More Bruno Sanches »"/>More Bruno Sanches »" /> Bruno Sanches - Revista Ritmo Melodia
Uma Revista criada em 2001 pelo jornalista, músico e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Bruno Sanches

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Vencedor do 5º Prêmio MIMO Instrumental e do 2º Concurso de Viola Caipira Revelando SP, Bruno Sanches foi listado entre os melhores instrumentistas de 2019 pelo site “Melhores da Música Brasileira”.

Bruno Sanches é cantor, violeiro, compositor e preza por performances em que sua voz e seu instrumento sejam igualmente protagonistas. Tem circulado em espaços musicais de grande relevância, como: MIMO Festival, Festival de Campos do Jordão, Festival Violeiros do Brasil, Festival Música Nova, Festival Viola da Terra, Programa Sr. Brasil, Rádio Cultura, Rádio USP, TV Aparecida e SESCs. Foi professor de viola no 42º e 43º CIVEBRA (Curso Internacional de Verão de Brasília).

Ministrou curso para a Academia Virtual Arte de Toda Gente, plataforma que é resultado de parceria entre a UFRJ e a Funarte. Já levou a viola a festivais na Argentina, Paraguai e Portugal. É mestre em Etnomusicologia e Bacharel em Música pela USP.

Possui três álbuns autorais lançados: Caipira Urbano, com Ser Tão Trio (2015); Do Barroco às Barrancas do Rio (2019) – ambos com direção musical de Ivan Vilela – e Minha Voz (2023), com direção de Grazie Wirtti e Anderson Chizzolini, um trabalho de viola e voz gravados ao vivo no estúdio, com o intuito de registrar a música exatamente como ela é. Além desses, vale mencionar a participação no álbum Viola Paulista, do Selo SESC e na faixa Passarim, do álbum Canções para Vozes Roucas, do Duo Aduar.

Além dos prêmios já citados, também foi contemplado em outros festivais do qual participou, tais como: 1º Concurso de Viola Caipira Revelando SP (3º colocado), 2º Festival da Canção Brasileira do SESI (2º colocado), 1º Festival Viva São Gonçalo de Viola Caipira (2º colocado).

Vale mencionar ainda alguns outros trabalhos ao qual se dedicou. Em 2019 dirigiu a Camerata de Cordas Brasileiras, em Presidente Prudente; fez a direção musical do espetáculo Tributo ao Mestre Zé Mira; compôs a banca examinadora que escolheu o professor de viola brasileira do Conservatório de Tatuí; e concluiu seu Mestrado em Etnomusicologia pela USP.

Em 2017 foi um dos concertistas convidados do VII Encontro de Musicologia de Ribeirão Preto: A Viola Caipira na Universidade – Entre o Local, o Regional e o Universal (USP); produziu o vídeo-documentário Acordai, irmão das alma (ProAC); bem como idealizou e iniciou o movimento Violada – Circuito Autoral das Violas Brasileiras, juntamente com Fábio Miranda.

Em 2016 trabalhou como professor substituto de viola brasileira na USP; foi diretor musical assistente da Orquestra de Violas de São José dos Campos, dirigida por Ivan Vilela; Foi professor do curso de Bacharelado em Música da FAVCOLESP; fez a direção da trilha sonora da Exposição Resiliência, elaborados pelo Museu da Pessoa, em exposição no Musée de La Civilisation, no Canadá; e desenvolveu o Complemento didático de viola caipira do Projeto Guri – AAPG.

De 2013 a 2019 foi professor de Viola Brasileira da Escola Municipal de Artes Professora Jupyra Cunha Marcondes, em Presidente Prudente.

Em 2012 produziu o vídeo-documentário Fandangos Caipiras (ProAC); atuou como professor de Viola Caipira do Ponto de Cultura Meninos da Porteira.

Além dos ProAC citados, foi contemplado em editais do MinC e FUNARTE.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Bruno Sanches para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 10.06.2024:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Bruno Sanches: Nasci no dia 08 de março de 1988, em Presidente Prudente – SP, mas fui criado em um distrito de Regente Feijó – SP chamado Espigão, uma comunidade urbana, mas quase rural. Registrado como Bruno de Souza Sanches.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Bruno Sanches: Minha mãe (Marilda Rosa de Souza Sanches) sempre cantou e tocou violão e meu avô (Arquimedes José de Souza) materno era sanfoneiro. A música está em minha vida desde o ventre de minha mãe.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Bruno Sanches: Sou Bacharel em Música com Habilitação em Viola Brasileira e Mestre em Etnomusicologia pela USP, onde fui orientado por Ivan Vilela.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Bruno Sanches: Considero que tudo que escutamos nos influencia e eu encontro interesse em toda manifestação musical que carrega uma verdade. Então minhas influências são as mais variadas.

Talvez eu possa falar de artistas que me influenciam no atual momento, porque estou escutando mais suas obras… João Bosco, Milton Nascimento e o Clube da Esquina de maneira geral, Badi Assad, Ivan Vilela, Ricardo Vignini, Maria Bethânia, Levi Ramiro, Juan Quintero, Grazie Wirtti, Ney Matogrosso, Vanessa Moreno… Muita gente me influenciou e influencia, mas agora lembrei desses…

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Bruno Sanches: Difícil saber quando começou minha carreira musical, porque toco desde muito menino. Aos 12 anos já tocava e cantava em uma banda infanto-juvenil da Escola Municipal de Artes de Presidente Prudente. Não sei se poderia contar a partir daí… Se for contar a partir do momento em que a música se torna profissão em minha vida, acho que a partir dos 20 anos, quando eu já estava morando em São Paulo pra estudar na USP, que foi quando comecei a tocar e dar aulas de música profissionalmente.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Bruno Sanches: Sem contar participação em álbuns de outros artistas ou coletâneas, tenho três álbuns lançados: “Caipira Urbano” (2015) lançado com o Ser Tão Trio, um grupo que não está mais em atividade e outros dois álbuns solos: “Do Barroco às Barrancas do Rio” instrumental (2019) e “Minha Voz – Ao Vivo no Estúdio”, um álbum de canções lançado em 2023.

07) RM: Como você se define como Violeiro?

Bruno Sanches: Sou um violeiro eclético, vejo a viola como um instrumento musical de fato, ou seja, está a serviço da música, qualquer que seja o estilo.

08) RM: Quais afinações você usa na Viola?

Bruno Sanches: Uso principalmente a afinação Cebolão em Ré (A – D – Fá# – A – D), mas também a Boiadeira (G – D – Fá# – A – D). Atualmente utilizo uma viola com 12 cordas, tem um sexto par mais grave que afino em ré.

09) RM: Quais as principais técnicas o violeiro tem que conhecer?

Bruno Sanches: Tem que entender o instrumento, isso é o principal. Mas acho que é fundamental entender como usar a mão direita para aproveitar todo o potencial que as dez cordas da viola têm a oferecer.

10) RM: Quais os violeiros que você admira?

Bruno Sanches: Duas coisas me atraem muito enquanto ouvinte de Viola, a sensibilidade do instrumentista enquanto intérprete e a inventividade, capacidade de criar coisas muito autênticas. Tem violeiros que me atraem por um ou outro desses motivos e aqueles mestres que conseguem unir as duas coisas…

Não vou dizer aqui o que me atrai em cada um dos que vou citar, mas os trabalhos que admiro são do Ivan Vilela, Fernando Deghi, Levi Ramiro, Ricardo Vignini, Zé Helder, Arnaldo Freitas, Marcelo Viola, Laís de Assis, Mel Moraes, João Bellaver, Fábio Miranda, Pedro Vaz, Índio Cachoeira, Helena Meireles, Júlio Santin, Almir Sater, Renato Andrade… Tem muita gente…

11) RM: Como é seu processo de compor?

Bruno Sanches: Depende, mas em geral não tenho um método. As canções às vezes são feitas a partir das letras, às vezes do instrumental e às vezes vem tudo junto. Já as instrumentais, normalmente nascem de algum motivo musical, ou seja, um pequeno trecho que acaba surgindo de algum improviso ou de um conceito previamente estipulado. Depois desenvolvo a ideia de forma fluente e natural, ou utilizo técnicas de composição que aprendi durante a faculdade de música.

12) RM: Quais as principais diferenças técnicas entre a Viola e o Violão?

Bruno Sanches: É mais fácil falar as semelhanças, a mão esquerda pressiona, abafa ou puxa as cordas e a direita faz as cordas vibrarem com pinçadas, rasgueios e batidas… Aparentemente é igual, mas a maneira de fazer essas coisas é diferente, a posição das mãos muda. São dois instrumentos que parecem no formato também, mas que são muito diferentes na maneira de executar.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Bruno Sanches: A vantagem é que faço tudo como eu quero: repertório, músicos envolvidos, estúdio etc… A desvantagem é que administrar uma carreira é um empreendimento como em qualquer outra área e dentro desse empreendimento tem muitas frentes de trabalho: venda de shows, pré-produção e pós produção de shows, marketing, manutenção de público… E o artista independente precisa tentar cuidar disso tudo e ainda manter a criação artística, manter a qualidade da performance… Muitas vezes é quase impossível conciliar isso tudo.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Bruno Sanches: Minha atual estratégia é fortalecer os coletivos, através da internet e de encontros musicais que possam gerar um intercâmbio entre os artistas e seus públicos.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Bruno Sanches: Uso bastante as redes sociais para divulgar meus projetos e tenho investido em circulações em espaços menores para trabalhar a formação de público.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira? 

Bruno Sanches: A internet só me ajudou até hoje. Tenho a possibilidade de me conectar com pessoas que estão geograficamente distantes, mas próximas de mim em seus ideais. A internet amplia meu público de ouvintes e de alunos, bem como me aproxima de profissionais que eu talvez jamais conheceria se ela não existisse.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Bruno Sanches: A vantagem é que hoje todos podem gravar e a desvantagem é que hoje todos podem gravar (risos). 

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Bruno Sanches: Eu não faço nada pra me diferenciar. Acho que buscar ser diferente não é algo que traga de fato a diferenciação. Tenho pra mim que a única coisa capaz de nos destacar é a autenticidade, ou seja, fazer algo que profundamente nos represente, que seja nossa verdade. Então vou fazendo minha arte…

21) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Bruno Sanches: Gosto de tocar, dos palcos, dos encontros musicais, dos encontros que a música me propicia… Mas ficaria mais feliz se pudesse integrar mais minha família, levá-las sempre pra conhecer os lugares que posso conhecer graças à música.

22) RM: Quais os outros instrumentos musicais que você toca?

Bruno Sanches: Toco violão e cavaquinho, modestamente.

23) RM: Quais os vícios técnicos o violeiro deve evitar?

Bruno Sanches: A tensão. Todo músico deve evitar a tensão.

24) RM: Quais os erros no ensino da Viola?

Bruno Sanches: Pra mim, do ponto de vista técnico, o maior erro é ser negligente com as tensões ao tocar. Do ponto de vista do pensamento é limitar a viola a um nicho musical para que ela seja porta-voz de um único estilo musical.

25) RM: Tocar muitas notas por compasso ajuda e prejudica a musicalidade?

Bruno Sanches: A música é quem manda. Se a música pede muitas notas por compasso ajuda, se a música não pede e isso é feito apenas como exibicionismo, atrapalha, porque nesse caso o ego se sobrepõe à música.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Bruno Sanches: Seja persistente, a música é a arte dos teimosos. Encontre prazer em todos os passos, se perder o prazer algo está errado…

27) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Bruno Sanches: No Brasil atual o maior erro é pautar o ensino de música a partir do repertório da música clássica europeia. Nossa música popular é a mais rica do mundo, perdemos uma grande oportunidade ao seguirmos a mesma linha dos conservatórios europeus tentando tocar a música deles e muitas vezes fracassando em ser tão bons quanto eles nisso. Enquanto isso poderíamos estar formando jovens excelentes em tocar nossa música popular, que ninguém de outra parte do mundo é capaz de tocar melhor que nós mesmos…

28) RM: Existe o Dom musical? Qual a sua definição de Dom musical?

Bruno Sanches: Dom é presente. Acredito, sim, que algumas pessoas nasçam presenteadas com um ouvido muito musical. No entanto acredito muito na vocação, que é a capacidade de se dedicar ferrenhamente a algo. Por isso digo que a música é a arte dos teimosos.

O dom sem a vocação, raramente resulta em um grande músico, porque a habilidade de executar um instrumento ou cantar vem do trabalho do corpo. E um trabalho árduo. Mas quando alguém recebe o dom e tem vocação… Normalmente aí temos os grandes músicos.

29) RM: Qual a sua definição de Improvisação? Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Bruno Sanches: Não sou um bom improvisador, mas aprendi que o improviso é a capacidade de acessar com muita velocidade e fluência um enorme repertório de possibilidades já experimentadas, estudadas e sedimentadas e, então, combiná-los.

Acompanhei por um tempo alguns cururueiros (repentistas caipiras) e isso ficou muito evidente pra mim, pois comecei a perceber padrões e até repetições de frases em seus improvisos. Percebi que isso acontece também com instrumentistas que improvisam.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário musical brasileiro?

Bruno Sanches: A grande mídia não faz cobertura do cenário musical brasileiro, faz no máximo de um pequeno recorte desse cenário, aquele que já está no mainstream… Que é a música pop atual. Mas isso está longe de representar um cenário da música atual. Tanto é que escutamos com bastante frequência pessoas comuns dizendo que não se faz música boa como antigamente. Isso mostra como é difícil que a produção musical independente chegue às pessoas. Normalmente, nós, músicos independentes, ficamos restritos aos nossos círculos e nichos.

31) RM: Qual a importância de espaço como SESC, Itaú Cultural, Caixa Cultural, Banco do Brasil Cultural para a música brasileira?

Bruno Sanches: Contar com verbas públicas é muito importante para quem faz uma música que está fora do mainstream, porque o mainstream tem muito dinheiro à disposição, então fica difícil competir no quesito do marketing. Com verbas de instituições como as citadas, há uma ampliação dos espaços que podemos ocupar de maneira remunerada, oferecendo assim fôlego para continuarmos nossa produção musical e também a possibilidade de ampliar nosso público.

32) RM: Quais os seus projetos futuros?

Bruno Sanches: Os projetos atuais são os projetos do futuro. Por enquanto dedico energia em divulgar meu último lançamento, o álbum Minha Voz, bem como a Escola da Viola, um projeto online para produção de conteúdo didático e documentais sobre a viola caipira. Meus álbuns estão em todas as plataformas de música e a escola da viola pode ser acessada em www.escoladaviola.com.br

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Bruno Sanches: www.escoladaviola.com.br | (18) 99725 – 2390 | [email protected]

| https://www.instagram.com/brunosanchesmusico 

Canal: https://www.youtube.com/@BrunoSanchesMusico 

Bruno Sanches – “Minha Voz” (Clipe Oficial): https://www.youtube.com/watch?v=lWec1c_mV_8 

Bruno Sanches – “Atrás Poeira” (Ivan Lins e Vitor Martins): https://www.youtube.com/watch?v=mpgRtS9T-jo 

Como cuidar das unhas – DICA DA SEMANA: https://www.youtube.com/watch?v=5w-XXo0JjBw  

Playlist como dominar o braço da Viola: https://www.youtube.com/watch?v=DQKFZnurmpA&list=PLv7fXBdl9VepOl8Q59_raeEtsWxzuQAL5 

Entrevista completa no programa Sr. Brasil da TV Cultura – Bruno Sanches: https://www.youtube.com/watch?v=0sMNrsd9GR0


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