Música Nativista: como ela marcou a cultura gaúcha e quais são seus principais festivais
Por Johnatha Barbosa da Silva
A música nativista é um estilo musical que foi reconhecido em 1970 como uma forma de revolucionar as canções gaúchas criadas até aquele momento. O próprio termo “gaúcho” era utilizado pejorativamente desde a época dos colonos para designar os habitantes do sul da América do Sul (Uruguai, Argentina, Paraguai, sul do Brasil etc). Portanto, o objetivo do estilo regionalista era valorizar as características de quem morava nesses territórios.
Por se tratarem de colônias europeias, a maioria das riquezas naturais dos países americanos eram retiradas e enviadas para a metrópole. Com isso, o estilo de vida das pessoas colonizadas era prejudicado, pois eram secundarizadas a todo instante. A partir disso, reconhecia-se o início do Nativismo, uma forma da população provar para os outros e para si mesmos que embora houvesse dificuldades, eles eram resistentes e orgulhosos de suas raízes.
Por isso, além de exaltar suas vivências, as músicas, transmitidas oralmente, eram o ponto de partida para a reflexão social e a busca de condições dignas para viver.
Entre os gêneros nativistas, podemos incluir: o chamané correntino, a milonga pampeana, a polca, a guarânia paraguaia, a vanea, o vanerão, o bugio, a chimarrita, o chote e a mazurca.
Já quando falamos de instrumentos musicais, é coerente citar: o violão (de nylon), o guitarrón, o baixo elétrico ou baixolão, o acordeon ou gaita-piano, a gaita-ponto ou gaita de botão, o bombo legüero e o violino.
Qual foi o marco que datou o Nativismo? A princípio, foi o festival de 1971 em Uruguaiana, nomeado “Califórnia da Canção Nativa”. A comemoração é realizada até hoje, sendo que a 47° edição foi celebrada em dezembro de 2025.
Além da música, as pessoas se vestem a caráter e o conjunto leva o nome “pilcha”, sinônimo de alguém elegante. Nesse conjunto, não pode faltar a bombacha, o lenço, a bota, a guaiaca e o chapéu para os homens; enquanto as mulheres geralmente usam vestido de prenda, sapatilhas e cabelos trançados e adornados. As comidas são típicas, a exemplo do churrasco no espeto, do carreteiro de churrasco, do feijão “mexido”, do pastel, da empanada, do arroz doce, do sagu com creme e do famoso chimarrão.
Outro destaque vai para as danças, tal qual o Balé Argentino “Cruz de Papel”, que se apresentou na última edição. Isso porque os sulistas adquiriram grande parte de sua cultura do país platino Argentina.
Toda essa riqueza cultural é tratada como entretenimento por muitos, mas com olhar crítico pelos jurados. Ao longo dos dias, os participantes recebem prêmios como melhores intérpretes, instrumentistas, melodias, etc. Os troféus levam nomes de grandes artistas do movimento, a exemplo de: César Passarinho, Aparicio Silva Rillo, João Chagas Leite e Bebeto Alves.
Você pode acompanhar mais detalhes nos perfis oficiais:
Site: https://californiadacancaonativa.com.br
Instagram: @californiadacancaonativa
Facebook: Califórnia da Canção Nativa
Youtube: Califórnia da Canção Nativa
Spotify: Califórnia da Canção Nativa
Desde o tempo em que o Nativismo não tinha um nome oficial, já conquistava grande afeição pelos sulistas. A organização dos eventos leva o mesmo rigor da avaliação das competições citadas. É possível constatar isso quando voltamos a 1980 e analisamos as matérias da Revista Nativista, a qual foi utilizada como uma das referências deste artigo.
No periódico, identificamos análises dos jornalistas locais que enaltecem a potência do movimento com críticas aos que se apresentam nos festivais. Porém toda essa exigência não é cobrança, apenas simboliza o orgulho e a honra em contemplar artistas com as mesmas vivências e vitórias diárias do povo. Reflexo disso são os investimentos do governo e empresas patrocinadoras que visualizaram potencial para que os festivais permanecessem até hoje.
Embora a Califórnia da Canção Nativa tenha sido a fundadora oficial, ainda existem outros eventos similares. É o caso do “Carijo da Canção Gaúcha” (Palmeira das Missões), com 39 edições que ocorrem de Maio a Junho. Por fim, a “Gauderiada da Canção Gaúcha” (Rosário do Sul), a qual soma 38 edições realizadas do final de janeiro até o começo de fevereiro.
Acompanhe as redes do Carijo da Canção Gaúcha em:
Site oficial: https://carijo.rs
.Instagram: @festivalcarijo
Youtube: https://youtube.com/@festivalcarijo?si=s_rChLuOz-A-bnnG
O festival Gauderiada da Canção Gaúcha não possui redes sociais oficiais até o momento, apenas perfis de tributo. Para consultar mais informações dos próximos eventos, orientamos que acesse os meios de comunicação oficiais da Prefeitura de Rosário do Sul quando estiver próximo da época do evento.
Site: rosariodosul.rs.gov.br
Instagram: @prefeituraderosariodosul
Facebook: Prefeitura de Rosário do Sul
Se para você é muito difícil ir até o Rio Grande do Sul prestigiar esses emblemas musicais da identidade gaúcha, recomendo que pesquise pelo Centro de Tradição Gaúcha (CTG) mais próximo de você. Atualmente, existem em torno de 1300 unidades em todo o Brasil, responsáveis por democratizar o Nativismo e demais elementos sulistas.
Revista Nativista: https://pt.scribd.com/document/498712892/REVISTA-NATIVISMO-N%C2%BA1


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