More Vania Abreu »"/>More Vania Abreu »" /> Vania Abreu - Revista Ritmo Melodia
Uma Revista criada em 2001 pelo jornalista, músico e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Vania Abreu

Compartilhe conhecimento

Dona de uma bela voz e de um repertório que mistura canções do Brasil profundo e urbano, Vania Abreu gravou em seus álbuns autores como, Arnaldo Antunes, Chico César, Zeca Baleiro, Lucas Santana, Assis Valente, Ednardo, Rita Lee, Carlos Careqa, Paulo César Pinheiro, Marcelo Quintanilha, Tenison Del Rey, Roberto Mendes, Capinam, Jorge Portugal, Márcio Mello, Milton Nascimento, Dorival Caymmi, Caetano Veloso e outros importantes nomes da música.

Na estética musical, Vania mistura brasilidade com elegância, dando toques de requinte ao mais popular e simplificando o mais erudito. Em seu primeiro álbum intitulado “Vania Abreu” (1995), pela Warner/Continental, o que se ouve é um perfil da novíssima MPB; um som mais pop que revela no disco junto à sua voz, também os novos compositores brasileiros. A faixa “Meu sonho não”, é tema do filme “Fica Comigo” de Tzuka Yamazaki. 

“Pra mim” (1997), seu segundo álbum, tem as assinaturas de Guto Graça Mello na produção; Paulo Dáfilin, na direção musical; e Dori Caymmi, no arranjo de cordas, tendo sua quarta faixa, “Ser igual é legal” incluída na trilha sonora da novela “Anjo Mau” da Rede Globo.

Vania Abreu sabe da importância de construir um repertório próprio, inédito. Assim foi afirmando ao longo de sua discografia, sua identidade e seguiu afirmando-se com os álbuns: “Seio Da Bahia” (1999, produzido por Paulo Dáfilin); “Eu Sou A Multidão” (2003, produção do mesmo Paulo Dáfilin); “Misteriosa Dona Esperança (2007, produzido por Serginho Rezende); “Flor da Bahia” (2009, Produção de Paulo Dáfilin); “Antes de Hoje ao Vivo” (2017, produzido por Xinho Rodrigues e Vania Abreu).

Há mais cinco singles a contar em sua discografia: “Dó de mim” lançado em 2009; “Eu e Meu Amor” lançado em 2017; “Meu Sotaque” em 2018; em 2019, o single com nova versão da canção “Seio da Bahia”, pela comemoração de 20 anos do lançamento álbum homônimo; “Carne Crua” feat. Giovani Goulart em 2021 e o duo com o violonista Camilo Carrara intitulado “Rosas” em 2022, todos em formato digital.

Da discografia, destacamos ainda, o lançamento do álbum “Pierrot e Colombina” no ano de 2006, produzido por Maurício Tagliari, um projeto especial de Vania Abreu (seu quinto álbum de Carreira) e do cantor e compositor Marcelo Quintanilha, que é um “conto de carnaval”. Um disco para entrar para os clássicos da música brasileira.

A qualidade de seus projetos e espetáculos; o encanto de sua voz e a beleza de sua música têm formado um público cativo, o respeito da crítica e a parceria com músicos consagrados.

Dentre os muitos projetos artísticos que participou, vale lembrar: “A gema do novo”, álbum lançado em 1996, pela Rádio Musical FM que reúne os novos destaques musicais da MPB; “O que é que a Bahia também tem”, projeto que proporcionou uma visão mais ampla da arte baiana, mesclando música e artes plásticas; “Diplomacia, a música de Batatinha”, com Dona Ivone Lara, Roque Ferreira e Riachão; “Especial Eduardo Gudim”, gravado pela TV Cultura junto aos maiores nomes da nossa música: Paulinho da Viola, Zélia Duncan, Elton Medeiros e Carrasqueira, dentre outros e em 2012, participa do álbum e show de Lançamento chamado, “Ladeira da Memória”, um projeto de Carlos Careqa, ao lado de Chico Buarque de Holanda, Toninho Ferragutti, Celine Imbert, Marcelo Preto e Bruna Caram.  Vania já cantou com Maria Bethânia, Alcione, João Bosco, Gerônimo, dentre muitos artistas da cena contemporânea e consagrada da música brasileira.

No ano de 2012, assumiu a direção artística do selo musical paulista Comando S Discos e iniciou o trabalho de resgaste e arquivamento da obra autoral e da produção do álbum do sambista Riachão, intitulado Mundão de Ouro, que teve duas indicações no Prêmio da Música Brasileira 2013, na categoria samba, como melhor álbum e melhor cantor. O show de lançamento do álbum dirigido por Vania, esteve também entre os melhores do ano pela crítica de São Paulo.

Em 2015, produz pelo selo Friends Music Group, ao lado do maestro R. Petreca, o álbum intitulado Lázaro, do cantor baiano Jauperi que figurou na lista dos melhores discos de 2015 na América Latina, pelo conceituado site zachary-jones.com.

Em 2017, lança-se como escritora com o livro infanto-juvenil “Eu e meu lugar” sobre o sambista Riachão para o Projeto – “Eu Vim da Bahia” da Editora Caramurê. O livro já está na 2ª edição, em 2020.

Possui em seu currículo de cantora, diversas participações em trilhas sonoras para cinema, teatro e televisão (novelas) e mais de 23 participações como convidada em álbuns de outros artistas.

Todos estes momentos, confirmam a presença de uma intérprete com repertório inédito, que se tornou presença permanente em rádios, desde 1997. Uma cantora baiana, com carreira na MPB urbana, brasileira, mas com sotaque, ela se fez singular com estilo próprio na música.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Vania Abreu para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 10.04.2023:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Vania Abreu: Nasci no dia 30 de maio de 1967 em Salvador – Bahia. Registrada como Vania Mercuri de Almeida.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Vania Abreu: Acredito que existem vários primeiros contatos com a música. Acredito nos primeiros contatos que são inconscientes, aqueles que acontecem quando somos bebês, crianças pequenas e que chegam pelo gosto da família. Há posteriormente, os que sugerem ser lembrados, os da adolescência. Sendo assim, guardo memórias das músicas que meu pai escutava em casa, como música erudita, Nat King Cole, Burt Bacharah, óperas, Quarteto Em Cy, Chico Buarque, que me marcariam pelo gosto pelas melodias.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Vania Abreu: Sou autodidata no estudo musical. Aprendi a cantar ouvindo os discos de Gal Costa. Aprendi a tocar violão, também sozinha, pelo ouvido. No mundo acadêmico formal, iniciei estudo no curso de Pedagogia, na UFBA – Universidade Federal da Bahia e não terminei. A música me levou para outros lugares.

Mais tarde, me formei em Licenciatura em História. Hoje tenho um currículo razoavelmente robusto em cursos livres de Lato Sensus e estou fazendo pós-graduação em Arteterapia. Eu realmente amo buscar conhecimento.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Vania Abreu: No passado, inúmeras, que com a maturidade passei a reconhece-las. Volto a dizer, as supracitadas Nat King Cole, Burt Bacharah e a música erudita. Na adolescência, firmam-se Dorival Caymmi, Antonio Carlos e Jocafi, Maria Creuza, Clara Nunes, a música mineira de Egberto Gismonti, Beto Guedes, Milton Nascimento (especialmente, Clube Da Esquina), Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Os Novos Baianos, João Bosco, Djavan, que convivem harmoniosamente com a dance music “estadunidense” ou “americana” que me trouxeram muito gosto por linhas de contrabaixo, por conduções de bateria “retas” e por música instrumental.

Disso tudo nasceu um gosto muito especial por música instrumental, solos de instrumentos. Ouvi muito o disco de 1982 de Robson Jorge e Lincoln Olivetti e o álbum Bring On The Night (1986) ao vivo de Sting. Sei até hoje todas as melodias dos instrumentos desses álbuns, decor. Nenhuma delas deixou de ser importante. Cada uma delas ganhou mais importância.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Vania Abreu: Comecei a cantar e a ser vista nos grupos de jovens da igreja católica, aos 13 anos de idade (em 1980), e foi daí que surgiram convites para cantar em quase todos os lugares. Isso me sinalizava que tinha algum talento. Passei por um festival intercolegial de música, aos 16 anos (em 1983), onde ganhei o troféu de melhor intérprete. Depois, segui cantando em barzinhos à noite, em alguns anos, de segunda a segunda, e aceitando trabalhos em bandas como cantora principal e/ou backing vocal, em gravações de publicidade. Fiz bailes, micaretas, carnavais, quase todo o “caminho das pedras”, até chegar no primeiro álbum em 1995 (aos 28 anos de idade).  Considero que foram muitos começos.  Sigo começando até hoje. 

06) RM: Quantos CDs lançados?

Vania Abreu: Em 1995 – “Vania Abreu” – Produção Ary Sperling. Em 1997 – “Pra Mim” – com produção Guto Graça Mello. Em 1996 – “A gema do novo”, álbum lançado pela Rádio Musical FM que reúne os novos destaques musicais da MPB. Em 1999 – “Seio da Bahia” – com produção Paulo Dáfilin. Em 2003 – “Eu Sou a Multidão” – com produção Paulo Dáfilin. Em 2006 – “Pierrot & Colombina” projeto especial com Marcelo Quintanilha – com produção Mauricio Tagliari – YB. Em 2007 – “Misteriosa Dona Esperança” – com produção Serginho Rezende. Em 2009 – “Flor da Bahia” – com produção Paulo Dáfilin – Álbum Digital. Em 2017 – “Antes de Hoje – Ao Vivo” – com produção Xinho Rodrigues e Vania Abreu – Álbum Digital.

Cinco singles: “Dó de mim” lançado em 2009; “Eu e Meu Amor” lançado em 2017; “Meu Sotaque” em 2018; em 2019, o single com nova versão da canção “Seio da Bahia”, pela comemoração de 20 anos do lançamento álbum homônimo; “Carne Crua” feat. Giovani Goulart em 2021 e o duo com o violonista Camilo Carrara intitulado “Rosas” em 2022, todos em formato digital.

Trilhas sonoras: 1996 – “Meu sonho não” – (faixa do 1º CD – Vania Abreu) – Tema do filme Fica comigo, direção de Tizuka Yamazaki. 1997 – “Ser igual é legal” – (faixa do 2º CD – Pra mim) – Trilha da novela “Anjo Mau”, da Rede Globo. 1999 – “Quando eu estava só” – (gravação Inédita) – Trilha da novela “Meu pé de laranja lima”, da Rede Bandeirantes.

2002 – “Meditação” – (gravação inédita) – Trilha do Filme “Lara” – Arranjos e Direção Musical de Dory Caymmi. Livre adaptação dos livros de Odete Lara, dirigido por Ana Maria Magalhães.2007 – “D ó de Mim” (regravação da própria artista) – Trilha da novela “Alta Estação” da Rede Record de Televisão.2007 – “As Quatro Estações” (faixa do 1º CD – Vania Abreu) – Trilha da novela “Maria Esperança” do SBT.

2007 – Participação na trilha do espetáculo teatral “Ervilha Sapo Júnior” de autoria e dirigida por Marcus Vinicius de Arruda Camargo. O espetáculo tem música e canções de Marcelo Quintanilha, e como intérprete da música “Ervilha”: Vania Abreu. Esta música foi composta especialmente para a personagem principal. Ervilha Sapo Júnior é a continuidade da “Trilogia do Muro”. A primeira: “Desce do Muro Moleca!”; a segunda “Um Jeito Assim…” conquistou o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) de melhor diretor e teve indicação para o Troféu Mambembe como melhor autor em 1998. As três peças se entrelaçam mantendo a mesma inspiração na cenografia e na trilha sonora composta por Marcelo Quintanilha.

Participações em álbuns:

1994 – Disco “Meninos do Pelô” – Participação na faixa “Meu Brinquedo” Incidental “Se essa rua fosse minha” – Sony Music. Assina a produção vocal. 1995 – Disco “A Gema do novo” – Música “As quatro estações” – Compilação da rádio Musical FM – São Paulo. 1996 – Disco “Voz Guia”, do cantor e compositor Roberto Mendes. Participação na Música “Distração”. Gravadora Velas. 1996 – Disco “Grão”, Música “Via Papua”. Coletânea lançada pelo Prêmio Copene de Cultura e Arte. Distribuição limitada pela Copene / Secretaria de Cultura e Turismo da Bahia.

1997 – Disco “Bahia com todas as letras” com a música “Saudade da Bahia” de Dorival Caymmi. Secretaria de Cultura e Turismo da Bahia. 1998 – Disco “Banco do Brasil” – Música “Lua Nova” de Evaristo Filho e Edvando de Souza, ganhadores do festival realizado na instituição. Distribuição limitada somente para funcionários do Banco do Brasil. 1999 – Disco “Minha Palavra” – Música “Eu não estava só” de Alexandre Leão, cantor e compositor, sem distribuição nacional. 1999 – *Música “Seio da Bahia”, de Carlos Careqa, participa da compilação da gravadora Universal intitulada “CD Expo 99” – Suplemento Universal Music.

2000 – Disco “Do Lundu ao Axé” – a Bahia de Todas as Músicas – Música “São, São Paulo Meu amor” de Tom Zé. Tiragem limitada comemorativa da Secretaria de Cultura e Turismo da Bahia. 2000 – *Música “Mais de Mim” de Marcelo Quintanilha participa da compilação da Gravadora Universal Music intitulada “MBP 2000”.

2001 – Disco Projeto Palavra de Criança – Música “Simplicidade” – Coordenado pelo compositor e violonista Camilo Carrara – Canções Compostas sobre poemas das crianças do Lar de Maria – Santo André SP – A renda obtida com a vendagem é revertida para a mesma instituição. 2001 – Participa do CD da National Geographic, lançada somente nos EUA e Canadá, com a música “Anjo da Velha Guarda” do seu terceiro CD “Seio da Bahia”.

2002 – Disco “Old Pôster” – da cantora Clara Ghimel – Música “Deixa sangrar”. Selo Mulambo Records. 2002 – Disco “Pegue ou Largue” da cantora Belô Velloso – Música “Madrugada”, faixa que divide com Jussara Silveira e Belô Velloso. Gravadora PlayArte. 2002 – Disco “Sala de Estar” – Música “Quando Eu Estava Só” de Marcelo Quintanilha no terceiro disco do cantor e compositor pelo selo YB Music/ Tratore. 2004 – Disco “Não sou filho de ninguém” – Música “O Louva Deus” do cantor e compositor Carlos Careqa. Pelo selo Thanx God/Tratore.

2005 – DVD “Clássica” – de Daniela Mercury – Música “Sua Estupidez” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos). Pela Som Livre. 2006 – Disco “Pierrot & Colombina” – Projeto especial com Marcelo Quintanilha. Pelo selo YB Music. Distribuição da Tratore. 2006 – Disco “Tempo ao Tempo” – do cantor Zé Guilherme – Música “Caminhos do Coração” de Gonzaguinha. Pelo selo Lua Music.

2007 – Disco “2º Tempo” do cantor e compositor Péri – Música “O Mundo Virou”. Pelo selo Baticum/Tratore. 2007 – Disco “Pandeirando” do percussionista Emerson Taquari. Música “Ferrin com Sétima” junto a Gabriel Póvoas também convidado e autor da composição. Independente. 2009 – Disco “Nós Somos Nós” do cantor Angolano Felipe Mukenga – Música “Aprisionar a Negra Noite”. Pelo Selo Ginga e Saravá discos.

2010 – Disco “Abrigo de Canções” do cantor e compositor amapaense Rudnei Monteiro – Música “Maiana”. Pelo prêmio Conexão Vivo. 2013 – Disco “Ladeira da Memória” do SESC SP produzido por Carlos Careqa. Música “Sonora Garoa” de autoria de Passoca.

2013 – Disco “Tributo a um Pioneiro”. Música “Canção para um imperfeito”. O CD traz grandes nomes da música secular interpretando os grandes sucessos do padre, todos selecionados pelo sacerdote, que aceitou a homenagem: Paula Fernandes, Michel Teló, Luan Santana, Elba Ramalho, Zeca Baleiro, Fagner, Danilo Dyba, Daniel, Vania Abreu, Daniel, entre outros. Lançado pela Universal Music e CODIMUC

Produtora Musical: 2012 – Assumiu a direção artística do selo musical paulista Comando S Discos e inicia o trabalho de resgaste e arquivamento da obra autoral e da produção do CD do sambista Riachão, intitulado Mundão de Ouro, que teve 2 (duas) indicações no Prêmio da Música Brasileira 2013 na categoria samba, como melhor álbum e melhor canto. O show de lançamento do CD dirigido por Vania, esteve também entre os melhores do ano pela crítica de São Paulo.

2016 – Produziu ao lado do maestro R. Petreca, o álbum intitulado Lázaro do cantor baiano Jauperi que figurou na lista dos melhores discos de 2015 na América Latina, pelo conceituado site zachary-jones.com, lançado pelo selo Friends Music.

Escritora (Livros): 2017 – “Eu e meu lugar” – Uma narrativa que entrelaça a biografia de Riachão com uma história de ficção para o Projeto – Eu Vim da Bahia pela Editora Caramurê. Livro Infanto Juvenil.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Vania Abreu: Sempre foi muito complexo uma definição de estilo. Acredito que é algo que enxergamos posteriormente, contudo sinto que sempre misturei o Brasil Profundo com a minha “urbanidade”.  E quando digo “urbanidade” me refiro inclusive à influência da música pop que se firmou após a dance music, onde arranjos se misturam às canções.  Acho que gosto de misturar a literatura da canção brasileira com as melodias que precisam existir para me encantar, com linhas de baixos que dialogam com baterias limpas, com silêncios nos arranjos.  Não sei como chamar meu estilo.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Vania Abreu: Tentei algumas vezes e não suportei. Eram todas aulas de canto com técnicas de canto erudito.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Vania Abreu: Cada pessoa (com talento) precisa descobrir como seu corpo funciona, seu ritmo, sua voz e considero fundamental nos prepararmos para nos apresentarmos. Gosto dos cantos “naturais”, diria orgânicos, aqueles que não parecem aprendidos. Hoje valem os exercícios de fonoaudiologia para garantir saúde as cordas vocais, mas acho que esse é mais um traço deste tempo de altas performances, de altos rendimentos, de atletismos na arte. Os ganhos de autocuidados são de fato importantes, mas acho tudo muito “super” demais no corpo e com pouquíssima alma.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Vania Abreu: Preciso distinguir admiração de gostar de ouvir?  Admiro uma lista quase incabível de ser citada. Agora, gostar de ouvir, seguidamente um disco inteiro, muitas vezes, são pouquíssimas.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Vania Abreu: Eu não sou compositora. 

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Vania Abreu: Acho que nos últimos anos a música, assim como quase todas as profissões, foram “fragilizadas” no que chamaríamos de carreiras nas grandes empresas e fomos “todos” lançados na aventura de empreendedorismo. A música foi uma das primeiras “cadeias” de estruturas a perder a sua forma de produção “anterior”.  Para mim quase tudo é independente, atualmente.

Os prós “melhores” estão relacionados à criação mais livre. Os contras? São muitos.  Ou você forma uma rede poderosa para produzir ou você está sozinho, isolado. Há muito a se pensar sobre tantas mudanças, acho que o ponto mais delicado é que a música hoje tem muitos nichos, nichos demais. Ela antes era mais potente como instrumento de “união”, de encontros entre diferentes.

13) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Vania Abreu: Somos quase todos autônomos. As estratégias começam por como viabilizar a produção da música, recursos, parceiros, viabilidades. Cada vez mais penso menos nelas. Até porque quando somos independentes começamos a estratégia nas redes sociais e terminamos nelas.

14) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Vania Abreu: Desde sempre precisei me organizar com contratos, funcionamento das informações de produção, dados, contatos, fichas e todo o material que vai sendo usado para organizar uma carreira. Nos últimos anos tudo passou para o virtual, digitalizado. Portanto tem tudo que é bem “caraterístico” da carreira musical, como clipagem jornalísticas, imagens, áudios, textos, arquivos de shows, e tudo que cabe para qualquer empresa com outros objetos sociais: contador, pagamento de impostos, tudo que qualquer empreendedor precisa saber.

Agora temos ainda mais as redes, os backups em HDs que ficam obsoletos, nuvens, e as constantes, regulares, intensas e velozes mudanças de plataformas, algoritmos, streamings.  Tudo agora é um tutorial para o “Faça você Mesmo” com aplicativos para cada uma delas que mudam toda hora. Portanto, é estudar, estudar, fazer cursos, perguntas ao YouTube e seguir.

15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Resposta Vania: Ela ajuda em muita coisa, sobretudo na reunião daqueles para quem sou importante. É uma forma de continuar existindo.   No que me “prejudica”, creio que não seja pessoal, é para todos e todas.  E são muitos pontos. Primeiro destaco a lógica dos algoritmos, que não é uma fala minha, ele fecha o mundo.  O segundo ponto que destaco, para mim, e que tem feito mal à música, é o vínculo da música com a imagem, com vídeos. A música é algo para se sentir ouvindo e não vendo. Ela perde atenção primária e vira trilha. Ficamos piores ouvintes.

16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Vania Abreu: As vantagens são muitas, criar, elaborar e até mesmo finalizar, mas perdemos valores importantes da e na música. Os encontros para tocar junto tem outra magia, outro lugar de mistério dela. Perdemos as gravações com harmônicos sobrando, com mesas analógicas que garantiam sons quentes e vivos, fotografias das vozes sem retoques, perdemos as mãos nos instrumentos e seus toques perfeitamente imprecisos. Perdemos pessoalidades, humanidade e alma, de novo. 

17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical? 

Vania Abreu: Não faço nada! (risos). Nunca consegui pensar na concorrência. Só consigo pensar no que me emociona, no que faz sentido dizer e cantar para as pessoas. E entendo que há um “gosto” diferente do meu. Penso no que é bonito e em fazer meu trabalho com o profissionalismo ético e necessário.

18) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Vania Abreu: Como tudo no do mundo. Somos sujeitos do tempo. Estamos no tempo da transição, da contestação da régua eurocêntrica, estadunidense, do normativo, do lugar de falas e escutas novas. Estamos também entre um modo de produção “anterior” e o da tecnologia mais fortemente presente. No meio, um mundo inteiro fora disso, ainda precisando de água limpa, comida, habitação digna.

A música? Está igualzinha. Dividida, cheia de demandas de um novo mundo, acolhendo os lugares de fala, sendo “usada” para isso, dividida em nichos, contestando as réguas X nacionalismo X cultura, bastante performática e imagética.  Aprendi com o tempo que só o tempo mesmo dirá quais obras, e não quais artistas especificamente, poderão permanecer.  As obras devem ser as mais importantes revelações.

19) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Vania Abreu: Todas as situações citadas na pergunta (risos).  A mais frequente e regular é a de fazer show com um som muito ruim.  Infelizmente, num país como o nosso sem infra estrutura, som bom mesmo, é MUITO, MUITO, MUITO raro.

20) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Vania Abreu: Mais feliz: A música. Mais triste: A falta dela.

21) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Vania Abreu: Existe o dom. E nem sempre os “profissionais da música” o tem. Você pode cantar muitíssimo bem e não ser artista. Existe o dom e existe outra coisa, que é a alma. Dom é aquilo que a gente não explica como veio. Na música, tem vários valores, musicalidade, ter ritmo, excelências técnicas. Todas elas podem estar juntas ou separadas. Existem valores técnicos e existem aquelas “coisas invisíveis”. Eu gosto mais (é gosto), de sentir e não de definir.

22) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Vania Abreu: Do ponto de vista técnico tem explicação acadêmica! (risos). Penso na liberdade.

23) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Vania Abreu: Acho que é preciso ter estudo, ou no mínimo, aquele dom ou intuição para funcionar. E isso não anula a beleza daquela “liberdade”.

24) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Vania Abreu: Não acho que seja aplicado em todos os estilos musicais. Há a improvisação baseada em estudo, que reconhecemos muitíssimo no Jazz e na música brasileira é pouco usada. Agora se você estiver se referindo a improvisação, como algo mambembe, frágil, quase especulativo para produzir música, não vejo problema algum. Na arte não existe não, para criação.

25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Vania Abreu: Acho que o problema de estudo de música no Brasil é que ele tem quase sempre a base da metodologia do estudo de música Erudita. Ele não abrange a nossa harmonia, a nossa rítmica ou a nossa diversidade musical. Vejo contras sobre qualquer método que seja excludente de outros conhecimentos e saberes por preconceitos.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Vania Abreu: Acho que agora rádios e telefones (redes) são lugares diferentes e onde existem novos jabás, e sempre existirão. Acho que o improvável faz parte da realidade.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Vania Abreu: Descubra os seus propósitos. Não era para quem? É porquê.

28) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Daniela Mercury?

Vania Abreu: É minha irmã e tenho toda pessoalidade do mundo com ela. Profissionalmente, nos encontramos quando é possível e cabível para ambas.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Vania Abreu: Não há mais nada no mundo, para mim, que tenha grande cobertura num mundo absolutamente dividido.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Vania Abreu: Esses espaços citados poderiam ser referência para o Ministério da Cultura. Eles nos afirmam que duas “coisas”, principalmente, nos faltam para desempenhamos bem nosso trabalho como artista: estruturas físicas adequadas e bons gestores.

31) RM: Quais os seus projetos futuros?

Vania Abreu: Fazer coisas importantes e bonitas.

32) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Vania Abreu: https://www.instagram.com/vaniaabreuoficial

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Adriana Balsanelli | (11) 99245 – 4138 | [email protected] 

Canal: https://www.youtube.com/@vaniaabreuoficial918 

Bem ou mal (Maurício Gaetani) – Vania Abreu: https://www.youtube.com/watch?v=tix9qVfZDv4 

Programa H na Band 1997 – Bem ou Mal (Maurício Gaetani) – Vania Abreu: https://www.youtube.com/watch?v=nvAP703-9cg 

As quatro estações (Maurício Gaetani) – Vania Abreu: https://www.youtube.com/watch?v=ntBGHBjFK0Y 

Templo (Tatá Fernandes / Milton de Biasi / Chico César) – Vania Abreu: https://www.youtube.com/watch?v=30DtgGNS24c

Alcaçuz (Chico César) – Vania Abreu: https://www.youtube.com/watch?v=_l2ItOotT3U 

Carne Crua (Single) Vania Abreu & Giovani Goulart: https://www.youtube.com/watch?v=hEx4EmDjdgk 

Rosas feat. Camilo Carrara: https://www.youtube.com/watch?v=ibmmmC05UAc 

Playlist do álbum – Flor da Bahia (2009): https://www.youtube.com/watch?v=OIZLiOFaMlQ&list=PLtcYblASMO5l0UfeVt66cE0E1mvMoIqtE 

Playlist do álbum – Misteriosa Dona Esperança (2007): https://www.youtube.com/watch?v=_-l2LydInzc&list=PLtcYblASMO5n85tMY2l_A2vJxAUVApKu3 

Playlist do álbum – Pierrot & Colombina (2006): https://www.youtube.com/watch?v=4iA-6PrhtkE&list=PLtcYblASMO5ndbt4nsCXQsWTHrwr7QOnj 

Playlist do álbum – Eu sou a multidão (2003): https://www.youtube.com/watch?v=IkA-TuXcvjo&list=PLtcYblASMO5m2Cxf7hraDcaS5s_dnoeiD 

Playlist do álbum – Seio da Bahia [1999]: https://www.youtube.com/watch?v=SV_miD-kAxk&list=PLtcYblASMO5mu_QDdbHimZa5mySZZm_k4 

Sesc Sonoridades – Bahia – Vania Abreu no show “Antes de Hoje” em 2021: https://www.youtube.com/watch?v=LXNMTEwgRHg 

Sr. Brasil | Pabllo Moreno e Vania Abreu: https://www.youtube.com/watch?v=aMj3xU16Y68

Entrevista para coluna musical “Nossa Senhora do Comeback” com Vânia Abreu em 2003: https://www.youtube.com/watch?v=c-Q11E7Ut2U 

Vania Abreu – “Carne Crua”, produção Giovani Goulart: https://open.spotify.com/track/75BHAQOhazWeknYGLbJTsi?si=cfd1ffb62aa44739


Compartilhe conhecimento

Comments · 3

  1. Um show de bagagem e ensinamentos, a cada entrevista à gente adquiri conhecimento e aumenta nossa auto estima para continuarmos fazendo o que gostamos, parabéns…

Deixe um comentário

*

Uma Revista criada em 2001 pelo jornalista, músico e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.