Andréa Carneiro

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Violeira, compositora e pesquisadora carioca Andréa Carneiro é mestra em Música Brasileira / UNIRIO (com a dissertação “Viola – do sertão para as salas de concerto: a visão de quatro violeiros”).

Publicou como organizadora o livro Viola Instrumental Brasileira (Artviva Editora, 2005). Foi professora do curso de graduação Cordas Brasileiras Dedilhadas no Conservatório Brasileiro de Música/RJ na disciplina Viola 10 cordas (de 2007 a 2014).

Participou de oficinas de viola ministrada por Roberto Corrêa, Ivan Vilela, Braz da Viola e Fernando Deghi. Em 2010, lançou Chegança, seu primeiro CD autoral. Recebeu o Prêmio Rozini de Excelência da Viola Caipira na categoria Literatura e na categoria Violeira. Participou da 2ª. edição do Voa Viola com o Duo Cordas de Pareia.

Participou em 2022 do Festival de Música 100 anos de Rádio no Brasil com a música Maracatu, na Categoria Música Instrumental. Desde 2000 vem se apresentando e desenvolvendo trabalhos solo e em grupo, de ensino e de pesquisa com o instrumento viola. É uma das idealizadoras e integrantes do Coletivo do Movimento Rio de Violas, responsável pela realização de sete edições do Encontro de Violeiros do Rio de Janeiro (2018-2025).

Segue abaixo entrevista exclusiva com para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01/06/2026:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Andréa Carneiro: Nasci no dia 24/08/1963 no Rio de Janeiro (RJ). Registrada como Andréa Carneiro de Souza.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Andréa Carneiro: O meu primeiro contato com a música acho que foi na escola. Tínhamos uma aula de música, a professora levava o violão para cantarmos. A partir daí quis aprender a tocar violão.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Andréa Carneiro: Fiz graduação em Musicoterapia (CBM) e Licenciatura Habilitação em Música (UNIRIO) e Mestrado em Música (UNIRIO). Estudei um período na Pró-Arte (RJ), fiz alguns cursos de férias de Viola / Oficinas de Música.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Andréa Carneiro: Minhas influências musicais são muitas. Talvez destaque a Música instrumental Brasileira, a Música Popular Brasileira e a Música Tradicional. Todas continuam tendo importância.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Andréa Carneiro: Não tenho um registro claro sobre isso, mas de alguma forma penso que na adolescência comecei a participar de atividades que se tornaram importantes, como, apresentações musicais e participações em Festivais de música nos anos 80. Comecei em dado momento também a dar aulas de música / violão.

06) RM: Quantos álbuns lançados? 

Andréa Carneiro: Lancei um álbum – Chegança (2010).

07) RM: Como você se define como Violeira?

Andréa Carneiro: Uma Violeira que gosta da Viola Instrumental e de conhecer os diferentes “universos” onde a Viola está presente.

08) RM: Quais afinações você usa na Viola?

Andréa Carneiro: Cebolão em Ré maior (principal), Rio Abaixo, Natural (eventualmente) e Boiadeira (atualmente venho descobrindo esta afinação).

09) RM: Quais as principais técnicas o violeiro tem que conhecer?

Andréa Carneiro: São inúmeras as técnicas existentes no mundo da Viola. Penso que a escolha da técnica deve estar ligada à musicalidade de quem está tocando. Quando um violeiro tem um gênero musical preferido, acredito que ele naturalmente vai se “aproximar”, aprender a técnica que está sendo utilizada nas músicas que gostaria de tocar.

10) RM: Quais os violeiros que você admira?

Andréa Carneiro: Nossa, são muitos!! Talvez destaque o Roberto Corrêa por ter me “apresentado” de uma forma “pratica” a Viola. Refiro-me aos acompanhamentos característicos da Viola Caipira, aos solos instrumentais que encontrei nos seus métodos, a ligação dele com as suas composições e com as pesquisas que vem realizando ao longo do tempo.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Andréa Carneiro: Já há algum tempo, venho fazendo músicas a partir de “brincadeiras” com a viola, um tocar sem “compromisso”, bem espontâneo. Quando gosto de alguma ideia musical “fixo” na memoria ou gravo. Acredito que as ideias musicais te chamam (risos) para trabalhar nelas. Assim, vou escolhendo os novos “caminhos sonoros” e desenvolvendo as ideias que vão surgindo.

12) RM: Quais as principais diferenças técnicas entre a Viola e o Violão?

Andréa Carneiro: Acredito que as principais diferenças técnicas surgem a partir das músicas, do repertório e das características físicas, sonoras de cada instrumento (cordas duplas, de nylon, como produzir um som, etc), mas creio que há um “aproveitamento” técnico quando já se tem alguma base num dos dois instrumentos.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Andréa Carneiro: Sempre fiz música de forma independente, caminho que sempre foi natural para mim. Penso que o desenvolvimento, independente do trabalho, abrange não só um fazer artístico, mas um certo conhecimento em outras áreas, como captação de recursos (inscrição em editais culturais, conhecer leis de incentivo) e de divulgação (mídias e redes sociais). Neste sentido, o “volume” do trabalho aumenta.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco? 

Andréa Carneiro: De certa forma, o meu planejamento se baseia diretamente nos projetos em que estou atuando, sejam autorais ou coletivos. Aqui, destaco a importância de como o projeto foi pensado, foi sendo elaborado e como foi a sua execução no palco.

Um Exemplo: um Roteiro para uma apresentação Musical – compreende a seleção das músicas, a elaboração de algum arranjo, a preparação do(s) instrumento(s), a manutenção de uma técnica que viabilize a performance, organização do palco etc.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Andréa Carneiro: As ações que pratico para desenvolver a carreira estão vinculadas à natureza dos projetos que estou realizando ou que gostaria de realizar, seja na área artística, de pesquisa e/ou de ensino. Estas ações vão ocorrendo a partir das demandas do trabalho, da necessidade de estudo etc. Neste momento, estou me atualizando nas e com as mídias digitais.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Andréa Carneiro: As mídias e redes sociais possibilitam a visibilidade do seu trabalho e conhecimento de (muitos) outros. A internet ajuda no acesso a bibliografias, acervos, banco de dados, como também cria possibilidades de reuniões online. Por vezes, é “prudente” se ter um filtro nas inúmeras buscas de informações / conhecimentos que podem ser feitos a partir da internet.   

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)? 

Andréa Carneiro: Eu não utilizo um home estúdio, mas acho que é uma boa opção. Talvez, principalmente para uma pré-produção. 

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Andréa Carneiro: Não penso muito nisso. Sigo fazendo música, arranjos e escolhendo o que gostaria de gravar.

19) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Andréa Carneiro: Não sei. Eu não tenho acompanhado muito o cenário da música Sertaneja.

20) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Andréa Carneiro: O que me deixa mais feliz é de estar em contato com a música.  

21) RM: Quais os outros instrumentos musicais que você toca?

Andréa Carneiro: Violão.

22) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja Caipira/Raiz. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Andréa Carneiro: Não tenho uma opinião “consistente” sobre este tema, mas acho que é um cenário que está sempre se renovando. Vejo uma nova geração tocando viola com destreza, fazendo releituras de clássicos da música caipira, a presença feminina conquistando novos espaços. Há uma “troca” entre gerações bem interessante. Ano passado presenciei isto através das homenagens que vi do centenário da Inezita Barroso.

23) RM: Quais os vícios técnicos o violeiro deve evitar?

Andréa Carneiro: Os “vícios” que “fazem mal” ao corpo: tensão muscular / tendinite, etc).

24) RM: Quais os erros no ensino da Viola?

Andréa Carneiro: Não penso em “erro”. Penso em como passar, transmitir um conhecimento da Viola para a outra pessoa (músicas, técnicas, histórias). É importante contextualizar este processo de transmissão, ele ocorre em diferentes situações, lugares e é um processo bem dinâmico. Talvez possamos avaliar mais à frente algum “erro” no ensino ou encontrar novos conteúdos e formas de ensinar.       

25) RM: Tocar muitas notas por compasso ajuda e prejudica a musicalidade?

Andréa Carneiro: Acho que a musicalidade não se refere, não se traduz ao numero de notas tocadas por compasso.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Andréa Carneiro: Siga em frente. Acho interessante ficar atento às “sinalizações” que podem aparecer durante a caminhada.

27) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Andréa Carneiro: Existem muitas metodologias no ensino da música. Cada uma tem seus objetivos, seus parâmetros “pré-definidos”, como por exemplo a escolha do conteúdo e o modo que este conteúdo será trabalhado.

Como estamos falando de um processo de ensino-aprendizagem é importante que haja “sintonia” entre o método e o aprendiz, que o conhecimento seja transmitido, que este processo faça sentido e seja produtivo.

28) RM: Existe o Dom musical? Qual a sua definição de Dom musical?

Andréa Carneiro: Na minha visão, ter o Dom é ter uma “facilidade” para tocar, para “entender”, “interagir com o som, com os elementos da música.

29) RM: Qual a sua definição de Improvisação?

Andréa Carneiro: Estou entendo a improvisação como “algo” espontâneo, uma criação que ocorre em tempo real.   

30) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Andréa Carneiro: Acredito que existe improvisação, mesmo quando o músico tenha estudado antes e que este estudo tenha sido uma referência para o improviso. Talvez a intenção e a espontaneidade do momento possam diferenciar esta questão.

31) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Andréa Carneiro: Não conheço muitos métodos de Improvisação.

32) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Andréa Carneiro: Não saberia precisar, mas vejo que deve haver uma certa ligação entre o que os métodos propõem e a prática musical de quem está estudando. Gostei muito de ter estudado e ter visto na Universidade diferentes “tipos de harmonia” (modal, funcional, “erudita”).

33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário musical brasileiro?

Andréa Carneiro: Geralmente a grande mídia não “cobre” a riqueza musical que existe, por exemplo, no Brasil. Por vezes, encontramos esta diversidade na internet.

34) RM: Qual a importância de espaço como SESC, Itaú Cultural, Caixa Cultural, Banco do Brasil Cultural para a música brasileira?

Andréa Carneiro: São Instituições importantes pois patrocinam e divulgam a arte, os músicos e os trabalhos de pesquisa musical. Possibilitam também a formação de publico, criando acesso à Arte (através de exposições, oficinas, shows, palestras etc), enriquecendo a música brasileira, a nossa cultura e a nossa sociedade.

35) RM: Quais os seus projetos futuros?

Andréa Carneiro: Lançar um Álbum / singles de músicas autorais, continuar participando dos trabalhos musicais (Cordas de Pareia, Duo de flauta e viola, Violas do Rio) e do Coletivo do Movimento Rio de Violas.   

36) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Andréa Carneiro: (21)981297382 / [email protected] / https://www.instagram.com/andreacarneiro.viola

Fala Viola – 08 – Andréa Carneiro – Caipirando Alma Carioca de Viola: https://www.youtube.com/watch?v=t9pbLNc6SBE

Nossos Violeiros – Episódio I com Andréa Carneiro: https://www.youtube.com/watch?v=KZfREm12-dM

Grupo Caipirando e Professora Andréa Carneiro…. Luthier Brás da Viola na plateia: https://www.youtube.com/watch?v=cONGiZdiHxo

Livro: https://www.estantevirtual.com.br/busca/viola-instrumental-brasileira


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