Verônica Ferriani
Verônica Ferriani é cantora, compositora, instrumentista e produtora musical. Tem dez discos lançados, sendo quatro solo e seis em duo. Integra também dois álbuns coletivos, além de colaborar em projetos especiais diversos.
Gravou nos DVDs recentes de Yamandu Costa e de Toquinho, com quem esteve em turnê Voz e violão entre 2011 e 2018. Fez shows como convidada de Ivan Lins, Beth Carvalho, Spokfrevo Orquestra, Mart’nália, Noca da Portela, Xande de Pilares, entre outros. Dividiu o palco em projetos especiais com Monarco, Moska, Jair Rodrigues, Teresa Cristina, entre muitos outros.
Em 2009, lançou seu primeiro álbum, homônimo, com regravações lado B de Gonzaguinha, Paulinho da Viola e João Donato. Também gravou Sobre Palavras, com canções de Chico Saraiva e Mauro Aguiar. Liderou a Gafieira São Paulo, vencedora do vigésimo segundo. Prêmio da Música Brasileira (2011), como melhor grupo de samba. Convidada a representar a nova música no Projeto Novas Vozes do Brasil, parceria do Itamaraty e MinC com Embaixadas do Brasil pelo mundo, apresentou-se em festivais e importantes espaços do Japão, Rússia, Portugal, Argentina, Colômbia, Espanha e Israel.
Em 2013, lançou o 1o. disco 100% autoral, Porque a boca fala aquilo do que o coração tá cheio, em turnê que percorreu 120 cidades de 13 países. Seu álbum Aquário (2018) reiterou a força da compositora, trazendo a Verônica os Prêmios Catavento e Grão. O disco constou em listas como a do site Embrulhador, Bravo! e Revista Veja entre os melhores lançamentos do ano. Durante a quarentena 2020/21, criou o projeto de encontros Quarentênicas, em que gravou encontros virtuais, exibidos em seus canais no Youtube, Facebook e Instagram, com artistas como Chico César, Badi Assad, Rosa Passos, Ayrton Montarroyos, Filipe Catto, Simoninha, Cida Moreira, Moyséis Marques, Bruna Caram, entre muitos outros.
Em 2021, selecionada pelo ProAC Expresso, gravou e apresentou o projeto ’12 Anos em 6 Violões’, série de 6 encontros em que relê, em formato voz e violão, momentos importantes de sua trajetória. Junto a 6 grandes expoentes do violão brasileiro atual – Gian Correa, Cainã Cavalcante, Chico Saraiva, Marcelo Cabral, Swami Jr. e Manoel Cordeiro – trouxe repertório que abrangeu desde o lançamento de seu primeiro álbum, até o álbum Aquário e projetos rodados mas nunca antes registrados, como o Diário de Viagem Cantado. A série foi lançada nas plataformas digitais, mensalmente entre abril e setembro, ao longo do ano de 2022.
Em 2021, gravou em estúdio seu show Aquário em Concerto, com releituras de suas próprias canções e outras de Gilberto Gil, Criolo e Chico Buarque, arranjadas por Salomão Soares para formato de pequeno concerto popular – piano, cello e voz. Este show teve vasta circulação pelo interior de SP, além de constar entre os selecionados nos editais SESI e ProAC Circulação.
Em 2024, lança Cochicho no silêncio vira barulho, irmã, álbum autoral todo feito por mulheres diversas, com participações especiais de Mônica Salmaso, Assucena, Áurea Martins, Alessandra Leão, Flaira Ferro, Giana Viscardi, Lívia Mattos, Duo Siqueira Lima, Elodie Bouny, Anais Sylla, Joana Queiroz, Maiara Moraes, Wanessa Dourado, entre 30 grandes musicistas da atualidade.
Segue abaixo entrevista exclusiva com Verônica Ferriani para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 12/08/2026:
01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?
Verônica Ferriani: Nasci no dia 07/02/1978, em Ribeirão Preto – SP. Registrada como Verônica Meirelles Pereira Ferriani.
02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.
Verônica Ferriani: Meus pais (Carlos Roberto Ferriani e Flávia Meirelles Pereira Ferriani) se conheceram tocando violão e cantando num sarau. Sou filha de família de músicos amadores., queria fazer parte das rodinhas deliciosas que se formavam em torno da música. Aos oito anos de idade comecei aula de violão e descobri o canto como um grande prazer.
03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?
Verônica Ferriani: Sou formada na FAU-USP, em Arquitetura e Urbanismo. Depois cursei Música num Curso Livre chamado Groove, e faço aulas de canto.
04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?
Verônica Ferriani: Sempre me influenciei por nosso grandes cantores: Elis Regina, Nara Leão, Gal Costa, Nana Caymmi. Depois passei também a admirar outros de minha geração, de dentro ou fora do Brasil, como Mayra Andrade e Amy Winehouse. Já ouvi muito Mariah Carey e Whitney Houston também, hoje em dia, menos.
05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?
Verônica Ferriani: Em 2004, comecei a minha carreira musical a convite de Chico Saraiva. Ele havia vencido o Prêmio Visa edição compositores, gravou um disco como prêmio e precisava de uma cantora versátil para acompanhá-lo na turnê. Eu me encaixava nos requisitos, e ainda não cantava, tinha mais disponibilidade do que as cantoras que haviam gravado – Teresa Cristina, Ná Ozetti, Ceumar.
06) RM: Quantos álbuns lançados?
Verônica Ferriani: Lancei dez álbuns, sendo três autorais e sete com regravações. Seis deles são álbuns voz e violão, com violonistas importantes do cenário brasileiro, dentro do projeto 12 anos em 6 violões.
07) RM: Como você define seu estilo musical?
Verônica Ferriani: Sou fruto da MPB, mas hoje cabe discussão à sigla.
08) RM: Você estudou técnica vocal?
Verônica Ferriani: Estudo ainda técnica vocal, há muito para resolver em meu canto, sempre mais impulsivo e emocionado do que técnico. Sempre privilegiei o estudo rítmico e o estudo interpretativo.
09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?
Verônica Ferriani: A técnica vocal, desde que não seja a única prioridade, vai justamente liberar a voz para que a magia aconteça. Também para o profissional durar até o final da vida.
10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?
Verônica Ferriani: Gal Costa, Ella Fitzgerald e Maria Bethânia são rainhas para mim.
11) RM: Como é seu processo de compor?
Verônica Ferriani: Gosto de compor a partir da letra – e que a letra seja criativa, livre de bordões ou rimas consagradas. A melodia vai vestindo a poesia, que se maleabiliza. É um jogo interessante, que gosto de executar sozinha.
12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?
Verônica Ferriani: Componho sozinha.
13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?
Verônica Ferriani: A liberdade é uma vantagem, o excesso de funções é a desvantagem, pois pode te tirar o foco da música em si.
14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?
Verônica Ferriani: Já passei por muitas fases profissionais. Hoje tenho trabalhado também como pesquisadora musical e produzido vídeos informativos nas redes sociais. Isso me trouxe um público novo e bastante condizente com a música que faço, posto que valoriza os detalhes e riqueza de nossa música. Isso me permite viajar para outros polos, já que as mídias sociais ampliaram a geografia de meu público. Alterno-me, entre os tributos à Nara Leão e Cartola, e meu trabalho autoral mais recente, “Cochicho no silêncio vira barulho, irmã”.
15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?
Verônica Ferriani: A roteirização e gravação de vídeos com análises musicais diversas têm sido minha estratégia paralela ao canto em si. Os convites que me surgem paralelamente aos shows – prefácios de livro, jurada de festivais, palestras e workshops – mostram que há um reconhecimento neste sentido.
16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?
Verônica Ferriani: A internet não tem fronteiras, é de fato democrática. Mas a velocidade que vem sendo imposta pelos tipos de conteúdo e forma de absorver conhecimentos impactam diretamente na música: temos ouvido música em segundo plano, o que diminui a valorização dos detalhes poéticos e melódicos e também acabam por valorizar mais o que é impressionante do que o que emociona. A emoção precisa de tempo.
17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?
Verônica Ferriani: Eu gosto, na verdade, tenho gravado as vozes dos últimos discos em casa. Até porque depois de ser mãe o tempo fica mais curto, preciso de maleabilidade. A desvantagem talvez seja esta quantidade de músicas genéricas que entram no mercado, uma perda de qualidade.
18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?
Verônica Ferriani: A emoção ainda é meu maior trunfo. A cada show que faço, procuro tirar as pessoas do chão, dos problemas do dia a dia, e transportá-las a si mesmas, internamente. Tenho gostado também de contar histórias e fazer observações críticas que elas não ouviriam, não fossem ao show.
19) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira? Em sua opinião, quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Verônica Ferriani: Caetano Veloso e Roberto Carlos cantam cada vez melhor. Caetano continua também compondo lindamente, como Chico Buarque. Ambos nunca deixaram de evoluir. Revelações: Juliana Linhares, Flaira Ferro, Luisa Maita.
20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?
Verônica Ferriani: Puxa, depois de 20 anos já aconteceu de tudo um pouco, inclusive o que foi citado na pergunta. Não receber pelo seu trabalho é ruim, mas ser destratada de alguma forma ou não ter seu trabalho levado a sério é pior.
21) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?
Verônica Ferriani: Fazer música é um presente quando transcende a realidade, o cotidiano. Quando emociona. Triste é pensar que a maioria das músicas feitas hoje são randômicos, feitas por máquinas.
22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?
Verônica Ferriani: Certamente existem pessoas agraciadas com talento, ou mais sensíveis à música. Mas também acredito no estudo e na dedicação. Já vi muito músico bom morrer na praia, e muito cantor mediano superar aos demais.
23) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?
Verônica Ferriani: Improvisação é saber lidar com a surpresa.
24) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?
Verônica Ferriani: São duas formas de fazê-lo. Ambas formas de improvisação são válidas, louváveis. Eu gosto de brincar com o ritmo, cantar de formas variadas uma mesma frase – é um tipo de improvisação menos comentada do que a melódica, mas igualmente instigante a quem faz. Por isso tenho ministrado um curso de nome: Ritmo como pilar da interpretação, com o objetivo de gerar recursos a esta liberdade e ao encontro da personalidade interpretativa.
25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?
Verônica Ferriani: Eu não conheço bem os métodos de improvisação.
26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?
Verônica Ferriani: Também não sou estudiosa sobre harmonia musical. Me acompanho apenas o suficiente.
27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?
Verônica Ferriani: Tocam pouco em rádios mais comerciais, mais em rádios que não cobram jabá, isso pode ser um indício. Mas também porque não faço música pra tocar no rádio, são expressões de uma necessidade interna.
28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?
Verônica Ferriani: Descubra o que você quer alcançar através da música: emocionar, animar, sucesso, fama, prestígio. São coisas diferentes.
29) RM: Festival de Música revela novos talentos?
Verônica Ferriani: Creio que sim! Mas geralmente os Festivais de música repetem atrações. O bolo é dividido entre os mesmos, ao menos no mainstream. E vez em quando alguém rompe a barreira.
30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?
Verônica Ferriani: Creio que até a grande mídia esteja se dividindo em bolhas, setorizando-se. A quantidade de artistas é enorme, está mesmo difícil acompanhar tudo. O problema é quando só dão espaço ao que já conhecem, já que a função de um jornalista é ser também reportar descobertas, abrir espaço ao novo em que enxergue valor.
31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?
Verônica Ferriani: São essenciais, respeitosas e pela raridade de espaços assim não abarcam todos os artistas que mereceriam destaque.
32) RM: Quais os seus projetos futuros?
Verônica Ferriani: Estou começando a selecionar repertório para um novo disco em duo com um artista a quem admiro bastante. E sigo com os tributos em casas pequenas, persistindo neste encontro em formato intimista como uma troca necessária em nosso tempo.
33) RM: Quais seus contatos?
Verônica Ferriani: www.veronicaferriani.com.br | www.instagram.com/veronicaferriani
Canal: https://www.youtube.com/channel/UCXaISvF7kiF9bK5H0vAOA4w
Playlists: https://www.youtube.com/@VeronicaFerriani/playlists


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