estudos do contrabaixo.
20) RM: Quais os prós e contras de ser baixista freelancer acompanhando outros artistas?
Luizinho do Baixo: Para ser um baixista freelancer é necessário conhecer muitos ritmos musicais e ter um currículo musical. O contra é que alguns contratantes não valorizam em geral o músico profissional.
21) RM: Quais os prós e contras de ser músico de estúdio de gravação gravando linhas de contrabaixo em músicas de artistas?
Luizinho do Baixo: A vantagem de ser um músico para trabalhos de gravação em estúdio é que é um pouco mais valorizado na hora de ser contratado.
22) RM: Quais bandas que já participou?
Luizinho do Baixo: Trabalhei em vários grupos, destaca minha participação na banda The Jordans e a maioria dos grupos de bailes eu que montava.
23) RM: Quais os prós e contras de tocar em uma única banda?
Luizinho do Baixo: A vantagem de banda é que cada músico tem seu valor pelo que faz, contra é o salário que é baixo.
24) RM: Quais principais dificuldades de relacionamento que enfrentou em bandas?
Luizinho do Baixo: A dificuldade mais comum é que ninguém pensa igual, o que dificulta o trabalho do grupo em geral.
25) RM: Quais os artistas já conhecidos você já acompanhou como músico freelancer?
Luizinho do Baixo: Toquei com Antônio Marcos, Evaldo Braga, no trabalho solo de Ventura Ramirez (o violonista do grupo Demônios da Garoa), no trabalho solo de Gabú (João Carlos da Silva) que tocava no grupo Raça Negra, entre outros.
26) RM: Quais principais dificuldades de relacionamento que enfrentou acompanhando artistas já conhecidos?
Luizinho do Baixo: Algumas dificuldades, por exemplo, cumprir o horário de show que estar no contrato.
27) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?
Luizinho do Baixo: Não cair nos vícios que a profissão de músico nós propõem e levar a sério o que faz.
28) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?
Luizinho do Baixo: Hoje, não trabalho mais na área de show, mas estou no dia a dia envolvido com a música e construção de caixa, equipamentos eletrônicos musicais, etc.
29) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?
Luizinho do Baixo: A internet ajuda muito e é só saber o que se pretende com a profissão de músico.
30) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?
Luizinho do Baixo: A vantagem do home estúdio é que é bem mais fácil para o músico gravar música e a desvantagem é que não dão muito valor se a música não for gravada em um estúdio profissional.
31) RM: Como você analisa o cenário da Música Instrumental Brasileira? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Luizinho do Baixo: A música instrumental no Brasil é pouco divulgada e tiveram poucas bandas de música instrumental brasileira.
32) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Luizinho do Baixo: No Brasil somente o Forró e Música Sertaneja pop tem visibilidade e grande público.
33) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado, etc)?
Luizinho do Baixo: As maiores dificuldades para o músico é um bom camarim e alimentação antes e depois do show.
34) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?
Luizinho do Baixo: O que deixa mais feliz é o prazer de mostrar meu talento e o que me deixa triste é que a profissão de músico não é valorizada.
35) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?
Luizinho do Baixo: A primeira coisa que digo para quem quer ser músico profissional é que se tiver talento e vontade de trilhar está no caminho certo e estude e é muito importante ter humildade.
36) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?
Luizinho do Baixo: Acredito no dom, pois sem o talento e o dom musical é difícil chegar a um objetivo positivo.
37) RM: Qual seu conceito de Improvisação?
Luizinho do Baixo: É muito importante criar/improvisar na música.
38) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?
Luizinho do Baixo: Existem os dois tipos de improvisações, mas o estudo andam juntos.
39) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?
Luizinho do Baixo: É muito importante o método de improvisação, pois sem orientação de como improvisar fica difícil o instrumentista chegar a esse objetivo.
40) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?
Luizinho do Baixo: É muito importante o método de Estudo de Harmonia Musical.
41) RM: Você toca outros instrumentos?
Luizinho do Baixo: Além do contrabaixo, eu toco bateria, cavaquinho, teclado, violão, só não toco instrumentos de sopro.
42) RM: Quais os prós e contras de ser multi-instrumentista?
Luizinho do Baixo: É muito importante para o músico saber tocar mais de um instrumento, mas o multi-instrumentista é pouco valorizado.
43) RM: No passado existia a “dependência” do Baixo tocar “colado” com a célula do ritmo do bumbo da bateria. Quando o Baixo se tornou independente desse conceito?
Luizinho do Baixo: Quando expandiu os ritmos musicais no Brasil, o contrabaixo se tornou muito importante na música.
44) RM: Quais os compositores da Bossa Nova que você admira?
Luizinho do Baixo: Toquinho, Vinicius de Moraes, entre outros.
44) RM: Quais os compositores de Rock que você admira?
Luizinho do Baixo: Raul Seixas, entre outros.
46) RM: Quais os compositores do Samba e do Choro que você admira?
Luizinho do Baixo: Jacob do Bandolim, Dilermando Reis, Grupo Demônios da Garoa, entre outros.
47) RM: Quais os compositores da MPB que você admira?
Luizinho do Baixo: Moacir Franco, entre outros.
48) RM: Quais os seus projetos futuros?
Luizinho do Baixo: Hoje está difícil pensar em alguns projetos, até pela minha idade, 72 anos, (risos), por enquanto não vejo muitas possibilidades na área musical.
49) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?
Luizinho do Baixo: (11) 2071 – 2069 | (11) 98808 – 9519


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