Marcos Bentes
Marcos Bentes é o décimo filho de uma família de 12 irmãos, participava desde criança nos saraus realizados na casa dos pais.
Na sua casa a música se fazia presente sempre, com uma diversidade de audições (de ópera a samba de breque, de MPB a moda de viola, de Beatles a Noriel Vilela) e de interpretações, pois todos gostavam de cantar, alguns compunham, outros eram violonistas, bandolinistas, pianistas, flautistas e percussionistas. E este modelo de pertencimento e participação contagiou filhos, netos e vizinhos dos seus pais!
Marcos Bentes é de produtor cultural (R&B Arte e Cultura), poeta, contista, e músico autodidata, sendo finalista de festivais de música da região sul do RJ, nos anos 70, como letrista, violeiro, violonista, percussionista e arranjador.
Marcos Bentes realiza pesquisas sobre as músicas folclóricas das regiões de Santa Bárbara e Conceição de Ibitipoca (MG), da serra de São Francisco, Valença (RJ), e do Vale do Rio Preto (RJ/MG), nos anos 80.
Atualmente tem participado de estudos específicos sobre “Trilha sonora: a música da imagem” (com David Tygel), “Introdução à Música Eletroacústica” (com Marcus Neves), “Escuta criativa, mimetismo e transformação” (com José Augusto Mannis), “Difusão ao vivo de música eletroacústica” e “Mostra de Música Eletroacústica” (com Bryan Holmes).
Desde 2011 atua na produção artística e executiva de fonogramas próprios e de terceiros, através da R&B Arte e Cultura. Sua produção tem como ênfase as músicas erudita, contemporânea e/ou experimental, sem perder de vista e de acesso à moderna música brasileira independente.
Segue abaixo entrevista exclusiva com Marcos Bentes para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 22/06/2026:
01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?
Marcos Bentes: Nasci no dia 04/01/1956 em Volta Redonda, RJ. Registrado como Marcos André da Gama Bentes. Filho de Augusto da Gama Bentes e Maria Joanna Bello Bentes.
02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.
Marcos Bentes: Décimo filho de uma família de 12 irmãos, onde música, poesia e saraus domingueiros eram uma prática comum.
Assim, todos cantavam e tocavam algum instrumento, com repertório bem variado, de Catulo da Paixão Cearense a Cazuza, de Noriel Vilela a Beatles, de Tonico e Tinoco a Legião Urbana, de Ângela Maria, Cauby e Trio Iraquitã a Roberto Carlos, Raul Seixas e Rolling Stones, passando por todas as gerações presentes no grupo familiar. Com o tempo começaram a aparecer as canções autorais, que foram sempre incentivadas pelos mais velhos.
03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?
Marcos Bentes: Mestre em Engenharia Metalúrgica, pela PUC-RJ, com cursos de especialização na gestão de projetos industriais, no Brasil e no exterior.
04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?
Marcos Bentes: Meu primeiro instrumento musical, comprado com o meu primeiro salário enquanto eletricista em siderúrgica, aos 17 anos, foi uma viola caipira de 10 cordas, que eu tocava Beatles, Led Zeppelin e, acompanhando minha mãe e tias, que tinham uma vivência da vida na roça, algumas modas caipiras doa anos 50 e 60.
Além de muita música clássica e óperas, que eram muito apreciadas por dois dos meus irmãos mais velhos, que também me influenciaram muito na infância e adolescência.
As influências de músicas religiosas e de doutrinas filosóficas diversas fizeram parte desta formação, uma vez que as várias religiões se fizeram presentes no ambiente familiar: catolicismo, protestantismo, espiritismo, umbandismo, rosacrucianismo…
Participando de grupos musicais, onde a pesquisa sonora de ritmos considerados raízes, em comunidades quilombolas e também de imigrantes europeus, tanto no Vale do Paraíba (SP e RJ), bem como no Vale do Rio Preto (RJ e MG).
Convivendo com mestres das culturas locais, em Conceição de Ibitipoca (MG), Maromba (RJ), São Francisco de Valença (RJ), entre outras localidades, cultivamos repertório mesclando essas influências locais com soft-power cultural norte-americano (jazz, rock in roll, musicais etc).
Como esta base musical está vinculada a uma base de formação do caráter, ambos ajudaram a moldar a minha personalidade. E todas essas informações contribuíram muito na minha atual atividade de produtor musical.
05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?
Marcos Bentes: Considero o marco inicial do processo de compositor e intérprete, a participação ativa no Grupo Terral, de pesquisa e música regional, nos anos 80.
Vozes, violão, viola de 10, flauta e percussão, fizeram do Terral um grupo musical no Vale do Paraíba, com presença obrigatória em vários festivais de música pelo interior do RJ e MG, prática comum naqueles anos que antecedem a internet!
Quando me transferi para o ES, por questões profissionais fora da área musical, busquei manter alguma proximidade com grupos afins. Mas, neste estado, à época (anos 90), a atividade cultural predominante era o som instrumental, com boas performances de grupos de jazz.
Assim, começamos a trabalhar com produção musical para trabalhos autorais instrumentais e de experimentalismo sonoro, criando e administrando algumas mostras de músicas contemporâneas.
06) RM: Quantos álbuns lançados?
Marcos Bentes: Um total de 42 álbuns, distribuídos da seguinte forma: Onze CDs com produção autoral e interpretação como Marcos Bentes: 12 minutes; Apenas uma canção; As várias faces da lua; Concert for voices, noises, pre-recorded music, viola caipira and museum; Mausoleum; Motus 5; Nigra Bloko; Para o vovô curtir antes de dormir; QuarenTemas – Diálogos Interiores; Silêncio Iluminado; The Movie Song.
Sete CDs com produção autoral e em parcerias: Tunnelen (com Paula Galama); 3 amigos (com Miguel Fabrício e Fábio do Carmo); Contemporâneos – Concerto Sesc Partituras 2017 (obras de Jaceguay Lins e Marcos Bentes); O fim da tarde que não iniciou (com Nei Mesquita); Concerto Paisagens Sonoras (com vários artistas); Flowers, Birds and Sounds (vários intérpretes); Simples (Orquestra Concertando S/A).
Quinze CDs com produção autoral e interpretação como åndrè G.: 1; 2; Made in China; On-the-road; PATMOS; Portal das Bestas; SHAME; erudisk (com fIA trappoviskj orkestrak); AVIÓN (com Grupo IslA); ESCRIBIR (com Grupo IslA); åndrè G. & orkestrak interpretam Duo Jazz (com Duo Jazz); Mastela, a bela; SOLO (com tAI criss); ztå & suno boys (com zAI zing e tAI criss); ztå & suno boys and girls (com zAI zing e tAI criss).
Três CDs com produção autoral e interpretação como André da Gama: Berlin; ForrOslo; Roma.
Seis CDs com produção autoral e em parcerias, participando de grupos musicais: Balaio Encantado (grupo Balaio Encantado); Construção do Simples y otras cosas màs! (com Fábio do Carmo); Construção do Simples (com Grupo Ferrabrás); TERRAL – Clássicos (Grupo Terral); Happy New Years (Moita Blues Band); MOITA BLUES BAND (Moita Blues Band).
07) RM: Como você define seu estilo musical?
Marcos Bentes: Tal qual a produção musical gravada e apresentada, considero o meu estilo diversificado, com ênfase na música experimental. Mas, por influências diversas e por épocas datadas, tenho muitas canções, onde a harmonia predomina.
08) RM: Você estudou técnica vocal?
Marcos Bentes: Não de forma convencional. Mas convivi com profissionais que ensinavam formas e maneiras de explorar o potencial vocal.
09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?
Marcos Bentes: Fundamental para todas as pessoas, independente da aplicação do uso da voz – professores, intérpretes musicais, entre outras tantas atividades profissionais.
10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?
Marcos Bentes: Elis Regina, pela potência e domínio da respiração. Cassia Eller, pela emoção e timbre rock’in roll, Tetê Espíndola, pela singularidade sonora…
11) RM: Como é seu processo de compor?
Marcos Bentes: Já experimentei de tudo: musicar poesias próprias ou de terceiros; colocar letras em melodias próprias ou de terceiros; criar música com letra, ao mesmo tempo, que é muito impactante, principalmente quando vem pronta, depois de um sonho ou ao acordar ou na madrugada ou numa caminhada…
12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?
Marcos Bentes: Os mais antigos, da época do Grupo TERRAL: Fernando Magalhães e Miguel Fabrício. Meus irmãos de várias experimentações musicais: Mateus Bicalho, Nei Mesquita, Sérgio Bentes. E meus avatars digitais: åndrè G., tAI criss. Minha amiga intérprete Paula Galama.
13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?
Marcos Bentes: Financeiramente é recomeçar todo dia do nada! A gestão de carreira musical ainda é algo pouco explorado e ensinado, apesar de agora, com o mundo digital, existirem muitos “profissionais” influenciadores. Mas a experiência gerada nesta vivência é algo indescritível!
14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?
Marcos Bentes: Hoje, devido à disponibilidade e à disposição física, a minha carreira está toda voltada para o meio digital, com ênfase na divulgação dos álbuns digitais.
15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?
Marcos Bentes: Criar contatos que viabilizem a divulgação da produção musical, buscando os nichos que vinculem aos estilos produzidos: instrumentais, canções, experimentais, jazz…
16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?
Marcos Bentes: Considero a internet um meio fundamental de divulgação da obra musical, considerando as inúmeras possibilidades de contatos, de interrelação entre culturas díspares, de aproximações improváveis entre artistas diversificados… Tudo isso com o potencial de divulgação que as parcerias e as aproximações possibilitam, onde o ganha-ganha acontece sempre!
O lado ruim é o ganho financeiro, que ainda é minúsculo para o artista, diante do potencial da ferramenta!
17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?
Marcos Bentes: Mais e mais artistas vão ter a oportunidade de mostrar a que veio, neste potencial que o “home estúdio” possibilita.
18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?
Marcos Bentes: Diversificação e interrelação entre culturas, com a busca e o uso crescente das web-rádios!
19) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileiro? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Marcos Bentes: O contato com o Brasil profundo indicou que a música popular brasileira é muito mais diversificada e surpreendente do que imaginávamos, vivendo no microcosmo sudeste!
Chico Science, guitarrada, as diversas manifestações folclóricas de Norte a sul, os povos originários e as misturas que o mundo digital possibilita, nos trazem novidades constantemente!
20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?
Marcos Bentes: A primeira apresentação pública, enquanto músico de banda, aconteceu em 1972, com 16 anos, portanto menor de idade, tocando percussão (bongô) num grupo musical chamado Mão Direita.
Está apresentação aconteceu numa boate na zona de meretrício, onde eu tinha que ficar num canto do palco próximo à porta que dava acesso aos fundos. Era a rota de fuga, tantas vezes ensaiada, caso a polícia chegasse!
Outra situação inesperada aconteceu quando fazia a trilha sonora, ao vivo e ao piano, para um grupo de teatro infantil, na peça Coelhinho Pitomba. Todas as apresentações eram realizadas em teatros e salas que o piano ficava escondido, o que possibilita a intervenção sonora na peça infantil, sem querer eu aparecesse.
Até que fomos fazer esta apresentação num auditório de uma escola em que o piano era chumbado (nunca entendi o porquê!) no meio do palco. Está situação impossível a minha presença no palco durante toda a peça, devidamente caracterizado como um palhaço apresentador de cada evento e personagem, tendo que encarnar um personagem e uma voz que nunca havia experimentado antes! Foi terrível!
21) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?
Marcos Bentes: A criação musical, as histórias sobre músicos e audição musical, possibilitam verdadeiros momentos de alegria e satisfação intensas.
A baixa valorização dos músicos, principalmente os instrumentistas, bem como o desrespeito com os compositores, entristece qualquer um!
22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?
Marcos Bentes: O que chamamos muitas vezes de dom musical é, na verdade, consequência de muitos erros e acertos, de muito trabalho, muita disciplina!
Mesmo àquelas crianças ditas prodígios foram envoltas em uma atmosfera artística intensa, desde cedo. E o trabalho, muitas das vezes colocados como a única forma de serem reconhecidas e valorizadas enquanto gente, fizeram a sua parte.
23) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical? Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?
Marcos Bentes: Muita escuta, muita leitura, formatam e temperam nossa capacidade de criar, juntando partes de coisas lembradas e desenvolvidas pela criatividade, e explorando os instrumentos que temos a disposição (voz, inclusive).
A junção de tudo isto, somado às deixas musicais possibilitadas pelos “cúmplices e parceiros” nesta empreitada, geram a tal improvisação, as Jazz/Jan/Sessions, muitas das vezes temperadas pelos veículos de libertação mental disponibilizados pelos “pajés” do momento!
24) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?
Marcos Bentes: O melhor e o mais eficaz método é aquele que possibilita a escuta musical na sua plenitude!
Aquele que escuta de tudo e de todos, aprendendo a ouvir e estudando essas audições, que grava tudo que faz para ouvir depois, que busca novas culturas, outras manifestações artísticas, vai criando uma base de dados que, quando solicitada a imergir, transborda atmosferas e “mares, nunca dantes navegados”!
25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?
Marcos Bentes: Todo método é uma tentativa de comunicação entre pares! Se a comunicação não produz os efeitos desejados ou não se faz plenamente, o problema está no comunicador!
26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?
Marcos Bentes: Esta é a prática capitalista, usada desde que a indústria musical começou! Hoje, existem alternativas interessantes, como os coletivos entre artistas e seus parceiros, fãs, amigos!
As rádios Web também possibilitam algumas manifestações integradas em determinados nichos musicais.
27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?
Marcos Bentes: Persistência, determinação e sinceridade de propósitos. Quando cantamos e ou tocamos com prazer, com alegria, dando o melhor das nossas emoções, contagiados positivamente alguém!
28) RM: Festival de Música revela novos talentos?
Marcos Bentes: Sou de uma geração que cresceu e apareceu via festivais de música. Hoje temos novas configurações destas mostras de talentos, que continuam valendo como mídia de divulgação dos artistas.
29) RM: Quais afinações você usa na Viola?
Marcos Bentes: Comecei a tocar com a afinação conhecida como Cebolão em Mi Maior (E). Hoje uso mais a Cebolão em Ré Maior (D).
Utilizei também a inversão de posição das cordas oitavadas com a fina acima e a grossa abaixo. Numa gravação no exterior (ver álbum Mausoleum) utilizei também a afinação chamada Natural/Tradicional (em Sol Maior, qual um violão), visando explorar o eco disponível do local.
30) RM: Quais as principais técnicas o violeiro tem que conhecer?
Marcos Bentes: Sou fã do ponteado, com o uso da técnica de pedal (nota fixa), onde me adaptei bem, explorando o potencial da sonoridade qual dois instrumentos tocando juntos. Mas todo violeiro tem que conhecer todas as técnicas possíveis!
31) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?
Marcos Bentes: O cenário da Música Sertaneja, com vínculo ao uso do dinheiro público e a reprodução de duos similares, formatados e financiados pelo agronegócio, cansou. Pasteurizado e bebendo da mesma fonte, este modelo vai esgotando.
As festas e manifestações culturais no Brasil profundo, ainda produzem alguma autenticidade na forma caipira de cantar e tocar. Mas a massificação deste produto cultural é uma realidade, que vai ter consequências.
Gosto de tudo que o violeiro e estudioso do assunto, Ivan Vilela, produz! Paulo Freire, Roberto Corrêa, Fernando Deghi, Helena Meireles, Cássio Nobre, são violeiros exemplares. Ricardo Vignini e Zé Helder, por aproximarem a Viola Caipira ao Rock, são minhas atuais referências!
32) RM: Quais os vícios técnicos o violeiro deve evitar?
Marcos Bentes: Acreditar que não tem mais nada a aprender é o maior erro no domínio de qualquer instrumento musical. Solar é muito bom, mas fazer acompanhamento é fundamental.
33) RM: Quais os erros no ensino da Viola?
Marcos Bentes: O grande conflito no ensino da música, nas escolas tradicionais, é dar as costas para o potencial deste instrumento, que sempre teve uma prática voltada para as festas populares.
Outro erro é não perceber o caráter aglutinador do uso da viola, a diversidade de ritmos caipiras (17, segundo Ivan Vilela, que é “algo impensável em qualquer outro gênero da música popular brasileira!”), e a capacidade de transferência de conhecimento pela imersão nas culturas populares.
34) RM: Tocar muitas notas por compasso ajuda ou prejudica a musicalidade?
Marcos Bentes: Depende do resultado que se quer obter, do naipe de instrumentos que estão produzindo junto, da proposta musical que o arranjador e ou compositor propõe!
Heraldo do Monte, entre outros violeiros deste naipe, utilizou deste recurso em algumas músicas, jazzisticamente, com qualidade.
Ivan Vilela (ele, de novo!), tem experimentado o ato de tocar a viola (preparada com mais distância entre as cordas duplicadas), utilizando de uma técnica iniciada por Renato Andrade (pinçar uma corda somente), potencializando a ideia da técnica das dez cordas, que dá agilidade e explora sonoridades que ampliam o número de notas por compasso, sem comprometer a musicalidade.
Apesar de não ser este o objetivo desta técnica, ela corrobora a ideia de que estamos diante de um instrumento musical que tem muita história pra contar ainda!
35) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?
Marcos Bentes: A grande mídia hoje está nas mãos das corporações financeiras, dos bancos. A arte não é interessante para estes donos do dinheiro, a não ser para explorar os artistas já estabelecidos.
Os independentes, os novos artistas, quem está iniciando nesta jornada, vai ter que contar com a mídia independente, com as rádios Web, com outros meios alternativos, tais quais utilizamos nas do mundo digital, com as rádios piratas…
36) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?
Marcos Bentes: Estes são portas de acessos aos artistas que já têm algum público e que mantém algum contato com os curadores destes espaços.
38) RM: Quais os seus projetos futuros?
Marcos Bentes: Tenho explorado o uso da IA enquanto ferramenta de apoio a minha criação, abrindo um leque de possibilidades ainda não totalmente explorado!
E a produção musical própria e de terceiros, tem me proporcionado uma satisfação pessoal, bem ajustada aos meus recursos e a minha disponibilidade.
39) RM: Quais seus contatos?
Marcos Bentes: Enquanto produtor musical: (27) 99292 – 3320 /
https://www.rbarte.com / [email protected] / https://www.instagram.com/rbarteecultura
Enquanto músico, compositores e intérprete: http://polifonia.art.br/marcosbentes / [email protected]
/ https://www.instagram.com/marcosbentes56
/ https://www.facebook.com/MarcosBentes60
Canal: https://www.youtube.com/watch?v=kyFamYJTjyA
Canal: https://www.youtube.com/channel/UCgILF-0QaRtNbBdKoIz40Jw/featured
Links importantes: https://soundcloud.com/marcosbentes
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