More Rogério Botter Maio »"/>More Rogério Botter Maio »" /> Rogério Botter Maio - Revista Ritmo Melodia
Uma Revista criada em 2001 pelo jornalista, músico e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Rogério Botter Maio

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O baixista, compositor, arranjador e produtor musical paulista Rogério Botter Maio estudou Contrabaixo na UNICAMP, Musik Hochschule em Graz (Áustria) e no Berklee College of Music (EUA).

Nos 15 anos vivendo no exterior, em 1989 em Roma atuou como músico em “O Poderoso Chefão III”. De 1992 até 1997 morou em New York e tocou com se Paquito d’Rivera, Lionel Hampton, Cláudio Roditi, Manfredo Fest, Leny Andrade. Gravou com Gerry Mulligan & Jane Duboc, Naná Vasconcelos e com o trio de Dom Salvador entre outros.

De volta ao Brasil, integrou o trio de Nelson Ayres (de 1999 a 2005), o Grupo Mawaca por 7 anos e tocou com Jovino Santos Neto, Ná Ozzetti, Toninho Ferragutti entre outros. Em 2004 tocou com seu grupo no Indonesia Open Jazz Festival.

Seus álbuns como líder e produtor são: “Crescendo” (1996), “Aprendiz” (2009), “Prazer da Espera” (2006), “Tudo por um Ocaso” (2009), “Sobre o Silêncio” (2012), “Por um triz” (2020) somente de canções com participações especiais de Jane Duboc, Fátima Guedes, Cristóvão Bastos, Renato Braz, Sérgio Santos, Hector Costita, Vanessa Moreno e “Sem palavras”, lançado em março de 2024.

De volta à Europa, desde outubro de 2022 em Lisboa – Portugal, atua com suas próprias formações e outros projetos, além de ministrar seu workshop sobre música brasileira. Escreve para diversas formações (erudito e popular), coreografia e trilhas de cinema. Atuou como músico em “O Poderoso Chefão III”.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Rogério Botter Maio para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.05.2024:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Rogério Botter Maio: Nasci no dia 9 de setembro de 1965 em Assis – SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Rogério Botter Maio: Venho de uma família de seis irmãos, sou o quinto. Os três mais velhos estudaram Piano Clássico e minha mãe (Salette Botter Maio) era muito afinada e muito musical. Sempre tivemos piano em casa e fazíamos pequenos saraus aos domingos com os poucos instrumentos que tínhamos: Piano, violão, flauta doce, uma pianola, percussão improvisada e vozes. Meus irmãos Ricardo e Rodrigo Botter Maio também atuam na área musical.

Eu geralmente me incumbia dos graves do piano a quatro mãos e o repertório era Bossa Nova, Beatles, etc. Eu xeretava bastante o Piano por minha conta. Com os rudimentos de leitura musical, aos 17 anos de idade comecei a ter umas aulas de violino.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Rogério Botter Maio: Fiz uma tentativa frustrada de cursar Agronomia em Viçosa – MG e seguir um caminho “normal”. Foi impossível estar longe da música voltei para casa após 6 meses de curso. E “oficialmente” comecei a estudar música para ingressar após 6 meses na faculdade de Música da Unicamp – Campinas – SP na turma de 1984 no curso de Contrabaixo. E comecei a tocar na Orquestra Jovem de Campinas que me levou a apurar e solidificar a técnica e praticar leitura além de tocar lindas obras. Estudei também no Musik Hochschule em Graz (Áustria) e no Berklee College of Music (EUA).

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Rogério Botter Maio: O que me muito marcou musicalmente na época e continua a mexer comigo com a memória emocional de Beatles, Gênesis, Yes, Mike Oldfield, Simon & Garfunkel, e claro a finíssima MPB da época: Ivan Lins, Milton Nascimento, Chico Buarque, Elis Regina, etc coisas que ainda se ouviam nas rádios. Mais tarde veio Egberto Gismonti, Pat Metheny, etc.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Rogério Botter Maio: Comecei em Campinas entre 17 e 18 anos de idade tocando e cantando no formato Piano Bar e depois, tocando contrabaixo no grupo autoral do meu irmão Ricardo, que ainda segue na música.

06) RM: Quantos discos lançados?

Rogério Botter Maio: Lancei sete álbuns, o mais recente “Sem palavras” lancei no dia 15 de março de 2024. “Crescendo” (1996), “Aprendiz” (2009), “Prazer da Espera” (2006), “Tudo por um Ocaso” (2009), “Sobre o Silêncio” (2012), “Por um triz” (2020) somente de canções com participações especiais de Jane Duboc, Fátima Guedes, Cristóvão Bastos, Renato Braz, Sérgio Santos, Hector Costita, Vanessa Moreno.

Como contrabaixista participei: do álbum “Paraíso” do saxofonista barítono Gerry Mulligan & Jane Duboc que foi bem marcante. O álbum foi gravado em Nova Iorque nos dias três e quatro de julho de 1993 (me lembro bem, pois dia 4 é feriado da independência dos EUA). De ambos eu já era fã há anos. Ela cantou e escreveu letras para as melodias do Gerry Mulligan. Eu sempre fui mais ligado a solos mais melódicos no jazz e Gerry Mulligan sempre foi um craque nisso (um exemplo é o disco dele com Astor Piazzolla). Não por acaso ele foi um dos expoentes do cool jazz.

Outro álbum importante que participei como baixista foi do grande pianista brasileiro Dom Salvador que mora desde 1972 nos EUA. Gravamos o álbum “Transition” em 1997 com Duduka da Fonseca na bateria, logo antes de eu fechar meu ciclo de cinco anos em Nova Iorque. Anos depois eu estava já de volta ao Brasil e consegui fechar apresentações para o Chivas Jazz Festival 2003 (São Paulo e Rio de Janeiro) apresentando esse trabalho que abriu portas para a volta de Dom Salvador a palcos brasileiros depois de 30 anos.

Outros álbuns fantásticos também de pianistas que participei foram: “Fascinating Rhythm” (1996), do gaúcho Manfredo Fest radicado por décadas nos EUA até falecer em 1998. Também os álbuns “Perto do Coração” de Nelson Ayres; “Roda carioca” de Jovino Santos Neto; “Children of the Wind” do também carioca Weber Iago.

Também com Naná Vasconcelos gravei a trilha de um filme para o qual ele escreveu música (saiu no disco “Fragmentos” com créditos bem incompletos, mas o “Rogério” que aparece lá sou eu mesmo! risos).

Um álbum que toquei com uma seção rítmica incrível foi o “October colors” do gaitista e vibrafonista Hendrik Meurkens (no piano Hélio Alves e Portinho na bateria), feito em Nova Iorque e lançado nos EUA em 1995.

07) RM: Você publicou método para contrabaixo?

Rogério Botter Maio: Ainda não, mas há décadas estou formatando material para isso que passo aos alunos nas aulas particulares.

08) RM: Como é seu processo de composição musical?

Rogério Botter Maio: Componho ao piano que é meu terceiro instrumento (depois dos baixos acústico e elétrico). Por ter escutado músicas muito ricas melódica, rítmica e harmonicamente desde muito cedo, é bem natural para mim não cair no “lugar comum” especialmente harmonicamente. Acho que caminhos harmônicos inusitados fluem naturalmente como resultado disso.

Buscar e achar essa escuta mais profunda das minhas memórias auditivas é o que eu poderia chamar de “minha inspiração”. Eu não seria verdadeiro com minha criação se fosse compor algo diferente do que componho. Jamais me atenho a regras harmônicas de encadeamentos e coisas do gênero. Sobre as harmonias que vão surgindo livremente ao piano, vou cantando e desvendando o quebra-cabeças melódicos.

Não é à toa que tenho uma música chamada “Quebra-cabeças”. Com toda essa liberdade que tenho, surgem muitas boas opções. Difícil é ordená-las…

09) RM: Você compõe melodia para letra?

Rogério Botter Maio: Sim, mas não só melodia. Todo o resto que não seja a letra. Tenho pouquíssimas letras. Gosto muito de compor para textos que mexem comigo porque me levam para caminhos diferentes dos que me levariam compondo só instrumental.

10) Quais são seus principais parceiros de composição?

Rogério Botter Maio: Tive bem poucos quando escrevi música para letras/poesias prontas como Vanessa Bumagny, Marina Halpern, Silvana Vasconcelos. Dos que letraram depois, sobre melodias minhas prontas, os (as) principais foram Giana Viscardi, Márcio Tubino, Rogério Santos.

11) RM: Quais as principais técnicas que o baixista deve se dedicar?

Rogério Botter Maio: Até antes da técnica, acho ele (a) tem que cuidar de um aspecto quase que de personalidade, de estar sempre pronto a servir no sentido de apoio, de fazer os demais se sentirem bem e confiantes com sua sustentação, passando-lhes solidez rítmica. Essa “entrega” requer do baixista um ego “zero”. Muitas vezes é a simplicidade, somente tocar o “necessário” que te fará ser um baixista requisitado.

Conhecimento harmônico acho que deve ser cuidado até antes de aspectos técnicos mais complexos que obviamente são importantes no momento certo. Isso se aplica em especial ao baixo acústico que é um instrumento que requer muito mais fisicamente do que o elétrico.

No contrabaixo acústico, os primeiros passos são fundamentais para não desenvolver problemas físicos como tendinites, para ter o posicionamento adequado do instrumento para (só) assim ter uma boa afinação, resistência e ao mesmo tempo relaxamento. Tocar com o arco é excelente! Apura-se assim muitas questões técnicas e ainda você aumenta muitas novas opções de trabalho.

A técnica que o baixista tem que focar é algo muito específico do estilo escolhido (slap, por exemplo), mas de forma geral a postura física é o pano de fundo de qualquer bom baixista.

12) RM: Qual a importância do baixista equilibrar a função de condução e de solista?

Rogério Botter Maio: Há excelentes baixistas que jamais improvisam. Um deles é um dos baixistas elétricos que mais gosto: Anthony Jackson. Ser um bom improvisador claro que é um “plus”, mas não é estritamente necessário. Bom dia, Felicidade no seu dia e muitos parabéns para você. Sucesso na carreira profissional e harmonia, paz, saúde, amor e alegria de viver Para ser considerado um bom baixista, eu não acho mesmo que ele (a) deva priorizar o lado solista-improvisador!

Tocar bem em uma seção rítmica (função primeira do instrumento), ter boa leitura (de cifras e partitura), ter criatividade nas linhas e no groove, ser versátil em diversos estilos, ter domínio harmônico e alguma familiaridade de ritmos ímpares são coisas que vão te tornar um bom solista-improvisador. E não começar pelo fim!

Para ser um bom “solista” você deve saber tocar as melodias, isto é, saber o material melódico original que vejo como o 1º passo de uma improvisação. Melhor ainda, se você for um compositor, tocando as tuas (lindas) melodias.

13) RM: Quais os principais vícios técnicos ou falta de técnica tem os baixistas alunos e alguns profissionais?

Rogério Botter Maio: É uma resposta muito pessoal, mas cito dois “vícios”. O bom timing (boa sensação da pulsação) realmente eu não acho que vem do fato de o baixista bater seu pé como muitos fazem.

Se o tempo do baixista for sólido e ele bater o pé, dançar, etc, ótimo! Mas a boa pulsação é interna e (tentar) bater o pé pode atrapalhar o músico chegar a adquirir essa solidez rítmica. Como se ele acreditasse mais no seu pé do que no seu “timing” interno.

Outra coisa, mas que se refere ao baixista acústico, é ele olhar para o braço do instrumento na tentativa de afinar. Não vem daí a correção da afinação. Impossível saber se você está 1cm abaixo ou mais acima da nota.

A correção vem da postura correta da mão e da prática dos saltos nas mudanças de posição e sobretudo do ouvido 100% atento.

Ao contrário do que seria “a presunção da inocência” na justiça, é melhor partir do princípio de que a nota está “desafinada” até que você prove o contrário porque é impossível estar absolutamente afinado o tempo todo no contrabaixo. A nota ainda não está lá e muito menos 100% afinada até que você a afine em fração de segundos com um reflexo apuradíssimo.

14) RM: Quais são os contrabaixistas que você admira?

Rogério Botter Maio: Tem tantos que é difícil dizer, mas os que encabeçam minha lista por diversas razões, no baixo acústico são: Scott La Faro, Ray Brown, Jimmy Blanton, Renaud Garcia-Fons, Charlie Haden, Marc Johnson. Dos brasileiros, os que mais curto são: Célio Barros e Paulo Paulelli.

No baixo elétrico, os brasileiros: Sizão Machado, Michael Pipoquinha e Rubem Farias são os primeiros que vêm à mente. Dos estrangeiros – Anthony Jackson, Pastorius e Richard Bona.

Dos que tocam os dois instrumentos e são excelentes, cito: Jorge Helder e o John Patitucci.

15) RM: Existe uma indicação correta para escolher um contrabaixo de mais de 4 cordas?

Rogério Botter Maio: Acho que é uma questão de gosto e habilidade muito pessoal. Gosto muito da corda B grave no elétrico. É mais raro, mas uso acústico de 5 cordas em alguns períodos com B grave e às vezes com o C agudo. Neste caso uso a corda E um tom abaixo resultando D A D G C.

16) RM: Qual a marca de encordoamento da sua preferência?

Rogério Botter Maio: Para baixo acústico uso há décadas Thomastik Spirocore com afinação de orquestra (às vezes a tensão Medium, outras a Weich).

17) RM: Quais os prós e contras de ser professor?

Rogério Botter Maio: Só vejo prós pois adoro dar aulas para todos os níveis de proficiência. Claro que o tempo para minha própria prática, compor ou arranjar fica reduzido.

18) RM: Quais os prós e contras de ser músico freelancer acompanhando outros artistas?

Rogério Botter Maio: Fiz bem pouco isso com artistas famosos, mas se é com música de qualidade, só vejo prós além de isso te levar a novos trabalhos e alunos pela exposição que te dá.

19) RM: Quais os prós e contras de ser músico de estúdio de gravação.

Rogério Botter Maio: Eu gostaria de fazer mais pois gosto muito de gravar além de ser um ótimo aprendizado. Gravando as linhas de contrabaixo em discos de artistas? Eu faria muito mais isso com prazer mesmo à distância como já faço.

20) RM: Quais bandas que já participou?

Rogério Botter Maio: Trio Transition (com o pianista Dom Salvador), Nelson Ayres Trio por seis anos, Manfredo Fest Trio por dois anos, Grupo Mawaca por sete anos, Jovino Santos Neto em muitas vindas dele ao Brasil, entre outras.

21) RM: Quais os prós e contras de tocar em uma única banda?

Rogério Botter Maio: Contra: pode limitar a versatilidade com outros estilos ou trazer até problemas de saúde se a música não for boa ou se fizer burocraticamente”, só como um meio de vida. Prós: se for boa música, a coesão musical e talvez segurança financeira se ela for bem ativa.

22) RM: Quais os artistas já conhecidos você já acompanhou como músico freelancer?

Rogério Botter Maio: Paquito D’Rivera, Leny Andrade, Fafá de Belém, Gerry Mulligan (sax barítono), Lionel Hampton (vibrafones), Dom Salvador (pianista e compositor radicado em Nova Iorque desde 1973), Cláudio Roditi (trumpete), Jane Duboc, Naná Vasconcelos, entre outros.

23) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Rogério Botter Maio: É bem difícil cuidar bem das muitas funções de um profissional da música: manter-se bem tecnicamente em alguns instrumentos diferentes (baixo elétrico, com e sem trastes, baixo acústico e praticar regularmente com o arco) compositor, arranjador, produtor, ser o próprio agente, etc…

24) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Rogério Botter Maio: Isso é uma vantagem que possibilita participar de trabalhos de outros artistas remotamente fazendo gravações em casa.

25) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar música não é mais um grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para ser diferencia dentro do seu nicho musical?

Rogério Botter Maio: Sinto que o primordial é não tentar ser como ninguém, e sim ser você, verdadeiro, autêntico e em algumas situações, insubstituível (pelo menos no trabalho autoral).

26) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Rogério Botter Maio: Os que mais consistência tiveram ao longo das suas longas carreiras são os geniosos: Chico Buarque, Dori Caymmi e Edu Lobo.

Mas tem compositores excelentes já há muitas décadas na estrada mas ainda desconhecidos pela maioria das pessoas e sem o devido reconhecimento o que é uma pena. Por exemplo a Fátima Guedes (RJ), Filó Machado (SP), Sérgio Santos (MG) para citar alguns.

27) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado, etc)?

Rogério Botter Maio: Meu primeiro trabalho pago na minha carreira foi uma sequência de bailes de carnaval (matinês e noites) há 40 anos (1984) e foi também o primeiro calote que tomei por não ter recebido nada.

Uma outra situação bastante “sui generis” foi tocar em duo com o grande músico Oriente Lopez em frente à jaula dos ursos no zoológico de Nova Iorque – EUA em uma manhã fria de domingo praticamente para pouquíssimas pessoas que passavam ali naquele horário.

Um outro foi tocar em duo com meu irmão Rodrigo Botter Maio (sax) em um dia frio e chuvoso de um inverno austríaco na inauguração de uma loja de novelos de lãs. Algo bem paradoxal porque nossas mãos sem luvas estavam insensíveis de tanto frio!

28) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Rogério Botter Maio: Mais feliz é a sensação que estou indo na direção correta para cumprir minha “missão” na Terra. O que me deixa mais triste é a banalização da música com uma terrível inversão de valores (qualidade x mercantilização) resultando na enorme desvalorização do que deveria ser altamente valorizado e supervalorização (mercadológica) da futilidade, superficialidade, etc.

Em outras palavras, a própria música comercial feita hoje não chega nem perto qualitativamente daquela produzida há décadas. Houve um achatamento generalizado na beleza, poesia, emoção do que um dia foi música pop. Muitas músicas de três acordes e sem nenhum conteúdo musical ou poético tornam-se “hits”!

Triste também é notar que essa inversão de valores está em muitas outras áreas resultando em um negacionismo do sensato, científico, ético, sensível, saudável, humano, coerente propagados por fakenews (ou fake músicas na nossa área).

29) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Rogério Botter Maio: Sugiro que se pergunte se sabe o que é de fato ser músico (em especial no Brasil) e quanto está disposto a sê-lo 100%. Caso contrário, é melhor ter a música como hobby.

30) RM: Existe o Dom musical?

Rogério Botter Maio: Acho que sim, assim como existe o dom culinário, ou da escrita, da pintura, da dança, da arquitetura, do cultivar plantas de cuidar dos animais, mas nada se colhe sem real dedicação e entrega. O “dom” em qualquer área nos dá a certeza que estamos mesmo na nossa praia, que amamos aquilo apesar de todas dificuldades encontradas. E na arte em especial, elas não são poucas…

31) RM: Qual seu conceito de Improvisação?

Rogério Botter Maio: Ser o mais melódico possível! “Cantar” com qualquer que seja o seu instrumento!

32) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Rogério Botter Maio: Acho positivo aprofundar-se em estudos como Harmonia, rítmica, improvisação, transcrições, etc desde que a busca pelo aperfeiçoamento técnico não se sobreponha à musicalidade e ao “coração”, pois emoção é o que você tem que sentir e passar, caso contrário a música se torna chata, estéril e um malabarismo virtuosístico.

33) RM: Você toca outros instrumentos?

Rogério Botter Maio: Além dos contrabaixos acústico e elétricos (com e sem trastes), toco piano e com menor proficiência o violão, violoncelo e algumas percussões.

34) RM: Quais os prós e contras de ser multi-instrumentista?

Rogério Botter Maio: Não sou um deles, mas só vejo prós desde que a quantidade de instrumentos tocados não interfira demais na proficiência dos seus instrumentos principais.

35) RM: Quais os compositores da Bossa Nova você admira?

Rogério Botter Maio: Tom Jobim, Johny Alf, Carlos Lira dentre muitos outros.

36) RM: Quais os compositores do Samba e do Choro você admira?

Rogério Botter Maio: Cartola, Pixinguinha, Paulinho da Viola, Eduardo Gudin.

37) RM: Quais os compositores da MBP você admira?

Rogério Botter Maio: Dori Caymmi, Edu Lobo, Ivan Lins, Chico Buarque, Milton Nascimento, Sérgio Santos, Fátima Guedes, Gilberto Gil, Caetano Velloso, Filó Machado.

38) RM: Quais os seus projetos futuros?

Rogério Botter Maio: Voltar anualmente para Europa e EUA para turnês e escrever cada vez mais para formações camerísticas e orquestrais.

39) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Rogério Botter Maio: www.bottermaio.com | +351 920 071 791 | (11) 98496 – 2709 | [email protected]

Instagram: https://www.instagram.com/rogeriobottermaio

Facebook: https://www.facebook.com/rogerbottermaio

Canal YouTube: https://youtube.com/@RogerioBotterMaio

Playlist álbum Sem Palavras: https://www.youtube.com/watch?v=xZC8AcwM2E4&list=PLZoOjux2dTxcXKsSvyWB_oTOw5Z_ijGX7

Playlist Orquestra: https://www.youtube.com/watch?v=hRCMHgLkCTc&list=PLZoOjux2dTxdQZsaaWBhgTLqK_m95ycwx

Playlist Septeto: https://www.youtube.com/watch?v=sMrdjUDrbbc&list=PLZoOjux2dTxfzz_Zkvpigs7YrbbfXyXdz

Playlist Tudo por um Ocaso: https://www.youtube.com/watch?v=epyFEanlmXI&list=PLZoOjux2dTxcW6EhwHtByKMzvMTVFUR7x

Playlist Aulas de Baixo: https://www.youtube.com/watch?v=epyFEanlmXI&list=PLZoOjux2dTxfxaNF54aDbUx2e4MhwV1FE

Playlist de Depoimento sobre Rogério: https://www.youtube.com/watch?v=2mH3laIWHck&list=PLZoOjux2dTxfY4Fe851LSK9Zpn3CyQgtD


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Uma Revista criada em 2001 pelo jornalista, músico e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.